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Fábio Porchat: o gênio da lâmpada Leia+

Por Ester Jacopetti

 Foi em 2012, com o “Porta dos Fundos” que Fábio Porchat e sua trupe, conquistaram milhões de seguidores no youtube. Popularizando e satirizando o cotidiano, o comediante não se intimidou quando fez sua primeira apresentação improvisada, no programa do Jô Soares, há exatos 14 anos. Aliás, foi com o apresentador que Fábio conversou quando estava se preparando para o “Programa do Porchat”, na Record. “Eu falei com o Jô por telefone, ficamos um tempão conversando. Foi bacana porque ele me contou sobre as experiências dele, sobre como começou, e não só a decisão de ir para o SBT, mas quando ele assistiu Johnny Carson (Comediante e Apresentador). Foi legal receber esse ‘olá’ dele”, falou admirado. Determinado, inteligente e sarcástico, Porchat transita com muita facilidade pelo cinema, teatro, televisão e internet. Linguagens diferentes, mas que exigem muito carisma, e isso nós sabemos que ele tem de sobra. Mas dessa vez, ele sai da ficção para realidade, encarando pela primeira vez, um programa que leva o seu nome, na TV aberta. “Sou um cara muito curioso, e eu gosto de ouvir as histórias, de conversar com as pessoas, e entender o que elas estão achando. Eu dou corda pra taxista. Pronto para enfrentar o novo desafio, Fábio parece não se incomodar com o fato de não ter nomes globais em sua atração, e rebate: “Isso assusta mais na teoria do que na prática. O mundo vive sem a Globo. Tem um monte de cantor, artista, de ator, de gente que está na emissora hoje, mas amanhã não está mais”, comenta. Sobre a possibilidade de outros canais liberarem seus profissionais, Porchat não vê problema. “A Rede TV, Band, SBT e Record, todo mundo se libera, tem troca. A Globo não libera ninguém. Nem mesmo para o Multishow, no meu programa (Tudo Pela Audiência) com a Tatá (Werneck) ” conclui. Mas se você pensa que ele já está satisfeito com tudo que conquistou, engana-se. Questionado, ele surpreende e diz que ainda tem o desejo de fazer rádio. “De uns tempos para cá, consegui tomar rédeas da minha carreira, e por isso, estou fazendo o que eu realmente quero, de verdade”, falou e disse!

Revista Tudo - No início houve muita especulação sobre a sua contratação pela Record. Inclusive foi mencionado que outras emissoras fizeram convites. É verdade?

Fábio Porchat - Eu recebi algumas propostas, sim. Quando eu saí da Rede Globo, a própria emissora me perguntou se eu gostaria de fazer um sitcom, mas senti que não era o momento. O SBT também conversou comigo, mas a Record fez a melhor proposta em todos os sentidos, não só financeiro, mas artístico, que pra mim é o mais importante. A Record havia me procurado há um tempo para fazermos um trabalho juntos. Eu estava fazendo um filme, escrevendo, tinha o “Porta dos Fundos”... Ou seja, não estava no meu momento, mas agora faz todo o sentido, poder novamente estar na televisão aberta, com um programa meu. É claro, que nós temos as limitações que qualquer televisão aberta têm, mas de modo geral, eu fiquei tranquilo, de poder seguir com o meu caminho, e quem eu sou. Fiquei feliz porque as minhas ideias bateram com a Record. Tudo é muito falado e discutido. Desde o primeiro convidado, os quadros, as chamadas.

E quais foram os principais elementos pra construir esse programa que vem dando super certo?

A ideia era pensar fora da casinha. Eu assisti a muitos programas de fora, viajei e fiquei uma semana em Los Angeles. Assisti gravações do programa da Ellen (DeGeneres), conversamos com os produtores do Conan O’Brien, porque os caras fazem isso há muito tempo. Lá eles têm cinco ou seis lates shows, acontecendo simultaneamente. Até pouco tempo, nós tínhamos o Jô Soares. É uma coisa nova para o brasileiro, entender essa mecânica do late show, que se faz com games e brincadeiras. Foi muito enriquecedor. Eu também conversei com outros apresentadores brasileiros - a Marília Gabriela, a Luciana Gimenez, o Jô - pra entender esse mundo da televisão aberta, de como ela funciona. Estou aprendendo fazendo. É importante continuar ouvindo. Eu comentei que o Jô é um cara incrível, que precisou de três apresentadores (Adnet, Danilo, Porchat) para pegar o bastão dele. Porque é um pouco isso, cada um numa emissora, e eu acho muito rico. Nós temos a Globo, o SBT e a Record fazendo bons produtos, competitivos, e é só saudável. É uma briga boa!

