Entrevista Capa
A devoção de Vladimir Brichta ao teatro

Por Ester Jacopetti

Vladimir Brichta é veterano na televisão, mas foi no teatro que deu os primeiros passos, e consequentemente surgiu a oportunidade de fazer sua primeira novela, em 2001 (Porto dos Milagres). Com o mesmo frescor, ele mantém seus personagens vivos na memória das pessoas, mas é no teatro que o ator se reencontra e, ao mesmo tempo, surpreende o público quando foge de personagens estereotipados. “Muitos falaram que eu estava num tom diferente, mas alguns não acompanharam o meu trabalho no cinema, ou no teatro. Mas, tudo bem também. São públicos diferentes. Eu estava realizando um tipo de linguagem, que frequento desde o início da minha trajetória. Para o público de televisão, de fato aquilo é novo, é surpreendente. Eu me beneficiei disso. Fiquei muito feliz com o retorno do público e da crítica”, comentou ele, sobre o sucesso de seu personagem em “Justiça”, que tinha em seu DNA uma dramaticidade intensa. Sua última novela foi “Belíssima” em 2005, após 11 anos de trabalhos, e passar por uma crise profissional, dedicou-se especialmente as séries. Mas dessa vez Vladimir não resistiu, e voltou como protagonista em “Rock Story”, com um personagem que tem o rock and roll nas veias, e leva a vida sem limites. Quanto a maturidade profissional, Vladimir faz uma avaliação positiva, não só sobre sua carreira, mas como a mudança na linguagem no teatro, cinema e televisão foram importantes para construí-lo como pessoa. “Estou me achando melhor. Evoluímos, em termos de linguagem. Isso me agrada muito. Sinto-me bem à vontade voltando às novelas, nesse momento”, disse. Completo apaixonado pelo teatro, ele não esconde o entusiasmo pelos palcos. “A magia se dá muito mais pela hipótese. Não precisamos de ultrarrealismo. Você pega um caixote, e ele vira uma cadeira, um trono, ou uma mesa. Isso tem desdobramentos na própria atuação. O teatro continua sendo o lugar mais libertário para atuar, mesmo a TV e o cinema experimentando muita coisa nova”, pontuou.

REVISTA TUDO - Normalmente os atores trabalham com um coach para ajudar na composição dos personagens. Quais são as técnicas que os telespectadores não veem, que o ator precisa desenvolver?

VLADIMIR BRICHTA - Para criar um personagem, temos que buscar referências, e acho importante não enxergá-lo longe de mim. Muitas pessoas usam o coach, para decorar texto, e não só criar um personagem. Eu não costumo trabalhar assim, mas tive, por exemplo, influências externas. Participei de uma preparação com Eduardo Milewicz, que a emissora promoveu por três semanas. Eu só consegui, durante a primeira semana, porque estava gravando “Justiça”, mas foi o suficiente para entender, o tom que eles pretendiam seguir na novela (Rock Story). Ao mesmo tempo em que penso no personagem, costumo perguntar aos diretores, qual o tom que eles querem imprimir. Procuro referências na linguagem, porque é importante sabermos de que forma vamos abordar. A partir daí, vem as referências externas. E a ideia de buscar dentro de mim o que me aproxima do personagem, me agrada muito. No caso da novela, pensei em como tornar o rock mais íntimo, próximo, assim como o instrumento, e começar a pincelar as reações e os comportamentos. O Gui Santigo tem um temperamento mais explosivo, impulsivo. Eu tento buscar isso em mim. Pensando no próprio palco, tenho referências de pessoas, que são mais impulsivas durante um show, e no rock muitas delas são. Não tenho um método especifico. Preocupo-me com o tom do projeto, que é o mais importante para enxergar esse perfil de maneira mais clara.

Intercalar projetos na televisão, entre séries e novelas, têm sido uma opção agradável aos seus olhos? Os personagens de séries costumam ser mais atraentes?

