Olimpíadas Paris 2024

Breakdance: do subúrbio americano ao topo do mundo

Depois do skate e do surfe abrilhantarem a última edição das olimpíadas, agora é a vez do breakdance e da canoagem slalom extremo. Ao todo, o evento contará com 38 esportes, resultando em 329 competições.

Em média, são necessários de 8 a 20 anos de experiência para um competidor chegar ao nível olímpico. 

A nova modalidade das Olimpíadas 2024, caracterizada por movimentos acrobáticos, trará consigo a história da cultura hip hop e de rua.

Assim como o próprio hip hop marcou a história da música, o estilo de dança alcança o patamar mundial e se consolida como modalidade olímpica.

Dessa forma, a inserção do breakdance em um torneio, de fato, multicural, como os Jogos Olímpicos, populariza um esporte que, infelizmente, ainda sofre com preconceito e discriminação.

Os passos básicos do breaking são muito fáceis de aprender, uma pessoa pode em poucos minutos aprender a executar os passos fundamentais e se divertir numa roda de dança. Por outro lado, existem também os movimentos mais complexos e acrobáticos, que podem durar anos para serem aprendidos e executados de forma limpa.

Quais serão os critérios das Olimpíadas? 

Nas Olimpíadas 2024, 16 breakers, chamados de B-Boys e B-Girls, se enfrentarão em disputas individuais. Um performa e então seu adversário responde. Enquanto isso, cinco juízes utilizam seis critérios para a avaliação dos atletas: criatividade, personalidade, técnica, variedade, performance e musicalidade. Cada jurado conta com um tablet para computar a pontuação dos participantes por cada elemento. Vence quem fizer a melhor apresentação.

Rato; B-boy; breaking; Uberlândia — Foto: Joana Nogueira/The Flying Tempo Project
B-girl Toquinha — Foto: Divulgação/Fernando Souza

O breaking foi criado por jovens afro-americanos e latinos no bairro do Bronx, na cidade de Nova York, na década de 1970

Maia estará em Paris representando o Brasil / (Reprodução/Instagram)
B-boy Allef – A moda no universo do breaking é um reflexo da criatividade e diversidade da cultura hip-hop

Curiosidades

O breakdance, também conhecido como breaking, estreia em Paris nas modalidades feminina e masculina, em torneios individuais com tempo máximo de até 60 segundos. O DJ escolherá a faixa que será batalhada e os atletas precisam criar em cima da batida.

Durante as Olimpíadas 2024, os espectadores notarão que os competidores do esporte receberão os nomes de “breakers”, “B-Girls” ou “B-Boys. 

O critério principal para entrar na briga pela classificação é ter nascido até o dia 31 de dezembro de 2008.

Contrariamente ao que se possa pensar, nos seus primórdios as pessoas não dançavam ao som de hip hop. Segundo o b-boy Max Oliveira, os jovens movimentam-se ao ritmo de break beats, ou seja, ritmos partidos de músicas que eram da época do funk, soul, de sonoridades com influências latinas e de rock, tocadas com instrumental ao vivo. 

Breaking é a mãe das street dances. Ele era realmente dançado na rua, assim como popping e locking, danças que surgiram em época parecida, porém em lugares diferentes nos Estados Unidos

Benefícios da modalidade 

  1. Ajuda no emagrecimento;
  2. Aumenta a flexibilidade e coordenação motora;
  3. Melhora a linguagem corporal;
  4. Aumenta a autoestima e confiança;
  5. Trabalha a musculatura do corpo todo;
  6. É uma atividade aeróbica, de grande trabalho cardiovascular;
  7. Promove a saúde mental e integração social.

Fazendo estilo

A relação entre o breaking e a moda é profundamente enraizada na própria cultura hip-hop. Os praticantes do breaking expressam sua identidade através de roupas e acessórios, criando estilos únicos que se tornam parte integrante da dança. Bonés, tênis, camisetas largas, jaquetas bomber, e até mesmo joias têm protagonismo nos looks de quem pratica breaking. Os trajes não são apenas estilo, mas também funcionam como ferramentas que facilitam os movimentos e expressam a individualidade de cada artista.

O site brakingbrasil.com.br – Rio de Janeiro – proporciona a formação e treinamento artístico-esportivo em “Breaking”, modalidade das Danças Urbanas. Com foco na promoção à saúde, auto estima e cidadania, a formação atende crianças e jovens de todos os gêneros e provenientes de comunidades desfavorecidas. Com foco em buscar, incentivar e desenvolver atletas olímpicos brasileiros, o treinamento atende e pode oferecer bolsas aos desportistas.

Em entrevista ao Globo Esporte, Major, que esteve na Holanda, em 2019, para representar o Brasil no IBE (International Breaking Event), um dos maiores e mais conceituados eventos de breakdance no cenário mundial, deixou claro: 

“No fundo, espero que seja benéfico para que o breaking tenha mais subsídios na preparação de atletas competitivos, como também na capacitação profissional. Mas não posso deixar de dizer que tenho certo receio de perder a essência do que realmente o breaking é: uma cultura de periferia”.

O time brasileiro vai ter muita chance para se classificar. A seleção conta com 16 nomes para competir o mundial. Toquinha, Drika, Pekena, Nathalia, Karolzinha, Mini Japa, Itsa e Maia são as representantes femininas. Entre os homens estão: Dinho, Luan San, Flash, Kapu, Ratin, Kley, Rato e Bart.

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