Entrevista Capa
Angélica solidária


A maternidade e a montanha russa da vida

 Respira, inspira.
Foi na meditação que Angélica, 43 – com corpinho e rostinho de 20 - , encontrou forças para lidar com os momentos difíceis da vida. Quem a assiste na TV - linda, leve e loura - mostrando a dentaria branca e reluzente na maior parte do tempo, e pensa que tanta alegria faz jus a uma vida perfeita, sem grandes batalhas pela frente, não sabe de nada.
A apresentadora lutou por meses contra o trauma de ter sofrido um grave acidente, em 2015, com os filhos, o marido e as babás das crianças.
O avião da família caiu e todos sobreviveram.
Um divisor de águas na história dela como mãe, mulher e ser humano.

A vida de Angélica sempre foi um livro aberto, formado por capítulos mais emocionantes e outros menos, mas que todos já leram e releram. Pegou na labuta cedo, foi da televisão para as telonas dos cinemas, gravou discos e cresceu junto com a criançada das décadas de 1980. Por opção, transformou seu programa infantil para um formato que agradasse toda a família e cresceu profissionalmente com isso. O reconhecimento aumentou e a legião de fãs se estendeu por gerações.
Bem sucedida, famosa e casadíssima há 12 anos com o apresentador global Luciano Huck, em pouco tempo, formou a sua prole de cabelos dourados, Benício, Joaquim e Eva, e comprova, diariamente, que nasceu para a maternidade, seja por escolha, seja por instinto. Está sempre com seus passarinhos protegidos embaixo das suas asas.
Natural de Santo André, flamenguista de coração e sagitariana com quase 7 milhões de seguidores no Facebook – conectadérrima – Angélica compartilha com o público momentos de trabalho e da vida pessoal, diariamente. Nunca teve dificuldades em ser autêntica e natural. Posta fotos maquiadas ou com olheiras sem qualquer preocupação. Talvez porque ela saiba que é dona de uma beleza natural e serena, conquistada, por incrível que pareça, com a maturidade, que bateu cedo em sua porta.
Prestes a completar 40 anos de carreira – já que começou com apenas quatro no programa do lendário Chacrinha – mergulha, atualmente, na proposta de conhecer de perto projetos sociais transformadores espalhados pelo Brasil, provando que os valores do ser humano estão acima de qualquer coisa, e com a meta de oferecer um rumo diferente ao seu programa, trazendo à tona temas como generosidade, amor e humanização.
Foi por essas e outras que ela foi a “nossa” estrela escolhida para estampar a capa da edição de maio da revista Tudo. A Angélica é pura inspiração. Pode crer.

Após 11 anos à frente de um programa para toda a família, você surge com uma nova proposta, que é falar sobre os projetos sociais espalhados pelo Brasil. Como tem sido essa experiência?
São várias coisinhas que gente vai captando. Os pequenos gestos que vão te marcando, como é o caso de não desperdiçar comida. Nós gravamos em um projeto, em que vimos o reúso de flores de casamento que são desperdiçadas; eles pegam, tratam e fazem doação para asilos. Eu passei a ter um olhar sobre as coisas, e o “Estrelas Solidárias” é isso. Estar ali praticando um ato solidário, como o voluntário, e aprendendo a viver denovo também. O caminho mais bacana para seguirmos é ajudar ao próximo, porque o mundo está muito confuso, vemos muito desamor. Poder incentivar as pessoas a olharem para o lado, e verem que tem alguém ali e que elas podem ajudar, é o máximo.

Você diria que essas atitudes influenciam no seu dia a dia?
Procuro passar isso para os meus filhos. Chego em casa e conto onde eu fui, e o que aconteceu. É a minha forma de tentar viralizar, em casa, o meu sentimento. Dá pra perceber que as pessoas que são voluntárias hoje, tiveram muito incentivo em casa, ou às vezes, os pais já faziam voluntariado. Se a gente começar a formar uma geração de pessoas mais solidárias, o mundo pode, daqui há algum tempo, ser diferente.

Em que momento você sentiu que era necessário mudar o formato do programa?
O programa vai fazer 11 anos no ar, e ele merecia este presente; e o público do “Estrelas” merecia algo novo. Era uma vontade minha, e da nova equipe que entrou no programa. Fico muito feliz por isso, porque temos que estar sempre renovando. A solidariedade é muito interessante para se despertar nas pessoas. Já me perguntaram se tinha a ver com alguma coisa que eu vivi, e não. Acho que nada é por acaso; nós acabamos atraindo coisas que são importantes, e eu acabei atraindo esse projeto sem ter programado.

