Entrevista Capa
Claudia Raia festeja 50 anos em boa forma


Por Michele Marreira

O ano era 1979, a cidade, Campinas, quando aos 13 anos de idade, a menina do interior paulista, Claudia Motta Raia de Mello, decide embarcar para Nova York em busca do sonho de se tornar uma famosa bailarina. Sua história serviu de enredo nos palcos de teatro. Ano passado, pôde dividir com o público sua trajetória de obstinação e sucesso através do espetáculo “Raia, 30”. No início da carreira, pouco a pouco, a atriz foi se enveredando pelo teatro de revista até consagrar-se em musicais brasileiros nos anos 90. Profissional versátil, viu na linguagem televisiva uma maneira de expandir seu talento. Walter Clark é um dos principais diretores importante em sua inserção no gênero. No humorístico “Viva o Gordo”, atuou com Jô Soares na pele da divertida personagem Carola. Em 1987, ganhou reconhecimento nacional, sendo acarinhada pelos fãs no folhetim “Sassaricando”, na pele da feirante Tancinha. “Ela foi minha primeira oportunidade de fazer uma grande personagem”, relembra com carinho. Participou de inúmeros folhetins: “Rainha da Sucata”, “Vamp”, “Deus nos Acuda”, “Engraçadinha”, “Torre de Babel”, “Terra Nostra”, “Belíssima”, “Sete Pecados”. Como esquecer a maquiavélica Lívia Marini, responsável pelo tráfico humano em “Salve Jorge”? Versátil, consegue transitar com intimidade entre o drama e o cômico. Em seu trabalho atual em “A Lei do Amor”, vive as peripécias de uma mulher que não se priva da felicidade, enfrentando criticas de moradores conservadores da cidade onde vive. Confira na íntegra a entrevista que realizamos com a diva das artes.

Revista Tudo: Em “A Lei do Amor” Salete se envolve com política. Na vida real você também é interessada no assunto?

Claudia Raia: Salete vai estragar todo esquema! Como ela é a figura mais popular e carismática da cidade, vai apresentar uma política honesta. A mulher é multifacetada, consegue fazer muita coisa. Tenho em comum com ela essa generosidade. Política é algo à parte, me envolvo como cidadã e não como artista. Nem se minha mãe se candidatasse faria campanha para ela.

Como você descreve sua personagem? De que maneira se deu a preparação para compor seu novo trabalho?

Salete é dona de um posto de gasolina, tem duas filhas, uma delas adotiva, mas é a biológica quem a rejeita. É uma mulher bonita e sensual que namora os frentistas novos que ela contrata. Solteira, ela curte a vida. Não fica presa em uma jaula. Ninguém sobrevive sem um grande amor.

Em 2016, você teve a oportunidade de celebrar trinta anos de carreira, nos palcos, através do musical “Raia, 30”. Qual balanço faz de sua trajetória artística?

Não era um espetáculo autobiográfico, nem contado de forma cronológica. É a história de uma menina, que, desde muito cedo, queria ser isso, lutou para ser isso e tornou-se isso. Poderia ser qualquer pessoa, mas, por um acaso sou eu. Foi um trabalho bem cantado, bem dançado e alegre, com cenários e figurinos lindos. Contamos a trajetória de forma humorada de uma lutadora que venceu os perrengues. Adoro debochar de mim mesma, falar que eu era nariguda e magra feito uma folha de papel (risos). Em uma hora e meia de duração não conseguimos fazer todas as personagens de TV no teatro. Optamos pelas caricaturas, algo mais estereotipado que funcionasse no palco. Relembramos diversos momentos icônicos da minha carreira, porém, outras partes não entraram. O palco é a minha casa.

Nesse período você teve a chance de viver papeis distintos. Deseja interpretar algum perfil específico?

Uma carreira é feita de talento, oportunidades e trabalho. Eu tive mãos que me foram estendidas e me proporcionaram grandes papeis com muita luta e trabalho. Tenho tanta coisa para realizar ainda... Mas por enquanto não estou pensando no próximo, esse personagem está muito bacana. Sou uma atriz física, sou movimento. Quando não derrubo tudo (risos). Televisão me dá um prazer enorme, adoro fazer, é diferente.

Cantar, dançar e interpretar tudo ao mesmo tempo. Revela uma de suas técnicas para não se cansar tanto em cena!

Para cantar e dançar em cena não podemos ofegar. Ou seja, vocês precisam achar que estamos lichando as unhas, quando na verdade estamos morrendo (risos). Nesse momento utilizo de uma técnica de abrir as costelas. É um músculo que precisa se manter aberto precisa treinar. A dança é aeróbica, são picos elevados. Comecei a cantar notas longas enquanto corria na esteira tentando descobrir o meu limite.

Viver uma personagem densa é mais complexo? Como lida na hora de compor o perfil?

