Muitos de nós crescemos vendo nossa mãe sob a lente da perfeição, exigindo dela condutas sobre-humanas. Mas, a verdade, é que nossa mãe é, antes de tudo, uma mulher comum. Ela também é filha e neta, e carrega em sua história o que pôde receber e também as faltas que a moldaram. Ela traz consigo os traumas, as impossibilidades e, simultaneamente, toda a força do sistema que a antecedeu.
O elo começa no silêncio do útero
Desde a concepção, fomos alimentados por ela. Se ela padecia, se entristecia ou se sobressaltava, o corpo dela contraía e a nutrição chegava diferente a nós, assim, toda tensão dela era transferida para nós e nesse momento quase não nos movimentávamos para não sobrecarregá-la e economizarmos nossa própria energia. Ali, naquele primeiro abrigo, aprendemos a fazer de tudo para que ela ficasse bem, pois a nossa sobrevivência dependia dela.
A ilusão do salvamento
Ao nascermos, muitos de nós levamos para a infância — e para a vida adulta — a tentativa inconsciente de “salvar” a mãe. Mesmo inconscientemente, carregamos a “culpa” de suas dores como se tivéssemos o poder de mudá-las. Essa “falta” pode se tornar uma lente que distorce a vida adulta: passamos a buscar salvar o mundo ou vivemos sob o medo constante do abandono quando, na verdade, ainda estamos buscando “a mãe”. Enquanto tentamos carregar o peso dela, não conseguimos viver a nossa própria natureza.
O despertar para a realidade
Nossa mãe também vê o mundo através das lentes dela. Talvez, por seus próprios emaranhamentos, ela não tenha tido a possibilidade de oferecer o acolhimento que esperávamos. Às vezes nos doou… talvez tenha nos machucado ao tentar educar ou estivesse tão envolvida em sua própria dor que não pôde nos olhar.
A primeira prosperidade
Ainda assim, do modo como foi possível, ela nos gestou. A nossa concepção foi nossa primeira prosperidade e a segunda, nosso nascimento: nascemos prósperos! Independentemente de tudo, ela disse “sim” à nossa vida. Guarde isso: nossa primeira e segunda prosperidade estão relacionadas à vida e portanto, à saúde.
Na visão sistêmica, o relacionamento com a mãe é a chave para a nossa fluidez no mundo. Quando, apesar de tudo como foi, conseguimos agradecer pela vida que veio através dela, abrimos caminho para a prosperidade em todas as suas formas: na saúde física, psíquica e emocional, nos bens materiais e na realização dos nossos projetos.

Exercício sistêmico de cuidado:
- Procure um lugar confortável, onde não seja interrompido;
- Espreguice e respire profundamente;
- Feche os olhos por um instante e visualize sua mãe à sua frente;
- Olhe para ela não como o “personagem” que deve te atender, mas como a mulher que ela é;
- Imagine-a pequena, no colo da mãe atrás dela;
- Agora sua avó pequena no colo da sua bisavó e outras atrás delas;
- Diga mentalmente: “Querida mãe, agora sim vejo a sua história. Todas pertencemos. Eu vejo um pouco as suas lentes. Obrigada a todas e, especialmente, por permitir que a vida chegasse até mim através de você, mãe. Eu tomo a vida pelo preço que custou a você e pelo preço que custa a mim. Agora, eu a deixo com o que é seu, e sigo com o que é meu”;
- Sinta o peso saindo dos seus ombros e a força da vida levando você para frente;
- Respire longamente e fique o tempo necessário nesse momento;
- Espreguice novamente e abra os olhos;
- Diga mentalmente: “agora sim eu digo “SIM”e recebo MINHA VIDA”.
Eliana Tessitore é Consteladora Familiar , Terapeuta Sistêmica e Integrativa, mestre em Enfermagem Psiquiátrica Atende em SP e na Granja Viana:
@eliana.tessitore
(11) 96456-0777