O programa também atrai a terceira idade, e percebe-se que você tem uma certa empatia por eles.
Asilo é um negócio que me marca, porque sempre gostei muito de estar com idosos. Acho uma loucura nesse país não existir atenção com o idoso. As pessoas trabalham tanto e, às vezes, no fim da vida, ficam lá jogadas; é uma coisa que não consigo entender. Mas eu atraio as crianças também. O interessante desse novo formato é que me possibilita ir até o público. Eu parei de fazer programa com plateia desde o fim do “Vídeo Game”, há 4 anos, e eu nunca tinha ficado sem fazer programa de auditório antes. Estou revivendo esse contato, de estar junto das pessoas. Gravamos numa instituição com 700 crianças e tive a oportunidade de estar junto, ouvir o que elas querem, o que elas esperam. Eu sentia falta disso.

Então você está gostando desse contato com o público novamente?!
É um barato. É muito gostoso porque todo mundo parece que já te conhece. Eu uso crachá com o meu nome, porque as crianças não sabem quem sou de verdade, afinal, não faço programa pra criança há muito tempo, mas é muito confortante ser recebida como se fosse parte da família.

Eles têm muita curiosidade sobre a sua família?!
Eles perguntam muito. As crianças adoram o Luciano, e me pedem pra mandar beijos; as vovozinhas também, e falam dos meus filhos, e dizem que eles são tão bonitinhos. É diferente do contato que sempre tive com a plateia, porque é uma conversa ao pé do ouvido.

Diante desse novo desafio, você também terá que passar mais tempo longe da família, viajando. Você pretende levar os filhos?
Eu os carrego comigo quando dá e, atualmente, no período escolar, não tem como. Quando fazíamos o “Estrelas” de férias em janeiro e julho, eles iam comigo; de qualquer forma, agora são viagens bem mais curtas, em que eu consigo ir e voltar no mesmo dia. Não incluo meus filhos nos programas. Por enquanto, eles estão só observando. Esse projeto que visitei as crianças, que eu comentei, me arrependi de não os ter levado, porque eles iriam adorar. Se tiver oportunidade e tempo, vou levá-los porque é importante o exemplo. Espero que o programa deixe uma mensagem bacana para o público e para os meus filhos.

E como tem sido a sua participação em relação aos projetos escolhidos? Você tem colocado a mão na massa?
É o que mais estou gostando de fazer. Claro que nós temos que mostrar o projeto, conversar, fazer entrevistas com as pessoas, mas o mais legal é ser voluntário. É legal poder fazer, carregar a caixa, e sentir na pele o que as pessoas fazem. É interessante observar alguém sair de casa, doar o seu tempo e o seu suor por uma pessoa que nem conhece. As instituições são muito especiais, mas quando tem idosos, fico mais sensibilizada. Gravamos em duas diferentes: uma mais carente e outra um pouco menos. Me chamou a atenção a solidão dos idosos, independente da condição financeira, e fiquei refletindo sobre isso. A instituição que visitamos, e falamos sobre o desperdício de alimentos, também me tocou, porque você se dá conta de que aquela maçã, que você só comeu um pedaço e jogou fora, pode ser a única refeição de alguém.

Você sempre esteve envolvida com esse tipo de projeto, ou é a primeira vez?
Eu sempre estive envolvida com campanhas, mas nunca tinha participado de algum trabalho assim, colocando a mão na massa. E estar ali doando meu tempo está me motivando muito. Nas redes sociais vemos muitas campanhas, e a gente ajuda às vezes sem falar que está ajudando, porque as pessoas acabam julgando, falando que estamos querendo aparecer. Sempre tem um espírito de porco pra tumultuar a campanha, mas o importante é ajudar o outro sem se importar com o que as pessoas vão achar.

Você comentou que sempre teve vontade de fazer esse tipo de programa, quem são as pessoas que te inspiraram?
Eu me inspiro vendo pessoas boas, me inspiro nos meus filhos. Eles inspiram a gente a querer um mundo melhor, e fazer mais pelo outro. Às vezes, assistindo ao jornal, a gente perde um pouco a esperança, mas ao vermos pessoas que tiram o pouco que tem para dar ao outro, pensamos: “Poxa, o futuro dos meus filhos vai ser legal, porque existe gente boa, mas às vezes dá medo, e você se questiona de que forma será o futuro deles”.

