Isis Valverde


Mulher Livre, bicho do mato, maravilhosa

Por Michele Marreira

Ter Isis Valverde como entrevistada de capa causou o maior reboliço na redação da REVISTA TUDO. Poxa, mas dá um desconto, né? Protagonista da novela Força do Querer, no papel da Ritinha – que ainda não sabemos se é o anjo ou o demônio da trama – Isis é a grande promessa da dramaturgia brasileira.
Com três década completadas no início de 2017, e depois de ralar muito, talvez ela tenha percebido o momento é de olhar mais para a vida pessoal.
E encarar um casório com o modelo e empresário André Resende, com quem namora há cerca de um ano, pode ser um passo a ser dado neste novo ciclo. E se vem casamento, pode vir um neném... quem sabe?
O talento de Isis se estendeu às telonas na história central em dois filmes: Amor.com e Malasartes.
Apesar de todo o jeito espevitado que mostra na novela, a atriz se considera uma “bicho do mato”. Isis gosta de sossego, de ilha deserta. Nasceu em Aiuruoca, uma cidadezinha mineira com um pouco mais de 6 mil habitantes, segundo o IBGE de 2010.
Com apenas 15 anos foi morar sozinha em Belo Horizonte para se dedicar aos estudos. Trabalhou como modelo – após ser descoberta por um olheiro em um shopping - e as campanhas publicitárias seguraram as pontas.
Três anos mais tarde, decidiu investir na carreira artística no Rio de Janeiro – onde mora até hoje.
Sinal de que deu certo.
Ôôôô se deu.
Depois de alguns testes, em 2006, estreou na TV em sua primeira novela como Ana do Véu no remake de Sinhá Moça. Em Paraíso Tropical, sua personagem Telma morria de forma trágica na trama de Silvio de Abreu. Após Rakelli de Beleza Pura e Camila de Caminho das Índias, recebeu como desafio a responsabilidade de protagonizar Tititi, em sua segunda versão na Rede Globo. À essa altura de sua trajetória, era considerada um dos promissores nomes da teledramaturgia brasileira. Alçou voos mais altos em O Canto da Sereia, Avenida Brasil, Amores Roubados e Boogie Oogie.

Revista TUDO: O que mais te desafiou na hora de construir a Ritinha de A Força do Querer?

Isis Valverde: Foram três meses de preparação. É uma personagem que exigiu muita criação, treino, empenho e coragem. Nadar com tubarão de três metros, rodeada de água-viva, com boto e piranha não é fácil não. O boto não é treinado; é selvagem e ganhei sua confiança. Depois eles começaram a me seguir pelo rio. Mergulhar sete metros de profundidade com a temperatura da água em 17 graus, ficar dois minutos sem respirar em movimento, quase morrendo, é muita coisa! Dançar carimbó é difícil, exige muito do nosso físico. Foi um personagem que chegou e me perguntou: “Isis, você quer me fazer? Eu quero que você me faça, mas vai ter de ralar.” Fora o sotaque.
Nota da revista: Quem não sorri quando escuta Ritinha dizendo: “Éééégua” ou “Lasquei-me”.

Interpretando uma mulher determinada e corajosa na ficção, de que maneira você enxerga a mulher inserida na sociedade contemporânea? Já passou por alguma situação embaraçosa por ser do sexo feminino?
Muitas vezes. Eu sempre cito o exemplo de uma mulher que mora na Bahia, uma motorista. No carro, nós começamos a conversar e ela, sem saber que eu faço parte de um grupo de feministas, começou a me contar o quão difícil era ser motorista, que sempre ouvia que deveria pilotar um fogão e que homens já se negaram a entrar em seu carro pelo fato de uma mulher estar ao volante.
A gente vive esse tipo de situação diariamente.

O que mudou em sua vida com a chegada dos 30?
Fez algum tipo de reflexão mais minuciosa?
Não é refletir e sim elaborar. Aprendi com o meu professor de Filosofia que elaborar é preciso, necessário. Comecei a exercitar isso diariamente. A vida é tão rápida, cada hora estamos em um lugar realizando trabalhos diferentes que, às vezes, não sobra tempo de amadurecer algumas ideias. O que faltava na Isis de dez anos atrás era paciência. No fim, o mundo gira e tudo se resolve.

