AS LENTES INVISÍVEIS DAS NOSSAS ESCOLHAS – Por Eliana Tessitore

O QUE VOCÊ CARREGA NO SEU CORAÇÃO?

Você já parou para pensar porque reage de determinadas formas diante da vida ou por que alguns padrões parecem se repetir no seu trabalho, na sua saúde mental, física, financeira ou nos seus relacionamentos? Muito do que conduz silenciosamente os nossos passos nasce daquilo que chamamos de crenças.

A palavra crença possui uma origem fascinante. Sua raiz vem da junção das formas ancestrais kerd- (coração) e dhē- (colocar), que, no latim, deram origem a credere, significando “colocar” ou “confiar o coração em algo”. É dessa mesma semente linguística que nasceram palavras como crédito, acreditar e credibilidade.

Quando acreditamos em algo, estamos colocando o nosso coração naquela ideia, tomando-a como uma verdade absoluta. Essas convicções funcionam como lentes invisíveis: interpretam tudo o que acontece ao nosso redor e passam a direcionar as nossas escolhas.

Desde a pré-história, nossos ancestrais precisaram criar estruturas de crenças para dar sentido a fenômenos como tempestades e mortes, garantindo a proteção e a sobrevivência do grupo. No entanto, ao longo das gerações, muitas dessas ideias chegam até nós de forma fragmentada, como em uma brincadeira de “telefone sem fio”.

Um exemplo marcante ilustra bem isso. Uma paciente me procurou para compreender por que as mulheres de seu sistema familiar não conseguiam manter um segundo casamento. Durante a Constelação Familiar, chegamos à história de sua tataravó, que perdeu o marido durante a viagem de navio para o Brasil. Sozinha em um país desconhecido, com 11 filhos para criar, ela ensinou às filhas que deveriam se casar apenas uma vez, como uma forma de proteção amorosa contra o risco de uma nova viuvez e de dores ainda maiores. Para aquela tataravó, essa decisão fazia todo sentido e foi uma estratégia que a ajudou a seguir em frente. Porém, para as gerações seguintes, essa regra perdeu sua função original e se transformou em um bloqueio inconsciente.

Segundo Bert Hellinger, criador da Constelação Familiar, as abordagens sistêmicas mostram que, muitas vezes, carregamos dores, transtornos e limitações que nem sequer nos pertencem, movidos por uma lealdade invisível ao nosso sistema familiar. Pagamos o preço de repetir padrões que nos aprisionam para continuarmos nos sentindo pertencentes ao grupo. Hellinger também nos convida a permitir que nossos ancestrais descansem com as escolhas que fizeram e que nós possamos tomar a vida que veio por meio deles, acolhendo tudo como foi.

O primeiro passo para a cura é olhar, com amor, para as crenças que nos fortalecem — como “eu posso” — e preservá-las como fonte de força. O segundo é reconhecer e ressignificar aquelas que já não fazem sentido, como “eu não mereço”. Como nos ensina Brigitte de Ribes, das Novas Constelações, são justamente aqueles que rompem com os padrões repetitivos que promovem a evolução do sistema.

Olhar para as próprias feridas e ressignificar a própria história traz força interior, autenticidade e uma vida infinitamente mais ampla e leve. Quando uma crença é ressignificada, seus efeitos positivos também alcançam os descendentes, enquanto os ancestrais podem finalmente ocupar seu lugar de proteção e descanso.

Eliana Tessitore é Terapeuta Integrativa e Sistêmica. Atua com Constelação Familiar (individual e em grupo) e é criadora do Método FOS® – Frequência Olfativa Sistêmica. Também trabalha com Alinhamento Postural (RPG Souchard), Fisioterapia em Saúde Feminina, Terapia Sistêmica Integrativa (TSI) e Dança Egípcia.

Seu trabalho compreende o ser humano de forma integrada — mente, corpo, emoção e espiritualidade —, auxiliando no resgate da autonomia e na reconstrução pessoal.

Atendimentos presenciais (Granja Viana e São Paulo) e online.
WhatsApp: (11) 96456-0777
Instagram: @eliana.tessitore
YouTube: @eliana.tessi

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