Depois que você estreou o programa, a audiência está indo bem. Como você reagiu?

Fiquei super feliz, porque o programa está dando certo, e caminhou bem. Quando você estreia com um novo projeto, e tem uma boa aceitação do público e da crítica, dá uma tranquilidade para continuar. Nós pensamos no conteúdo, e depois damos uma olhada no ibope. É claro que nós queremos que todos assistam, mas fazer um programa do nosso jeito, não tem comparação.

Em 2002, que você participou do programa do Jô Soares e teve uma oportunidade. Você pretende dar chances também?

Sim! Inclusive as pessoas que se inscrevem para assistir ao programa... Elas cadastram as redes sociais, e nós do programa acessamos para saber mais sobre suas características. Os roteiristas fazem a seleção, e irão conversar com essas pessoas, para saber se elas têm o interesse em participar do programa.

Quando você estava construindo a ideia do programa, surgiu um boato de que você estaria ligando para os seus amigos da Rede Globo. É verdade?

Isso não rolou, mas eu gostei da ideia. Eu falei com o Jô Soares por telefone, ficamos um tempão conversando. Foi bacana porque ele me contou sobre as experiências dele, sobre como começou, e não só a decisão de ir para o SBT, mas quando ele assistiu Johnny Carson (Comediante e Apresentador). Ele me passou bastante sobre essa experiência. Foi legal receber esse ‘olá’ dele.

Você tem bastante experiência na televisão e no cinema. Como você encarou esse lance de mudar um pouco, que no caso é sair da ficção para a realidade?

Essa já era uma vontade que eu tinha. Sou um cara muito curioso, e eu gosto de ouvir as histórias, de conversar com as pessoas, e entender o que elas estão achando. Eu dou corda pra taxista. O “Porta Afora” que é um programa de viagens do “Porta dos Fundos”, já tem um bate-papo no sofá da minha casa, com um clima de entrevista. Foi um ótimo laboratório, para eu entender o momento de falar e contar história. Se tem uma coisa que é difícil, é ouvir e não falar muito de você. Quando a pessoa conta uma história, tenho vontade de contar a minha também. Saber medir esse lugar, de que eu sou entrevistador, é uma coisa que eu estou aprendendo com os erros.

Mas depois da estreia como tem sido?

Tem sido tranquilo. Estou conseguindo fazer piada, brincar com as pessoas. Aos poucos eu estou pegando essa função, que é nova pra mim. Cada dia eu acho melhor que o outro. Eu vou percebendo que estou mais solto, mais tranquilo e estou feliz por isso. Como o programa estreou super bem, teve uma aceitação super boa, deu uma tranquilizada.

Você falou sobre a liberdade que encontrou na emissora, mas está liberado, por exemplo, falar palavrões?

Eu acho que não tem problema, mas nós não somos muito de falar. Não existe nenhuma restrição. Mas é claro que é TV aberta, é meio indelicado com o próprio convidado. Temos que saber dosar e brincar na medida. O pessoal fala que na internet eu tenho liberdade. Não é verdade. Se eu, por exemplo, colocar um vídeo com uma mulher pelada, eles tiram o vídeo. No cinema não, se eu faço um filme explicito, ele passa. No teatro também. Cada um tem uma limitação. É o ônus e o bônus. Agora na televisão aberta nós não passamos de um ponto. Mas tem acontecido tanta coisa na televisão aberta... É barra pesada! Eu voltei a assistir, e o nosso programa é bem levinho, tranquilo. No “Tudo Pela Audiência”, é um programa que brinca e fala exatamente sobre isso.

O formato do talk show era o que faltava na sua trajetória?

Eu tinha o desejo de fazer há bastante tempo, e já havia expressado essa vontade. Falta muita coisa na minha carreira, eu só estou começando. Esse é um momento de virada, um divisor de águas, como o “Porta” foi em algum momento. Esse é um programa meu, numa televisão aberta, com a minha cara. Eu estou muito feliz, mas ainda falta muita coisa. Quero ter um programa de rádio, mas vamos por parte.

Algumas pessoas falam muitos sobre os atores da Rede Globo. Como você pretende fazer sem conseguir levá-los ao seu programa?