Você está namorando o modelo André Resende. Já pensam em casamento?
Sim. Estamos vivendo e deixando o relacionamento amadurecer. Penso em construir uma família, até chegar um ponto de ter um neném. Nunca tinha pensado (no assunto) de uma forma tão madura.

Quais são seus planos na carreira?
Quero fazer mais cinema, buscar bons personagens. Procuro me aperfeiçoar cada vez mais no meu trabalho; fui para fora do país estudar, me informar, aprender outro idioma, fiz vários cursos no período sabático que tirei.

Você se arrepende de algo que tenha feito?
Não. Na verdade, derrapei uma vez. Eu alterei a nota de uma prova da aluna do meu pai; ele era meu professor e deu para que eu corrigisse. Na minha sala tinha uma menina que sempre tirava uma nota maior do que a minha. Quando eu a vi tirando 8,5 e eu 8, não me conformei. Mudei uma resposta e fiquei quieta (risos). Meu pai quando percebeu, me chamou e perguntou se eu tinha alterado a nota. Comecei a chorar porque eu não sei mentir. Pedi perdão. Aprendi com esse meu erro. Eu era uma criança, mas nunca mais cometi isso. Mexi com a confiança de quem eu amava muito: meu pai. É interessante aprender com as nossas falhas.

Sua personalidade transmite uma sensação de paz e liberdade ao mesmo tempo. Segue algum mantra?
Sigo um mantra Havaiano maravilhoso: “Te amo, me perdoa, sou grata”. Aprendi com uma maquiadora de cinema. Um dia eu cheguei irritada e achei lindo quando ela me falou isso. A minha raiva foi diluindo.

Os looks que você usa servem de inspiração para muitas mulheres. Como descreve sua relação com a moda?
A minha relação com a moda ficou mais elaborada com o tempo. Eu sou uma menina de cidade do interior. A moda é a ultima a chegar por lá. Eu sempre via muita revista, tentava ficar antenada. Comprava minhas peças. Virei atriz e comecei a me vestir bem. Eu era muito básica: camiseta, calça jeans e tênis. Quando percebi que poderia me vestir e mostrar às pessoas quem era a Isis, comecei a me interessar. Depois que fiz o filme Amor.com no qual entrei no universo das blogueiras, me apaixonei e descobri como me expressar através das roupas. Antes eu vestia uma peça porque me falavam que era a ideal, hoje tenho minha própria opinião.

Peças que não faltam em seu closet?
Peças coringas que complementam o look de alguma forma. Eu descobri que sapatos, bolsas e óculos são indispensáveis. Você pode colocar uma calça jeans retrô com uma blusa preta básica e uma bolsa transada ou um óculos irado que dá um up.
Esses acessórios transformam o visual.

Qual é o seu grau de interação nas redes sociais?
Eu tenho Instagram, uma verdadeira febre. Virou uma ferramenta de publicidade, trabalho, interação. É uma rede social rica de informações. Hoje em dia faço tudo pelo celular, sou mais ligada no telefone. É mais rápido, não preciso carregar peso.

Tradicionalmente, nesse mês, o enfoque é voltado à campanha Outubro Rosa, que combate o câncer de mama por meio da prevenção. Você já passou por alguma experiência pessoal ou na família? Qual a sua mensagem sobre o tema?
Eu já tive muitas pessoas próximas que passaram por essa situação. Eu percebi que, quando não perdemos a fé e não nos afastamos das pessoas que nos amam, é possível seguir em frente. Minha mensagem para quem está passando por uma situação assim é não seguir sozinha. Se apegue no que fará bem ao seu coração. Uma das minhas melhores amigas de infância, aos 29 anos, acabou de se curar de um câncer; foi um processo bem doloroso para todos nós. Mulheres, previnam-se.
Isis, sua linda
- Isis é fãnzaça de Johnny Depp e Gisele Bündchen;
- seria veterinária se não fosse atriz;
- vivenciar Ritinha tem sido uma realização, já que ama água. Seu sonho é comprar um barco;
- tem intolerância a glúten e alimentos que levam farinha de trigo;
-
foi ela quem pediu para interpretar Maria Lúcia, no filme Faroeste Caboclo.


 

 

Indique !