Eu não sou dessas atrizes que ficam chorando horrores, dilacerada. Porque ali estamos brincando de ‘ser’, senão a gente fica bem doida! Essa coisa de se envolver com o personagem demasiadamente é uma piração que vai de cada um. Faço o melhor possível. É uma carga dramática forte, mas chego em casa tomo um banho de sal grosso e está tudo certo.

Em 1987, você ficou conhecida do grande público ao interpretar a feirante Tancinha no folhetim “Sassaricando”. Quais lembranças guarda desse trabalho e o que achou da interpretação de Mariana Ximenes, que reviveu o papel em “Haja Coração”?

A Tancinha é meu xodó, foi muito especial. Ela foi minha primeira oportunidade de fazer uma grande personagem. O Silvio de Abreu – eu nem sabia direito quem ele era – passou pelo corredor da TV Globo, me abordou dizendo que tinha escrito um papel para mim na novela dele. Disse que escreveria um dos maiores sucessos de minha carreira. Eu confesso que não coloquei muita fé (risos). A partir dali, nos tornamos amigos íntimos. Mariana foi uma escolha perfeita, ela é ótima!

O que costuma fazer para manter a silhueta em dia?

Minha vida é malhar, fazer aeróbica e aula de balé. É o que faço sempre, não houve nenhuma alteração. Faço musculação e aula de canto. Sigo uma dieta e acabei perdendo três quilos. Não fumo, não bebo, não me drogo e me alimento muito bem. Na dança e no canto se você ficar uma semana sem se exercitar, parece que regredimos cinco anos. Mesmo fazendo novela não abro mão das minhas aulas.

O que mudou ao completar 50 anos de idade em dezembro?

Suor e lágrimas, não é brincadeira, não. Quando não tenho uma noite boa de sono, percebo que não tenho mais vinte anos, mas de resto... Eu tenho uma energia, sou muito animada, praticamente uma adolescente (risos). Todos nós vamos envelhecer, isso é fato! Mas é legal que isso aconteça de uma forma bacana. Me sinto bem com minha idade. A pele, o corpo e o cabelo também estão legais. Com a maturidade a gente aprende o que quer da vida.

É verdade que você é apaixonada por chocolate?

Chocolate é o doce da vida. Não chego a ser chocólatra, como pouco doce, mas garanto meu pedacinho (risos).

Você lançou uma fragrância que leva seu nome em parceria com a Jafra. Como surgiu a idéia de ter seu próprio perfume?

Eles têm o slogan “liberdade para ser o que você é”, me convidaram dizendo que eu preenchia a imagem dessa mulher. Eu adorei, sempre quis ter meu próprio perfume. Tive a liberdade de procurar a fragrância, eu opinava junto à perfumista, até chegarmos ao ponto certo.

Há outros produtos que levam seu nome?

Tenho uma linha de esmaltes da Luxor, uma cinturita para malhação e uma linha de suplementos alimentares só para mulheres, que alivia os sintomas da TPM.

Qual seu envolvimento em causas beneficentes?

Gosto de me envolver, sempre que posso ajudo mesmo! Se cada um de nós doarmos um pedacinho, vira uma coisa enorme. Questões sociais são importantes e nós artistas temos que defender e ajudar.

Podemos afirmar que sua mãe é a maior inspiração quem te impulsionou em sua vida e carreira?

É uma emoção vê-la bem no auge de seus 92 anos de idade. Ela é minha rainha. Com uma filha insana que queria sair da gaiola, ela abriu a porta e me permitiu viver tudo isso, monitorando todos os passos como boa matriarca. Ela é uma mãe energicamente doce. Sempre prezou pelos princípios, educação e boas maneiras.

E se sua filha Sophia quiser seguir carreira artística...

Uma hora ela quer moda, outra deseja o palco. Sophia sapateia lindamente. Isso não significa nada. Ela é muito jovem pode até seguir com isso por anos e, depois, optar por outro caminho. Não crio a menor expectativa sobre ela ou o Enzo. Eu fui o que quis ser com uma carreira bem sucedida. O Edson (Celulari, pai e ator) também. Que eles tenham a sorte de encontrar algo que os faça felizes.

