Entrevista Capa
Cauã Reymond transforma-se num ator versátil e prova que talento, não dependedo sucesso com as mulheres

Desde quando iniciou sua carreira em Malhação (2002), com o personagem Maumau, Cauã Reymond, o garoto de lábios fartos e cabelos encaracolados, não parou mais. Emendando um trabalho no outro, cresceu em frente à televisão, conquistando o público, em especial feminino, com seus personagens carismáticos. Ao longo dos seus 14 anos de carreira, já foram mais de 30 trabalhos, tanto na televisão, como no teatro e no cinema. Desta vez, fugindo um pouco dos personagens mais caricatos, ele interpreta Maurício em Justiça. Durante entrevista, ele contou em detalhes, porque aceitou o convite. “Achei que de certa forma, poderia ser quase que uma reciclagem pra mim. Eu uso roupas mais largas, já tenho um pouco de cabelos brancos, mas a equipe os deixou bem mais brancos. Essa envelhecida é importante pra mim, como ator. É bom para o meu ofício, e enriquece o meu trabalho”, diz Cauã que também rebateu a crítica, com bom humor, sobre interpretar um homem mais velho. “Eu vejo como um lugar diferente para o meu ofício. Um lugar mais rico. Estou interessado em fazer personagens que tenham essa densidade dramática, que tenham muito mais a ver com a minha idade”, comenta Cauã que está adorando a chegada dos fios brancos. “Existem tantos homens grisalhos charmosos”, conclui. Com sorriso solto, ele também falou sobre paternidade. “Eu amadureci tanto, desde o nascimento da minha filha, que eu sinto cada vez mais, que sou um bom pai. Não estou me auto elogiando. Mas sou apaixonado pela paternidade. Eu amo a minha filha, mais do que tudo nessa vida. Ela é muito especial”, derrete-se pela filha Sophia. A partir de agora, prepara-se para mergulhar no mundo deste homem, que tem muito a dizer.

Revista Tudo – Maurício, do seriado Justiça, é um homem que após cometer eutanásia, é preso. Como tem sido esse trabalho tão diferente de tudo que você já fez?

Cauã Reymond - Estou muito orgulhoso deste trabalho. Quando surgiu o convite de trabalhar novamente com o Zé (diretor José Luiz Villamarim), logo após a novela eu estava super cansado, mas achei que de certa forma, poderia ser quase que uma reciclagem pra mim. E eu estava realmente empolgado, em fazer um contador. Eu crio em cima de um assunto muito delicado, que é sobre a eutanásia. Esse assunto, realmente me chamou muita atenção, de justamente poder falar sobre. Eu já vivenciei essa situação com o meu avô no hospital, que respirava com a ajuda de aparelhos. É claro que eu sigo as leis, mas é um personagem, e as histórias que nós trazemos na série levantam o que é justiça e vingança. É um tema interessantíssimo.

Eu também me sinto orgulhoso de inaugurar esse novo formato, que é uma série em que você tem vários protagonistas e cada dia um conta a sua história. A minha acontece às quintas-feiras. E eu espero que dê muito ibope. Futebol é na quarta-feira, né?!

O fato de você estar interpretando um homem mais velho demonstra maturidade na sua carreira. Mas você cansou de ser o ídolo bonitão?

Existem tantos homens grisalhos charmosos. Eu vejo como um lugar diferente para o meu ofício. Um lugar mais rico. Estou interessado em fazer personagens que tenham essa densidade dramática, que tenham muito mais a ver com a minha idade.

Voltando um pouco a falar sobre o Maurício que trata de uma questão polêmica. Você faria eutanásia na sua mulher?

Olha, é tão delicado. No início das filmagens, uma repórter de um veículo, para quem eu dei minha primeira entrevista visitou o set em Recife. Na época, eu não sabia direito o que dizer. Não sabia como falar do meu personagem. Ao longo das filmagens fui entendendo um pouco como era a vida desse cara. Não existe uma preparação para um acontecimento como esse. O personagem não se prepara para uma situação como essa. É tão dolorido o que ele passa... Alguns dias eu ia para a casa pensando, e me colocando no lugar dele. É tão difícil o que ele enfrenta.

