Entrevista Capa
DÉBORA BLOCH “Tento dar uma educação humanista aos meus filhos”

POR MICHELE MARREIRA

“Filho de peixe, peixinho é”. O conhecido ditado popular se aplica muito bem à atriz Débora Bloch, que, ainda na infância, acompanhava seu pai, Jonas Bloch, nos ensaios do consagrado texto de William Shakespeare na peça Hamlet. Na ocasião, aos sete anos de idade, viu uma luta de esgrima entre ele e o saudoso Walmor Chagas na construção de seus personagens na montagem brasileira. Cresceu encantada com o universo das artes cênicas. Não poderia ser diferente. Tinha na própria casa um dos maiores mestres da dramaturgia. No final da adolescência chegou a passar em dois vestibulares: História e Comunicação. Entretanto, após realizar um curso de teatro, percebeu que sua real vocação era mesmo nos palcos. Foi então que estreou profissionalmente no ofício em 1980 no espetáculo Rasga Coração, substituindo Lucélia Santos na época. No mesmo ano fez sua estréia em televisão numa participação na novela Água Viva. Logo em seguida viveu a personagem Lívia em Jogo da Vida conquistando o prêmio de atriz revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte daquele ano.  Em Sol de Verão, na pele de Clara, contracenou com nomes de peso como Tony Ramos, Jardel Filho e Irene Ravache. O tablado sempre a instigava e nesse período já integrava o grupo teatral Manhas e Manias que misturava humor, circo e música. “O teatro é um lugar de muita intimidade artística e humana”, pontua.  Apaixonada pelo oficio sempre transitou muito bem por linguagens distintas e gêneros como drama e comédia. Sendo esse ultimo marcando sua trajetória com a inesquecível série TV Pirata, dando um show de versatilidade em esquetes e quadros fixos. Mãe de dois filhos, Júlia (22) e Hugo (18), define-se como verdadeira coruja e bem próxima de sua prole conversando sobre diversos temas com ambos. “Nenhum assunto é tabu”. Atualmente você pode encontrá-la de sexta a domingo encenando “Os Realistas” de autoria do americano Will Eno em São Paulo. “Esse texto é preciso, não tem piloto automático, difícil decorar, sempre o passamos antes de começar a peça. Apesar de conhecer bastante a personagem estou sempre descobrindo coisas”, esclarece. Depois de finalizar ano passado o folhetim Sete Vidas como uma das protagonistas da história, Débora está em processo de estudo e construção de sua futura cria da ficção, na série Justiça, prevista para estrear no segundo semestre na Rede Globo. TUDO bateu um papo franco e descontraído com a artista.

Vamos falar de família e maternidade. Como você se define como mãe: ciumenta, protetora ou desencanada com seus dois filhos, Júlia e Hugo?

A Júlia está fazendo faculdade nos Estados Unidos há três anos morando lá. O Hugo fez 18 anos e já está se preparando para entrar numa universidade também. Eles estão grandes. É um momento diferente de quando eram pequenos. Naquela época eu era àquela mãe que coloca regras, limites e horários. É saudável quando se é criança. Ao mesmo tempo sou uma mãe que conversa muito com eles sobre todos os assuntos com bastante diálogo. Tento dar uma educação humanista aos meus filhos. Nenhum assunto é tabu. Isso cria uma proximidade entre nós.

É impressionante a semelhança física entre Júlia e você. Fica orgulhosa quando falam que se parecem tanto? Qual o sentimento?

Somos muito parecidas mesmo (risos). Dá um orgulho sim, é legal ver a nossa continuação, é bonito. Sou uma mãe bem coruja apaixonada pelos meus filhos.

Débora, você está cada dia mais bela no auge de seus 53 anos. Apesar dessa constatação positiva, em algum momento nessa transição, passou pela crise dos 50?

É uma passagem importante essa “dos 50”, realmente é um divisor. É um marco, estamos entrando em outra fase. Não é fácil. É preciso saber o que isso traz de bom e aceitar que é o início do envelhecimento. Lutar contra é uma batalha perdida. Quando temos saúde tudo se torna mais fácil.

