Sandro Magaldi: a potência da gestão

Sandro Magaldi certamente é um bem necessário para qualquer empreendedor, empresário, gestor, ser humano.

Digo isso com a alegria de ter entrevistado um cara que sabe exatamente do que está falando. Magaldi já vendeu amendoim confeitado, já quebrou um grande negócio e dessas experiências – dentre tantas outras – aproveitou a grande oportunidade da sua vida: se tornar referência quando o assunto é gestão. 

Autor do Best-Seller “Gestão do Amanhã”, tem mais de 150 mil livros vendidos – não estão na conta as vendas de e-book e áudio book – e uma bagagem que ultrapassa a marca de 500 palestras. Nessa entrevista, falamos sobre omaior desafio do líder que  é adaptar a sua organização ao novo mundo.

Amante do samba raiz, colecionador de histórias em quadrinhos, palmeirense roxo, esposo da Valeska e pai da Isabella e da Mariana, Sandro dividiu seu conhecimento com os leitores da Tudo. Nas próximas páginas tem muita dica de gestão pra você voar alto.
Pegue a caneta marca texto e boa leitura.  

Você começou aos 18 anos vendendo amendoim confeitado na periferia de São Paulo. Acredita neste espírito empreendedor do jovem brasileiro?
No meu caso, na época, era muito mais um trabalho de sobrevivência do que empreendedorismo, ocupação formal, planejada e estruturada. O que eu vejo como fundamental e enxergando toda essa perspectiva do jovem nos dias de hoje é esse desejo, essa ambição de construir algo de valor para si. O grande aspecto motivacional da minha geração era sobreviver. Nesta geração atual, é criar valor para a vida num ambiente de trabalho. Quando o jovem encontra um espaço profissional que vai de encontro aos seus anseios pessoais e visão de mundo, aí as coisas acontecem de fato. No meu caso, foi vendendo amendoim que encontrei minha grande paixão profissional que é vendas e fiz toda a minha carreira executiva como vendedor. 

O “Área Útil”, lançado por você, foi um dos primeiros portais imobiliários do país e, como você mesmo diz, naufragou. A que você atribui o sucesso de um negócio ou o fracasso dele (se assim podemos chamar)? 

Nesta época, a internet estava começando a florescer no país; não havia um comportamento consolidado em relação ao uso da web. A leitura que eu faço hoje são duas: possivelmente entramos no mercado com um produto que estava a frente do seu tempo. Acredito que nem os corretores e nem os clientes estavam preparados e, quando digo isso, não falo tecnicamente – todos já tinham celulares e computadores – mas falo em termos de cultura e comportamento. Os leads gerados ainda não eram na qualificação necessária como em outros veículos. A segunda, que é uma reflexão minha, é que eu não tinha maturidade pessoal e profissional para lidar com todo aquele contexto; maturidade esta que fui adquirindo ao longo dos anos. Naquela época não havia acesso ao conhecimento como hoje. Não havia cursos, programas e conteúdos disponíveis. Foi na raça mesmo e, nesse sentido, eu vejo que faltou experiência, uma visão mais madura.
Como o mercado não estava preparado, os desafios foram muito maiores do que estava habituado. 

Você é conselheiro e mentor de empreendedores e líderes empresariais e ONG’s. Você toma para si a responsabilidade do sucesso daquele negócio? Explique mais sobre isso, afinal, fico imaginando tamanha responsabilidade dizer a um empresário: “Vá por este caminho e não por este”.
Meu papel é muito mais compartilhar meu conhecimento, seja meu conhecimento derivado de toda minha experiência de mais de 30 anos como executivo, e minha experiência atual como pesquisador, meu conhecimento sobre gestão nesse ambiente de transformação. Compartilho os caminhos, aponto possibilidades para que essa caminhada seja o mais segura possível, mas não tomo as decisões. No final do dia, quem decide os rumos da empresa são seus líderes, que têm a responsabilidade de tomar as melhores decisões para o negócio. 