Qual a maior dificuldade deste personagem: ser responsável pela morte da namorada (Marjorie Estiano) ou sentir-se culpado?

A maior dificuldade é não ter a pessoa que você mais ama na sua vida ao lado e ser culpado por isso. Ele sente apenas a sensação absurda de que não existe mais motivo para estar vivo, se não for por vingança.

Você é um cara vingativo?

Não. Pelo contrário, acho que com o passar dos anos você releva mais e também entende e compreende como as coisas acontecem, olhando cada vez mais o ponto de vista do outro. Quando somos mais jovens, às vezes não temos esse olhar.

Você acha que a pessoa tem o direito, de decidir se ela quer, ou não continuar viva?

Eu acho que as pessoas deveriam ter, esta é minha opinião, mas sou a favor da lei e ela diz que não. Ela existe para ser seguida.

O que você procurou destacar do seu personagem na trama?

As coisas mais importantes que o texto do Zé e da Manuela (Dias, autora) levantou, é: O que é justiça e o que é vingança? Eu não vi como as outras histórias ficaram, tirando as ocasiões em que elas se entrelaçam, pois filmamos em momentos diferentes. O meu personagem, se vinga de um político safado (Antônio Calloni). Depois eu quero saber a opinião do público, porque se o brasileiro observar a situação, vai ficar com a mesma raiva que o Maurício ficou. Eu não sou a favor da vingança, sou a favor da justiça. Nós ficamos muito tristes quando percebemos que a justiça não funciona. Mas sou sempre muito a favor da lei. Nós é que temos que melhorar a forma como colocamos a lei em ação.

Você comentou sobre os dilemas do Maurício. Precisou fazer algum workshop especifico para compô-lo?

O texto da Manuela é muito preciso. Os diálogos são muito bem construídos. E as cenas curtas e bem engrenadas umas nas outras. Eu estudei sobre o assunto, mas tive que tirar de dentro sentimentos que se assemelham ao que está acontecendo com Maurício. Foi um personagem que eu encontrei com muita clareza, claro que eu busquei o sotaque dele, de onde ele vem, mas busquei entender as sensações dele. Em muitos momentos, deixei aberto pra que elas viessem no momento da cena. É muito especial, porque o time de direção permite que você tenha alguma ideia que não esteja no script. Eles assimilam, e te colocam numa situação favorável. Não improvisamos, mas se vem algum sentimento que nós não estávamos preparados, somos abraçados.

Existe alguma técnica para deixar o personagem no set e não atrapalhar a sua vida pessoal?

Quando minha filha (Sophia) está comigo, é muito mais fácil ! Tudo que te tira da ficção, ajuda.

Você é o pai que imagina ser?

Eu amadureci tanto, desde o nascimento da minha filha, que sinto cada vez mais, que sou um bom pai. Sou um pai que nem eu imaginaria ser. Não estou me auto elogiando. Mas sou apaixonado pela paternidade. É muito especial. Eu sou um ser humano melhor, um ator melhor, namorado, amigo, melhor em tudo. Pode até parecer piegas, mas se você se entrega à paternidade, é um amor que te toma, num lugar inimaginável. Eu amo a minha filha, mais do que tudo nessa vida. Ela é muito especial!

Você chegou a fazer algumas propagandas provando roupas, e várias mulheres te admirando...A Sophia tem ciúmes de você?

Filmaram as mulheres, mas eu não estava lá, eu tive que fingir que elas estavam, e vice-e-versa. Filmaram em duas partes. Só filmei com a minha suposta filha, que é uma ótima atriz. Ganhei muitos likes no instagram quando postei uma foto ao lado dela. O pessoal deve ter pensando que era a minha filha de verdade. Quando o pessoal chega perto, e eu estou com a Sophia, ela puxa a minha mão. Principalmente quando estamos no shopping (Risos).

Você comentou sobre outro trabalho. Está com outros projetos ou pretende ficar de férias, por enquanto?