A experiência traz mais segurança no decorrer da vida?

Quando temos mais experiência adquirimos mais consciência dos riscos. Quando se é jovem nos atiramos sem medo. Por outro lado, com o tempo, temos mais ferramentas e recursos conhecendo mais o processo. Já sabemos que iremos passar pelo medo, mas o superamos e talvez soframos menos. Isso também não quer dizer que estejamos mais seguros.

Sua ultima novela, Sete Vidas, foi um projeto que caiu nas graças do público e critica, pelos temas abordados e as atuações intensas no horário das seis. Como foi integrar o folhetim no qual era uma das protagonistas?

Esse é o grande barato da nossa profissão é sempre um aprendizado a cada texto, autor e personagem.

Você trabalhou com o Emilio de Mello e o Guilherme Weber na série Queridos Amigos, exibido pela Rede Globo em 2008. A partir daí surgiu a vontade de trabalharem juntos no futuro em um espetáculo teatral?

O legal de cada trabalho é fazer novos amigos ao final. É sinal que aquele projeto nos transformou de alguma maneira. Em “Queridos Amigos” tivemos o prazer de trabalharmos juntos e, não necessariamente, já estávamos pensando nessa peça, porém ficamos bem próximos, fiz outros projetos com Emílio inclusive.

E essa afinidade é primordial nesse momento na peça “Os Realistas”?

É tão importante a relação que temos com as pessoas na coxia (bastidores) quanto no palco. O teatro é um lugar de muita intimidade artística e humana. É um processo intenso e profundo. Não há superficialidade, por isso é importante eu estar com pessoas que eu admire e confie.

Vocês ficaram três meses em cartaz com a peça no Rio de Janeiro e em abril estrearam em São Paulo no Teatro Porto Seguro. Dá para sentir-se confortável vivendo a personagem Pônei uma vez que você já vem fazendo-a um bom tempo?

A palavra conforto nesse caso precisa ser entendida. É um mal sentido de estagnação que pode acontecer no teatro. Fica parecendo que você morreu... Nesse caso se estivermos muito confortáveis quer dizer que não estamos tão vivos, sem motivação para buscar o novo.

Vamos falar mais sobre a Pônei... Quem é essa mulher?

Ela é bem estrambelhada e um tanto ingênua (risos). Pônei é uma mulher que envelheceu e não amadureceu. Tudo pra ela é “quase”, “meio”, “tipo”... São palavras do seu vocabulário. A sua dificuldade de lidar com a realidade a torna frágil e divertida. Esse texto fala das nossas fraquezas, medos. Existe a história dos dois casais que falam sobre seus relacionamentos nos casamentos, mas fala também como compartilharmos nossas fragilidades. Ela tem humor é uma personagem tocante bastante diferente de mim, está sendo uma alegria fazê-la.

Como tem sido se apresentar ao público de São Paulo?

Fizemos uma temporada bem legal com teatro cheio todos os dias no Rio, tivemos uma resposta até surpreendente, a peça se comunica muito com o público. Aqui, em São Paulo, estamos em um espaço diferente, maior, muda um pouco. Teatro é algo vivo nunca sabemos como é. Esse texto é preciso, não tem piloto automático, difícil decorar, sempre o passamos antes de começar a peça. Apesar de conhecer bastante a personagem estou sempre descobrindo coisas.

Após seu ultimo espetáculo “Brincando em cima daquilo” (2008), embora você tenha excursionado com a peça por algumas cidades, por que ficou alguns anos longe dos palcos? O que te motivou nesse texto a ponto de produzi-lo também?

Eu estava muito ocupada com outros trabalhos. É difícil encontrar um texto onde eu possa dizer “esse eu quero fazer”, que me bata ao coração. Há dois anos eu tinha um projeto de uma peça, nesse período tentei montar esse espetáculo, mas nada fluiu na produção...  E aí apareceu o texto do Will Eno. Porém, entre querer fazer e estrear leva-se pelo menos dois anos. Está cada vez mais difícil produzir, isso faz com que fiquemos cada vez mais longe do palco.