Na verdade, não é de caso pensado. Foram as opções que surgiram ao longo desses anos, que me fizeram tomar esses rumos. Às vezes uma série pode ser mais interessante, do que uma novela, e vice e versa. Não penso muito na questão do formato não. É claro que a abordagem desses trabalhos, é um pouco diferente, porque cada um deles têm tempos para elaboração. Talvez as minisséries, deem a oportunidade de se aprofundar em determinadas questões, e discussões que tendem inclusive, um aprofundamento do personagem. A novela segue um padrão mais específico. Neste momento, estou em um folhetim com viradas e grandes acontecimentos comuns ao formato, mas fazendo um personagem, bastante amplo, com uma dimensão trágica também. Essa é uma busca minha, independente do que eu esteja fazendo, tento dar uma dimensão mais humana possível. A não ser, obviamente, que eu esteja fazendo humor. Quando a abordagem é realista, tento dar sempre esse aspecto mais humano. Quero que as pessoas consigam enxergar, de fato, alguém ali, e não um tipo.

Ao longo dos anos, a televisão evoluiu, assim como outros meios de comunicação. No caso do teatro, como você enxerga essa evolução na questão da linguagem com o público? Ficou mais fácil agradar a massa?

Nós vivemos constantemente em transformações. Hoje, nós observamos que a televisão está cada vez mais próxima, pelo menos para nós brasileiros, do cinema; e falamos muito dos Estados Unidos, e acho interessante a comparação. O que foi produzido na teledramaturgia norte-americana, tem origem no cinema. Aqui, as novelas vêm das radionovelas, do teleteatro. Nós temos tradição de televisão, mas diferente da norte-americana. Recentemente passamos a observar que o cinema começou a influenciar e perder talentos para a televisão, que começou a produzir com nível de investigação, que era mais comum no cinema. A televisão norte-americana fez isso com as séries, e acabou influenciando o mundo inteiro que as consome, assim como consumia o cinema americano. No Brasil também, e a TV passou a produzir flertando com essa velocidade da informação, com nível de aprofundamento, e quebra de alguns estereótipos do herói e mocinha. É válido quebrar e subverter uma fórmula. Sair da zona de conforto, na qual estamos acostumados a produzir. Outro ponto importante, é que o cinema passou a ser digital, assim como a TV. Ou seja, em termos de tecnologia, nos igualamos. O que acabou interferindo na linguagem, e toda essa dinâmica, técnicas televisivas e audiovisuais, afetam também o teatro contemporâneo. O teatro parte do pressuposto que aquele público, está acostumado a ir ao cinema, e ver televisão, e mais do que isso, a usar os seus próprios meios, como o celular, tanto para filmar, quanto consumir. A ideia do “faz de conta”, nunca foi tão clara. A magia se dá muito mais pela hipótese. Quando subimos ao palco, acreditamos que quando a cortina se abrir, o público irá reconhecer imediatamente o personagem. Não, ele vai olhar e ver um ator, talvez o reconhecerá de algum trabalho na televisão, do cinema, ou peça. Acredito que a proposta e a linguagem na atuação, se dão muito pela sugestão, que é muito mais do que definitiva. Ela provoca e instiga o expectador a concluir o entendimento sobre o personagem. Não precisamos de ultrarrealismo. Podemos brincar com sugestões, para que o público complete o entendimento. Você pega um caixote, e ele vira uma cadeira, um trono, ou uma mesa. Isso tem desdobramentos na própria atuação. O teatro continua sendo o lugar mais libertário para atuar, mesmo a TV e o cinema experimentando muita coisa nova.

Sua última novela foi em Belíssima (2005). Como está sendo esse retorno às novelas?

Pois é, já se passaram onze anos. Desse tempo pra cá, muita coisa mudou. Estou me achando melhor. Talvez por causa da minha maturidade profissional e a experiência que acumulei. Tem a ver com o próprio desenvolvimento da televisão, em si. Hoje em dia, trabalhamos com o mesmo equipamento que usamos no cinema. Evoluímos muito, em termos de linguagem, e estamos num lugar bem interessante. Sinto-me bem à vontade, voltando às novelas nesse momento da TV.

Nesse período você ficou bastante focado no humor. Poderia afirmar que esse é o tipo de gênero que te agrada?

