A cidade de Cotia, que faz divisa com a capital e tem acesso para o rodoanel, tornou-se um problema para o desenvolvimento da região
Se pelo menos uma pequena parte do que já foi discutido, projetado e prometido para a Raposo Tavares ao longo dos últimos anos tivesse sido cumprido, a realidade de quem depende da Rodovia hoje seria bem diferente. Há 18 anos discute-se melhorias viáveis, mas que nunca foram colocadas em prática.
Propostas viáveis já foram apresentadas, mas nada foi feito
A Revista Tudo resgatou as alternativas apresentadas para a Raposo
Em 2007, a mídia regional noticiou que, pela primeira vez até então, empresários e entidades da sociedade civil iriam debater soluções para o eixo Raposo Tavares, em um encontro que eles chamaram de 1º Fórum pela Sobrevivência Saudável do Eixo Metropolitano da Raposo Tavares. idealizado pelo publicitário João Lino, o evento tinha em sua pauta o fluxo de veículos e seu impacto na região.
Já naquela época, a Raposo Tavares era a segunda maior rodovia que recebia veículos de passeio, num ranking de 10 rodovias.

Entre 1997 e 2007 dobrou o número de veículos que circulavam no trecho entre os km 10 e 22 da Rodovia Raposo Tavares, no limite da capital com a cidade de Cotia, na Grande São Paulo. Em 1997, eram 88 mil automóveis; em 2007, eram 160 mil.
Há 11 anos, o 2º Fórum de Mobilidade da Raposo Tavares apresentava alguns projetos para a Raposo e, na época, o presidente da CCR Oeste disse à imprensa regional: “Desenvolvemos um estudo financeiramente viável, com curto prazo de execução e 100% implantado pelo Grupo. Se for de interesse do governo e da população podemos avançar com o estudo e iniciar as melhorias na via”. Não foi de interesse do Governo.
Com investimento previsto de R$1,8 bilhão e prazo de cinco anos – ou seja – já estaríamos colhendo os benefícios do projeto – foram apresentadas as seguintes propostas:
No km 26,5, a CCR havia proposto a construção de um viaduto de acesso que ligaria a Avenida José Giorgi para a Raposo sentido São Paulo. No km 23, haveria todo um remodelamento do retorno. Na altura do Km 12, seriam construídos viadutos e túneis para facilitar o fluxo de carros de quem vem do Butantã, além da eliminação dos dois faróis do início da Rodovia.
Outra proposta feita pela CCR foi a ampliação de faixas entre o km 15 e 26, está prevista a ampliação das faixas, saindo de três para cinco em ambos os sentidos, além do acostamento. Após este alargamento, o estudo propõe que todas as passarelas e trevos sejam remodelados.
Em 2014, arquitetos da AETEC (Associação de Arquitetos, Engenheiros e Técnicos de Cotia), Ricardo Cunha, Cassiano Diegues, Lilia Fornitano e Marta Nader, apresentaram a opção de uma ligação da Avenida José Giorgi à Estrada Fernando Nobre, uma alternativa para quem precisasse chegar em Itapevi e Barueri sem precisar pegar a Raposo Tavares
Em 2017, a GP Desenvolvimento Urbano por conta do processo de aprovação do Loteamento Florada das Laranjeiras,contratou uma pesquisa sobre o crescimento da cidade de Cotia. Neste estudo foi possível constatar que 60% do tráfego nesse trecho é local, ou seja, são viagens curtas realizadas por moradores locais, nos dois sentidos, ou seja, as pessoas de Cotia vão de um lado para o outro da estrada, por falta de conexões viárias alternativas à rodovia.
Em 2019, a Prefeitura de Cotia apresentou, no auditório da empresa Würth, estudos de origem e destino dos veículos em deslocamento na região e Projeto com mais de 30 interferências viárias na Rodovia Raposo Tavares.
– melhorias no cruzamento da Avenida São Camilo com a Rua José Félix por meio de implantação de Rotatória
– mão única na Avenida São Camilo sentido São Paulo
– alteração no viaduto do 22.800
– mão única em parte da Rua José Félix sentido Carapicuíba
– criação de via alternativa, paralela a José Félix passando pelo Hospital São Camilo também sentido Raposo.
– melhorias no acesso à Rua José Felix
– ligar a rua José Félix à São Camilo
– uma extensão da marginal do Shopping Granja Vianna até o km 21, onde deverá ser construído um novo viaduto
– construção de novo viaduto na altura da Avenida Denne, onde hoje existe uma passarela
– uma nova via passando por trás do Cotolengo
Resumindo, o estudo previa a construção de três viadutos no trecho entre os km 21 e 26. O primeiro, no km 21,8, logo após o retorno 22,8, com mão única para quem fosse acessar a Estrada Velha de Sorocaba e com isso eliminaria-se mais um problema na alça do retorno, a mão inglesa. O segundo viaduto estava previsto no km 25, ligando a avenida Denne, no Parque São George, à rua Mesopotâmia, que dá acesso ao Cemucam, Jardim da Glória, Engenho, Jardim Barbacena, entre outros. O terceiro viaduto, já fez parte de projetos anteriores, no km 26, saída da José Giorgi.
Em 2019, o estudo apresentou que uma média de 800 veículos cruzavam o retorno por hora em destino a José Felix e outros 430 continuavam na São Camilo. A rotatória na Estrada da Aldeia, que dá acesso ao Open Mall recebia cerca de 1,2 mil veículos por hora (ida e volta) sendo que apenas 10% do tráfego era absorvido pelo shopping