O Danilo está há cinco anos fazendo talk show, sem nenhuma estrela global. O Jô quando estava no SBT, também. Isso assusta mais na teoria do que na prática. O mundo vive sem a Globo. Tem um monte de cantor, artista, de ator, de gente que está na emissora hoje, mas amanhã não está mais. O Pedro Cardoso foi um deles. Até pouco tempo era impossível entrevistá-lo. Por isso, não me assusto, pelo contrário fico tranquilo vendo o exemplo dos colegas.

Você tem muitos projetos, mas o que precisou deixar de lado para se dedicar ao programa?

Eu precisei parar de escrever para o Estadão. O “Porta dos Fundos”, eu deixei muitos vídeos gravados e escritos. Eu dei uma desacelerada. Estou totalmente focado no programa até o final do ano. Eu moro no Rio de Janeiro, mas fico em São Paulo, de segunda a sexta e volto pro Rio, porque estou fazendo a peça “Meu Passado Me Condena”. E amanhã, por exemplo, eu gravo mais três vídeos pro “Porta”. E “Tudo Pela Audiência”, nós vamos para a quarta temporada.

O Marcelo Adnet comentou sobre a possibilidade de convidar pessoas de outras emissoras. Você acha que existe essa probabilidade com a Record?

Sempre! Não há dúvidas, e não é um problema. A Globo não libera ninguém para as outras emissoras. Nem mesmo para o Multishow, no meu programa (Tudo Pela Audiência) com a Tatá (Werneck). Eu ainda não tentei, mas a princípio não tem problema. As emissoras, Rede TV, Band, SBT e Record, todo mundo se libera, tem troca.

Numa entrevista, você havia comentado que não gosta de se assistir. Continua assim, mesmo depois da estreia?

Eu tenho que me assistir, porque preciso ver onde estou errando, se estou fazendo demais ou de menos. Eu acho importante também, continuar assistindo o Danilo, o Jô e o Adnet. É importante saber o que está acontecendo ao redor. Não podemos nos fechar nunca.

Quando estava fazendo as pesquisas para o seu programa, que estilo de apresentador mais te inspirou?

Eu gosto do Conan O’Brien, porque ele é engraçado e sério, e ao mesmo tempo sabe fazer umas tiradas muito precisas e inteligentes. Gosto das descontrações do Jimmy Fallon, das piadas da Ellen. Ela é genial em stand up. Nos Estados Unidos ela é tipo uma Oprah. No Brasil, Jô Soares é uma referência para todo mundo, e tudo que ele representa e representou para comédia. Ele é um comediante que tem credibilidade, o que é muito raro de acontecer. O Jô está no inconsciente de todo mundo.

Você faz o “Tudo Pela Audiência”, não tem medo de ser satirizado pelo seu próprio programa?

Eu acho que não, porque eu brincaria antes, mas se isso acontecer eu vou achar divertido.

Como você se sente ao saber que está concorrendo com dois amigos? Existe a possibilidade de cansar o público?

Me deixa mais tranquilo. É melhor porque é fogo amigo. Nós temos a liberdade de um brincar, um com o outro. São duas coisas: o público não tem costume de assistir os lates shows, que tem nos Estados Unidos. Para o público é o Danilo e o Jô. Agora estamos eu e o Adnet. Não cansa porque ainda é novidade. Apesar de sermos comediantes, somos muito diferentes. Cada um tem uma habilidade. O Adnet sabe cantar, improvisar, imitar. Coisa que eu jamais faria, porque eu sei improvisar, mas não sei cantar. O Danilo também não, mas ele já está fazendo programa há cinco anos. Ele já está um passo à frente, porque ele não fica tenso. Eu estou pisando em ovos, porque estou aprendendo e descobrindo como fazer.

Como tem sido a sua parceria com a Tatá, já que vocês farão a quarta temporada do programa juntos?

Nós temos algo natural, de nos darmos muito bem em cena. Nos admiramos muito. Eu sei que eu posso jogar a bola pra ela, e ela irá fazer o gol. A Tatá é uma gênia, muito engraçada, louca, pensa fora da casinha, tem umas sacadas, é muito rápida, faz cinco piadas em um segundo. Isso é muito bom. Porque o atacante, é o Neymar, Soares e o Messi numa pessoa só.

Quem você gostaria de entrevistar no seu programa?

O Silvio Santos!

Que mensagem você gostaria de deixar para os leitores da Revista Tudo?