Você e o Luciano são pessoas muito bem-sucedidas. Por conta da violência, em algum momento vocês pensaram em sair do país?
Olha, a nossa vida é toda aqui. Confesso que quando viajamos com as crianças, e normalmente é para fora do Brasil, fazemos para ter uma vida mais tranquila e tal. Percebemos a diferença, que é grande, principalmente com algumas questões como cidadania e educação como, por exemplo, das pessoas atravessarem a rua tranquilamente e as outras respeitarem. Isso tudo mexe um pouco com a gente, mas é um pensamento que vem e vai embora. Somos brasileiros e moramos aqui, os nossos filhos serão criados aqui, nosso trabalho é aqui. Nós temos que tentar ser melhor, porque aqui é o nosso país; no entanto, temos a oportunidade de viver dois meses por ano essa outra realidade.

Quando você diz que fica mais tranquila quando viaja, é porque você também gosta desse anonimato?
Eu adoro! E gosto principalmente também, pela convivência com os meus filhos. Por ver eles soltos na rua, poder andar e brincar, porque aqui não tem a menor condição. Não por serem conhecidos, e nem são na verdade, mas pela violência mesmo. Se você vai ao shopping, tem medo de ser assaltado no estacionamento. É uma coisa que nem parece real. Por mim, tudo bem porque eu nasci e cresci nessa coisa das pessoas me conhecerem, então tanto faz, mas pra eles eu vejo que faz muita diferença.

Em 2018, a Grande Rio vai homenagear o Chacrinha, e nós sabemos que ele fez parte da sua vida. Você pretende voltar a desfilar?
Total! Eu gosto de assistir, mas pela televisão. Durante muitos anos, eu saía, às vezes, em duas escolas. Eu acho lindo, maravilhoso, tem muita energia, mas confesso que eu ando com um pouco preguiça. Mas é claro que se me chamarem, pelo Chacrinha eu vou.







 
Todo Nosso!


Antônio Fagundes bate um papo com a equipe da Tudo e deixa claro que tão breve não sai de cena.


