Brainrots, Labubus, Bobbie goods, morango do.amor, pistache….
Sim, os emergentes do momento! Sempre os tivemos e teremos, com ou sem redes sociais!
No meu tempo tinha coleção de papel de carta, batom em formato de morango, revista Capricho, bichinho virtual, mini-game, brindes nos palitos de sorvete, promoções em que juntávamos tampinhas de refrigerante em troca de miniaturas etc.

A mídia tinha o papel de divulgar tudo isso e com os amigos construímos nossos impérios.
E havia comparação, competição…
Hoje na escola, convivemos com as mochilas cheias de labubus e stichs pendurados, estojos de canetas com os diversos livrinhos de pintura , batons do tipo carmeds e outros símbolos de imenso depósito dessa cultura massificada por meio das redes, youtubers e influencers. Além disso, escutamos de vez em quando nomes esquisitos:
“Tralalero tralala”
“Bombombini guzzini”

Não podemos nos esquecer do exército de capivaras de pelúcia com toucas, mochilas, assim como tivemos o tempo das lhamas, unicórnios e flamingos.
Mas gente! Calma! Sim, o contexto midiático atual amplifica todos esses elementos, nutrindo e sustentando por um tempo esse estado endêmico, porém, apenas por um tempo…
A grande nuvem nos envolve, mas vai se dissipando e pelo caminho se transforma, abriga outras influências e logo se dissolve de novo.
No meio de tudo isso, como educadora e sobrevivente de outras febres, queria tranquilizar a todos, pois ao meu ver, do mesmo jeito que o consumo de todos esses valores de maneira desmedida pode ser inadequado, a excessiva reflexão e demonização desses elementos também faz parte do mesmo cataclisma viral desnecessário.
A criança pediu o labubu? Você pode e quer comprar? Um, dois…Qual o contexto dessa compra? A criança foi passear com a titia, tomou sorvete e ganhou um livrinho de pintura do Bobbie Goods? Que memória teremos desse episódio? Existiu amor ali? Vínculo, sabor?
Então, vamos pegar os livrinhos e espalhar sobre uma toalha xadrez em um piquenique no parque!
Vamos enterrar os labubus na areia da praia e brincar de encontrar depois…
Querem repetir os brainsrots? Então vamos falar repetidamente enquanto a gente anda de bicicleta e quem errar ou enrolar a língua tem que lavar a louça quando chegar em casa!
Entendem? Não é sobre o que está posto e o que a cultura nos impõe goela abaixo…É sobre o que fazemos com tudo isso!
Tenho uma colega professora que chegou a expor em suas redes sobre sua crítica a respeito do morango do amor, mas em seguida ela divulgou a página de uma amiga que estava vendendo essa guloseima. Quando questionada pelos estudantes, respondeu:
“Eu não concordo com essas febres, mas quero ajudar minha amiga que está vendendo o doce!”
Concordo! Sim! A mídia e as redes propagam e toda uma parcela da sociedade faz releituras bem humoradas e criativas dos fenômenos e os oferta buscando sobreviver! Os artesãos, a mulher que precisa completar a renda para criar os filhos etc.

Recentemente estive na exposição de Andy Warhol, belíssima, no estonteante Museu de Arte Brasileira na Faap e pensei que se esse grande artista, mestre da pop art estivesse vivendo nesse tempo, com certeza iria querer pintar os Labubus ou até algum Youtuber famoso.
Talvez possamos nos considerar seres tão cultos por mencionar Andy Warhol, mas não podemos nos esquecer sobre o que é sua obra, sua reflexão e posicionamento de mundo! Ele falava sobre o seu tempo, sobre permanências e impermanências, sobre caixas cheias de latas de sopa, refeições rápidas e produzidas em série!
Sim, há toda uma crítica que talvez nem todos acessem ou queiram acessar, mas está ali, como registro daquele momento, com toda a sua importância dentro do contexto histórico-social.
Me faço entender?
Vamos nos acalmar! Sem demonização, sem tanta importância, combinado?

Tudo vai ser peneirado, certo? E restará o que importa se de fato estivermos no comando guardando nossos valores e convicções. Quero preservar energias para falar do que importa. Sobre a natureza, os animais, a convivência!
Na minha escola, tem um lugar mágico chamado quadrinha, em que os pequenos escorregam no barranco, fazem comidinhas de barro, jogam futebol, brincam de esconde – esconde, constróem pequenas moradias com grandes folhas de palmeira e alguns tijolos resquícios de construções passadas. As crianças descem com livros de pintura, brinquedos, mas assim que pisam naquele espaço, colocam esses objetos nos bancos de madeira e vão brincar com o que o lugar oferece.
De vez em quando pintam enquanto estão sentadas no chão, rindo e conversando com os amigos ou até enfileiram labubus e stichs para comerem no grande restaurante de comidas de terra! Também presenciamos festinhas com docinhos enfeitados de pétalas de flores e bolos de areia para as dóceis capivaras. Observo emocionada a coadjuvância daquilo que é perene e o protagonismo do que de fato importa. As crianças são sábias! Basta que haja investimento e um olhar para suas reais necessidades.
Guardem estas palavras! Pensem nisso! Estamos no comando!
Deixo indicações de livros para pensarmos em coisas bastante importantes!
Deixo indicações de livros para pensarmos em coisas bastante importantes:
“A Última Criança na Natureza” de Richard Louv
“Cozinhando no Quintal”, de Renata Meirelles



