A verdade nua e crua de Joseval Peixoto

Joseval Peixoto chegou à redação da Revista Tudo carregando a bagagem de 80 anos de vida e muita história pra contar. Acompanhado da irmã Edna, empresária de Embu das Artes, a quem trata como melhor amiga, foi em volta da mesa que nossa equipe viajou com ele no tempo enquanto o café quentinho aquecia o papo, que foi ficando cada vez mais gostoso.

Entre os dentes à mostra por meio de uma gargalhada e a umidade dos olhos que marejavam ao relembrar os episódios que o fizeram a chegar onde chegou, o funcionário mais antigo da Jovem Pan (e âncora do Jornal da Manhã) – são mais de 50 anos de namoro com a emissora – dividiu particularidades de sua trajetória, além das suas opiniões sobre o ano de 2019, que há de começar muito bem, obrigado. Joseval ganha um programa pra chamar de seu na TV Gazeta e falaremos mais sobre isso na entrevista.

Amigo de Silvio Santos, o SBT sentiu sua falta quando se despediu da bancada do Jornal do SBT, que dividia, desde 2011, com Rachel Sheherazade.
Ingressou no rádio ainda menino, em 1955. Leu crônicas, foi rádio-ator e mancheteiro de jornal falado no interior de São Paulo, em Paraguaçu-Paulista e Presidente Prudente. Seu salário inicial foi 300 cruzeiros, um bom dinheiro para a realidade que vivia na época.

Libriano, apaixonado pelo futebol de várzea e avesso a redes sociais por pura falta de tempo, você vai conhecer, nas próximas páginas, mais de Joseval Peixoto, jornalista, radialista e advogado, que divide os seus dias entre as ondas do rádio e a justiça criminal. Aliás, foi assim que chegou ä redação: terno e gravata, típico do advogado que enfrentou o trânsito do centro de São Paulo, onde fica o seu escritório de advocacia, para estar com a gente.
Joseval se sente bastante a vontade na Granja. Primeiro que ele frequenta a região faz tempo, já que era visitante da casa do famoso advogado Milton Rosenthal; segundo que é empresário aqui do Embu, onde tem com a irmã uma loja de produtos naturais, a Horti Fartura.
Casado há 55 anos com Etelvina, com quem namora desde que ela tinha 15 anos, e teve três filhos, nas próximas páginas você vai ter a honra de ler sobre Joseval como se ele estivesse bem aí, sentado ao seu lado, lendo o livro de sua vida com a mesma emoção que narrou a Copa do Mundo de 70, quando Brasil foi tri-campeão.
Aliás, se ele pudesse escrever esta introdução, certamente diria: senta que lá vem história.

Dívida com a gente um momento inesquecível da sua carreira de radialista. 

Na final Copa do Mundo de 70, com a seleção brasileira em campo, éramos em três para fazer a locução. Dividimos da seguinte forma: um faz 30 minutos, outro faz 15 e 15 e o outro faz os 30 minutos finais, que era o grande filé. Fizemos um sorteio e eu fiquei com os 30 minutos finais. Me entregaram o jogo 1 a 1 e quem radiou os três gols da vitória fui eu.

Narrei a conquista do tri brasileiro.

 

Qual a principal diferença entre fazer comunicação na década de 50 e nós dias de hoje?

Depende do ponto que a gente compara.

Antigamente ninguém queria saber da previsão do tempo. Recebíamos a previsão por telex e ia direto para o lixo. Hoje a previsão do tempo determina o sobe e desce do preço do arroz e do feijão, por causa da agricultura. Para o setor profissional, por exemplo, a diferença é brutal. Naquela época não tínhamos bem piso salarial. Era tudo por amor. Entrávamos na rádio as 8:00 da manhã e saíamos a meia-noite. Para o público, o rádio era tudo. O povo se informava pelo rádio. Era um mundo bem menor. Não tinha televisão.

Aliás, o rádio passou por dois momentos trágicos que foi quando chegou a televisão, que todos os grandes radialistas migraram pra ela, e com a chegada da internet.

 

Era o fim do rádio?

Não. Com alguns acontecimentos como o Incêndio do Joelma, no qual pedíamos para as pessoas irem para o Hospital das Clínicas doar sangue, descobrimos que o rádio passaria a ser prestação de serviços.

Hoje, ele se uniu com a internet e está no mundo. Com o programa no ar interagimos com gente de diferentes lugares do Planeta.

 

Joseval, ser radialista antigamente não tinha romantismo. Conte-nos as grandes dificuldades enfrentadas. 

Existia três transmissores na Europa; um em Milão, um em Berna e um em Londres. A transmissão tinha que cair em um dos três. Então, a gente ia pro estádio duas horas antes de começar o jogo e começava a chamar. Daí você recebia um comando de alguém, em inglês, e começava a locução sem saber se estava efetivamente no ar. Íamos para o hotel aguardar um telegrama pra saber se a transmissão tinha acontecido ou não.