 
De Menina A Mulher, Marina Ruy Barbosa Tornou-Se Referência Na Moda E Na Televisão

Por Ester Jacopetti

Quem não se lembra da atriz novinha, quando desempenhou seu primeiro papel na televisão? Com rostinho de boneca, ela deu seus primeiros passos, na novela “Começar de Novo” (2004) em que interpretava uma anjinha. Em seguida, foi trabalhar ao lado de ninguém menos que, Fernanda Montenegro em “Belíssima” (2005). Recentemente a atriz recordou esse momento postando uma foto ao lado da atriz. Pois bem, Marina cresceu e hoje aos 21 anos de idade, tornou-se uma das pessoas mais influentes da televisão, e super disputada por escritores conceituados. Aliás, ela também é referência quando o assunto é moda. Exibindo modelitos luxuosos, ela comentou que está sempre antenada com esse universo, mas acima de tudo, preocupa-se com a questão do que se adequa ao seu estilo e corpo. Recentemente Marina foi eleita a mulher mais sexy do mundo. Quando questionada sobre o título, ela pondera e argumenta que sensualidade é relativo. “Toda mulher que se sente bem, e que está feliz, com a autoestima boa, é sensual”, comentou. Aproveitando as merecidas férias, Marina tem sido elogiada constantemente por seus seguidores nas redes sociais, quando posta alguma foto de biquíni. E apesar dela confessar que come de tudo, e malha super pouco, a falta de rotina no trabalho ajuda a manter a forma, mas ela busca alimentos saudáveis que fazem a diferença. “Eu tento manter um equilíbrio”, completou. Nesta entrevista, você irá ficar por dentro de um pouco mais sobre o que pensa essa jovem atriz, que tem um futuro brilhante pela frente. Prepare-se!

No início da sua carreira, durante algumas entrevistas, percebia-se uma Marina mais tímida, e hoje você fala super bem, mas ainda é reservada...É normal, porque quando eu comecei tinha nove anos de idade, e hoje estou com 21. Eu ainda sou muito nova, mas já passei por várias coisas, já trabalhei bastante. Eu amadureci. Você me acha reservada? Talvez um pouco. Chega um momento em que você percebe que, dependendo de quem está entrevistando, sente às vezes, certa maldade na pessoa. Tem coisas que você fala de um jeito, mas vai aparecer de outro. Isso já aconteceu comigo várias vezes, de eu falar algo, mas quando vai para o papel sai de forma totalmente diferente. Não era bem o que eu havia dito. Mas hoje em dia, sou bem mais relaxada com essas coisas.

Diante de tantos trabalhos na televisão e fora dela, você acredita que tenha alcançado o auge do sucesso?

Não sei, você acha que eu alcancei? Tomara! Sucesso, é você estar feliz na carreira e realizada. Eu trabalho desde pequena, e sempre levei o meu trabalho muito à sério. Sempre fiz as minhas coisas direitinho, estudei bastante. Isso é bacana. Pra mim, o sucesso é receber bons papéis, e ter ótimas oportunidades. Conseguir ter a chance de fazer personagens mais maduros, que me desafiem como atriz. Eu fiz a Maria Isis em “Império” (2014) e depois uma série que era completamente diferente, com expressionismo alemão (Amorteamo, 2015), em que eu interpretava uma noiva cadáver. Depois fiz a Elisa em “Totalmente Demais”, e a Isabela em “Justiça”. Eu tive a oportunidade de fazer vários tipos de personagens que me desafiaram. Por isso, estou realizada e plena.

Mas você diria que falta realizar um sonho ou desejo?

Foi o que eu te falei, na minha carreira eu pretendo ter novos desafios. Papéis diferentes, fazer vilãs, loucas, e tudo o que puder vir pela frente. Na minha vida pessoal, estou super realizada. Estou namorando e feliz. Espero que continue assim! Que tudo dê certo, e continue nessa relação que seja duradoura.

Seu último trabalho na televisão foi a minissérie “Justiça” que aliás, fez muito sucesso. A experiência de trabalhar em seriados, é muito mais tranquila do que novela?

É diferente, mas tem o lado bom e ruim. Depois que nós assistimos, não dá muito tempo para ajustar e melhorar. Você faz o trabalho e só depois vê como ficou o resultado. Daí não tem mais jeito, é só assistir mesmo. O lado bom, é que você faz as gravações com muito mais calma, mais cuidado. A novela não, porque normalmente gravamos 30, 40 cenas por dia. Vamos para o estúdio, e ainda tem as externas. E na série, nós gravamos com mais tempo.

Então você procura assistir aos seus trabalhos na televisão. Normalmente consegue acompanhar as novelas?

Eu assisto porque é importante. É bom você saber o que está fazendo e entender porque - às vezes - estamos fazendo de um jeito, e na trama estamos passando de outro. Então, é preciso entender o resto da história também. Eu sou muito ansiosa e me cobro muito. Sou bem perfeccionista.

Agora você está de férias, mas quando está trabalhando, envolvida com um personagem, como é o seu processo de construção do personagem?

As pessoas às vezes pensam que é muito simples, e que a vida do ator é muito fácil, mas não tem noção do quanto nós estudamos. Por trás de um novo personagem, de uma história, de uma vida que nós vamos contar, tem todo um estudo, do que realmente nós queremos passar. Eu trabalho com uma psicanalista, que me ajuda a criar memórias de uma pessoa que não existe. Nós criamos a infância, o que ela gosta de fazer, quais são suas sensações, o que ela gosta de sentir, como é que ela se vê, como é cada relação com os outros personagens. Então, é muito bom porque mergulhamos num processo, dentro do personagem, e criamos uma nova vida.

