Prevenção ao suicídio: “é possível acabar com o sofrimento”, afirma Najla Kamel

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Hoje, 10 de setembro, é considerado o Dia Nacional de Prevenção ao Suicídio. Em virtude disso, a Revista Tudo trouxe a doutora e psicóloga Najla Kamel para “informar com segurança” (como a própria profissional diz) sobre os principais alertas e tratamentos para pessoas com tendência ao suicídio.

“Essa é uma campanha extremamente importante para trabalhar a prevenção – cujo objetivo é informar às pessoas que é possível acabar com seu sofrimento. De que forma? Descobrindo a origem desse sofrimento”, frisa a doutora.

As principais causas

Najla divide as principais causas do suicídio em 4 grandes grupos: em primeiro, os transtornos mentais, sendo a depressão em 4º grau um dos principais. Chamado “depressão grave com sintomas psicóticos“, é o estágio da doença em que a pessoa busca o suicídio como saída para seus problemas. Questões como a bipolaridade e esquizofrenia também se encaixam nesse grupo.

Em segundo estão as condições sociodemográficas de casos suicidas, das quais se destacam homens jovens (entre 15 e 35 anos), pessoas que moram sozinhas, idosos, em especial aqueles que também vivem sozinhos, e migrantes, seja de outra cidade, estado ou país, que estão afastados de sua família e de suas origens.

Em terceiro, acontecimentos do cotidiano capazes de abalar o psicológico do indivíduo, como a morte de um ente querido, ser demitido ou instabilidade familiar. Por último, condições clínicas, como doenças crônicas e lesões físicas.

Os sinais de alerta

“Há muito tempo atrás diziam que “o suicida não avisa ninguém que ele vai se matar“. Hoje, essa ideia foi deixada de lado, pois estudos mostram que ele deixa, sim, sinais de alerta. Por isso é importante que família e amigos observem”, afirma Najla, frisando que esses são grupos extremamente importantes na fase de prevenção ao suicídio.

Frases como “minha vida não vale nada”, “eu preferia estar morto” e “os outros serão muito mais felizes sem mim“, apesar de consideravelmente comuns, podem levantar uma bandeira vermelha que indica que aquela pessoa não está bem e, ainda que indiretamente, pede por ajuda.

Psicóloga Najla Kamel

Como ajudar?

Para a psicóloga, a melhor abordagem de tratamento conta com uma equipe multiprofissional – assistência psiquiátrica, para uso de medicamentos, terapia psicológica e grupos de apoio-, que costumam ser formados por pessoas que já passaram pela mesma situação.

O CVV (Centro de Valorização à Vida) é um serviço de apoio emocional 100% gratuito que abrange todo o território nacional. Seu objetivo é apoiar as pessoas com necessidade de ajuda psicológica e em locais e situações de risco, ajudando-as a lidar com suas questões em qualquer lugar do país.

O Centro atende no número 188. A ligação é gratuita e ele ainda pode indicar ao indivíduo o local de tratamento mais próximo – tanto público, quanto privado.

“Quando falamos sobre a questão do comportamento humano, não estamos lidando com uma ciência exata”, afirma Kamel sobre o futuro de pacientes em tratamento. “Ter a certeza de que isso não vai [mais] acontecer é quase impossível, mas é importante que essa ajuda esteja sempre atenta aos sinais, observando o indivíduo a longo prazo”.

Mas Najla faz questão de destacar a parte positiva que a ciência comprova “estudos têm mostrado que, depois de uma ‘ajuda’ e após descobrir o porquê desse sofrimento, esses episódios [suicidas] não acontecem mais”.

Além do coronavírus: a saúde mental durante a pandemia

“Estudos recentes mostram que os casos de suicídio aumentaram durante a pandemia […], principalmente nas Américas e entre os mais jovens”, explica a doutora. Ela afirma também que a busca por tratamentos psicológicos aumentou nos últimos tempos, inclusive em seu consultório.

Dentre as causas do suicídio durante este período de pandemia, se destacam a perda de emprego, a morte de entes queridos e a queda do nível socioeconômico, que atingiu boa parte da população brasileira graças ao aumento da inflação.

Além dos transtornos psicológicos previamente conhecidos, Najla conta que “muitas pessoas estão tendo a “síndrome da cabana“, que é uma conceituação nova. É como se fosse uma síndrome do pânico, muitas pessoas estão com medo de sair de casa”.

Essa síndrome pode começar como uma ansiedade excessiva, gerada pela necessidade de sair de casa e, principalmente, ao ter que se relacionar com outras pessoas após muito tempo em isolamento social – o cenário exato em que pessoas do mundo todo vivem há mais de um ano: “trancados” em casa e evitando contato físico para se proteger da COVID-19.

“Agora tudo é feito online, então as pessoas vão levar um tempo para sair de casa, porque de alguma forma elas estão com medo. Elas precisam tratar disso”, afirma a psicóloga, que vem realizando atendimentos virtuais desde o início da quarentena.

“Não há nada como um relacionamento tête-à-tête, mas enquanto isso não melhora, é uma alternativa [a consulta virtual]”, declara Kamel.

Serviço

A Dra. Najla Kamel realiza consultas virtuais para todos os públicos. Para agendar um horário, entre em contato no número (11) 99159-3301 ou através do e-mail [email protected]

Já o Centro de Valorização à Vida atende 24 horas por dia e à qualquer região, basta entrar em contato no 188.

Vamos prevenir, vamos alertar.

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