 

Vamos falar de política. Você já cobriu algumas eleições tão polêmicas quanto a que tivemos em 2018. 

Sim. As eleições do Jânio Quadros e da Erundina. Na do Jânio, todos os institutos de pesquisa davam vitória para Fernando Henrique Cardoso. Ao ponto de o Fernando Henrique ter acertado para ser capa da Revista Veja, sentado na cadeira da presidência. E o Jânio ganhou. A foto histórica foi dele jogando Rodiasol na cadeira. Lembram? E, na contramão dos institutos, a Jovem Pan dava vitória do Jânio Quadros. Da Erundina, Maluf estava com 40 pontos e Erundina, uma nordestina do PT, começando com nove pontos. As 17:20 eu estava no ar dizendo: “está eleita Luiza Erundina como prefeita de São Paulo”.
Esta última eleição foi um tsunami.

Por que?
A comunicação mudou. Hoje é rede social.
Eu repeti muito a frase de Umberto Eco: a opção do povo brasileiro era votar entre a aids e o câncer terminal, referindo-se ao Lula e ao Bolsonaro.
Não sou Balsonarista, mas por ser um político totalmente desvinculado com a história, vamos torcer para o povo ter acertado. A esperança, hoje, é o que toma conta do país.

 

Quais suas previsões para 2019?
O brasileiro vai continuar sendo trabalhador. Quem é do interior sabe; as 9 da manhã o roceiro já está almoçando. A expectativa é que os políticos realmente cumpram o que prometeram. Não precisa mais nada. Uma coisa bem positiva é que a velha política de corrupção acabou. Estão todos na cadeia; um deles com condenação de 200 anos. É possível que os novos venham roubar também, mas…
Existe um Brasil anterior a eleição deste ano e um posterior.
A esperança toma conta do país.

 

Você projetou o sonho do ser humano para mais 100 anos.
Sim. Foi uma crítica ao Governo Trump. Somos todos seres humanos e todos nós somos estrangeiros, menos os índios, que são os proprietários de toda a terra. Somos netos e bisnetos de todos os povos do mundo. Como, então, alguém pode impedir a imigração? Sempre tive uma visão crítica com o capitalismo. Num mundo de sete bilhões de pessoas, têm 20% passando fome. Isso não é discurso de esquerdista, mas acredito que 70% do dinheiro do mundo esteja nas mãos de cerca de 100 pessoas, enquanto temos mais de um bilhão de pessoas abaixo do nível da miséria. Não dá para aplaudir a globalização com uma situação dessas.

 

Joseval, você é avesso a mídias sociais. Por que?
Por pura falta de tempo. Eu tenho dois trabalhos, ou seja, dois artesanatos, e não dá para industrializar o direito e nem o jornalismo. No mais, acho a internet maravilhosa. Converso diariamente com as minhas netas em Xangai, na China.

 

Você deixou a Jovem Pan. Como seus fãs acompanharão seu trabalho a partir de agora?
Eu já encerrei no SBT e na Jovem Pan. Vou reconstruir na televisão brasileira um programa maravilhoso que fiz que é o Desafio ao Galo, na Gazeta, aos domingos, as 14 horas. Nós reunimos os grupos varzeanos e promovemos jogos com os famosos jogadores aposentados. Hoje, são mais de 700 clubes de várzea em São Paulo.
O programa estreia em fevereiro.
Estarei ao lado de Elias Skaf, Flávio Prado e Cléo Brandão será nossa repórter.

 Deixe uma mensagem para seus leitores, ouvintes espectadores.
Eu gosto muito de falar aos jovens. Estamos assistindo no Brasil o nascimento da maior civilização da história, formada por todas as culturas. É assim que tem que ser.

O brasileiro vai continuar sendo trabalhador. Quem é do interior sabe; as 9 da manhã o roceiro já está almoçando.

Isso não é discurso de esquerdista, mas acredito que 70% do dinheiro do mundo esteja nas mãos de cerca de 100 pessoas, enquanto temos mais de um bilhão de pessoas abaixo do nível da miséria. Não dá para aplaudir a globalização com uma situação dessas.

Joseval foi escolhido para reescrever parte de “Pelé Eterno – Longa Versão” a série sobre a vida do Rei do futebol, dirigida por Aníbal Massaini, mesmo diretor do documentário “Pelé Eterno”, de 2004.

A loja de Joseval, em Embu das Artes, comercializa alimentos hidropônicos entregues aos hospitais Sírio Libanês, Pro Matre e AC Camargo.

Nem corintiano, nem palmeirense e nem são-paulino. Joseval é torcedor do Botafogo, do Rio de Janeiro, sua terra natal. Mas, Joseval só nasceu mesmo no Rio. Sua família havia ido pra lá exportar madeira, mas, a Guerra Mundial estourou e todos voltaram. Foi criado no interior de São Paulo. Seu avô foi fundador da cidade de Rancharia, na região de Presidente Prudente

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