Além da peça você está reservada para algum projeto na TV Globo?

Farei uma série chamada Justiça, texto da Manuela Dias e direção de José Luiz Villamarim. Será bem interessante estou bastante estimulada. Começamos a gravar em maio e acredito que a previsão de estréia seja no segundo semestre desse ano.

 
O Mundo De Rodrigo Santoro

Intenso, apaixonante e impiedoso. Estamos falando de Afrânio, personagem de Rodrigo Santoro, que após 13 anos longe das novelas brasileiras, está de volta em “Velho Chico”. Sobre este trabalho ele disse: “É um personagem que viverá emoções fortíssimas. Não é necessariamente um bom exemplo. Não recomendo para as crianças que estão assistindo em casa. O Afrânio tem uma série de conflitos. Ele é colocado numa situação, e a forma como ele lida, é muito particular”. Para viver este personagem, Rodrigo precisou viajar para algumas regiões do Nordeste, e se surpreendeu com a beleza das terras brasileiras. “Tive um encontro absolutamente fabuloso com a região”, comentou eufórico. Nesta entrevista, ele também fala sobre o envolvimento com o diretor Luiz Fernando Carvalho, e a chance de trabalhar pela primeira vez, um texto supervisionado por Benedito Ruy Barbosa. “Eu sempre admirei as novelas dele, que particularmente me tocam, porque eu também fui criado no campo, e a temática do Benedito sempre foi essa”. Mas Santoro além de emprestar mais que suor ao personagem, teve a oportunidade de conhecer uma comunidade indígena, na qual segundo ele, foi a parte mais emocionante durante as gravações. “Depois de um dia intenso, eu tomei banho da mangueira de um caminhão pipa, com as crianças em Raso da Catarina, uma comunidade pequena, no sertão da Bahia. É algo que eu nunca irei me esquecer, mas ao mesmo tempo, foi tão doloroso, ver a alegria daquelas crianças ao verem a água.”, lembrou. Com tempo contado, Rodrigo finaliza as gravações da primeira fase da novela, e já pensa em retornar para os Estados Unidos, para terminar as gravações de “Westworld”, de J. J. Abrams. Mas, por enquanto, podemos nos deliciar com sua representação, e como ele mesmo disse, nos emocionar com este trabalho que toca algumas questões, como o Rio São Francisco e também faz uma crítica social. Confira!

Tudo - Não faltaram convites para você voltar às novelas no Brasil, mas decidiu aceitar participar de “Velho Chico”. Por que?

Quando eu li o texto de “Velho Chico”, eu disse: “Uau, a história é linda”. Eu me emocionei lendo, o que é muito difícil de acontecer. Eu tenho uma série de elementos que constituem essa resposta. Começando pelo parceiro que eu admiro muito, que é o Luiz Fernando (Carvalho, diretor da trama), com quem trabalhei no seriado “Hoje é Dia de Maria” (2005). Sempre fiquei com muita vontade de voltar a trabalhar com ele novamente. Também a ideia de eu trabalhar com um texto do Benedito (Ruy Barbosa). Eu sempre admirei as novelas dele, que particularmente me tocam, porque eu também fui criado no campo, e a temática do Benedito sempre foi essa. O que me fez aceitar este convite, é a própria história e a personagem que é muito interessante, muito rica. O Afrânio se transforma em cada capítulo, vai amadurecendo. É um personagem que viverá emoções fortíssimas. Não é necessariamente um bom exemplo. Não recomendo para as crianças que estão assistindo em casa. O Afrânio tem uma série de conflitos. Ele é colocado numa situação, e a forma como ele lida, é muito particular. É muito interessante de se fazer, porque representa algo muito mais importante na história do nosso país. Falamos sobre as origens do coronelismo, que provém da tradição patriarcal brasileira, e nós vamos tocar numa série de questões, além do Rio São Francisco, do amor e nós temos também uma crítica social sendo feita. O meu personagem representa muito mais que isso.

Tudo - Agora que sabemos que o convite partiu do Luiz Fernando, e a sua admiração pelo diretor, quais pontos a história mais te tocou? Você disse que se emocionou lendo...