Eu ainda tenho a filmagem do Dois Irmãos, que estreia no dia 02 de janeiro 2017. Eu espero que os jornalistas não enjoem da minha cara. Gosto muito desses dois trabalhos (Justiça e Dois Irmãos). Tenho muito orgulho deles. Depois disso sim, eu pretendo tirar umas boas férias.

 

 

 
Rodrigo Lombardi divide o tempo com a família e o trabalho

Já faz um tempinho que “Verdades Secretas” acabou, mas ainda assim permeia o imaginário de muitas mulheres, que ficaram fascinadas pelo personagem Alex, vivido por Rodrigo Lombardi. Para ele, não foi nada fácil deixar o mulherengo e sedutor para trás. Ainda mais quando a fama de galã, ganhou ainda mais destaque por causa da trama. “Muitas pessoas dizem que o Rodrigo está construindo vários galãs, mas não é assim. Poucos sabem, mas meu trabalho na televisão, vem de 12 anos pra cá. Entretanto, eu vim da comédia, do teatro de composição de personagens. Quando me colocaram nesse lugar de galã, comentaram que eu só faço isso. E, não é assim.”, diz com certo incomodo, mas afirmou que o rótulo já não o chateia mais. Mas como este mês é especial, a Revista Tudo, também aproveitou para conversar sobre paternidade. Com brilho nos olhos, Rodrigo revelou-se um excelente pai, que busca não só qualidade de vida para o seu filho, mas passar valores éticos, que aprendeu com o seu pai. “Os meus princípios são: Faça o bem, sem olhar a quem. Curta o seu espaço, o máximo que você puder, sem invadir o do outro. Mostre um mundo melhor para o seu filho. Se eu conseguir passar 1% do que o meu pai me passou, eu ficarei muito feliz.”, comenta. Com um relacionamento afetuoso com o filho Rafael de 7 anos, fruto de seu relacionamento com a maquiadora Betty Baumgarten, Rodrigo diz que acredita que a razão de estarmos aqui, resume-se a paternidade e maternidade. “Porque nós estamos aqui? Se existe uma razão e função de estarmos aqui na terra, é a paternidade e maternidade”, responde. “Eu tenho uma criança dentro de mim. Ela tenta crescer, e eu não deixo. Essa criança continua aqui. Quando ela tentou crescer novamente, eu tive um filho que a alimentou dentro de mim”, revela o ator, que faz um paralelo sobre os seus sentimentos do início de carreira. A partir de agora, prepara-se para conhecer um pouco mais sobre a história desse homem, que encarou desafios e sabe muito bem como lidar com o sucesso.

Revista Tudo - No cinema (O Olho e a Faca) você viverá um petroleiro. Como pretende compor esse novo personagem?

Rodrigo Lombardi - Esse é um filme do diretor Paulo Sacramento, em que eu interpreto o Roberto. Nós ainda estamos rodando, e vamos terminar no final de agosto, começo de setembro. Terminaremos na plataforma de petróleo, na qual ficaremos 15 dias, depois voltamos pra São Paulo. A história conta o drama de um petroleiro. O filme irá mostrar a vida desses trabalhadores. Um universo que nós não conhecemos. Mas na verdade, o personagem não é tão focado na função de petroleiro. Existe a função dele, mas a ideia é falar sobre a vida dessas pessoas, que passam metade do tempo embarcada no mar, e outra em terra firme. Quando surge um problema na plataforma, mas ele está embarcado, tudo bem. Quando está em terra e existem outras situações, ele consegue solucioná-las. O dilema é quando as coisas começam a inverter. É quando a vida dele começa a ficar mais difícil. O filme trata justamente dessa situação.

Você participou do início de “Velho Chico” e a novela está indo super bem. Nos próximos capítulos o seu personagem será bastante citado. Você tem acompanhado a trama?