Para que todos assistam o programa do Porchat. Afinal de contas é um programa novo, que está começando agora. O pessoal que assiste o Jô que já está aí há trinta anos, agora dá um espaço pra mim (Risos).

 
LETÍCIA SPILLER: UMA MULHER DE MIL TALENTOS

O olhar de Letícia é sedutor. Com uma alegria contagiante, e simpatia de sobra, sua personalidade fica em evidência com apenas cinco minutos de conversa. Consagrada, ela que nasceu no Rio de Janeiro e sabia desde a infância que seu destino era brilhar. Começou sua carreira como atriz no teatro amador em 1985, no colégio Sagrado Coração de Maria. Em 1989, conquistou o posto mais desejado da época, e tornou-se Paquita no programa “Xou da Xuxa”. Não demorou muito e ingressou na teledramaturgia, sendo protagonista da novela “Quatro por Quatro” (1994), interpretando a inesquecível Babalu.  “Meu primeiro curso foi com 12 anos, e aos 15 foi o período em que eu tenho as minhas melhores lembranças. Nessa época, a novidade foi gravar um disco, e ainda vender cerca de oitocentas milhões de cópias, fora os shows que nós fazíamos com a Xuxa, para sessenta mil pessoas. Mas eu sempre soube que quando fosse a hora certa, seguiria meu caminho, e não tive medo”, falou de maneira firme e consciente. Hoje, com mais de trinta personagens, e todos muito bem interpretados, Letícia volta às telas, dando lugar a roqueira Lenita em “Sol Nascente”, que coincidentemente, tem tudo a ver com a atriz, que curte boas músicas, e foi indicada especialmente pelo ator Marcello Novaes. “Perguntaram se ele conhecia alguma atriz, que cantasse. Ele comentou sobre mim, e acabou rolando”, confidenciou. Dedicando-se a carreira musical, Letícia disse que pensa sobre o assunto. “Eu tenho um projeto musical com uma amiga, mas é totalmente voltado ao amor incondicional, uma coisa mais para o lado do MPB. Mas é um projeto muito lúdico. Eu cheguei a fazer um teste para interpretar a “Mary Poppins”. Mas essa galera é de canto lírico, e essa é uma técnica que eu não domino”, lamentou a atriz, que já se dedica à música, há cerca de seis anos. Nesta entrevista, Letícia tece elogios aos colegas de profissão, em especial ao ex-marido Marcello, que será seu par romântico na trama. “Mesmo separados, não deixamos de ser uma família, e soubemos muito bem como preservar, o que é ser uma família de verdade”, afirmou com um belo sorriso nos lábios. Prepara-se para ver um pouco mais sobre essa artista fabulosa, que divide seu tempo, entre as duas produtoras, a novela, e a atenção com a pequena Stella de cinco aninhos.

REVISTA TUDO - A Lenita de “Sol Nascente”, é uma mulher forte e batalhadora. Que tipo de trabalho você buscou para interpretá-la?

LETÍCIA SPILLER - Todo ator é um bom observador. Para criar a Lenita, eu me inspirei um pouco na Janis Joplin, na Rita Lee, além dos metaleiros. Ela tem um bar, é cheia de tatuagens, canta rock in roll, e lá tem uma atmosfera muito forte. Minha personagem tem uma energia masculina. Ela tem sensualidade taurina (Risos). Sempre penso em um signo para os meus papéis, e já imagino que ela seja de touro. Ela sofreu muito na vida, e se defende emocionalmente, porque perdeu os pais muito jovem e terminou se tornando responsável por cuidar do irmão Ralf (Henri Castelli). E sinceramente, não é uma tarefa muito fácil, porque ele é imaturo, e extremamente ciumento. Ele ficou preso durante um tempo, em uma instituição para menores infratores, depois de agredir um ex-namorado da personagem. Aliás, foi na cadeia que ele aprendeu o seu ofício, (tatuador) e hoje é um dos profissionais mais respeitados na área. Enfim...  Mas eu já sou mais doce, e romântica do que a Lenita. Sou sensível. Dependendo do que acontecer, eu choro na hora. Um dos momentos mais emocionantes na minha vida, foi o nascimento dos meus filhos. Quando nasce um filho, é uma riso e choro, ao mesmo tempo. É uma emoção muito forte.

Nesta novela, você reencontra com o ator Marcello Novaes e as pessoas comentaram muito sobre esse assunto. Como você tem recebido essas notícias?

