A CASACOR São Paulo 2026 apresenta uma edição que convida o público a desacelerar e se reconectar com o que é essencial. Em sua segunda passagem pelo Parque da Água Branca, a mostra propõe uma experiência profundamente ligada à natureza, ao bem-estar e às relações humanas, traduzindo o tema “Mente e Coração” em um percurso que integra arquitetura, paisagismo, design, cultura e afetividade.
Mais do que uma mostra de arquitetura, a CASACOR reafirma seu papel como plataforma cultural e agente de transformação urbana.

É um dos projetos mais interessantes do ponto de vista arquitetônico. Em vez de apenas usar madeira, Panaggio colocou a própria marcenaria brasileira como tema, reunindo peças de diferentes gerações do design nacional. A escada helicoidal de madeira virou praticamente uma escultura, acompanhada por uma passarela suspensa, uma grande estante e totens giratórios
Ao longo de sua trajetória, o evento se consolidou também pela ocupação temporária de edifícios históricos e espaços pouco acessados da cidade, promovendo requalificação urbana, novos usos e reconexão do público com patrimônios arquitetônicos e culturais. A edição reforça esse compromisso ao propor uma ocupação que respeita integralmente as diretrizes de preservação do espaço público tombado.
Ao todo são 70 ambientes, entre casas, espaços de debate e áreas de estar, jardins, praças, instalações artísticas, escadarias, estúdios, lofts e tiny houses, ocupando uma área construída de mais de 10 mil m2 no coração de um parque urbano com vegetação preservada.

Um dos ambientes mais sofisticados e, ao mesmo tempo, mais habitáveis da mostra. Preserva elementos do edifício histórico e mistura referências europeias, arte brasileira, madeira, tecidos e mobiliário de diferentes épocas. O interessante aqui é justamente a sensação de casa construída ao longo da vida, em oposição à decoração excessivamente perfeita ou cenográfica

Outro projeto em que a memória foi protagonista. Carolo homenageou o avô, de 100 anos, usando móveis e objetos reais da família junto a peças contemporâneas. Há referências vintage, anos 1970, madeira e bronze. O resultado foge daquela aparência de showroom e tem uma narrativa muito pessoal

É especialmente interessante para falar de tendências. O projeto trabalhou tons de mel, marrom, cereja e verde e colocou o vitral como elemento arquitetônico — inclusive fazendo a conexão entre banheiro e cozinha. É um bom exemplo da volta das cores profundas e da iluminação filtrada, duas características bastante presentes nesta edição

Logo no início do percurso, Paulo Azevedo criou uma espécie de portal para o conceito da mostra. O ambiente de 50 m² reproduz uma cabana carregada de referências afetivas, inspirada em noites estreladas, viagens e lembranças da infância. Tecidos, malas, mapas, fotografias, luz baixa e objetos com aparência vivida constroem um cenário deliberadamente distante da ostentação. É uma casa que não busca parecer nova — busca parecer verdadeira

Transformar uma área de circulação obrigatória em um dos projetos mais interessantes da mostra foi o desafio de Victor Niskier. Em 84 m² distribuídos por três pavimentos, nasceu uma torre-refúgio, com biblioteca, estar, home office, bar e academia. A grande estante Colmeia, revestida de couro envelhecido, explora o pé-direito duplo, enquanto peças autorais, como uma mesa em quartzito azul macaúbas, reforçam a presença do design brasileiro
A 39ª edição da CASACOR São Paulo será realizada entre 02 de junho e 09 de agosto, com funcionamento de terça a domingo, incluindo feriados, sempre das 11h às 22h. Valores dos ingressos: De 02/06 a 27/07, terça a domingo e feriados – R$ 141,00 (inteira) e R$ 70,50 (meia-entrada). Até 09/08, terça a domingo e feriados – R$ 161,00 (inteira) e R$ 80,50 (meia-entrada).







