Se você acha que a moda nasce apenas nas passarelas silenciosas de Milão, Paris e Nova York, é porque nunca pisou numa laje da quebrada sábado à noite. É na periferia carioca, embalada pelo batidão do funk, que a moda mostra sua verdadeira alma: livre, criativa e cheia de atitude. Enquanto uns desfilam em passarelas, a quebrada desfila de verdade nas ruas, nos bailes, nas praças e nos rolês. Sem medo de brilhar, sem medo de mostrar a pele, sem medo de ser feliz.
Brilho, porque sim
Na quebrada, o glitter não é só para o carnaval, não! É para terça-feira, quinta ou domingo à tarde no churrasco do vizinho. Body colado com strass, cropped neon, tênis branquinho reluzente, cabelo trançado com miçangas coloridas… Tudo brilha! E brilho é autoestima materializada.

Short jeans é liberdade
Curtos, rasgados, com tachinhas ou sem, os shorts são o uniforme do rolê. É sobre o corpo livre, sem pedir licença. É sobre dançar até o chão sem medo de julgamento, porque o funk ensina: “o corpo é seu, gata, sinta-se plena.”

Tênis branquinho, plataforma e slide
Tênis branco é status: se está limpo, está pronto pro baile. E se for de plataforma melhor ainda, pois dá para dançar e tirar fotos tipo pose-de-artista. Se cansar, o slide brilha no pós-baile quando o funk diminui, mas o estilo não.
Mas e as unhas? Ah, elas contam histórias
Longas, coloridas, cheias de desenhos ou neon, as unhas da quebrada são parte do look funk. São extensão de personalidade: cada detalhe tem uma história, um crush, um rolê.
Estilo que nasce da resistência
A moda da quebrada é resistência em forma de paetê. Ser jovem, preto, da periferia e ocupar espaço é um ato político. O funk é a trilha sonora dessa moda que não se rende a padrões europeus. Aqui o corpo é celebrado, a cor é celebrada, o brilho é celebrado.

O “luxo acessível” da quebrada
Na periferia onde o funk trilha a vida, se cria estilo com o que se tem, e se usa com orgulho. Pode ser um short da feirinha, um cropped improvisado ou uma corrente comprada no camelô. Tudo vira look quando a autoestima está em dia e o beat do DJ está certo.
No fim das contas, moda é sobre se sentir bem e ninguém entende disso melhor do que a galera da quebrada. O ritmo do funk faz o quadril balançar mas também faz a moda se movimentar. Se o funk é ousado, a moda da quebrada também é. Se o funk é liberdade, a moda também é. Se o funk incomoda quem não entende, a moda também incomoda. Porque não existe stylist melhor do que a própria vida: a calçada é passarela, o baile é o palco e o espelho do quarto é a prévia do desfile. Na quebrada, o funk é trilha, mas quem faz o show é quem dança, brilha, ousa e vive. E se você quiser aprender sobre moda de verdade, vem para a pista, vem para o rolê, vem para quebrada. Porque só na quebrada o estilo não é tendência: é identidade.

Celso Finkler