Estou adorando! Nem eu sabia que existia tanta expectativa, em torno disso. Nós dois temos uma relação muito boa, de amizade, de amor, de família. Convivemos juntos, e estamos sempre nos falando. Mesmo separados, não deixamos de ser uma família, e soubemos muito bem como preservar, o que é ser uma família de verdade. Pensamos nos nossos filhos, e em somar, nunca subtrair ou criar obstáculos. Nós sempre nos respeitamos muito. Às vezes, peço um colinho para ele. Se eu posto uma foto com o Marcello nas redes sociais, a foto bomba. Somos uma família, e nunca deixamos de ser. É bom poder trabalhar com ele. O Marcello é um super parceiro, muito querido por todo mundo. A Aracy (Balabanian) pode falar mais do que eu, porque essa já e a terceira vez que ela fará mãe dele, numa trama (Risos). Aliás, foi ele quem me indicou para fazer a Lenita. Perguntaram se ele conhecia alguma atriz, que cantasse. Ele comentou sobre mim, e acabou rolando.

Em algum momento passou pela sua cabeça, que as pessoas faziam essa torcida para vê-los contracenando novamente, e que lembrariam da novela “Quatro Por Quatro”?

Eu imaginei que no dia em que nós voltássemos a trabalhar juntos, e eu não tinha dúvidas de que poderia acontecer, as pessoas iam adorar, porque os personagens tiveram muita química. Nós nos damos muito bem trabalhando juntos, e fora dele também. Por isso, não tem como dar errado, eu acho.

Como o relacionamento entre o seu personagem e do Marcello irão interagir?

Quando o Vittorio se mudar para Arraial do Sol Nascente, já demostrará certo interesse pela Lenita. E apesar dos estilos serem bem diferentes, os dois começam uma amizade, o que deixa o Felipe (Marcelo Faria) bastante enciumado.

Seu filho Pedro (Novaes) participou do início das gravações da novela. Como foi essa interação entre vocês? Você chegou a dar alguma dica para ele?

Achei muito fofo. Ele disse que esse reencontro é histórico, por isso, topou fazer. É um momento muito especial. O Pedro já tinha feito outros trabalhos como ator, quando era mais novo. Ele fez “Joãozinho de Carne e Osso” (2011), primeiro curta-metragem que produzi. É uma fábula que conta a história dos medos e sonhos de um menino, que é o mais velho de uma família, que é muito pobre. Mas ele é mais da música, e tem feito shows com a banda dele. Toca bateria desde os 7 anos de idade. Ele já fez tablado, que é um curso de teatro onde eu e o pai dele começamos. Eu por exemplo, apaixonei-me pelo teatro ainda criança, quando estava na escola. Meu primeiro curso foi com 12 anos, e aos 15 foi o período em que eu tenho as minhas melhores lembranças. Nessa época, a novidade foi gravar um disco, e ainda vender cerca de oitocentas milhões cópias, fora os shows que nós fazíamos com a Xuxa, para sessenta mil pessoas. Mas eu sempre soube que quando fosse a hora certa, seguiria meu caminho, e não tive medo.

Na trama você reencontra também o ator Henri Castelli, com quem contracenou em ‘I Love Paraisópolis’ (2015). Como tem sido esse reencontro também?

Nessa novela, nós fizemos marido e mulher, mas em “Sol Nascente”, que é uma novela muito especial, o Henri interpreta o meu irmão Ralf, que tem um pouco de ciúmes, porque a Lenita tem o dedo podre. Eles já sofreram muito na vida, então esse ranço. Ele acredita que alguém fará mal a ela, até que ele descobre, que ela está saindo com o melhor amigo dele, o Felipe (Marcelo Faria). Então tudo fica bem, mas eu acho que isso vai dissipar logo no início. Eles são esquentados, têm personalidades fortes, brigam, mas de repente estão se amando.

E como é a relação dela com o Felipe?

Ele é romântico e quer realmente formalizar a relação dos dois, mas a Lenita meio que entra em pânico, porque ela prefere algo mais informal. Ela sofreu uma desilusão amorosa no passado, e não quer mais saber de compromisso, de casamento. Seu lema é ser livre e feliz.

A Lenita tem um visual bem diferente das personagens que você está acostumada a interpretar. Como foi essa mudança pra você?

Estou adorando, porque é meio performático. Adoraria ter uma tatuagem no braço, mas é difícil porque sou atriz. Existem métodos pra esconder, mas dá um trabalho. Eu tenho só uma, mas fica bem escondidinha. Sei que vou ficar com vontade de fazer mais, principalmente depois da novela.