Em 2021, novos estudos foram feitos e outras alternativas apresentadas
O projeto, feito pela Canhedo-Beppu Engenharia, teve um custo de R$5 milhões e, na época, falaram que o valor foi desembolsado por empreendedores da cidade.
O estudo mostrou que cerca de 70% das pessoas que circulam pela Raposo Tavares, próximo ao km 23, compõem o trânsito interno da cidade. O estudo mostrou que cerca de 30% desse trânsito são pessoas indo para São Paulo.
O projeto de mobilidade urbana de 2021 previu uma mudança no Parque São George, em frente a delegacia da Granja. Nesse local, o plano era ter uma ponte ligando ao Cemucam. A obra serviria a quem desejasse passar de um lado para o outro sem usar os retornos do km 26 ou km 22.

Em 2022, o Governo de São Paulo, através do DER (Departamento de Estradas de Rodagem), realizou a abertura da licitação para as obras da rodovia Raposo Tavares, em Cotia. Com orçamento estimado em R$124,3 milhões, a contratação das obras visava serviços de readequação da integração do município de Cotia com a Rodovia Raposo Tavares.
Em 2023, Rogério Franco afirmou categoricamente que o Governador Tarcísio de Freitas desistiu da execução do plano de mobilidade da Raposo
“O trânsito local poderia ser organizado dentro da área do próprio município se desde gestões anteriores houvesse sido montado um departamento de trânsito profissional de engenharia. Esse departamento indicaria a abertura de trechos internos ligando ruas descontinuadas por péssimas gestões urbanas. Além disso não utilizaria a rodovia como parte do trânsito local como faz até hoje”, arquiteto Mario Savioli

R$96 milhões em investimentos para a Raposo: onde foi parar?
No dia 27/08/2021, veio o anúncio de que o município de Cotia havia conquistado R$96 milhões em investimentos para o projeto de mobilidade na rodovia Raposo Tavares. O anúncio dos investimentos foi feito durante um evento com a presença do governador João Doria, do prefeito Rogério Franco.
- Agosto de 2021:
O então governador João Doria autorizou o repasse de R$ 96 milhões para melhorias na Rodovia Raposo Tavares, com a prefeitura de Cotia investindo também no projeto executivo. - Setembro de 2021:
O governo estadual anunciou que a licitação para as obras seria realizada em 45 dias. - Março de 2022:
O prazo inicial para a licitação não foi cumprido, e ainda não havia previsão para o início das intervenções. - Abril de 2022:
Foi divulgado que o governo Doria deixava o executivo sem a licitação das obras da Raposo Tavares ter sido finalizada. - Abril de 2025:
A concessionária Ecovias Raposo Castello, que agora é responsável pelo projeto Nova Raposo, informou que as grandes obras de infraestrutura (incluindo novas faixas) começariam após 2028.
Projeto Nova Raposo
Com um prazo de 30 anos e investimento estimado em R$7,9 bilhões, o projeto inclui 43 quilômetros de marginais contínuas no trecho mais movimentado da rodovia Raposo Tavares entre São Paulo e Cotia, além de duplicações, inclusão de faixas adicionais e viadutos.Além disso, o governador quer a construção de uma nova rodovia ligando a Raposo Tavares à Régis Bittencourt.o traçado exato da nova rodovia ainda será definido. Um dos trajetos propostos, faria a ligação mais próxima da estrada da Barragem, atingindo a Reserva Florestal do Morro Grande em Cotia e áreas de mata de Itapecerica da Serra.
De acordo com o Manifesto Ambiental Embu-Itapecerica Contra Nova Raposo, produzido pela SEAE (Sociedade Ecológica Amigos de Embu) e pela ONG Preservar Ambiental, essa nova estrada vai resultar na derrubada de milhares de metros quadrados de vegetação nativa, afetar cursos d’água essenciais para os mananciais da região e interromper corredores ecológicos utilizados por diversas espécies da fauna local.
Prefeito de Cotia propõe aeromóvel na Linha 22 do Metrô
O prefeito de Cotia, Welington Formiga, defendeu em postagem nas redes sociais a adoção do aeromóvel no projeto da futura Linha 22-Marrom do Metrô, que prevê a ligação do município com a cidade de São Paulo.
Segundo ele, o modal metroviário tradicional para atender o eixo que deve partir da Estação Sumaré até Cotia pode levar até 10 anos para ser concluído, enquanto o aeromóvel — modelo semelhante ao implantado no Aeroporto de Guarulhos — seria uma alternativa mais rápida e viável.
Será que vai?