Curiosamente, desde quando eu comecei em 2001, fiz bastante humor na televisão. Mesmo nas novelas, eu estava envolvido com o núcleo cômico. Passei onze anos longe, mas estava fazendo séries de humor. Foi bom, porque é um universo que me agrada. Eu gosto e sei fazer. Mas está sendo bacana voltar, numa trama na qual eu não sou responsável pela parte do humor. É legal até para o público de televisão, que me acompanha há bastante tempo. Eles irão me ver de outro jeito, em outro gênero. É uma troca muito boa, saudável.

Como tem sido interpretar um roqueiro? Você comentou que as pessoas irão te ver de outro jeito. O que elas podem esperar?

Essa trama tem muito, de novela das sete, além de ter muita música. Isso traz um frescor muito bom. Temos uma juventude muito talentosa, envolvida com música. A novela, fala um pouco da mudança de geração, o que é bacana. O Guilherme é um roqueiro meio decadente. É no meio de um conflito que ele descobre que tem um filho, que também é talentoso, e cria uma “boy band”, pra voltar às paradas e competir com o arquirrival, que é o personagem do Rafael Vitti. É legal dizer que eu sou o coroa da novela, eu tenho quarenta anos, e dois filhos. Tem um encontro de gerações que é muito bom. Cada um, se alimenta do outro.

O público desse horário é bem diversificado, inclusive tem muitos adolescentes. Você está preparado para esse público?

Eu estava gravando com o Nicolas (Prattes) e uma menina pediu pra tirar uma foto com ele. Ela disse: “Tio, posso tirar uma foto com você?”. O Nicolas me olhou sem entender. Eu disse: “Dessa menina, você já é tio”. Já crescemos tio de alguém. Não sei se estou preparado para o público adolescente. Não sei o que vai ser. Eu tinha um público dessa idade, na época de “Tapas & Beijos”. Eu não faço ideia, do que eles irão achar de mim. Se eu virar o tiozão roqueiro, vou ficar bem feliz.

E já que você comentou sobre música, o que ela representa para você?

Sempre gostei de música e já fiz alguns musicais no teatro, cantei no cinema, e na televisão também. A música é muito presente, e ouço sempre que possível. Esse personagem me provocou uma grande pesquisa, porque o que é rock nos dias de hoje?! Eu tive que buscar minhas referências, e ao invés de só tentar buscar, também procurei escutar coisas antigas. Bandas como: Legião Urbana, Titãs, Ira, Paralamas do Sucesso, Lobão e muitas estrangeiras também. Esse personagem não deixa de ser um presente, porque me aproxima muito desse elemento, chamado: música. O Gui é guitarrista e cantor. Na parte de canto, já foi mais fácil, mas voltei a fazer aulas porque é preciso exercitar. A música de abertura da novela, sou eu quem estou cantando. O nome é “Nossa Hora”. Eu gravei numa boa. Agora, para tocar foi um pouco mais complicado. Eu toco violão bem fajuto, e achei que poderia ajudar, mas é muito pouco, porque tem um jeito especifico, de tirar o som da guitarra, que não é parecido com o violão. Infelizmente não fui capaz de tocar ao vivo também.

Como você descreveria o seu personagem?

Ele tem um temperamento mais explosivo, que brinca um pouco com o estereótipo do roqueiro. É muito rico para o personagem, porque ele é impulsivo. Os erros que ele acaba cometendo são mais pela impulsividade. É bacana fazer, porque consigo ver a curva do personagem. Pra fazer o Gui eu me inspirei no Johnny Depp, porque ele também tem uma banda. Peguei um pouco dele. Comentam que eu estou parecido com o Chris Cornell (Guitarrista do Audioslave). Achei parecido mesmo, e cheguei até ler algumas biografias e tudo mais. Eu tomo todo o cuidado para não deixá-lo caricato, e saberia se isso acontecesse.

Quando deu os primeiros passos na carreira, como foi a sua preparação?

Eu não tive uma preparação, no início da minha carreira. Hoje, os novos atores têm um aparato muito grande. Essa geração é muito boa, porque eles estão interessados. Não sabem uma porção de coisas, mas sabem outras. A minha geração, não se preparava para musicais no passado. Nos preparávamos para atuar. Eu cantava, e dava uma dançadinha, meio roubada (risos). Eu não me preparei. Nessa época, não existia escolas para diferentes gêneros, mas hoje tem. Essa geração, precisa buscar o único de cada um, como artista. Compreende?! As ferramentas, elas têm.

