XEXUÃO – A “CIDADE AZUL” DA COR DO MAR


Localizada no Marrocos, a região encanta tanto quanto o próprio oceano

 

Que atire a primeira pedra quem leu no subtítulo desta matéria a palavra “Marrocos” e não pensou automaticamente na novela “O Clone” (2001), da autora Glória Perez. Na época, o país africano não era tão conhecido em terras brazucas até virar cenário da história de amor de Jade (Giovanna Antonelli) e Lucas (Murilo Benicio) protagonistas do folhetim global. Atualmente, o Marrocos recebe muitos turistas brasileiros que são atraídos por sua gastronomia, hospitalidade, singularidade cultural e cidades lindíssimas – uma delas, estrela desta edição. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o país é bastante seguro, diferentemente de alguns de seus vizinhos. Além disso, é um destino barato, onde o turista desfruta das melhores opções e ainda traz presente para a família toda sem gastar uma fortuna. Agora, sem mais delongas, aperte os cintos e embarque com a equipe da Revista Tudo para o continente africano e conheça Xexuão, a Cidade Azul.

O azul simboliza serenidade, sinceridade e confiança. É a cor do bem-estar. Pensar nisso dá uma tranquilidade imensa, não é mesmo? E se te dissermos que existe um lugar onde tudo é azul – casas, prédios, comércios, ruas? Pois é! É aí que entra o nosso destino.

Xexuão ou Chefchaouen está localizada no norte do Marrocos e possui, aproximadamente, 40 mil habitantes – ou seja, é bem pequenininha. A cidade foi fundada em 1471 pelos mouros que vieram exilados da Espanha, com o objetivo de servir como fortaleza aos ataques invasores dos portugueses. Na época, com a chegada de judeus e mulçumanos refugiados, Xexuão se fechou completamente a estrangeiros e, durante séculos, acolheu apenas peregrinos. Para se ter uma ideia, o isolamento em relação ao resto do mundo foi tão intenso que, quando os espanhóis chegaram e ocuparam a região em 1920, se surpreenderam ao encontrar judeus ainda falando uma língua que não se ouvia no país europeu há 400 anos.

A origem do nome é espanhola e significa “Olhe os Chifres”, em alusão a sua localização na região das montanhas RIF – consideradas sagradas e famosas por serem um local de peregrinação onde estão enterrados antigos profetas locais – entre os picos de Tisouka e Megou que, juntos, formam dois chifres. Os vários tons de azul que predominam por toda a região – do mais ameno ao mais vibrante – dão a impressão de estarmos acima das nuvens.

A tradição de colorir esse pedacinho tão peculiar da Terra de azul surgiu logo após a sua fundação, através dos judeus, que buscavam abrigo enquanto fugiam da Inquisição Espanhola no fim do século XV – e onde permaneceram até meados do século XX, quando se mudaram para o então, recém-formado, Estado de Israel. E ainda que hoje a população judaica não seja tão numerosa quanto naquela época, os moradores ainda preservam a tradição e renovam a pintura de suas casas regularmente.
A escolha dessa tonalidade específica, na verdade, é incerta, porém existem algumas teorias que buscam desvendá-la: uma delas diz que os judeus tinham o objetivo de reproduzir a visão do paraíso, como se fosse uma espécie de lembrete de que Deus e o céu estão acima de qualquer coisa. A outra teoria é de que o azul remete à cor de objetos sagrados do Velho Testamento. Ainda tem quem diga que a cor foi escolhida para espantar mosquitos (!).



As casinhas e prédios azulados estão presentes, em sua maioria, no centro histórico da cidade. A nossa dica é que você comece seu tour pela Medina, um labirinto repleto de vielas, escadarias e edifícios de arquitetura moura e espanhola.

Logo depois, vá até a praça Uta Al-Hamman – ponto central de Xexuão. Ali você encontrará centenas de lojinhas de presentes, cafés e restaurantes. Dica: experimente o famoso chá de menta, é incrível!

Se você aprecia História e Arte, não deixe de visitar a mesquita Yamma el Kebir e o museu Kasbah – a vista que a torre do local possui, além de todo o seu acervo, vale a visita, pode apostar!

Já para os apaixonados por esportes radicais e amantes da natureza, as montanhas que rodeiam Xexuão, onde está localizada a floresta Talassemtane, isolada e pouco frequentada, é perfeita para os praticantes de alpinismo, trekking e parapente.

Não deixe de dar um pulo nos minifúndios, que se parecem muito com as chácaras brasileiras, onde é produzido o queijo de cabra, iguaria da região. Hmmm!

Para fechar o roteiro, vá até as cachoeiras de Akchour – vila que fica a 40 minutos de Xexuão e está rodeada por montanhas e paisagens fabulosas. Nossa dica é que você pegue um táxi compartilhado até o vilarejo e de lá saia para fazer a trilha de duas horas até as quedas d’água.

De São Paulo para a Cidade Azul não existem voos diretos. Para chegar até ela, é preciso ir primeiro até cidades próximas; Casablanca – a 338 km de distância – é uma delas. O valor da passagem pela CVC Viagens e a Air France é de 6.537 reais.
De lá, as opções para chegar a Xexuão são inúmeras.

Com toda a certeza, um destino para toda a família! E aí? Malas prontas?


Curiosidade
A região é uma das maiores produtoras de maconha do mundo e a maior de haxixe.



CORAÇÃO MARROQUINO

A estudante intercambista Abir Kellitou, de 24 anos, é espanhola na certidão de nascimento e marroquina de coração. Com mãe europeia e pai africano, Abir cresceu entre os dois países – mas é pelo Marrocos que o coração dela bate mais forte. “Como minha origem é mulçumana, sofri muito com a xenofobia e o racismo na Espanha. Mesmo eu sendo espanhola, tenho traços marroquinos e isso me causava problemas na escola. Por esse motivo me sentia muito melhor no país de meu pai. As pessoas são muito receptivas, tenho muitos amigos lá e vou com frequência visitá-los”, conta ela. Sobre a Cidade Azul, Abir é só elogios: “Xexuão é muito linda, ideal para relaxar! É um destino barato, que oferece muito em cultura e cordialidade. Já fui algumas vezes e em todas elas me surpreendi”, argumenta.
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