Escuta, Amigo:
jamais falei contigo.
Hoje quero saudar-te. Bom dia! Como vais?
Sabes? Disseram que tu não existes
e eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado a tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas,
vi teu céu estrelado
e compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertarás a minha mão.
Vou te explicar e hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo
achei a luz para enxergar teu rosto.
Dito isto, já não tenho muita coisa a te contar:
só que… que… tenho muito prazer em conhecer-te.
Faremos um ataque à meia-noite.
Não sinto medo.
Amigo, sei que tu velas…
Ah! É o clarim! Bom Amigo, devo ir-me embora.
Gostei de ti, vou ter saudade… Quero dizer:
Será cruenta a luta, bem o sabes,
e esta noite pode ser que eu vá bater à tua porta!
Muito amigos não fomos, é verdade.
Mas… sim, estou chorando!
Vês, penso que já não sou tão mau.
Bem, Amigo, tenho que ir. Sorte é coisa bem rara:
Juro, porém: já não receio a morte…

Nunca se soube quem foi o verdadeiro autor deste belo poema-oração. Ele foi encontrado em pleno campo de batalha, intacto, no bolso de um soldado estraçalhado por uma granada.

 

A pergunta ecoa em minha mente perplexa. Por quê? Por que cargas d’água a morte venceu brutalmente nosso soldado saudoso de um Amigo recém-descoberto e essa mesma energia furiosa preservou indene uma singela folha de papel?

Sabe… Eu adoraria poder me intrometer, vivo, no reino dos mortos – os mortos de lá, aqueles que já tiveram que comparar o peso do seu coração com o peso de uma pena – e quem sabe encontrar esse soldado. Com os mortos de cá, esses que pensam que estão e são vivos, que já morreram sem deitar, dizem que é melhor não cultivar grandes intimidades. Tentar penetrar seu coração, ou o que restou dele, pode ser o prenúncio da demência. É melhor que não enxerguemos mesmo que são apenas carcaças cuja essência foi aniquilada pelo egoísmo, pela vaidade, ódio, mentira, loucura, egolatria, ignorância, hipocrisia, auto-importância, auto-piedade, ciúme, inveja, medo, corrupção, avidez, ganância, prepotência, arrogância, devaneio, preguiça, intolerância, mágoa, desesperança, ressentimento, frieza, falta de humor, desafeto, incompreensão, angústia, desânimo, fraqueza, rancor, tirania…

 

São muitas e diversas as palavras para a miséria humana. E ainda há tantas outras por dizer… E pensar que há uma única palavra capaz de esmagar todas as demais, ditas e caladas. Seu significado permanece desconhecido de quase todos nós e revela a verdade e o sentido de girar e continuarmos girando em torno do sol em busca da redenção de nossa raça.

 

Mas eu ia dizendo que gostaria de encontrar o soldado que naquela noite – a sua última metido numa trincheira rasgada por granadas – foi bater à porta do Amigo. Ele me ensinaria como jamais esquecer de se encantar com o céu estrelado. Me revelaria a luz, em meio à guerra, para enxergar o rosto do Amigo e percorrer com alegria os caminhos de meu inferno hediondo. E o medo seria extinto em mim. E o amor seria pleno em mim.

 

Conhecendo isto, já não terei muito a te contar… Amigo.

 

Fernando Vianna é instrutor de Meditação e Revitalização Integral. É consultor de I Ching e palestrante.

ferseth@gmail.com

 

 


Com os mortos de cá, esses que pensam que estão e são vivos, que já morreram sem deitar, dizem que é melhor não cultivar grandes intimidades.

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