As mudanças não foram apenas na questão de praticar aulas de guitarra e voz, mas também no visual que está super radical...

As tatuagens são do personagem, são duas. Elas são feitas de silicone, e duram em média uma semana. Estou usando brinco também. Em casa, o pessoal estranhou um pouco. Eu já tinha a orelha furada. O menor olhou o brinco e falou que gostou. O cabelo, dei uma mudada. O comprimento é todo meu, mas coloquei um volume, tipo um aplique. Quando eu fiz “Justiça” eu estava com o cabelo que lembrou minha adolescência (risos). Eu tive cabelos assim, dos doze aos vinte anos, cumpridos e loiros. É engraçado porque eu trabalhei na praia, em um quiosque com a minha mãe. Nós vendíamos coco, e esse universo praiano, era muito familiar pra mim, não é distante.

Você já comentou que fazer seriados e deixar as novelas um pouco de lado, não foi de caso pensado, mas de certa forma, foi uma decisão sua?

Foi uma opção minha, sim. Quando terminei “Belíssima”, entrei em uma crise pessoal, de trabalho. Percebi que eu não estava feliz. Era uma época, que eu queria me dedicar mais ao teatro, que é de onde eu venho. Fiz duas peças. Não demorou muito, e surgiram vários convites para fazer séries. Em cinco anos, eu havia feito cinco novelas. Surgiu uma, mas não fiz. Fiz “Tapas e Beijos” e segui o meu caminho. Fiz “Justiça”, e agora essa novela. E ainda tem “Zózimo”, que é uma série do Mauro Wilson, sobre um detetive que se passará nos anos 50. Aceitei participar dessa trama, porque amei o enredo. Gosto de me desafiar. Não consigo tocar ao vivo a guitarra, e fiquei puto da vida.

Mas você sentia uma cobrança por parte do público?

Cobravam muito, mas enquanto eu estava em “Tapas e Beijos”, pararam um pouco. As pessoas ficam intimas, né?! Hoje em dia, me cobram a volta do seriado (risos).

Acredita que seu personagem em “Justiça” foi um divisor de águas na sua carreira?

Pode ser. Muitos falaram que eu estava num tom diferente, mas alguns não acompanharam o meu trabalho no cinema, ou no teatro. Mas, tudo bem também. São públicos diferentes. Eu estava realizando um tipo de linguagem, que frequento desde o início da minha trajetória. Para o público de televisão, de fato aquilo é novo, é surpreendente. Eu me beneficiei disso. Fiquei muito feliz com o retorno do público e da crítica. O elenco era realmente o ponto alto desse projeto, e também, de eu sair um pouco da chave do humor na televisão. O grande público assiste televisão e vai pouco ao cinema e teatro. Eles conhecem o meu trabalho, através do humor. Não deixou de ser para mim, um exercício e uma oportunidade de poder trocar, e o público me ver num gênero diferente. “Justiça” foi uma série inovadora e ousada. Quando recebi o convite, aceitei na hora. A trama foi muito bem elaborada. As histórias eram pesadas, e o público teve a oportunidade de ver a mesma cena, mas de um ponto de vista diferente. É o exercício de julgar. Pra mim é justo e correto, mas pra outra não. Então, na verdade, reverbera um pouco esse estilo que cada um de nós temos uma opinião sobre o que é correto, diferente. Você pode exercitar, na linguagem. Esse projeto foi um trunfo.

Foi nessa série que você e a Adriana (Esteves), depois alguns anos voltaram a atuar juntos...

Pois é. Depois de tanto tempo, né?! Mais de dez anos. Nosso último trabalho na televisão juntos, foi na novela “Kubanacan” (2003). Sempre vibrei com as coisas dela. E, nós sem esperarmos que fosse acontecer, virou realidade.

Falar sobre o trabalho, é bom para a relação de vocês?

