Entrevista Michele Marreira

Colaboração: Mariana Marçal

Foto 2014 © Erik Almeida 

Alívio! 

Foi este o sentimento que tomou conta de Jô Soares com o fim de seu programa na Rede Globo, após um ciclo de 28 anos como entrevistador. Em meados de 2015, ele explicou aos diretores da emissora que já não tinha mais tanto prazer em fazer o programa e, em 2017, lá estava ele abrindo espaço ao amigo Pedro Bial na programação. O processo de despedida durou cerca de dois anos e uma polemicazinha básica em torno do contrato com a emissora, que continua ativo, levanta a possibilidade de um retorno após um período sabático.
Nada confirmado, por enquanto.

Foram seis décadas de televisão. Por isso, José Eugênio Soares pode se dar ao luxo de ficar fora dela sem receio de cair no esquecimento. Jô é um oitentão relíquia e super querido pelo público, de diferentes gerações.
Jô sempre foi muito.

Foram diversos livros escritos, muitos personagens criados, mais de 15 mil entrevistas realizadas e casou-se algumas vezes. Dentre seus romances, destacamos a atriz Cláudia Raia, com quem namorou por dois anos. Ele foi o cara responsável por dar um upgrade em sua carreira artística, diga-se de passagem.

Fala seis línguas, admitiu ter TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), em 2014 perdeu seu único filho, Rafael Soares, que era autista e, em 2016, assumiu a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras.

Assistida e comentada foi a sua recente entrevista para Fábio Porchat, na Record (Veja entrevista no App Tudo), onde falou sobre Lula e Silvio Santos, a quem tem gratidão e muito carinho.
Como todo bom artista que não consegue sossegar faixo, Jô Soares volta aos palcos  do teatro Tuca – depois de 11 anos – com a peça A Noite de 16 de Janeiro, suspense cômico que estreou no último mês de abril na qual o público escolhe o fim da trama.

De acordo com a crítica, um drama bem bom, com humor na medida e uma oportunidade perfeita da gente matar a saudades.

Beijo do gordo? A gente quer.  

Há mais de quatro décadas você não contracenava com um elenco no teatro. Qual o sentimento em retornar aos palcos como ator?
Trabalhar com elenco é algo que não faço desde “Tudo no Escuro” (1976) há mais de 40 anos. Interpretar um juiz que interage com todo elenco em cena tem sido maravilhoso para mim, que coleciona experiências mais solitárias no teatro. Eu fiz oito espetáculos solos que, normalmente, duravam de 1h20 a 2horas. Em uma de minhas peças eu trocava de figurino sem me esquecer de dar o texto em cena. Gabo-me de Paulo Autran ter me visto atuando e, ao final, comentar o número que eu fazia – provar um paletó em frente a um espelho imaginário -, ser uma das melhores cenas de um ator que ele viu na vida. Depois realizei um espetáculo de Fernando Pessoa dirigido por minha amiga e atriz Bete Coelho. Ela é uma diretora extraordinária, espantosa. Viajei para Portugal e os portugueses amaram a peça. Foi extremamente gratificante. No Brasil somos meio avarentos na hora dos aplausos. Lá é diferente. Cronometramos seis minutos de aplausos. Sem parar. Não sabia mais o que fazer (risos). São experiências de um homem de teatro.

Por que escolheu o papel de juiz na história da peça “A Noite de 16 de Janeiro”?
Tem uma atriz americana de TV que também é escritora e conferencista. Ela diz que só aceita trabalho como atriz se for para fazer o papel da juíza. Diz que a melhor coisa da vida é bater o martelo, pois o juiz tem sempre razão (risos). Por isso quis fazer o personagem. O papel é pequeno, mas não importa.

De que forma se deu a escolha desse elenco?
Eu dirigi “Tróilo e Créssida” com praticamente todo elenco da peça atual. Os atores são todos excelentes. Sinto-me abençoado, privilegiado de estar com esse grupo que desejo união sempre. É uma extraordinária peça de tribunal e quem decide o final é o público já que que o júri é formado por pessoas da plateia. O meu produtor, Rodrigo Velloni, topou trabalhar nessa grande produção com tamanha seriedade.