Às vezes eu vejo, mas o excesso de trabalho não deixa. É o início de tudo, e a novela é muito linda. Mas quando não estou trabalhando eu procuro assistir sim. Ela está indo super bem. Eu acho que estava faltando essa mistura lúdica com realidade, e a novela tem isso, que vem na forma de esperança. Perdemos a nossa identidade com o passar dos anos e agora estamos correndo atrás do prejuízo. Nós esquecemos o que somos e essa novela vem pra resgatar. Para mostrar uma brasilidade que nós deixamos de lado. O Brasil é um país de agricultura. Sempre foi e sempre vai ser. É sobre isso que estamos falando.

É verdade que você está confirmado para a próxima novela da Glória Peres? O personagem será um novo galã?

Eu não posso falar sobre o personagem, porque ainda não sei nada a respeito. Mas posso dizer que farei o bonzinho, mas não serei galã não. Até porque não sou mais, tem uma galera de galãs chegando, uma nova geração de atores. Nós tivemos um pequeno briefing sobre o que é, mas não vou dizer, até porque, pode ser que eu erre. Mas ele tem alguns momentos, muda de função, e tem upgrade que vai ser o desenrolar de uma parte da trama. Ainda não tenho ideia, de quem fará parte do meu núcleo, mas pelo pouco que sei, tem a Paola Oliveira que será meu par romântico, e não sei mais nada. Não posso falar nada, porque está tão no início, e pode ser que as coisas mudem, e eu erre. Vamos esperar ter a primeira reunião com o elenco, com todo mundo, pra eu poder soltar o que de fato vai acontecer.

Você comentou que ele é um mocinho, diria que é mais fácil para o ator?

Não, é o contrário, é muito mais difícil porque o vilão te dá muito mais oportunidade, então você surfa naquela onda. E o mocinho temos que ter cuidado, para ele não ficar chato. Nós temos que fazer com que as pessoas entendam os personagens.

Você é um ator que está sempre muito bem vestido de forma elegante. Você gosta de estar sempre na moda?

Eu sempre gostei de moda, aliás, trabalhei com moda por causa do meu pai que era representante. Nós trabalhávamos com camisaria e malharia durante muito tempo. Cresci vendo o que era um bom corte, um bom tecido, o que é tendência, o que é clássico, repaginado, o que não morre nunca. Meu pai me ensinou tudo isso. O que me ajuda bastante na hora de me arrumar. Também sou uma pessoa muito ligada a cheiro, que é importante pra mim. A minha vaidade é estar bem, feliz e confortável. Gosto de design, de perfume, enfim, mas nada que me obrigue a seguir certa tendência. Eu só uso o que eu realmente gosto.

Mas você se considera um ator muito vaidoso?

Vaidade é algo que um ator não pode ter. Muitas pessoas dizem que o Rodrigo está construindo vários galãs, mas não é assim. É muito difícil. Poucos sabem, mas meu trabalho na televisão, vem de 12 anos pra cá. Entretanto, eu vim da comédia, do teatro de composição de personagens. Quando me colocaram nesse lugar de galã, comentaram que eu só faço isso. E, não é assim. As palavras vão tomando uma proporção equivocada ao longo do processo. O grande trabalho de um personagem, é a desconstrução. Depois que esse personagem acaba, o trabalho de desintoxicação é às vezes prazeroso, ou difícil, doloroso. No caso do Alex (Verdades Secretas, 2015) foi um trabalho prazeroso, porque mexia com uma energia que eu não gostava. Mas nós precisamos acessar. Se não, perdemos a nossa função. No dia seguinte, após o termino de Verdades comecei a participar do espetáculo Urinal – O Musical. Um projeto de composição. Um trabalho de minha raiz. Algo que eu adoro. Nesse espetáculo eu ainda estava me desintoxicando. Nesse meio tempo, junto com tudo isso, começou o trabalho em Velho Chico. O processo foi rápido e foi nascendo outra coisa. O que eu quero dizer com tudo isso, é que às vezes, você constrói um personagem, ou ele vem até você.

Você ainda se incomoda quando recebe o rótulo de galã?