Como é se tornar referência de moda para muitas pessoas, que adoram e seguem o seu estilo?

Eu adoro moda! Sempre gostei e surgiu de uma maneira muito natural. Gosto de assistir aos desfiles, de ir às lojas para ver o que estão lançando. Gosto de estar atualizada. Acompanho as tendências, mas também não uso tudo. Procuro mesclar com o meu gosto, com o que sei que vai me vestir bem, com o meu estilo e corpo. Não dá pra ser vítima da moda. Nem tudo que está na passarela, a gente pode usar. Também procuro me atualizar, através das redes sociais. Hoje em dia, todo mundo fica muito mais próximo, de um desfile que está acontecendo lá fora. É possível receber na hora, fotos instantâneas. Assim, fica muito mais fácil se inspirar.

Você tem um queridinho do mundo fashion?

Eu não tenho nenhum estilista específico e também sou muito eclética em relação às marcas. Gosto das peças e vou montando. Eu tenho um guarda roupa grande, mas não sou de gastar muito. Eu compro as peças certas, que sei o que vou usar mais. Às vezes gasto mais dinheiro com bolsas, mas são peças clássicas, que terei para a vida toda. A minha vaidade vai até onde eu me sinto bem.

Mesmo sabendo combinar as peças, já aconteceu de você montar um look errado e só perceber depois?

Ah sempre! Eu acredito que já tenha acontecido com todo mundo, né?! Você coloca uma roupa, está linda, mas só depois percebe que não ficou legal. Ou se tocou que pessoalmente o vestido é lindo, combinou super bem, mas na hora da foto, não ficou tão bom assim. Eu já me arrependi, por exemplo, de ter usado calça saruel. Não combina comigo. Das peças que eu mais gosto, é jaqueta de couro e calça jeans, porque combinam muito bem. São duas peças coringas. Mas a calça jeans eu consigo usar no verão, no inverno, durante o dia ou à noite. Sou bem eclética. Às vezes gosto de me arrumar mais menininha, outras quero me sentir mais mulher. Depende muito do dia, e da ocasião também.

Mas você é daquelas mulheres que demoram muito pra se arrumar, ou costuma ser mais prática?

No dia a dia é rapinho, mas quando tenho algum evento, eu me arrumo um pouco mais, porque têm cabelo e maquiagem. Gosto de usar rímel e blush, porque sou muito branquinha, mas no meu nécessaire, que é um pouco grande, procuro levar sempre as mesmas coisas. Uso protetor solar, água termal, e hidratante, tanto para o rosto quanto para os lábios. A minha pele é muito sensível e começa a descascar.

Fica mais fácil para a artista cuidar melhor da alimentação, e fazer atividades físicas, quando ele está de férias?

Na verdade eu sempre comi de tudo, e muita besteira também. Malho de vez em quando, mas quando estou envolvida em algum trabalho na televisão, é mais complicado. Normalmente, nós gravamos de segunda à sábado, e domingo é nosso dia de folga, mas eu termino trabalhando, envolvida em outras coisas. Eu fico sem rotina. E essa falta de rotina faz com que eu não consiga me organizar para malhar. Quando eu tenho um tempo, procuro cuidar da alimentação, faço escolhas mais saudáveis, porque nós sabemos o que temos que comer e o que tem que ser feito. Eu, por exemplo, sinto a mudança na textura da minha pele. Costumo caprichar na minha hidratação, e faço renovação celular. É um tipo de peeling que ajuda na recuperação do viço da pele. Por isso, é importante fazer escolhas mais saudáveis. Se eu começar a comer tudo que eu tenho vontade, é claro que vou engordar. Eu tento manter um equilíbrio.

Existe alguma parte do seu corpo que você mais gosta e menos gosta?

Não, acho que está tudo direitinho, mas a que eu mais gosto é o bumbum.

Você comentou sobre os cuidados com a alimentação, mas em relação aos cabelos como você procura mantê-los saudáveis?

Com o cabelo, eu procuro usar bons produtos em casa também, porque não dá pra ficar indo sempre ao salão de beleza. Uso ampola de hidratação, porque quando estamos em novela, ficamos um ano inteiro fazendo escova e babyliss. E a ampola é o segredo de um cabelo saudável. Por isso, a importância de usar bons produtos. Costumo cortar sempre, aparar as pontas, levo um leave-in quando vou à praia. O cabelo é a moldura do rosto, não importa o cumprimento, um bom corte que combine com você é sempre interessante. Adoro praia e tenho o hábito de tomar sol, mas sempre uso muita água termal e hidratante pós sol, na pele do rosto e do corpo.

