E por que isso é importante? Porque estas questões são determinantes para que você faça um plano adequado – aquele que atende as suas necessidades.

Na verdade, o assunto é complexo, e valeria no momento da contratação pedir auxílio a um especialista. O grande problema é que as pessoas, no geral, confiam no especialista do banco para realizar esta recomendação. Sem perceber que o banco, hoje mais do que nunca, é um vendedor de produtos. O gerente tem que bater cotas de vendas! E na maioria das vezes está muito menos preocupado com a adequação do produto ao seu caso específico, do que com o final do mês que se aproxima (e quanto falta para bater a cota). É grave o que estou falando? Sim, mas é a pura realidade que tenho encontrado em meus atendimentos.

Não conseguiríamos num artigo levantar todos os pontos a serem analisados na contratação de um plano de previdência. Mas vale aqui alertar para alguns pontos básicos - o mínimo que deve ser levado em consideração.

  1. PGBL X VGBL

A única maneira de você se beneficiar com um PGBL é no caso de ser contratado de uma empresa e pagar IR na fonte (descontado diretamente do seu salário). Porque, neste caso, você pode deduzir a contribuição feita ao PGBL no ano, da base de cálculo do seu IR. Isso significa: vai pagar menos IR agora. Lógico que vai pagar depois, quando for usar os recursos acumulados no seu PGBL – no momento do resgate vai pagar IR sobre o valor total resgatado. Mas até lá, dependendo do tempo decorrido, pode cair numa faixa de IR menor (e aí que está a vantagem).

Se você é autônomo: VGBL! E vai pagar IR apenas sobre os rendimentos.

Não é brincadeira: já encontrei algumas pessoas que têm um PGBL e não são assalariadas. Não têm nenhuma vantagem fiscal no momento, e na hora de resgatar o dinheiro do plano... surpresa! Vão pagar IR sobre o valor total resgatado!

  1. PRODUTOS COMBINADOS: SEGURO E PLANO DE PREVIDÊNCIA

Essa combinação é terrível! Não porque não devemos ter seguro – pelo contrário! Mas porque, invariavelmente, as pessoas nem sabem que estão pagando um seguro. Quanto mais saber os detalhes da sua apólice! Questões básicas como valor segurado, condições, exceções... até mesmo quem são os beneficiários! Não tive até hoje nenhum cliente que soubesse os detalhes de seu seguro, ou que tivesse refletido sobre suas necessidades com relação a este produto. Aliás, as pessoas não sabem dizer, da contribuição que estão fazendo, o quanto é direcionado ao plano de previdência, e quanto vai para o prêmio do seguro! E aí começam as surpresas... Tenho clientes que descobriram, depois de anos de contribuição, que a maior parte do valor debitado mensalmente de sua conta ia para o seguro. E a previdência... magrinha, magrinha! Mas como? Pois não é que tinha uma cláusula pequenininha no contrato, que permitia que os percentuais dos valores fossem alterados se a pessoa mudasse de faixa de risco no seguro? Mas alguém lê contrato? Posso dizer, por experiência própria, que a grande maioria não lê.

Este artigo é um alerta. Vai fazer um plano de previdência? Analise bem as condições! Já tem um? Sempre é hora de repensar – pois estes planos podem ser alterados (você pode fazer a portabilidade para outro plano mais interessante). Se você se acha incapaz de fazer esta reflexão sozinho, busque ajuda – o prejuízo vai ser muito maior num produto inadequado.

Essa pode ser a diferença entre uma aposentadoria tranquila ou um desastre financeiro.

Florence Corrêa Duarte – Educadora financeira e Planejadora Financeira Pessoal. Auxilia mais de 20 famílias com o controle de sua vida financeira, dívidas e investimentos. Idealizadora do Café Financeiro na Granja Viana (facebook.com/cafefinanceirogranjaviana).

 

 

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