Já incomodou, mas hoje não mais. As coisas que as pessoas falam são delas, né? Não é o rótulo que vou usar no meu trabalho. O Luiz Fernando Carvalho (diretor) sempre fala que não podemos pensar no ibope. Não dá pra pensar no ibope, e não dá pra pensar em rótulos. A única coisa que eu quero pensar é no meu trabalho.

Você comentou sobre ter aprendido algumas coisas com o seu pai, e agosto é um mês especial. Como descreveria a paternidade?

A paternidade, é simplesmente a resposta que ninguém nunca encontra. Porque nós estamos aqui? Eu estou no mundo pra olhar pelo meu filho e talvez para os próximos, se eles vierem. Se existe uma razão e função de estarmos aqui na terra, é a paternidade e maternidade. Acredito que esse seja o motivo de estarmos todos aqui.

Que lições você gostaria de passar para o seu filho, que de certa forma aprendeu com o seu pai?

Tudo! Como dignidade, respeito, ética que são valores que nos moldam como ser humano. Os meus princípios são: Faça o bem, sem olhar a quem. Curta o seu espaço, o máximo que você puder, sem invadir o do outro. Mostre um mundo melhor para o seu filho. Se eu conseguir passar 1% do que o meu pai me passou, eu ficarei muito feliz. Em alguns momentos, eu tento melhorar muito, pra que eu me torne igual a ele. Eu quero seguir os passos que meu pai seguiu. Em outros momentos, eu tento ser melhor do que ele. Eu quero passar para o meu filho, os valores que eu aprendi. Espero que ele siga dessa forma.

Você comentou sobre os valores. Como você pretende passar pra ele?

É tentativa e erro. Não tem jeito. Procuro ensiná-lo a ser educado, como por exemplo, cumprimentar todo mundo, dar bom dia...  É isso. São pequenas atitudes que formarão o caráter dele.

E já que estamos falando de criança, recentemente você dublou um desenho infantil (Zootopia). Foi a primeira vez que você fez esse tipo de trabalho? Como foi essa experiência?

Não, essa é a minha quinta vez. Comecei a minha carreira de ator como dublador. O meu primeiro DRT é de radialista. Mas desde quando eu comecei, a coisa evoluiu demais. Hoje é muito mais tranquilo, do que quando comecei. Antes, se errássemos o final de uma frase, tínhamos que refazer tudo novamente. Hoje não, se você fez uma parte que saiu boa e a outra ruim, dá pra ajustar. Esse trabalho, não foi moleza, pelo contrário, foi um desafio muito gostoso, porque é um universo que nós escolhemos. Poder entrar neste mundo, que participamos desde quando nascemos, ser parte afetiva dessa edificação, é muito gostoso. Muito, muito bom. O resultado foi lindo.

Na sua carreira já são inúmeros personagens com diversas personalidades. Você gosta de trabalhar essas variações?

É excelente. Por isso, escolhemos essa carreira. Se fosse pra fazer a mesma coisa sempre, eu ia trabalhar num escritório. Ia bater carimbo.

Voltando um pouco no início da sua carreira, sua primeira trama foi “O Meu Pé de Laranja Lima”, exibida na Band.  Você ainda se recorda dessa época?

A gente sempre lembra. “O Meu Pé de Laranja Lima”, é um clássico. Antes de fazer eu já tinha lido a obra, que é algo que sempre gostei. E, fazer parte dessa trama foi muito importante pra mim. Fazer a cena Gianfrancesco Guarnieri, ser dirigido pelo Henrique Martins. Aprendi bastante com eles. Inclusive o Henrique foi um grande galã no passado. O tempo vai passando e você vai juntando esses momentos, e, é isso que faz virar a história.

O que você guarda do Rodrigo do início da carreira?

A infância. Eu tenho uma criança dentro de mim. Ela tenta crescer, e eu não deixo. Essa criança continua aqui. Quando ela tentou crescer novamente, eu tive um filho que a alimentou, dentro de mim.

Falando em criança interior, é verdade que você é nerd?