E já que estamos falando sobre cabelos, há um tempo surgiu uma polêmica sobre cortar ou não. Você faria qualquer coisa por um personagem?

Tudo depende do que você está fazendo, qual o trabalho, personagem, equipe. Tudo é muito relativo, e não dá pra generalizar. Eu sou atriz, e amo o meu trabalho. Sempre levei minha profissão muito à sério. Então, é claro que se for por um projeto bacana, um personagem interessante, nós temos que fazer mudanças.

Você é uma pessoa que se cuida, e se preocupa em estar saudável, mas você se sente uma mulher sexy?

Ah, eu acho que sensualidade é relativo. Toda mulher que se sente bem, e que está feliz com a autoestima boa, é sensual. Depende de como você quer ficar sexy. Eu acho que a mulher, quando não está, necessariamente produzida, está mais tranquila, relaxada, também é sexy. Mas é claro que, quando tem um evento, temos que nos arrumar, colocar um salto alto, um batom. Dá pra usar algumas armas também.

 
A devoção de Vladimir Brichta ao teatro

Por Ester Jacopetti

Vladimir Brichta é veterano na televisão, mas foi no teatro que deu os primeiros passos, e consequentemente surgiu a oportunidade de fazer sua primeira novela, em 2001 (Porto dos Milagres). Com o mesmo frescor, ele mantém seus personagens vivos na memória das pessoas, mas é no teatro que o ator se reencontra e, ao mesmo tempo, surpreende o público quando foge de personagens estereotipados. “Muitos falaram que eu estava num tom diferente, mas alguns não acompanharam o meu trabalho no cinema, ou no teatro. Mas, tudo bem também. São públicos diferentes. Eu estava realizando um tipo de linguagem, que frequento desde o início da minha trajetória. Para o público de televisão, de fato aquilo é novo, é surpreendente. Eu me beneficiei disso. Fiquei muito feliz com o retorno do público e da crítica”, comentou ele, sobre o sucesso de seu personagem em “Justiça”, que tinha em seu DNA uma dramaticidade intensa. Sua última novela foi “Belíssima” em 2005, após 11 anos de trabalhos, e passar por uma crise profissional, dedicou-se especialmente as séries. Mas dessa vez Vladimir não resistiu, e voltou como protagonista em “Rock Story”, com um personagem que tem o rock and roll nas veias, e leva a vida sem limites. Quanto a maturidade profissional, Vladimir faz uma avaliação positiva, não só sobre sua carreira, mas como a mudança na linguagem no teatro, cinema e televisão foram importantes para construí-lo como pessoa. “Estou me achando melhor. Evoluímos, em termos de linguagem. Isso me agrada muito. Sinto-me bem à vontade voltando às novelas, nesse momento”, disse. Completo apaixonado pelo teatro, ele não esconde o entusiasmo pelos palcos. “A magia se dá muito mais pela hipótese. Não precisamos de ultrarrealismo. Você pega um caixote, e ele vira uma cadeira, um trono, ou uma mesa. Isso tem desdobramentos na própria atuação. O teatro continua sendo o lugar mais libertário para atuar, mesmo a TV e o cinema experimentando muita coisa nova”, pontuou.

REVISTA TUDO - Normalmente os atores trabalham com um coach para ajudar na composição dos personagens. Quais são as técnicas que os telespectadores não veem, que o ator precisa desenvolver?

VLADIMIR BRICHTA - Para criar um personagem, temos que buscar referências, e acho importante não enxergá-lo longe de mim. Muitas pessoas usam o coach, para decorar texto, e não só criar um personagem. Eu não costumo trabalhar assim, mas tive, por exemplo, influências externas. Participei de uma preparação com Eduardo Milewicz, que a emissora promoveu por três semanas. Eu só consegui, durante a primeira semana, porque estava gravando “Justiça”, mas foi o suficiente para entender, o tom que eles pretendiam seguir na novela (Rock Story). Ao mesmo tempo em que penso no personagem, costumo perguntar aos diretores, qual o tom que eles querem imprimir. Procuro referências na linguagem, porque é importante sabermos de que forma vamos abordar. A partir daí, vem as referências externas. E a ideia de buscar dentro de mim o que me aproxima do personagem, me agrada muito. No caso da novela, pensei em como tornar o rock mais íntimo, próximo, assim como o instrumento, e começar a pincelar as reações e os comportamentos. O Gui Santigo tem um temperamento mais explosivo, impulsivo. Eu tento buscar isso em mim. Pensando no próprio palco, tenho referências de pessoas, que são mais impulsivas durante um show, e no rock muitas delas são. Não tenho um método especifico. Preocupo-me com o tom do projeto, que é o mais importante para enxergar esse perfil de maneira mais clara.