Eu queria fazer um trabalho mais substancial. Não importava se era longo, curto, filme, série ou novela. Queria um belo trabalho! Neste caso, nós tivemos profissionais incríveis fazendo a reconstrução, até mesmo o próprio Luiz Fernando, que é muito cuidadoso com tudo. A ideia de estar numa novela, me agradou muito, porque o folhetim possibilita o diálogo com grande público, de uma forma única. Até mesmo pelo horário que é exibido. Estava com vontade de chegar mais perto das pessoas. Fazia muito tempo que eu não tinha esse contato. Senti muita falta. Acho que o artista realmente, sem demagogia, precisa dessa proximidade, porque alimenta a alma. Estou muito feliz! Satisfeito! Cansado, muito cansado (Risos), mas um cansaço que dá uma sensação boa, sabe?! Sinto-me realizado e grato por este trabalho, por fazer parte dessa novela e de estar com essas pessoas.

Tudo - Você comentou sobre o Afrânio ser um personagem rico. O que necessariamente você precisou de laboratório para poder interpretá-lo?

O lugar em que você está, neste momento, em que nós estamos sentados, é um solo sagrado. Não porque ninguém aqui é especial, mas porque nós sacralizamos este galpão com o nosso amor, com o nosso respeito que temos pela nossa profissão. É um ambiente de criação. É muito interessante passar por aqui mais uma vez.

Tudo - Durante as filmagens vocês visitaram lugares maravilhosos, como o Rio Grande do Norte. Como foi essa experiência com o Nordeste?

Eu já conhecia as praias, mas como turista, e sinceramente eu tinha outra imagem de lá. Dessa vez, estive no interior. Tive um encontro absolutamente fabuloso com a região. Andamos por várias partes e acho que tive uma oportunidade muito especial, de conhecer as entrelinhas do sertão. Uma experiência inesquecível. O que mais me chamou a atenção foram as pessoas que eu encontrei. São tantas emoções, histórias, que fica até difícil escolher uma. Tudo encheu os meus olhos e meu coração. Quando você se depara com um sertanejo, e pergunta as horas, ele olha para o alto e te diz: “são quatro e quinze”. Ele vê pelo sol, não pelo relógio. Esses detalhes, acabam nos colocando onde nós deveríamos estar. Quis entender um pouco da alma do povo do sertão. Pude chegar bem próximo disso. Espero que dê pra ver na telinha também.

Tudo - Você comentou que já conhecia a região, mas durante os intervalos das gravações, você conseguia manter contato com os regionais?

Quando eu tinha um pouquinho de tempo, entre uma gravação e outra, eu procurava me relacionar com as pessoas. É aí que você começa a se aproximar mesmo da vida deles, como eles se relacionam com a natureza, e até mesmo uns com os outros. O que me deixou muito tocado, foi a força deles. Quis entender de onde ela vem, entender porque essa alegria quase inverossímil pra quem vive tanta miséria, passa por tantas dificuldades.

Tudo - Desse contato com a população, que momento mais te marcou?

Nós gravamos em alguns lugares que parece que o tempo não passou. Trabalhamos em vários estados do Nordeste. Começamos pelo Rio Grande do Norte, depois Bahia, Alagoas, Sergipe, enfim...  Nós passamos por vários lugares, e eu vi coisas que me comoveram muito. Depois de um dia intenso, eu tomei banho da mangueira de um caminhão pipa, com as crianças em Raso da Catarina, uma comunidade pequena, no sertão da Bahia. Quem nunca ouviu falar deste lugar, vale à pena pesquisar. É incrível! É algo que eu nunca irei me esquecer, mas ao mesmo tempo, foi tão doloroso, ver a alegria daquelas crianças ao verem a água. Ali existe uma aldeia de descentes de índios. E, não tem água. Quando nós chegamos, os seguranças da emissora, foram armando um esquema de segurança. A produção ficou preocupada com a questão do assédio, mas eles não estavam nem aí. O caminhão pipa é que era a grande estrela. Foi muito marcante. Alguns me conheceram. E, me trataram com muito carinho. Eles estão conectados com a vida de verdade. Com a natureza, com o que realmente é valioso. Não estão preocupados com a roupa que você está vestindo, com quem você falou, ou com quem você está namorando. Eles querem lhe conhecer. Querem olhar nos seus olhos e saber como você é. Foi uma experiência muito bonita.