Sou! Eu assisti recentemente Star Wars: O Despertar da Força. Jogo videogame, amo jogar. Meu sonho é ser um X-Men. Ser um dos vingadores. Esse universo muito me agrada em si.

Mas se tivesse que escolher entre o Wolverine e o Capitão América, qual seria o herói que você gostaria de interpretar?

Entre esses dois, eu gostaria de ser o Wolverine. Entrar nesse universo, que é onde eu nasci, que é o da construção, e volto a falar. É onde resulta tudo isso, que nós gostamos. É onde vou pesquisar e como vou transformar isso, em uma coisa mais visceral. Já é um trabalho que entra em uma outra seara. O meu trabalho de construção vem todo por aí. Eu tenho que ir para o mundo dos sonhos, mesmo que seja para fazer algo que não é nada. Eu tenho que beber dali. Caso contrário, não conseguiria fazer. Transpiramos muito, fazemos trabalho de corpo, musculação, abdominal, fazemos leituras, exercícios. Com esse trabalho de corpo, acabamos conhecendo todas as articulações. É um trabalho de você para você mesmo. É autorreflexão. É bonito. No meio do exercício, que não tem nada a ver, você começa a chorar. Começa a conhecer lugares dentro de você, que não fazia ideia. Ser ator é um trabalho muito bonito.

É fácil deixar o personagem no trabalho e voltar para a casa sendo você mesmo?

Não sei. Você acaba levando sim. Não tem jeito. Você não pode ser o personagem dentro de casa, mas essa sensação fica. Nos tornamos o que somos, ao longo da carreira, porque somos impregnados dessas sensações. Algumas abandonamos, por causa de novos trabalhos, outras revisitamos. Elas precisam ser estimuladas a todo tempo. Precisam ficar a flor da pele, para usarmos quando quisermos.

Você é uma pessoa discreta, que se mantém longe dos holofotes da mídia. Ter fotógrafos te perseguindo, no shopping, por exemplo, com o seu filho é algo que te incomoda?

Eu acho isso uma bobagem. As pessoas precisam preencher uma página por dia de notícia. Quando não tem, elas precisam fazer alguma coisa. Eu sou uma pessoa tranquila. Sou caseiro. Quando não estou gravando, gosto de ficar dentro de casa. Raramente você vai me ver em lugares passeando. Eu curto ficar em casa. Eu trabalho tanto. Por isso, construí uma casa que eu gosto de ficar.

Como você enxerga essa geração que quer ser celebridade e não artista?

Uma inversão de valores. Eu acho que é uma mistura, e é normal, porque nós não vendemos o que está fora de cena. A cena é sempre linda. Eu sempre levo algo para o estúdio, mas no meio da primeira cena, a pessoa para pra tomar café. Ela não aguenta. Não sabe o que é. Essa inversão de valores, de querer achar que nós somos só glamour. Nós somos operários. Fazemos cenas por atacado.

Recentemente “Caminho das Índias” foi reprisado. Você gosta de olhar para os seus personagens antigos?

É um pouco deprimente, me ver na televisão tão novinho, mas gostoso por rever esses momentos. Eu vejo a novela e sinto cheiros. Tudo continua muito vivo na minha memória. É algo impressionante.

Tem um ator e músico guatemalteco-americano que se parece muito com você. As pessoas já te falaram isso?

É o Oscar Isaac. As pessoas sempre falam disso. Ele é um baita ator. Adoro ele. Tem alguns filmes dele vindo por aí que são incríveis.

Aparentemente você parece ser uma pessoa tranquila, mas normalmente o que tira você do sério? Ou você é do tipo que acorda com a energia lá no alto?

Eu acordo meio querendo ficar na cama. É até clichê falar, mas o que me tira do sério é injustiça. A palavra é uma coisa que, a justiça que não foi aplicada. Ou algo que aconteceu que não poderia de forma alguma acontecer. Invasão de espaço alheio. Tudo isso é injustiça. Então, isso me incomoda.

Você costuma procurar o seu nome do google?