Ah, é bom, mas também tem a hora de parar, de colocar um filme, sair pra jantar, encontrar os amigos, namorar. Antes de eu ser marido dela, eu era um grande admirador do trabalho da Adriana. Fã, admirador mesmo! Não tem como eu ignorar o fato, de que ela realiza um grande trabalho. A reciproca, modéstia parte, é a mesma. Gostamos do que o outro faz. Eventualmente, se fala que um casal compete entre eles, mas não existe isso entre nós. Nos estimulamos, provocamos no melhor sentido.

O fato de você estar emendando um trabalho no outro, causa certa preocupação em relação ao desgaste da imagem?

Não, não. Eu não apareço em tudo que é canto. Fazer duas novelas seguidas, é uma coisa que desgasta muito mais, do que estar em seriados, que foi exibida no mês passado.

Como você lida com as questões das redes sociais?

Eu não tenho nenhuma conta em nenhuma rede social. Não sou eu. Divulguem isso.

Seu personagem tem um filho fora do casamento, e se relaciona com uma fã...

Se eu tenho um filho fora do casamento?! Eu não (risos). Não me relacionei com fã não. Quando eu comecei a namorar a Adriana ela falou que era minha fã. Não sei se isso conta (risos). Mas eu também era fã dela.

O que tem do Vladimir que começou a carreira em 2001 em “Porto dos Milagres”, para o de hoje?

O encanto pelo o que eu faço. Mesmo! De TV já são quinze anos, nesse período eu já errei, acertei e cansei. Mas, hoje posso dizer que estou muito mais próximo daquele frescor, vontade, tesão mesmo do trabalho, que eu tinha quando entrei no Projac pela primeira vez. Eu tenho o mesmo encanto daquela época.

 
Fábio Porchat: o gênio da lâmpada Leia+

Por Ester Jacopetti

 Foi em 2012, com o “Porta dos Fundos” que Fábio Porchat e sua trupe, conquistaram milhões de seguidores no youtube. Popularizando e satirizando o cotidiano, o comediante não se intimidou quando fez sua primeira apresentação improvisada, no programa do Jô Soares, há exatos 14 anos. Aliás, foi com o apresentador que Fábio conversou quando estava se preparando para o “Programa do Porchat”, na Record. “Eu falei com o Jô por telefone, ficamos um tempão conversando. Foi bacana porque ele me contou sobre as experiências dele, sobre como começou, e não só a decisão de ir para o SBT, mas quando ele assistiu Johnny Carson (Comediante e Apresentador). Foi legal receber esse ‘olá’ dele”, falou admirado. Determinado, inteligente e sarcástico, Porchat transita com muita facilidade pelo cinema, teatro, televisão e internet. Linguagens diferentes, mas que exigem muito carisma, e isso nós sabemos que ele tem de sobra. Mas dessa vez, ele sai da ficção para realidade, encarando pela primeira vez, um programa que leva o seu nome, na TV aberta. “Sou um cara muito curioso, e eu gosto de ouvir as histórias, de conversar com as pessoas, e entender o que elas estão achando. Eu dou corda pra taxista. Pronto para enfrentar o novo desafio, Fábio parece não se incomodar com o fato de não ter nomes globais em sua atração, e rebate: “Isso assusta mais na teoria do que na prática. O mundo vive sem a Globo. Tem um monte de cantor, artista, de ator, de gente que está na emissora hoje, mas amanhã não está mais”, comenta. Sobre a possibilidade de outros canais liberarem seus profissionais, Porchat não vê problema. “A Rede TV, Band, SBT e Record, todo mundo se libera, tem troca. A Globo não libera ninguém. Nem mesmo para o Multishow, no meu programa (Tudo Pela Audiência) com a Tatá (Werneck) ” conclui. Mas se você pensa que ele já está satisfeito com tudo que conquistou, engana-se. Questionado, ele surpreende e diz que ainda tem o desejo de fazer rádio. “De uns tempos para cá, consegui tomar rédeas da minha carreira, e por isso, estou fazendo o que eu realmente quero, de verdade”, falou e disse!

Revista Tudo - No início houve muita especulação sobre a sua contratação pela Record. Inclusive foi mencionado que outras emissoras fizeram convites. É verdade?