Tudo - Mas em algum momento a equipe sentiu dificuldades durante as gravações, em lugares mais remotos?

Foi difícil também! Muito calor! Estávamos no auge do verão. Na Bahia a umidade é muito grande. Ainda mais quando o personagem está vestido com os figurinos de época. As pessoas vão perceber que em muitas imagens, eu estou transpirando. Aquilo não é maquiagem. Todo o suor que as pessoas virem na tela, é real. Posso dizer que este trabalho foi suado mesmo! Literalmente! Nós tivemos uma situação, em que estávamos gravando no carnaval na Bahia e pedimos a algumas pessoas para darem uma segurada na música. Havia um bloco de rua e tudo mais! Você acredita que na Bahia, o camarada segurou o tambor? Foi de muito respeito. Eu fiquei emocionado!

Tudo - Outro detalhe interessante do seu personagem é o visual e as pessoas gostaram bastante. O que foi necessário para fazer essa mudança?

O Luiz Fernando que definiu o visual do personagem, e eu fiquei com aquela ideia na cabeça. Um dia eu fui dormir e acordei assim (Risos). Foi uma piada! Esse é um trabalho de caracterização da novela. Esse cabelo é uma mistura. Não vou contar o segredo do Papai Noel (Risos). Essa caracterização demora algumas horas por dia, da equipe de produção da trama. Meu visual tem tudo a ver com o personagem. Bem selvagem. Como se diz lá no Nordeste, Afrânio é arretado e destemperado.

Tudo - Nós sabemos que nesta novela você fará apenas a primeira fase, mas ficou a vontade de participar de todo o projeto?

Agora não será possível. Estou trabalhando no seriado “Westworld”, nos Estados Unidos, e este foi o momento, em que eles deram uma pausa nas gravações. Nós já temos prontos seis episódios, e eles foram retrabalhar os últimos. Eu tive um hiato, como eles chamam. Foi então que surgiu o convite, e foi absolutamente perfeito. Por enquanto, estou terminando de gravar “Velho Chico”, mas assim que eu acabar, volto imediatamente para os Estados Unidos.

Tudo - Recentemente você participou do programa “Domingão do Faustão” e em alguns momentos era clara a sua emoção...

Eu já estava com saudades de interpretar na minha língua materna. Posso lhe dizer que aquela emoção no programa, foi uma síntese da alegria que estou sentindo. Do prazer de estar trabalhando em casa novamente, de ter esse carinho, e ser recebido como fui pelos colegas de profissão e dos novos que fiz nessa trama. Nós temos um elenco incrível! Nós, seres humanos, não conseguimos definir as nossas emoções, porque somos complexos demais. Por isso, posso lhe afirmar que aquela foi absolutamente espontânea, não controlada. O dia em que nós conseguirmos controlar, aí acaba.

Tudo - Você comentou sobre voltar a interpretar, falando na sua língua materna. Mas em breve volta para Hollywood. Como você se sente?

Sempre foi muito difícil me dividir, entre trabalhar lá fora e por aqui. Na verdade, considero que tudo isso, faz parte da mesma estrada. É um único caminho e estou seguindo por ele. Quanto ao futuro, não sei exatamente. Talvez não faça trabalhos muito maiores, porque são mais difíceis de estruturar, pela dinâmica que a minha vida tomou hoje. Agora, por exemplo, vou entrar em um trabalho nos Estados Unidos, que vai me permitir ficar mais por aqui. Uma série com começo, meio e fim, mas tudo depende dos trabalhos, das coisas que surgirão pelo caminho.

Tudo - Saberia dizer qual trabalho mais te satisfaz? Seria no Brasil ou nos Estados Unidos?