São mais de 150 mil livros vendidos e mais de 500 palestras. O que atrai tanto as pessoas para os temas: gestão, empreendedorismo, vendas.
Considerando audio book e e-boog, são mais de 250 mil. Nós estamos num ambiente de profundas e intensas transformações; esse contexto fez com que todo aquele repertório de conhecimento existente fosse confrontado com a nova lógica, pelo fato de estarmos a todo momento articulando uma visão mais contemporânea, integrada às novas perspectivas do mundo da gestão, trazendo muitos exemplos e referências práticas. Isso desperta o interesse para pessoas que têm uma responsabilidade ou interesse em estudar temas como gestão, inovação, cultura, estratégia, liderança, que é todo o repertório de conhecimento que temos trazido à luz das transformações organizacionais.

Quem é o seu público? O empresário já consolidado que precisa se manter no mercado e sobreviver à concorrência ou aquele pequeno empreendedor, que precisa de embasamento para começar um negócio?
Qual a diferença entre um líder de uma multinacional grande, robusta e complexa para um empreendedor que tem um pequeno negócio? Nós podemos entender que a diferença está na complexidade de gestão do negócio. Não importa se é uma empresa de pequeno, médio ou grande porte, não importa a natureza dessa organização, não importa o segmento. A prática da gestão é um imperativo fundamental para o sucesso de qualquer líder, de qualquer organização. Eu sempre digo ao pequeno e médio empreendedor que ele “não é um pequeno/médio empreendedor”, “ele está um pequeno/médio empreendedor”.

A evolução do negócio dele e o interesse que ele tem e almeja para o seu projeto é o que vai dar as condições para ele ter um negócio de grande porte. Nós falamos muito de empresas consolidadas como a Amazon, a Microsoft, a Apple; todas começaram pequenas, eram empresas de garagem, com empreendedores que não tinham sequer capital para evoluir no seu negócio, mas tinham um sonho, uma  ambição e se prepararam e investiram nos seus mecanismos de gestão. O meu público hoje é todo e qualquer indivíduo que deseja adquirir conhecimento para ser um melhor gestor e adaptar os seus modelos de gestão a um novo mundo. 

Nós temos marcas antigas como a Bombril e novas como a Nubank que conseguiram se posicionar com sucesso e de forma disruptiva no mercado, Qual o segredo do sucesso? Existe uma receita pronta? Conte pra gente.
O sucesso de toda empresa está intrinsecamente relacionado à capacidade de se adaptar ao contexto em que estão inseridas. Empresas tradicionais que tem conseguido prosperar diante das mudanças são aquelas que entenderam a necessidade de se adaptar, de adaptar ao seu modelo de gestão, o seu sistema de gestão, as suas práticas de gestão para serem competitivas num ambiente de mudanças. As novas organizações, por serem novas, elas têm o benefício de já nascerem com o pré requisitos muito mais afinados com essa nova lógica dos negócios. 

Em tempos de tecnologia, o quanto você acredita e defende as relações humanas? Temos a história de Rick Chester, o vendedor de água, que começou sua carreira vendendo um fardo de água na praia. Como funciona esse mecanismo? Por que isso não é tão simples e nem tão fácil?
A tecnologia é o meio de se atingir determinados objetivos de forma mais eficaz. Isso pode mudar num futuro, não tão breve, mas, por ora, quem realmente faz a diferença são as pessoas ao adotarem adequadamente as tecnologias adaptando-as às suas demandas. O caso do Rick Chester é maravilhoso. Ele é uma potência e um exemplo de que não adianta eu equipar o indivíduo com as melhores tecnologias do mundo se não tiver essa sagacidade, essa inquietude, esse desejo de aprender e fazer a diferença, que é o que transborda no Rick. A tecnologia é um meio e não o fim. Eu, enquanto indivíduo, devo buscar conhecimento para adaptar o meu poder de gestão à tecnologia. Desta forma, quem faz a diferença mesmo não é a tecnologia e sim as pessoas.  

A inteligência artificial certamente veio pra somar. E você fala bastante sobre ela. Como ela pode ser aliada quando se fala em gestão?
A inteligência artificial é uma realidade, porém, é importante estar claro que o que testemunhamos hoje como potencial da inteligência artificial é uma breve noção do que ela será. Nós estamos só no começo da evolução dessa tecnologia, que tem uma característica muito peculiar; ela não é uma tecnologia vertical, e sim horizontal, ou seja, ela impacta todos os negócios, indistintamente, porque ela pode ser adotada por qualquer segmento. Como nos preparamos para essa era? Eu sempre uso uma metáfora: “É necessário colocarmos o pé na água”.