Voltando a falar um pouco sobre estilos, a Soraia em ‘I Love Paraisópolis’ era uma mulher fina e elegante. E agora você vem com outra pegada. Qual dos dois estilos mais se parecem com você?

A Lenita tem muito mais a ver comigo. Inclusive eu fiz um musical (Outside, 2011) bem rock in roll. Eu já estava meio que preparada para essa personagem, porque gosto de cantar rock, e me dou super bem. Amo ouvir David Bowie, Beatles, Rolling Stones, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Barão Vermelho, O Rappa. Algumas dessas bandas eu vou cantar na novela. Do Legião, estamos tentando os direitos autorais. Tem muita gente legal que eu gostaria de cantar, mas depende da liberação. De seis anos pra cá, eu tenho me empenhado mais no canto. Ainda mais agora que vou cantar várias músicas da trilha sonora, durante a novela. Eu tive que rodar bastante a cabeça para fazer as performances nas cenas. Faço loucuras no palco.

Quando você ficou grávida pela primeira vez (do Pedro), tinha uma idade, e há cinco anos nasceu a Stella. Existe muita diferença no jeito de criar, após um período?

A diferença, é que você já sabe muita coisa, mas eu sou muito intuitiva, e quando fui mãe pela primeira vez, soube fazer tudo certinho. Nesta segunda vez, nós temos a chance de errarmos menos, porque já vimos muita coisa. Outra coisa, é que a menina é mais dengosa, sensível. Já o Pedro raramente chorava. Ele foi um menino tranquilo. Caia e já levantava, mas a Stela é mais dengosa. Mas é muito tranquila também.

Você comentou sobre ter se dedicado bastante ao universo da música. Significa que um dia, quem sabe poderá gravar um disco?

Eu tenho um projeto musical com uma amiga, mas é totalmente voltado ao amor incondicional, uma coisa mais para o lado do MPB. É um projeto muito lúdico, e bem diferente do rock in roll. Eu cheguei a fazer um teste para interpretar ‘Mary Poppins’. Mas essa galera é de canto lírico, e essa é uma técnica que eu não domino. Geralmente nesses musicais de época, eles querem mais um virtuosismo, mulheres que cantem mais para o agudo. Daí tem que ter estudo. Mas eu queria muito o personagem, porque tem tudo a ver comigo, e eu faria uma linda Mary Poppins.

Os musicais chegaram com tudo no Brasil e tem conquistado cada vez mais as pessoas. Você tem vontade de fazer outros tipos também?

Prefiro teatro contemporâneo, experimental, do que importado. Como atriz, prefiro uma obra autoral, nossa. Só que a Mary Poppins é para criança, e eu queria muito, porque eu estava cultivando esse desejo, por causa da minha filha, (Stella) que tem cinco anos. É muito difícil, mas eu gostaria de ter feito, porque é uma obra para criança.

Na televisão tem algum personagem que você gostaria de fazer, mas ainda não teve a oportunidade?

Eu gostaria de fazer essas minisséries mais realistas que estão rolando, com tom mais cinematográfico. Eu ainda não tive a oportunidade, mas gostaria muito. Eu assisti ‘Justiça’, esses dias, e achei muito legal. Eu queria ter feito uma daquelas personagens, com certeza!

A Lenita é dona de um bar que toca rock in roll. Como tem sido essa experiência?

O bar Rota 94, é o ponto de encontro dos moradores da cidade. Além dos motociclistas, os turistas também frequentam o lugar, que é um point atraído por jovens e amantes de esportes. E tem também, boa música, como eu disse antes, é também um estúdio de tatuagem. A Lenita é uma mulher batalhadora, e de personalidade forte.

Você continua linda e maravilhosa, qual seria a sua dica de bem-estar?

É se alimentar e dormir bem. Eu sempre como uma salada antes da refeição principal, frutas, cereais, legumes, verduras, proteínas, que é superimportante. E claro, fazer exercícios que é essencial para o metabolismo. E quem quer ter um corpo saudável, deveria fazer caminhas, ou bicicletas, dançar. Qualquer atividade que lhe dê prazer, né?! Eu já fiz os ritos tibetanos, que são cinco posturas da yoga, que você faz 21 vezes cada. Isso faz com que o metabolismo gire com mais facilidade. Eu prefiro fazer de manhã, mas pode ser à noite, antes de dormir. É que você sua um pouquinho, e não pode tomar banho depois, porque esse calor que gera no corpo, é aconselhável permanecer por um tempo, com ele. Já fiz muita musculação também. E aeróbico, spinning, transport que eu gosto bastante.