É como você comparar um filho. Você tem filho? Eu também não, ainda. Como você fala: “Você prefere o seu filho mais velho ou o mais novo?”. Então, eu não comparo uma coisa com a outra. É difícil você falar, fazer comparações.

Tudo - Logo mais seu personagem será interpretado pelo ator Antônio Fagundes. Vocês chegaram a se falar? Como tem sido essa parceria?

Nós não chegamos a fazer uma preparação juntos. Ele foi até a Bahia quando estávamos gravando. Eu também fiz um filme (A Dona da História, 2004), em que o Fagundes me interpretava mais velho. Eu tenho muito orgulho de entregar esse personagem pra ele. É lisonjeador!


 
Juliana Paes a musa das sete é um verdadeiro deslumbre nas páginas desta edição


Por Michele Marreira

Ela é preferência nacional. Não somente pela silhueta impecável, pele torneada ou look transado. Juliana Paes é a referência da mulher contemporânea, cativa a todos com seu bom humor, característica marcante em sua personalidade. Com o desafio duplo de conciliar trabalho e família (ela é casada e mãe de dois filhos), a bela ainda encontra tempo para atacar de empresária, gerenciando de perto os negócios e investindo cada vez mais em seus empreendimentos. Recentemente lançou a linha de esmaltes intitulada “Como ela é” que leva seu nome. O catálogo luxuoso da campanha foi eternizado nas ruas de Nova York, pelo amigo e fotógrafo André Nicolau. Profissional apaixonada pelo ofício, seu début na dramaturgia se deu no ano 2000, em pleno horário nobre, no folhetim Laços de Família. Aos poucos, viu sua carreira deslanchar na Rede Globo. Em 15 anos de TV, já integrou algumas das seguintes produções: O Clone, A Casa das Sete Mulheres, Celebridade, América, Pé na Jaca, Duas Caras, A Favorita, Caminho das Índias, Gabriela, Meu Pedacinho de Chão. E, para conquistar o patamar de estrela global, a atriz, natural de Niterói, iniciou a carreira fazendo figuração em Malhação, no final dos anos 90. Viveu de mocinhas a vilã. Atualmente, sua personagem, Carolina Castilho, confunde o expectador, que se depara com as tramóias que a editora de moda prepara, para a rival Eliza, a mocinha de Totalmente Demais.  Entre vilanias, glamour e frustração, a personagem parece estar humanizando-se e mudando as estratégias de jogo no amor. Nesta edição descobrimos o que Ju tem feito para manter um corpo ainda mais curvilíneo, se no dia a dia também é muito ligada em moda e, será que há planos de aumentar a família? Confira as próximas páginas e deleite-se!

TUDO: Sua personagem é a verdadeira vilã da trama?

Juliana Paes: Carolina é uma personagem antagonista, não a vejo como vilã. Não é politicamente correta. É uma mulher ardilosa que não mede esforços para conseguir o que deseja. Eu diria que ela tem um código de ética um pouco elástico. Vilão é aquele que pratica maldades e isso ela não faz. Ela quer cuidar da própria vida. Agora, se alguém atravessar o caminho dela, tudo muda. É o que acontece mais para frente.  Além disso, que vilã que vocês conhecem que já começa uma novela tentando engravidar? Carolina só começa a colocar as garrinhas de fora quando percebe que essa vontade de ser mãe, fica ameaçada por uma mulher mais jovem, através da personagem da Marina (Ruy Barbosa).

Vocês duas têm algo em comum?

A Carolina é uma personagem muito diferente de mim, ela não faz o menor esforço para agradar. Eu normalmente sou uma pessoa sorridente, gosto de estar em contato com as pessoas. Carolina não tem qualquer característica minha. Acho que a única coisa que temos em comum é o desejo da maternidade. Em certo momento de minha vida tive esse desejo fortemente.

Qual a sensação de brincar na ficção em ser uma jornalista de sucesso na TV? Visitou redações para ajudar na composição de Carolina e seu ambiente de trabalho?