Intercalar projetos na televisão, entre séries e novelas, têm sido uma opção agradável aos seus olhos? Os personagens de séries costumam ser mais atraentes?

Na verdade, não é de caso pensado. Foram as opções que surgiram ao longo desses anos, que me fizeram tomar esses rumos. Às vezes uma série pode ser mais interessante, do que uma novela, e vice e versa. Não penso muito na questão do formato não. É claro que a abordagem desses trabalhos, é um pouco diferente, porque cada um deles têm tempos para elaboração. Talvez as minisséries, deem a oportunidade de se aprofundar em determinadas questões, e discussões que tendem inclusive, um aprofundamento do personagem. A novela segue um padrão mais específico. Neste momento, estou em um folhetim com viradas e grandes acontecimentos comuns ao formato, mas fazendo um personagem, bastante amplo, com uma dimensão trágica também. Essa é uma busca minha, independente do que eu esteja fazendo, tento dar uma dimensão mais humana possível. A não ser, obviamente, que eu esteja fazendo humor. Quando a abordagem é realista, tento dar sempre esse aspecto mais humano. Quero que as pessoas consigam enxergar, de fato, alguém ali, e não um tipo.

Ao longo dos anos, a televisão evoluiu, assim como outros meios de comunicação. No caso do teatro, como você enxerga essa evolução na questão da linguagem com o público? Ficou mais fácil agradar a massa?

Nós vivemos constantemente em transformações. Hoje, nós observamos que a televisão está cada vez mais próxima, pelo menos para nós brasileiros, do cinema; e falamos muito dos Estados Unidos, e acho interessante a comparação. O que foi produzido na teledramaturgia norte-americana, tem origem no cinema. Aqui, as novelas vêm das radionovelas, do teleteatro. Nós temos tradição de televisão, mas diferente da norte-americana. Recentemente passamos a observar que o cinema começou a influenciar e perder talentos para a televisão, que começou a produzir com nível de investigação, que era mais comum no cinema. A televisão norte-americana fez isso com as séries, e acabou influenciando o mundo inteiro que as consome, assim como consumia o cinema americano. No Brasil também, e a TV passou a produzir flertando com essa velocidade da informação, com nível de aprofundamento, e quebra de alguns estereótipos do herói e mocinha. É válido quebrar e subverter uma fórmula. Sair da zona de conforto, na qual estamos acostumados a produzir. Outro ponto importante, é que o cinema passou a ser digital, assim como a TV. Ou seja, em termos de tecnologia, nos igualamos. O que acabou interferindo na linguagem, e toda essa dinâmica, técnicas televisivas e audiovisuais, afetam também o teatro contemporâneo. O teatro parte do pressuposto que aquele público, está acostumado a ir ao cinema, e ver televisão, e mais do que isso, a usar os seus próprios meios, como o celular, tanto para filmar, quanto consumir. A ideia do “faz de conta”, nunca foi tão clara. A magia se dá muito mais pela hipótese. Quando subimos ao palco, acreditamos que quando a cortina se abrir, o público irá reconhecer imediatamente o personagem. Não, ele vai olhar e ver um ator, talvez o reconhecerá de algum trabalho na televisão, do cinema, ou peça. Acredito que a proposta e a linguagem na atuação, se dão muito pela sugestão, que é muito mais do que definitiva. Ela provoca e instiga o expectador a concluir o entendimento sobre o personagem. Não precisamos de ultrarrealismo. Podemos brincar com sugestões, para que o público complete o entendimento. Você pega um caixote, e ele vira uma cadeira, um trono, ou uma mesa. Isso tem desdobramentos na própria atuação. O teatro continua sendo o lugar mais libertário para atuar, mesmo a TV e o cinema experimentando muita coisa nova.

Sua última novela foi em Belíssima (2005). Como está sendo esse retorno às novelas?

Pois é, já se passaram onze anos. Desse tempo pra cá, muita coisa mudou. Estou me achando melhor. Talvez por causa da minha maturidade profissional e a experiência que acumulei. Tem a ver com o próprio desenvolvimento da televisão, em si. Hoje em dia, trabalhamos com o mesmo equipamento que usamos no cinema. Evoluímos muito, em termos de linguagem, e estamos num lugar bem interessante. Sinto-me bem à vontade, voltando às novelas nesse momento da TV.

Nesse período você ficou bastante focado no humor. Poderia afirmar que esse é o tipo de gênero que te agrada?

Curiosamente, desde quando eu comecei em 2001, fiz bastante humor na televisão. Mesmo nas novelas, eu estava envolvido com o núcleo cômico. Passei onze anos longe, mas estava fazendo séries de humor. Foi bom, porque é um universo que me agrada. Eu gosto e sei fazer. Mas está sendo bacana voltar, numa trama na qual eu não sou responsável pela parte do humor. É legal até para o público de televisão, que me acompanha há bastante tempo. Eles irão me ver de outro jeito, em outro gênero. É uma troca muito boa, saudável.