O bate papo fluiu ali mesmo, no auditório do teatro, e não foi diferente de um grande espetáculo. Fagundes se aconchegou em uma cadeira e nós fizemos o mesmo, com o cuidado de quem não quer perder um segundo de sua respiração.
Oposto do que normalmente acontece, o entrevistado não carregava um telefone em mãos e sua atenção foi inteiramente nossa. Avesso a tecnologia, ele revela que o celular ainda é de teclas e que não está nem aí para as redes sociais. Fagundes gosta mesmo é de escorregar os dedos pelas páginas de bons livros. São pelo menos três finalizados por semana.
Ele sorri para o Manga, o designer da Tudo, com o sorriso de um amigo. Foi o Manga que viabilizou este momento por integrar a equipe de arte do espetáculo, sendo o responsável pela logo divertida da peça, que foi criada a partir da caricatura dos atores, na qual ele desenhou com o talento nato que carrega.
Antônio da Silva Fagundes Filho, 67 (ele comemora 68 primaveras agora em abril), respondeu a todas as perguntas com a sabedoria de um homem que não se intimida, enquanto jantava um quibe regado a um refrigerante zero caloria, lanchinho medíocre para quem ainda teria uma maratona pela frente; o ator contracenaria em instantes e, após a peça, seria dele a gostosa tarefa de acompanhar os fãs por um tour pelos camarins e conduzir um bate papo após o espetáculo.
Erudito e iluminado, após muitas frases faladas com a genialidade de quem coleciona 51 anos de carreira, a equipe da Tudo precisa se retirar. Fagundes disponibilizou mais tempo do que o esperado.
As luzes se apagam. O show vai começar.
Obrigada galã. Obrigada Fagundes.
Revista Tudo: A revista será distribuída no mês do seu aniversário! São 68 anos, certo?! Independente da experiência natural da vida, o que mudou e o que permaneceu no Antônio Fagundes de 50 anos, quando começou a carreira?!
Antônio Fagundes: É verdade. São 70 anos incompletos (risos). E engraçado porque, internamente, você não sente esse tempo todo passar. E isso acontece com todo mundo. A gente se fixa numa determinada idade e fica com aquela idade para o resto da vida. É quando a gente olha no espelho e se assusta. Vê que o cara refletido ali não tem a idade que imaginava. Para mim as coisas não mudaram muito não. Continuo com a mesma paixão pela minha profissão; são 51 anos dedicados a ela. O pique é o mesmo. A diferença é que eu subia a escada de três em três degraus e, agora, é de dois em dois.
Eu sou agnóstico e o agnóstico é um ateu com medo. É um ateu covarde, do tipo que não acredita, mas pensa: “Vai que existe”. Confesso que a religiosidade é algo que eu tenho, mesmo que ela seja traduzida na forma da minha profissão, por exemplo, por meio dessa vontade de comunicar, de trocar, de tocar nas pessoas. O que eu acho ruim, talvez, é a forma como as religiões surgiram e a maneira como elas estão sendo usadas. Eu diria que tenho religiosidade, mas não tenho religião.
Sim. Comecei a fazer teatro no Rio Branco. Aliás, inaugurei o teatro lá; o prédio do Higienópolis era novo. Um professor de português resolveu que era mais fácil ensinar versos alexandrinos fazendo uma peça do que explicando. A turma da classe escolheu três alunos e fizemos uma peça de Júlio Dantas. Dos três escolhidos, fui o único a continuar fazendo teatro. Era uma vocação. Saímos do Colégio, montamos um grupo de teatro amador, fiz peças infantis no Teatro de Arena (um grupo de teatro bastante politizado) e, naturalmente, os atores de lá levavam seus filhos pequenos para assistirem meu espetáculo e me conheceram como ator. Acabei de profissionalizando no Teatro de Arena em 1966.
Mais de quarenta? Nunca contei. É muito difícil falar porque estou em processo. O que estou fazendo agora é fruto do que fiz antes e uma preparação do que vou fazer depois. Estou fazendo esta peça e tenho mais dois ou três espetáculos engatilhados que já estão na minha organização. Talvez um trabalho que eu não tenha ido tão bem, tenha sido o responsável por motivar o sucesso de outros. Meu currículo é louco. Faço tudo e ao mesmo tempo. Eu realmente fico feliz quando estou fazendo as três artes ao mesmo tempo: teatro, televisão e cinema. Fico muito impressionado quando uma pessoa consegue dizer qual é o melhor livro que leu na vida. Certamente esta pessoa leu apenas cinco livros. Eu leio dois, três livros por semana; jamais conseguiria dizer qual o melhor livro da semana, quem dirá da vida.
Tenho 40 anos de Globo e já parei de fazer televisão, como estou parado agora, neste momento. Eu diria que são férias. Chega uma hora que essa pausa é essencial para não “encher o saco” do telespectador.
Nada de redes sociais. Nem Facebook, nem Instagram, nem WhatsApp. Meu telefone é de tecla. O máximo de modernidade que eu cheguei foi o fax. Duvido que alguém possa ter cinco mil amigos. Não tem mesmo. Eu prefiro ter dois ou três.
Nossa! E como funciona a sua relação com os fãs?
Acho que construí porque não tenho internet (risos). Ao invés de me dedicar a milhares de pessoas na internet, dedico-me a quatro ou cinco pessoas que são a minha família.
Fazia mais de 10 anos que eu não fazia comédia e estava procurando uma. A comédia é uma coisa ingrata porque você pode rir de algo e não gostar. Você pode rir e achar uma bobagem, sair vazio ou não se envolver. Então, tinha que ser uma comédia boa. Encontrei essa, muito bem escrita e que faz você refletir pelo menos cinco minutos até o estacionamento. A Baixa Terapia é interessante, tem conteúdo e humor inteligente.
Eu venho fazendo isso há mais de 30 anos. Preocupo-me bastante com a formação de público. Uma das coisas mais importantes que a gente pode fazer como contribuição social é dar subsídios ao público, para que ele possa ver outras peças. No meu espetáculo, a plateia pode acompanhar os ensaios desde o primeiro dia de leitura, pois abrimos para o público – cerca de 800 pessoas acompanharam todo o processo de criação deste espetáculo. Nós abrimos também os bastidores e mostramos o que tem por trás da cortina; como é o maquinário, como os atores circulam por ali, como o cenário se movimenta, onde ficam as roupas. O público passa a ter uma outra visão. Fazemos bate papos com a plateia todos os dias depois dos espetáculos e oferecemos apresentações com acessibilidade, uma vez por mês, com tradução em libras e distribuição de tablets para a plateia, com a legenda em português de tudo o que é dito.
Não tenho nada a ver com o Coronel Afrânio. Foi um personagem fabuloso, mas foi mal compreendido porque as pessoas se baseiam só no estereótipo. Não entenderam que, lá dentro, existia um cara muito mais perigoso, que foi aparecendo ao longo da trama. Quanto a peruca, as pessoas se incomodaram porque adoram o meu cabelo branco.
Eu adoro essa cerveja, e recomendo. É uma cerveja muito boa. Diz que é machista quem ainda não bebeu a cerveja. Experimentem.
Dificilmente tenho tempo livre. Digo que sou um ótimo espectador. Fico até três, quatro horas da manhã vendo séries. Tenho o hábito de ler e leio bastante. Gosto muito de viajar com a família e vou sempre que posso. Alugamos um ônibus, se precisar, e partimos em 10, 12 pessoas. Adoro ir ao teatro e ao cinema, apesar de cinema estar um pouco chato por causa das pessoas, que não vão mais para ver o filme e sim para tirar foto e falar ao telefone.
Estou sendo obrigado a praticar esportes por causa de um problema na coluna, e não existe saída a não ser fazer musculação, fortalecer os músculos e emagrecer. Mas faço mesmo por obrigação. Antes, toda vez que eu pensava em praticar esportes, ficava deitado até esse pensamento passar.
Eu acho que quem faz teatro no Brasil é do tipo que não desiste nunca. Se a gente não tivesse esperança tinha parado com isso, porque é bobagem você tentar modificar a cabeça das pessoas se você não acredita. Eu ainda acredito, assim como todos os meus colegas que ainda tem coragem de produzir uma peça no Brasil, creem que esse cenário possa ser mudado. Temos muitos desafios pela frente e confio que a gente chegue lá.
Quem se lembra?
O primeiro papel de Fagundes em novelas, o Cadu de “Bel-Ami”, na TV Tupi, surgiu por causa da baixa audiência da novela. Tiraram o autor, Ody Fraga e chamaram o Teixeirinha (Teixeira Filho), que matou metade do elenco. Fagundes veio no elenco dele.
Você sabia?
Que no início da carreira, Fagundes trabalhava na TV, no teatro e ainda vendia enciclopédias de porta em porta. “O esforço e a dedicação dele me impressionaram”, disse o diretor Dennis Carvalho ao Jornal Extra. ­