Como são escolhidos os jurados?
Nossa produção seleciona uma lista com nomes de amigos, conhecidos e pessoas que nos informam na bilheteria que gostariam de ser jurados.

Já conhecia a escritora russo-americana Ayn Rand, autora da peça?
Eu nunca tinha ouvido falar na Ayn Rand. Estava procurando uma peça de tribunal e me deparei com o espetáculo “A Noite de 16 de Janeiro” – que, por acaso, é o dia do meu aniversário. Fui pesquisar sobre a autora. Ela é russa, estava estabelecida. Viajou para Nova York onde morava um tio – ela não se identificava com o regime autoritário de seu país de origem. Chegando lá, aos 17 anos, sonhava em escrever roteiro de cinema. Ela é uma incógnita, considerada a musa dos conservadores. Ayn não é de esquerda ou direita. Tem posições. A filósofa coloca o ser humano em primeiro lugar. Ayn não acredita nas religiões estabelecidas. Acha uma hipocrisia. Aos 80 anos, eu nunca tinha ouvido falar dessa mulher. E ela realmente surpreende. Na peça, há pessoas que vão achar que nossa personagem, a ré Andrea Karen (Guta Ruiz) é culpada, e outras, que ela é inocente.

A história foi adaptada à realidade brasileira ou se manterá no formato de um júri americano?
A peça é montada por um júri americano formado por 12 pessoas. O espetáculo foi escrito em 1934. Qualquer semelhança com os casos da “Odebrecht”, “Petrobras”, “JBS” é mera coincidência. Naquela época já existia todas essas armações. Não foi preciso fazer nenhuma adaptação. A história tem toda essa canalhice e um crime de morte. Haverá dias que acharei que a ré é culpada e em outros, pensarei que ela é inocente. O final é surpreende, as pessoas saem comentando.

Qual sua óptica sobre a jurisprudência brasileira?
A jurisprudência brasileira precisa de uma renovação. No Brasil, é legislada em códigos napoleônicos. Basta observar o Superior Tribunal de Justiça (STJ); nem eles sabem o que estão falando.

O jornalista Matinas Suzuki é o autor da publicação: “O livro de Jô – Uma autobiografia desautorizada”. Como foi repetir a parceria, dessa vez no teatro?
O Matinas escreveu comigo a minha biografia; percebi um entrosamento de almas. Essas coisas já estão tramadas em algum plano místico. O chamei para fazer a adaptação do texto comigo, e ele acabou me dando dicas preciosas de teatro. As pessoas não se conhecem. Vivemos dos nossos mistérios. Cada dia somos um. Matinas é um exemplo perfeito disso. Minha biografia só saiu porque ele topou fazê-la comigo. Aprendi muito com ele e ele comigo.

Quais são eram as profissões que você sonhava em seguir na juventude?
Quando meu pai perdeu tudo, voltei da Europa e comecei a trabalhar como office boy em uma empresa de exportação de café. Depois numa empresa de turismo. Nessa época eu era conhecido como José. Pelo fato de falar seis línguas, as únicas profissões que me vinham à cabeça eram na área de turismo – mas só consegui vender duas passagens de trem para Belo Horizonte (risos). Outra opção seria estudar para o Itamaraty. Mas não tinha certeza se era isso que eu gostaria. Eu sempre gostei de entreter as pessoas, sou exibido desde criança. Ainda garoto, fazia um número de “dedinhos dançantes” na pérgula do Copacabana Palace. Nas rodas de amigos, gostava de contar piadas. Acho que tudo foi acontecendo naturalmente.

O que você guarda de lembranças dessa fase em que morou fora do país?
Eu morei fora do Brasil estudando em colégio interno. Foi uma oportunidade incrível para conhecer pessoas de diferentes países e culturas. O colégio também me ajudou a desenvolver o interesse pela leitura. Como havia hora para ir para cama e sempre fui notívago, aproveitava uma frestinha de luz que entrava no quarto e lia durante a madrugada.

Seus próximos projetos?
Outro dia me perguntaram o que eu pretendo fazer nos próximos dez anos, eu disse: “chegar aos 90 (risos).”

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