Eu sou nerd, mas zero geek. Eu não entendo nada de tecnologia. Aprendi mandar e-mail com foto, faz uns três meses. Não fico me procurando não. Às vezes eu tenho que entrar pra pegar uma foto de referência, ou outra, mas não fico me procurando não.

Você acredita que para um projeto dar certo, os bastidores precisam estar em harmonia?

Tem que estar em harmonia sim. O sucesso não tem receita. Se tivesse, todo mundo copiava. Eu acho que o teatro é convivência. Se você está mal nos bastidores, isso se imprime na cena.

 
Uma DIVA chamada GLÓRIA

Por Michele Marreira

Uma artista que nos emociona desde suas mocinhas antológicas e mulheres intensas às grandes vilãs históricas e contemporâneas que viveu, especialmente na TV. Glória Pires é uma estrela consagrada pelo legado que vem construindo. Com apenas cinco anos de idade, já estreava sua primeira telenovela, “A Pequena Órfã”, em 1968. Dá para acreditar que daqui dois anos a mãe de Cléo, Antonia, Ana e Bento completará meio século de carreira? Aos 52 anos, natural do Rio de janeiro, exibe excelente forma física e se diz contemplada pelo caminho profissional que segue desde a infância. “Eu considero ser atriz o melhor trabalho do mundo. A gente aprende e conhece tantas coisas! Talvez se eu tivesse outra profissão não teria essas oportunidades”, reflete. Com papeis e atuações viscerais que fizeram parte da história da teledramaturgia brasileira, difícil fazer o público não relembrar as maldades de algumas de suas crias perversas da ficção como: Maria de Fátima (Vale Tudo/1988), Raquel (Mulheres de Areia/1993) e, mais recentemente, a maquiavélica Beatriz Rangel de Babilônia (2015). Seu currículo na telinha é tão rico e vasto nas produções em que integrou que fica difícil detalharmos tudo. Contabilizamos mais de 30 trabalhos televisivos e 17 cinematográficos. E por falarmos em sétima arte, recentemente fez o Brasil se emocionar com a trajetória humanitária da médica psiquiátrica Nise da Silveira, nascida no ano de 1905 em Maceió, que, após o falecimento de seu pai em 1927, mudou-se para o Rio de Janeiro e, seis anos depois, começou um estágio numa clinica neurológica da cidade. Radicalmente contrária às formas agressivas de tratamento de sua época, utilizava-se da arte como um dos métodos de tratamento aos seus pacientes. Com direção de Roberto Berliner, “Nise - O Coração da Loucura” conta ainda com as interpretações de Fabrício Boliveira, Roberta Rodrigues, Augusto Madeira, Flávio Bauraqui, entre outros talentos. TUDO conversou com a musa, que encara os desafios de seu mais recente projeto na telinha: dar vida à juíza Andrea Pachá no quadro “Segredos de Justiça” do Fantástico. Na série ela terá a missão de julgar casos emblemáticos baseados no livro “A vida não é Justa” de autoria da própria desembargadora. Em bate papo com nossa reportagem, a atriz falou sobre sua relação com os filhos e relembra momentos marcantes do início de sua carreira. Confira.

Revista TUDO: Conte mais detalhes do novo quadro do Fantástico “Segredos de Família”.

Glória Pires: A série chama-se “Segredos de Justiça”. É uma mensagem muito relevante dessa juíza, Andréa Pachá. Um trabalho em que ficará bem visível a questão do afeto, de se colocar no lugar do outro, ter uma visão humana para com seu semelhante. Quantas vezes erramos, não por queremos, mas porque não tínhamos outras oportunidades. Sempre há possibilidade de se fazer algo melhor.

A série fala de família. Na vida real como você define sua relação com seus quatro filhos?

Sou uma mãe muito aberta com meus filhos, não espero perfeição deles, pois também não sou perfeita. Não espero que eles me surpreendam no dia a dia, ainda assim, me surpreendo. Temos uma relação muito amorosa e de respeito pela individualidade de cada um deles.

De que forma seus trabalhos costumam influenciar sua vida no âmbito profissional e pessoal?