Você mora no Rio de Janeiro. Você diria que frequentar a praia também tem seus benefícios?

Agora que a novela começou eu tenho ido super pouco. Eu sou muito solar, muito do dia. Eu preciso desse contato com a natureza.

 

 

 
Cauã Reymond transforma-se num ator versátil e prova que talento, não dependedo sucesso com as mulheres

Desde quando iniciou sua carreira em Malhação (2002), com o personagem Maumau, Cauã Reymond, o garoto de lábios fartos e cabelos encaracolados, não parou mais. Emendando um trabalho no outro, cresceu em frente à televisão, conquistando o público, em especial feminino, com seus personagens carismáticos. Ao longo dos seus 14 anos de carreira, já foram mais de 30 trabalhos, tanto na televisão, como no teatro e no cinema. Desta vez, fugindo um pouco dos personagens mais caricatos, ele interpreta Maurício em Justiça. Durante entrevista, ele contou em detalhes, porque aceitou o convite. “Achei que de certa forma, poderia ser quase que uma reciclagem pra mim. Eu uso roupas mais largas, já tenho um pouco de cabelos brancos, mas a equipe os deixou bem mais brancos. Essa envelhecida é importante pra mim, como ator. É bom para o meu ofício, e enriquece o meu trabalho”, diz Cauã que também rebateu a crítica, com bom humor, sobre interpretar um homem mais velho. “Eu vejo como um lugar diferente para o meu ofício. Um lugar mais rico. Estou interessado em fazer personagens que tenham essa densidade dramática, que tenham muito mais a ver com a minha idade”, comenta Cauã que está adorando a chegada dos fios brancos. “Existem tantos homens grisalhos charmosos”, conclui. Com sorriso solto, ele também falou sobre paternidade. “Eu amadureci tanto, desde o nascimento da minha filha, que eu sinto cada vez mais, que sou um bom pai. Não estou me auto elogiando. Mas sou apaixonado pela paternidade. Eu amo a minha filha, mais do que tudo nessa vida. Ela é muito especial”, derrete-se pela filha Sophia. A partir de agora, prepara-se para mergulhar no mundo deste homem, que tem muito a dizer.

Revista Tudo – Maurício, do seriado Justiça, é um homem que após cometer eutanásia, é preso. Como tem sido esse trabalho tão diferente de tudo que você já fez?

Cauã Reymond - Estou muito orgulhoso deste trabalho. Quando surgiu o convite de trabalhar novamente com o Zé (diretor José Luiz Villamarim), logo após a novela eu estava super cansado, mas achei que de certa forma, poderia ser quase que uma reciclagem pra mim. E eu estava realmente empolgado, em fazer um contador. Eu crio em cima de um assunto muito delicado, que é sobre a eutanásia. Esse assunto, realmente me chamou muita atenção, de justamente poder falar sobre. Eu já vivenciei essa situação com o meu avô no hospital, que respirava com a ajuda de aparelhos. É claro que eu sigo as leis, mas é um personagem, e as histórias que nós trazemos na série levantam o que é justiça e vingança. É um tema interessantíssimo.

Eu também me sinto orgulhoso de inaugurar esse novo formato, que é uma série em que você tem vários protagonistas e cada dia um conta a sua história. A minha acontece às quintas-feiras. E eu espero que dê muito ibope. Futebol é na quarta-feira, né?!

O fato de você estar interpretando um homem mais velho demonstra maturidade na sua carreira. Mas você cansou de ser o ídolo bonitão?

Existem tantos homens grisalhos charmosos. Eu vejo como um lugar diferente para o meu ofício. Um lugar mais rico. Estou interessado em fazer personagens que tenham essa densidade dramática, que tenham muito mais a ver com a minha idade.

Voltando um pouco a falar sobre o Maurício que trata de uma questão polêmica. Você faria eutanásia na sua mulher?

Olha, é tão delicado. No início das filmagens, uma repórter de um veículo, para quem eu dei minha primeira entrevista visitou o set em Recife. Na época, eu não sabia direito o que dizer. Não sabia como falar do meu personagem. Ao longo das filmagens fui entendendo um pouco como era a vida desse cara. Não existe uma preparação para um acontecimento como esse. O personagem não se prepara para uma situação como essa. É tão dolorido o que ele passa... Alguns dias eu ia para a casa pensando, e me colocando no lugar dele. É tão difícil o que ele enfrenta.

