O que você vai ser quando crescer?

Astronauta, jogador de futebol, cantora, bombeiro, bailarina. Quando conversamos sobre o assunto com as crianças, muitas vezes, estas são possíveis respostas para a pergunta acima.

Falando nisso, todos os anos, principalmente nessa época, jovens de todo Brasil, a grande maioria com seus 17, 18 anos, estão cheios de sonhos com a cara pintada, ingressando nas diversas universidades espalhadas pelo país, onde iniciarão suas formações acadêmicas para terem uma profissão e atuarem no mercado de trabalho.

Mas que mercado é ou será esse? Recentemente, li um artigo do site O Globo que falava justamente sobre as mudanças que têm ocorrido nesse cenário, alavancadas, principalmente, pela evolução tecnológica, mas também pelas crises financeiras que também alteram o comportamento das pessoas diante da necessidade de um determinado profissional, serviço ou produto.

Algumas funções operacionais tendem a desaparecer em um futuro não muito distante e muitas mudanças irão acontecer em diversas áreas, como na Comunicação, na Engenharia e até no Direito.

Pois bem! A humanidade tem escrito essa história desde sempre; isso não é de agora! Estamos evoluindo e já assistimos a muitas mudanças. O fato é que não é sobre esse volátil movimento que reside minha reflexão, mas sim, a um ponto importantíssimo abordado nesse mesmo artigo:

O mercado, nos próximos anos, aposta em profissionais que têm facilidade de se relacionar com várias culturas e perfis diferentes. O grande ponto para que você tenha sucesso não está ligado necessariamente ao que você sabe e sim a como você consegue interpretar, analisar e interligar os dados disponíveis” — afirma Antonio Gil, sócio da área de Gestão de Pessoas da Ernst & Young, no Rio.

Essa afirmação falou tão alto para mim; veio inteiramente ao encontro do que penso como educadora, e vejam que atuo com os pequenos, na educação infantil. Mas, quando vejo outros profissionais, além da minha área e segmento, constatando a ideia de que o sucesso não vem do que sabemos, mas sim de como articulamos, analisamos, mobilizamos, ressignificamos os diversos saberes, tenho uma ponta de esperança de que estamos caindo na real.

Pois é, essa discussão é forte demais na educação infantil e no ensino fundamental 1, mas agora já ganha destaque no ensino fundamental 2, médio, superior e até no mercado de trabalho.

Dentre tantos pensadores que escrevem e motivam os educadores a pensarem em uma aprendizagem mais viva, Jorge Larrosa, professor de filosofia de educação na Universidade de Barcelona, tem cutucado os professores acerca do que seria a “experiência” dentro da Escola, no aspecto daquilo que pode verdadeiramente tocar o aluno, fazer sentido para ele. Larrosa, inclusive, refletindo sobre a palavra experiência, nos lembra de que a mesma aparece em nossos conhecidos modelos de currículos quando associada ao “fazer” no trabalho e que as passagens do indivíduo pelas escolas e universidades, recebem o título de “formação”. Sendo assim, parece que passamos a vida nos “formando”, nos enchendo de saberes para depois, enfim, fazermos, atuarmos, sermos mais ativos, termos a tal “experiência”. Nem uma coisa, nem outra! Sabemos que não vamos mudar as coisas de um dia para o outro; continuaremos escrevendo nossos currículos da mesma forma, continuaremos nos submetendo aos vestibulares e ENEN’s da vida, mas uma coisa eu digo, estamos vivendo grandes mudanças e precisamos nos abrir para isso. Quem vive uma experiência se expõe, sente, passa de fato por algo, mas, sobretudo tem tempo e espaço para tal. A avalanche de informação e de acontecimentos sucessivos e efêmeros destroem, pouco a pouco, a possibilidade de se viver a “experiência”.

Sendo assim, e voltando-nos aquele profissional desejado pelo nosso então mercado de trabalho, como aparece no interessante artigo do site referido no início do texto, como esse jovem terá as características esperadas tendo vindo de um modelo de educação em que não há tempo nem espaço para se engatar os fatos e experiências da vida? Essas habilidades não deveriam ser estimuladas, vividas desde cedo?

Precisamos pensar sobre isso...

Uma boa reflexão a todos.

Adriana Rodriguez Xavier - pedagoga e psicopedagoga
adrianardz73@hotmail.com

 

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