A equipe da Revista Tudo chegou ao TUCA – Teatro da Pontifícia Universidade Católica uma hora antes do combinado. A ideia era tomar um café enquanto o relógio não marcava as 20 horas, horário agendado para a entrevista com Antônio Fagundes, que chegou pontualmente para atender alguns jornalistas e fãs. A peça Baixa Terapia, protagonizada por ele, e que tem emergido na mídia, marca o retorno do ator na comédia, momento significativo de sua carreira, já que estava com saudades de fazer o seu público sorrir. Fagundes prestigiou a Tudo e a equipe. “Vou atender outra pessoa primeiro e, assim, teremos mais tempo juntos”, disse ele.


Antônio da Silva Fagundes Filho.

De onde vem o da Silva e de onde vem o Fagundes?!

Silva Fagundes é uma única e tradicional família paulistana, formada por cristãos novos, vinda de Portugal e estabelecida em Bragança Paulista. Tem até árvore genealógica.

 

Você se declara agnóstico. Você segue firme nisso?! Mudou de opinião?! 

 

Você estudou no Colégio Rio Branco e foi lá que despertou para o teatro. Como foi esse processo?

 

São mais de 40 tramas pela Globo. Sabemos que esta é uma pergunta meio clichê, mas gostaríamos de saber qual foi a que mais tocou você. A mais gostosa de interpretar.

 

Você chegou a ficar alguns anos afastados da TV?! O que houve?

 

Você é internauta? É do tipo que está sempre conectado, olhando o celular? Qual a sua relação com as mídias sociais?

Procuro não ter. O fã, assim como qualquer pessoa, deve ter uma distância. Aliás, é ele que deve ter uma relação comigo.

 

Você está na peça Baixa Terapia com a Alexandra, sua namorada, com a Mara Carvalho, sua ex-esposa, e com o seu filho. Fale um pouco desta família linda e unida que você construiu. 