Qual a maior dificuldade deste personagem: ser responsável pela morte da namorada (Marjorie Estiano) ou sentir-se culpado?

A maior dificuldade é não ter a pessoa que você mais ama na sua vida ao lado e ser culpado por isso. Ele sente apenas a sensação absurda de que não existe mais motivo para estar vivo, se não for por vingança.

Você é um cara vingativo?

Não. Pelo contrário, acho que com o passar dos anos você releva mais e também entende e compreende como as coisas acontecem, olhando cada vez mais o ponto de vista do outro. Quando somos mais jovens, às vezes não temos esse olhar.

Você acha que a pessoa tem o direito, de decidir se ela quer, ou não continuar viva?

Eu acho que as pessoas deveriam ter, esta é minha opinião, mas sou a favor da lei e ela diz que não. Ela existe para ser seguida.

O que você procurou destacar do seu personagem na trama?

As coisas mais importantes que o texto do Zé e da Manuela (Dias, autora) levantou, é: O que é justiça e o que é vingança? Eu não vi como as outras histórias ficaram, tirando as ocasiões em que elas se entrelaçam, pois filmamos em momentos diferentes. O meu personagem, se vinga de um político safado (Antônio Calloni). Depois eu quero saber a opinião do público, porque se o brasileiro observar a situação, vai ficar com a mesma raiva que o Maurício ficou. Eu não sou a favor da vingança, sou a favor da justiça. Nós ficamos muito tristes quando percebemos que a justiça não funciona. Mas sou sempre muito a favor da lei. Nós é que temos que melhorar a forma como colocamos a lei em ação.

Você comentou sobre os dilemas do Maurício. Precisou fazer algum workshop especifico para compô-lo?

O texto da Manuela é muito preciso. Os diálogos são muito bem construídos. E as cenas curtas e bem engrenadas umas nas outras. Eu estudei sobre o assunto, mas tive que tirar de dentro sentimentos que se assemelham ao que está acontecendo com Maurício. Foi um personagem que eu encontrei com muita clareza, claro que eu busquei o sotaque dele, de onde ele vem, mas busquei entender as sensações dele. Em muitos momentos, deixei aberto pra que elas viessem no momento da cena. É muito especial, porque o time de direção permite que você tenha alguma ideia que não esteja no script. Eles assimilam, e te colocam numa situação favorável. Não improvisamos, mas se vem algum sentimento que nós não estávamos preparados, somos abraçados.

Existe alguma técnica para deixar o personagem no set e não atrapalhar a sua vida pessoal?

Quando minha filha (Sophia) está comigo, é muito mais fácil ! Tudo que te tira da ficção, ajuda.

Você é o pai que imagina ser?

Eu amadureci tanto, desde o nascimento da minha filha, que sinto cada vez mais, que sou um bom pai. Sou um pai que nem eu imaginaria ser. Não estou me auto elogiando. Mas sou apaixonado pela paternidade. É muito especial. Eu sou um ser humano melhor, um ator melhor, namorado, amigo, melhor em tudo. Pode até parecer piegas, mas se você se entrega à paternidade, é um amor que te toma, num lugar inimaginável. Eu amo a minha filha, mais do que tudo nessa vida. Ela é muito especial!

Você chegou a fazer algumas propagandas provando roupas, e várias mulheres te admirando...A Sophia tem ciúmes de você?

Filmaram as mulheres, mas eu não estava lá, eu tive que fingir que elas estavam, e vice-e-versa. Filmaram em duas partes. Só filmei com a minha suposta filha, que é uma ótima atriz. Ganhei muitos likes no instagram quando postei uma foto ao lado dela. O pessoal deve ter pensando que era a minha filha de verdade. Quando o pessoal chega perto, e eu estou com a Sophia, ela puxa a minha mão. Principalmente quando estamos no shopping (Risos).

Você comentou sobre outro trabalho. Está com outros projetos ou pretende ficar de férias, por enquanto?

Eu ainda tenho a filmagem do Dois Irmãos, que estreia no dia 02 de janeiro 2017. Eu espero que os jornalistas não enjoem da minha cara. Gosto muito desses dois trabalhos (Justiça e Dois Irmãos). Tenho muito orgulho deles. Depois disso sim, eu pretendo tirar umas boas férias.

 

 

 
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