Como tem sido interpretar um roqueiro? Você comentou que as pessoas irão te ver de outro jeito. O que elas podem esperar?

Essa trama tem muito, de novela das sete, além de ter muita música. Isso traz um frescor muito bom. Temos uma juventude muito talentosa, envolvida com música. A novela, fala um pouco da mudança de geração, o que é bacana. O Guilherme é um roqueiro meio decadente. É no meio de um conflito que ele descobre que tem um filho, que também é talentoso, e cria uma “boy band”, pra voltar às paradas e competir com o arquirrival, que é o personagem do Rafael Vitti. É legal dizer que eu sou o coroa da novela, eu tenho quarenta anos, e dois filhos. Tem um encontro de gerações que é muito bom. Cada um, se alimenta do outro.

O público desse horário é bem diversificado, inclusive tem muitos adolescentes. Você está preparado para esse público?

Eu estava gravando com o Nicolas (Prattes) e uma menina pediu pra tirar uma foto com ele. Ela disse: “Tio, posso tirar uma foto com você?”. O Nicolas me olhou sem entender. Eu disse: “Dessa menina, você já é tio”. Já crescemos tio de alguém. Não sei se estou preparado para o público adolescente. Não sei o que vai ser. Eu tinha um público dessa idade, na época de “Tapas & Beijos”. Eu não faço ideia, do que eles irão achar de mim. Se eu virar o tiozão roqueiro, vou ficar bem feliz.

E já que você comentou sobre música, o que ela representa para você?

Sempre gostei de música e já fiz alguns musicais no teatro, cantei no cinema, e na televisão também. A música é muito presente, e ouço sempre que possível. Esse personagem me provocou uma grande pesquisa, porque o que é rock nos dias de hoje?! Eu tive que buscar minhas referências, e ao invés de só tentar buscar, também procurei escutar coisas antigas. Bandas como: Legião Urbana, Titãs, Ira, Paralamas do Sucesso, Lobão e muitas estrangeiras também. Esse personagem não deixa de ser um presente, porque me aproxima muito desse elemento, chamado: música. O Gui é guitarrista e cantor. Na parte de canto, já foi mais fácil, mas voltei a fazer aulas porque é preciso exercitar. A música de abertura da novela, sou eu quem estou cantando. O nome é “Nossa Hora”. Eu gravei numa boa. Agora, para tocar foi um pouco mais complicado. Eu toco violão bem fajuto, e achei que poderia ajudar, mas é muito pouco, porque tem um jeito especifico, de tirar o som da guitarra, que não é parecido com o violão. Infelizmente não fui capaz de tocar ao vivo também.

Como você descreveria o seu personagem?

Ele tem um temperamento mais explosivo, que brinca um pouco com o estereótipo do roqueiro. É muito rico para o personagem, porque ele é impulsivo. Os erros que ele acaba cometendo são mais pela impulsividade. É bacana fazer, porque consigo ver a curva do personagem. Pra fazer o Gui eu me inspirei no Johnny Depp, porque ele também tem uma banda. Peguei um pouco dele. Comentam que eu estou parecido com o Chris Cornell (Guitarrista do Audioslave). Achei parecido mesmo, e cheguei até ler algumas biografias e tudo mais. Eu tomo todo o cuidado para não deixá-lo caricato, e saberia se isso acontecesse.

Quando deu os primeiros passos na carreira, como foi a sua preparação?

Eu não tive uma preparação, no início da minha carreira. Hoje, os novos atores têm um aparato muito grande. Essa geração é muito boa, porque eles estão interessados. Não sabem uma porção de coisas, mas sabem outras. A minha geração, não se preparava para musicais no passado. Nos preparávamos para atuar. Eu cantava, e dava uma dançadinha, meio roubada (risos). Eu não me preparei. Nessa época, não existia escolas para diferentes gêneros, mas hoje tem. Essa geração, precisa buscar o único de cada um, como artista. Compreende?! As ferramentas, elas têm.

As mudanças não foram apenas na questão de praticar aulas de guitarra e voz, mas também no visual que está super radical...

As tatuagens são do personagem, são duas. Elas são feitas de silicone, e duram em média uma semana. Estou usando brinco também. Em casa, o pessoal estranhou um pouco. Eu já tinha a orelha furada. O menor olhou o brinco e falou que gostou. O cabelo, dei uma mudada. O comprimento é todo meu, mas coloquei um volume, tipo um aplique. Quando eu fiz “Justiça” eu estava com o cabelo que lembrou minha adolescência (risos). Eu tive cabelos assim, dos doze aos vinte anos, cumpridos e loiros. É engraçado porque eu trabalhei na praia, em um quiosque com a minha mãe. Nós vendíamos coco, e esse universo praiano, era muito familiar pra mim, não é distante.