Eu considero ser atriz o melhor trabalho do mundo. A gente aprende e conhece tantas coisas! Talvez se eu tivesse outra profissão não teria essas oportunidades. Quando eu tinha 17 anos, viajei para Ilha do Bananal fazer o filme “Índia, Filha do Sol”, pude conviver com índios da minha idade ali na casa deles. Foi uma baita experiência. Esse trabalho é maravilhoso porque estamos sempre em contato com coisas inusitadas.

Anjo Mau, novela protagonizada por você em 1997, está sendo exibida no “Vale a Pena Ver de Novo”. Tem acompanhado?

Ainda não tive tempo, mas as pessoas têm comentado. Um trabalho que fiz com o saudoso Carlos Manga. Fico feliz que tenha voltado, assim como já reprisaram Mulheres de Areia e outras.

Como se deu o seu processo de preparação para entender as questões internas e externas da Dra. Nise da Silveira?

Nesse processo do filme, Roberto (diretor) e eu conversávamos muito sobre o roteiro, as sequências que faríamos no dia seguinte. Consultávamos o livro que ela escreveu “Imagens do Insciente”. É incrível. Ela analisava as obras, as descrevia reproduzindo eventualmente a fala do cliente (paciente) que estava fazendo aquele trabalho, depois ela realizava a interpretação de tudo aquilo.

Qual o sentimento te despertou diante dessas análises e pesquisas aprofundadas?

É um universo fascinante. O subconsciente, a psique humana é uma loucura, realmente. Em alguns momentos, tive a sensação também que estava indo para algum lugar e não iria conseguir voltar. Era exaustivo. Começávamos a filmar às 5 da manhã e terminávamos às 6 da tarde e, depois, discutíamos as cenas do dia seguinte.

Você segue alguma técnica durante esse processo?

Sou um pouco sistemática, antes de dormir preciso dar mais uma olhada no que farei no dia seguinte. Quando me surgiam outras questões eu retornava ao livro. Em alguns momentos eu parava para dormir e deixava para pensar melhor no dia seguinte. Esse universo é realmente fascinante.

Antes do projeto você já conhecia o legado dela?

Eu a conhecia das matérias que saiam nos jornais por ter um trabalho tão importante. Algumas relacionadas a gatos, como eu sempre fui amante de gatos (risos), eu me identificava. Algumas pessoas falam tão mal deles que ficava interessada em saber por que ela gostava tanto assim. É uma aula de vida pensar em todas as dificuldades que ela passou e a maneira oficiosa que ela levou todo aquele processo do dia a dia, 30 anos no mesmo hospital. E depois na Casas das Palmeiras e nos dois grupos de estudos que ela tinha. Um grande exemplo, uma inspiração nesses dias em que tudo é tão passageiro e imediato, se pensar a longo prazo é um aprendizado pra vida.

Qual a grande mensagem que o filme nos passa?

O filme consegue mostrar a relação deles (pacientes), nesse ambiente afetivo e criativo por conta dessa confiança. A Dra. Nise, que sempre dizia que o trabalho do terapeuta, que estava ali ao lado do cliente, trazendo a pessoa à superfície. No filme você não percebe limites parece que tudo ocorre em tempo real.

E você como intérprete fica tocada...

Mesmo tendo feito o filme eu me transporto para aquele lugar. É uma experiência inexplicável. Estou feliz por isso tudo estar na tela. Porque às vezes está tudo em nossa cabeça, mas não chega ao público. Isso é lindo nesse trabalho é o que toca as pessoas em todos os lugares que o longa já foi apresentado. Todos se emocionam. Sem palavras!

Pensando em tudo que conversamos, especialmente sobre a óptica da loucura, qual a relação que você faz com seu oficio de atuar?

Ser ator é estar em contato com essa falta de julgamento. Só dessa forma conseguimos interpretar um assassino e achar uma lógica, entender a cabeça daquela pessoa, o que a leva a ser dessa forma. E, de alguma forma, isso nos aproxima da loucura. Em alguns trabalhamos entramos em um túnel sem fim.

 

 
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