É muito linda nossa redação. Eu até brinquei que vai ter muita gente com inveja, porque deve ser muito bom trabalhar em um lugar tão bonito, inspira. Nessa novela a TV Globo caprichou bastante na cenografia, sua marca registrada. Visitei diversas redações como a Vogue, Marie Claire, Glamour. Tive a oportunidade de conversar com as principais editoras-chefes dessas revistas de moda.

Você é uma mulher consumista, Juliana?

Que mulher que não é? Eu sou! Hoje em dia, surgiu um termo, que eu estava lendo sobre: low sumerism, a moda de reaproveitar as coisas. Existe esse movimento, eu não sei se vai ter muita adesão, mas tenho feito isso.

Em seu ofício surgem muitas viagens de trabalho. Gostou de gravar na Austrália?

Aquele lugar é divino, fiquei bem impressionada. As pessoas adoram dizer que a Austrália é o Rio de Janeiro que deu certo. Eu já tinha escutado isso algumas vezes e não entendia bem... Os australianos têm um sorriso no olhar, um jeito de receber, tem um pouco de nossa ginga, são muito receptivos. Não têm a dureza do americano nem o nariz em pé como alguns europeus. São muito calorosos. Adorei!

Para compor o perfil desta jornalista você deve ter mergulhado intensamente no universo da moda, certo?

Sou assinante de todas as revistas sobre o assunto, adoro acompanhar tudo sobre moda, mas sei das minhas limitações para consumir moda. Tenho o corpo curvilíneo, e muitas das propostas que são colocadas não vão me valorizar. Hoje em dia, já sei o que funciona em mim. Procuro sempre o clássico, cores neutras, saias lápis. Estou feliz em fazer uma personagem que tenha essa verve, pois vou explorar esse meu gosto pela moda. Apesar de ela ser uma editora, não é uma vítima da moda, não usa “modices”.

Conte-nos todos os segredinhos para manter-se em forma com o corpo.

Combino o TRX (exercício de resistência corporal) com aulas que usam os princípios do Crossfit. São 40 minutos intensos e bem próximos ao meu limite. Também comecei a treinar Muay Thai e estou completamente apaixonada!

Maternidade no fundo é algo que está nos planos de toda mulher?

A grande maioria tem esse desejo, sonha com esse momento ou já cogitou essa possibilidade em algum momento da vida. Eu tenho algumas amigas que optaram não ter filhos. A Carolina passa por um contemporâneo. O momento de você se sentir bem profissionalmente e como mulher achar que aquela é à hora de ter filho, mas ainda não tem esse companheiro para dividir esse momento, ainda não ter encontrado essa pessoa para dividir esse momento.

E a receita para conciliar os compromissos de trabalho e os cuidados com a família?

Todo mundo acha que nossa vida é um glamour. Não é só isso. A gente fica muito angustiada. Eu agora, quase me atrasei, porque o Antônio acordou e queria ficar no meu colo. E, aí?  Fica fazendo aquele chameguinho de manhã e a gente acaba cedendo. Eu fiquei com ele mais um pouquinho. Você acaba deixando de fazer uma coisa ou outra para passar mais tempo com o filho. Mas, no final dá tudo certo.

Pinta aquele sentimento de culpa nessas horas?

Às vezes sim. Principalmente, quando há semanas que não consigo compensar e aí a culpa vem mesmo. Então, eu trabalhei 12 horas, e, amanhã vou levá-los, buscá-los na escola ou consigo colocar um deles para dormir.

 

Engordou muito na gestação do Antônio?

Eu tinha engordado 16 kg nessa gravidez. A gente ganha, mas precisa perder (risos). Minha prioridade era amamentar o Antônio, não utilizei nenhum tipo de complemento nesse período.

Qual mudança sentiu no seu corpo?

Muda tanta coisa. Não fico na paranóia com o corpo. Amamentar é divino emagrecemos sem perceber.

Pretendem ter mais filhos?

A Angélica outro dia me perguntou se eu não queria tentar uma menininha. Eu disse que, por enquanto não, só quero os dois. Mas falei para ela me perguntar novamente daqui a uns dois anos (risos).

 
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