 

Apesar de já ter saído bastante informação na mídia sobre a peça, gostaríamos de saber a sua impressão sobre esse trabalho? O que mais atraiu você nessa história?

 

Vocês oferecem uma interação diferente com o público, certo? Conte um pouco disso: ensaios abertos, tour pelos camarins. Isso foi uma estratégia de marketing ou uma forma carinhosa de presentear o público?

 

Velho Chico foi um sucesso! É verdade mesmo que as pessoas se incomodaram com a sua peruca? O que o Antônio Fagundes tem do coronel Afrânio?

 

A gente não pode esquecer que você também é garoto propaganda das Proibida! Inclusive estão falando por aí que a marca é machista. O que você acha disso? É cervejeiro? 

 

O que curte fazer no tempo livre, em São Paulo?

 

 

Cuida da saúde? Faz dieta? Prática esportes?

 

É Lava Jato, é Carne Fraca. Qual a sua opinião sobre o atual cenário do nosso país? Você é patriota? Tem esperança? É do tipo que não desiste nunca?



 
Maju Coutinho . Tempo, racismo e superação


Por Michele Marreira

Em meio ao descompasso do tempo e as destemperadas mudanças climáticas, ninguém mais se dá ao luxo de sair de casa sem estar a par da previsão meteorológica.
Seja para planejar aquele final de semana na praia ou, simplesmente, a ida a uma reunião importante, Maria Júlia Coutinho, responsável por apresentar a meteorologia do Jornal Nacional, sabe da influência que exerce no dia a dia de milhões de brasileiros.
Leonina, 38 anos, Maju nasceu em São Paulo, cortejando o mês de agosto. Filha de professores e integrante de uma família de classe média baixa, prestou vestibular para pedagogia e jornalismo e passou nas duas provas. Trancou a faculdade de Jornalismo - que era particular - e optou pela gratuita, de pedagogia. No ano seguinte, conciliou as duas graduações e se descobriu na comunicação, deixando de lado o futuro como professora, mesmo tendo lecionado por dois anos em uma escola municipal de São Bernardo do Campo.

Casada há 13 anos com o publicitário Agostino Paulo Moura - com planos de se tornar mãe em 2017 - e eleita uma das mulheres mais sexy do mundo pela Revista VIP, costuma dar uma boa resposta quando criticada: “Meu lema é o seguinte: ‘É previsão e não precisão’”, esclarece ela à equipe da REVISTA TUDO, já que é muito cobrada, inclusive pelo marido, quando a previsão do tempo não se concretiza.

Maju, apelido que veio da época do magistério, mas que William Bonner transformou em nacionalmente conhecido, iniciou carreira como estagiária na Fundação Padre Anchieta, galgando seu espaço em diversos cargos até chegar à função de repórter. No ano de 2005 passou a apresentar o Jornal da Cultura ao lado de Heródoto Barbeiro. Em seguida, foi transferida para comandar o Cultura Meio-Dia. Mostrando competência e habilidade no universo da comunicação, em 2007, fez sua estreia na Rede Globo voltando às reportagens. Um portfólio enviado por email com o assunto - “Segue meu currículo” - foi a oportunidade que precisava para construir sua trajetória na maior emissora do país. .

Seis anos depois, ainda na emissora, fez um teste para ocupar a função de “moça do tempo”. E foi além. Carismática, faz o maior sucesso entre os telespectadores diariamente. Não à toa, ano passado foi eleita pela equipe do jornal O Globo, a personalidade do ano. Também recebeu o prêmio Faz Diferença e, por dois anos consecutivos, herdou o Trofeu Observatório da Televisão - Categoria Melhor Garota do Tempo (2015-2016).

Maju teve passagens marcantes em sua trajetória.
Para quem não se lembra, em 2015, foi vítima de ataques racistas - investigados pelo Ministério Público - nas quais atingiram, inclusive, a sua mãe. Na ocasião, jornalistas da Globo, colegas de trabalho da apresentadora, se solidarizaram e criaram a campanha hashtag "Somos Todos Maju", que repercutiu imediatamente nas redes sociais.

O que os criminosos da web não sabiam é que Maria Júlia Coutinho era - e continua sendo - uma ativista que levanta a bandeira pela igualdade racial e luta para que o preconceito e o racismo sejam extintos de qualquer âmbito, seja na televisão ou na periferia. Em uma entrevista a um site de notícias, ela contou que, por anos, se submeteu a um rito para ser aceita: esquentava no fogão um pente de metal e alisava o cabelo. “Fora dos pequenos círculos, era difícil assumir a identidade. Precisa coragem para usar o crespo, símbolo de estar à margem", defendeu.