Você já comentou que fazer seriados e deixar as novelas um pouco de lado, não foi de caso pensado, mas de certa forma, foi uma decisão sua?

Foi uma opção minha, sim. Quando terminei “Belíssima”, entrei em uma crise pessoal, de trabalho. Percebi que eu não estava feliz. Era uma época, que eu queria me dedicar mais ao teatro, que é de onde eu venho. Fiz duas peças. Não demorou muito, e surgiram vários convites para fazer séries. Em cinco anos, eu havia feito cinco novelas. Surgiu uma, mas não fiz. Fiz “Tapas e Beijos” e segui o meu caminho. Fiz “Justiça”, e agora essa novela. E ainda tem “Zózimo”, que é uma série do Mauro Wilson, sobre um detetive que se passará nos anos 50. Aceitei participar dessa trama, porque amei o enredo. Gosto de me desafiar. Não consigo tocar ao vivo a guitarra, e fiquei puto da vida.

Mas você sentia uma cobrança por parte do público?

Cobravam muito, mas enquanto eu estava em “Tapas e Beijos”, pararam um pouco. As pessoas ficam intimas, né?! Hoje em dia, me cobram a volta do seriado (risos).

Acredita que seu personagem em “Justiça” foi um divisor de águas na sua carreira?

Pode ser. Muitos falaram que eu estava num tom diferente, mas alguns não acompanharam o meu trabalho no cinema, ou no teatro. Mas, tudo bem também. São públicos diferentes. Eu estava realizando um tipo de linguagem, que frequento desde o início da minha trajetória. Para o público de televisão, de fato aquilo é novo, é surpreendente. Eu me beneficiei disso. Fiquei muito feliz com o retorno do público e da crítica. O elenco era realmente o ponto alto desse projeto, e também, de eu sair um pouco da chave do humor na televisão. O grande público assiste televisão e vai pouco ao cinema e teatro. Eles conhecem o meu trabalho, através do humor. Não deixou de ser para mim, um exercício e uma oportunidade de poder trocar, e o público me ver num gênero diferente. “Justiça” foi uma série inovadora e ousada. Quando recebi o convite, aceitei na hora. A trama foi muito bem elaborada. As histórias eram pesadas, e o público teve a oportunidade de ver a mesma cena, mas de um ponto de vista diferente. É o exercício de julgar. Pra mim é justo e correto, mas pra outra não. Então, na verdade, reverbera um pouco esse estilo que cada um de nós temos uma opinião sobre o que é correto, diferente. Você pode exercitar, na linguagem. Esse projeto foi um trunfo.

Foi nessa série que você e a Adriana (Esteves), depois alguns anos voltaram a atuar juntos...

Pois é. Depois de tanto tempo, né?! Mais de dez anos. Nosso último trabalho na televisão juntos, foi na novela “Kubanacan” (2003). Sempre vibrei com as coisas dela. E, nós sem esperarmos que fosse acontecer, virou realidade.

Falar sobre o trabalho, é bom para a relação de vocês?

Ah, é bom, mas também tem a hora de parar, de colocar um filme, sair pra jantar, encontrar os amigos, namorar. Antes de eu ser marido dela, eu era um grande admirador do trabalho da Adriana. Fã, admirador mesmo! Não tem como eu ignorar o fato, de que ela realiza um grande trabalho. A reciproca, modéstia parte, é a mesma. Gostamos do que o outro faz. Eventualmente, se fala que um casal compete entre eles, mas não existe isso entre nós. Nos estimulamos, provocamos no melhor sentido.

O fato de você estar emendando um trabalho no outro, causa certa preocupação em relação ao desgaste da imagem?

Não, não. Eu não apareço em tudo que é canto. Fazer duas novelas seguidas, é uma coisa que desgasta muito mais, do que estar em seriados, que foi exibida no mês passado.

Como você lida com as questões das redes sociais?

Eu não tenho nenhuma conta em nenhuma rede social. Não sou eu. Divulguem isso.

Seu personagem tem um filho fora do casamento, e se relaciona com uma fã...

Se eu tenho um filho fora do casamento?! Eu não (risos). Não me relacionei com fã não. Quando eu comecei a namorar a Adriana ela falou que era minha fã. Não sei se isso conta (risos). Mas eu também era fã dela.

O que tem do Vladimir que começou a carreira em 2001 em “Porto dos Milagres”, para o de hoje?

O encanto pelo o que eu faço. Mesmo! De TV já são quinze anos, nesse período eu já errei, acertei e cansei. Mas, hoje posso dizer que estou muito mais próximo daquele frescor, vontade, tesão mesmo do trabalho, que eu tinha quando entrei no Projac pela primeira vez. Eu tenho o mesmo encanto daquela época.

 
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