Isso quer dizer que precisamos exercitar, testar, usar, aprender. Somente assim você vai poder entender como ela pode fazer a diferença para o seu negócio. Às vezes, as pessoas olham os recursos atuais e falam: “Isso daí é pouca coisa”. Entendam que só estamos no início da transformação e quem conseguir se adaptar mais rapidamente a este modelo quando consolidado, vai ter condições de ter a dianteira nos negócios. Se você tem dificuldades para entender sobre isso, busque conversar com pessoas mais jovens, ou mais técnicas. A inteligência artificial é muito acessível para todos nós, sem exceção.

Na pandemia, enquanto muitas empresas fecharam suas portas, muitas inovaram. Existe algum modelo de negócio que surgiu na pandemia e que você achou bacana? Vou dar um exemplo aqui: o home office. Já existia mas se tornou um estilo de vida para muitas pessoas, impactando marcas, inclusive, que passaram a criar produtos específicos para estes profissionais. Mas, pode citar outros que tenha identificado.

Muitos negócios ganharam um impulso importante na pandemia e se fortaleceram quebrando barreiras que, até então, existiam devido a uma incredulidade quanto ao uso da tecnologia à distância. Um exemplo são os projetos de educação à distância;  antes da pandemia, quase nenhuma escola utilizava com seriedade e, hoje, todas adotam o modelo híbrido e, algumas, o modelo 100% virtual, claro que com todos os cuidados necessários. O segmento de delivery de alimentação recebeu um impulso brutal da tecnologia porque muitos restaurantes não trabalhavam com delivery. Eles descobriram uma nova oportunidade de negócio. Episódios como esse (pandemia) influenciam frontalmente o comportamento do consumidor e as empresas que conseguiram se adaptar a essa realidade não só sobreviveram à pandemia, mas saíram fortalecidas.    

Vamos falar agora um pouco de você. Que tipo de música tem na sua playlist? O que curte fazer nas horas vagas?

Eu tenho um gosto bastante eclético para música. Sou um apaixonado por cultura e raiz, então, uma das minhas paixões é o samba de raiz; não só gosto das músicas como gosto de estudar o contexto cultural das obras. Adoro rock e pop dos anos 80. Queen, Elton John, todos eles estão sempre na minha playlist. Nas horas vagas eu estudo e leio, então, eu não sei distinguir o que é hora vaga e o que é hora de trabalho; claro que tenho predileção para o tema gestão, mas, eu gosto de ler histórias em quadrinhos para adultos. Sou fã e colecionador. Sou também aficionado por futebol, sobretudo pelo Palmeiras. Acompanho com muita frequência e sempre estou no estádio com as minhas filhas.

A forma que mais gosto de aproveitar meu tempo é ao lado da minha esposa Valeska e das minhas filhas Isabella e Mariana. Seja viajando, seja fazendo um churrasco em casa, estar com elas e com os meus amigos é o meu grande barato. 

Conhece a nossa região? Gosta daqui?
Eu moro em Alphaville e gosto muito dessa região. Gosto dessa perspectiva da natureza, da possibilidade de ter uma liberdade maior morando em casa, da possibilidade de curtir as cidades do entorno. Sou um admirador desse estilo de vida. 

Deixe um recado para quem está neste momento conhecendo mais sobre você.
Hoje, nós temos um ambiente de muitas mudanças e transformações. Esse ambiente às vezes assusta e causa uma boa dose de insegurança. Por mais clichê que possa parecer essa frase, acredite: ‘a ameaça é do tamanho da oportunidade’. Esse mesmo contexto que, por vezes, gera insegurança, gera inúmeras oportunidades. Continuamente, revigore seu repertório, seu conhecimento, estude não só por meio dos aparatos formais (como universidade). Eu digo estudar continuamente, com todos os modelos disponíveis; é necessário que você se comprometa com o seu desenvolvimento. A boa notícia é que já estão surgindo oportunidades para quem está entendendo este contexto e pretende se adaptar de forma adequada.

Para adquirir os livros de Sandro Magaldi
sandromagaldi.com.br/livros/

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