Maju é uma inspiração.
E o Sol é todinho dela.

A experiência de Maju no assunto, fez com que surgisse a vontade de falar mais sobre curiosidades despertadas pelo público. Foi assim que a jornalista lançou a boa humorada publicação intitulada “Entrando no Clima”, pela Editora Planeta. “O livro traz informações que apurei com as fontes que construí ao longo desses anos na meteorologia”, explica ela que contou também com ajuda do especialista Mauro Neutzling Lehn, meteorologista do Aeroporto Internacional de São Paulo (Cumbica) e fera no assunto. A publicação desmistifica, de forma didática, efeitos climáticos que podem parecer de difícil compreensão.

Revista Tudo: Como surgiu a oportunidade de se enveredar pelo viés da meteorologia no Jornalismo?

Maju Coutinho: Minha chefia informou-me que gostaria de fazer um teste comigo na meteorologia. Fiz o teste, passei e um novo mundo se abriu para mim. Foi ótimo!

De que maneira você se informa, se atualiza e se reinventa em um segmento que não é muito exato, ou seja, pode tornar-se imprevisível a qualquer momento?

Tenho contato diário com meteorologistas que prestam serviço à Rede Globo. Nesses três anos e meio trabalhando com meteorologia, também fiz fontes em universidades e institutos meteorológicos nacionais e internacionais. Essa base é essencial para o meu trabalho. Sobre a imprevisibilidade, meu lema é o seguinte: “É previsão e não precisão”.



Conte-nos tudo sobre seu livro “Entrando no Clima”. Qual a mensagem você deseja passar ao leitor e como foi o processo de elaboração do conteúdo?

É um almanaque com informações básicas sobre a atmosfera. O livro traz informações que apurei com as fontes que construí ao longo desses anos na meteorologia. Para a elaboração do livro, contei com a ajuda do meteorologista Mauro Neutzling Lehn. Ele passava as informações, eu as reescrevia do meu modo e acrescentava dados apurados com minhas fontes. O texto passava por seu crivo, das fontes consultadas e de leigos (familiares e amigos que não entendem nada de meteorologia) para ficar o mais correto e claro possível. Com o livro, pretendo despertar a curiosidade do público para a atmosfera, que é essencial para nossa sobrevivência na Terra. A obra também conta com trechos de letras de músicas que citam o tempo. Afinal, pela minha percepção, depois do amor, o tempo é um dos temas mais cantados na nossa MPB. O último capítulo traz ditos populares sobre o tempo. Tanto os trechos de músicas quanto os ditos populares foram coletados nas minhas redes sociais. Pedi ajuda aos meus seguidores que prontamente me enviaram sugestões.



Você já teve diversas demonstrações de carinho do povo brasileiro. Isso a envaidece? De que maneira encara esse feedback?

Agradeço todo o carinho, mas procuro não tirar os pés do chão. Costumo dizer: divirto-me, mas jamais me deslumbro.



Nesse ano você completa 10 anos de Rede Globo. Qual balanço você faz de sua carreira desde a TV Cultura até aqui?

Minha carreira tem sido pautada por muita dedicação. Procuro ouvir as críticas construtivas para lapidar o trabalho. Ainda tenho muito chão pela frente e sei que o aprendizado é eterno. A frase do filósofo Sócrates me guia: "só sei que nada sei”.



O que faz para relaxar, que tipo de música que gosta de ouvir, quais lugares costuma frequentar em São Paulo?

Faço ioga e medito em casa, em pequenos intervalos durante o dia. Gosto de nadar. Ouço quase todo tipo de música. Em São Paulo, curto cinema, livrarias e restaurantes.

Vamos falar de beleza. Seus cachos são bem definidos. Qual a receitinha para deixar a cabeleira assim?
Eu uso cremes apropriados para ativar os cachos e hidrato em casa três vezes por semana. Tenho consciência que um cabelo crespo nunca terá um brilho intenso como um cabelo liso. Assumo e curto a opacidade dos meus fios.



Qual estilo você segue quando o assunto é moda e quais peças não podem faltar em seu closet?
Gosto muito de macacões, pantalonas e vestidos.
São as peças que preenchem meus armários.

 

 






 
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