Fábio Porchat - Eu recebi algumas propostas, sim. Quando eu saí da Rede Globo, a própria emissora me perguntou se eu gostaria de fazer um sitcom, mas senti que não era o momento. O SBT também conversou comigo, mas a Record fez a melhor proposta em todos os sentidos, não só financeiro, mas artístico, que pra mim é o mais importante. A Record havia me procurado há um tempo para fazermos um trabalho juntos. Eu estava fazendo um filme, escrevendo, tinha o “Porta dos Fundos”... Ou seja, não estava no meu momento, mas agora faz todo o sentido, poder novamente estar na televisão aberta, com um programa meu. É claro, que nós temos as limitações que qualquer televisão aberta têm, mas de modo geral, eu fiquei tranquilo, de poder seguir com o meu caminho, e quem eu sou. Fiquei feliz porque as minhas ideias bateram com a Record. Tudo é muito falado e discutido. Desde o primeiro convidado, os quadros, as chamadas.

E quais foram os principais elementos pra construir esse programa que vem dando super certo?

A ideia era pensar fora da casinha. Eu assisti a muitos programas de fora, viajei e fiquei uma semana em Los Angeles. Assisti gravações do programa da Ellen (DeGeneres), conversamos com os produtores do Conan O’Brien, porque os caras fazem isso há muito tempo. Lá eles têm cinco ou seis lates shows, acontecendo simultaneamente. Até pouco tempo, nós tínhamos o Jô Soares. É uma coisa nova para o brasileiro, entender essa mecânica do late show, que se faz com games e brincadeiras. Foi muito enriquecedor. Eu também conversei com outros apresentadores brasileiros - a Marília Gabriela, a Luciana Gimenez, o Jô - pra entender esse mundo da televisão aberta, de como ela funciona. Estou aprendendo fazendo. É importante continuar ouvindo. Eu comentei que o Jô é um cara incrível, que precisou de três apresentadores (Adnet, Danilo, Porchat) para pegar o bastão dele. Porque é um pouco isso, cada um numa emissora, e eu acho muito rico. Nós temos a Globo, o SBT e a Record fazendo bons produtos, competitivos, e é só saudável. É uma briga boa!

Depois que você estreou o programa, a audiência está indo bem. Como você reagiu?

Fiquei super feliz, porque o programa está dando certo, e caminhou bem. Quando você estreia com um novo projeto, e tem uma boa aceitação do público e da crítica, dá uma tranquilidade para continuar. Nós pensamos no conteúdo, e depois damos uma olhada no ibope. É claro que nós queremos que todos assistam, mas fazer um programa do nosso jeito, não tem comparação.

Em 2002, que você participou do programa do Jô Soares e teve uma oportunidade. Você pretende dar chances também?

Sim! Inclusive as pessoas que se inscrevem para assistir ao programa... Elas cadastram as redes sociais, e nós do programa acessamos para saber mais sobre suas características. Os roteiristas fazem a seleção, e irão conversar com essas pessoas, para saber se elas têm o interesse em participar do programa.

Quando você estava construindo a ideia do programa, surgiu um boato de que você estaria ligando para os seus amigos da Rede Globo. É verdade?

Isso não rolou, mas eu gostei da ideia. Eu falei com o Jô Soares por telefone, ficamos um tempão conversando. Foi bacana porque ele me contou sobre as experiências dele, sobre como começou, e não só a decisão de ir para o SBT, mas quando ele assistiu Johnny Carson (Comediante e Apresentador). Ele me passou bastante sobre essa experiência. Foi legal receber esse ‘olá’ dele.

Você tem bastante experiência na televisão e no cinema. Como você encarou esse lance de mudar um pouco, que no caso é sair da ficção para a realidade?

Essa já era uma vontade que eu tinha. Sou um cara muito curioso, e eu gosto de ouvir as histórias, de conversar com as pessoas, e entender o que elas estão achando. Eu dou corda pra taxista. O “Porta Afora” que é um programa de viagens do “Porta dos Fundos”, já tem um bate-papo no sofá da minha casa, com um clima de entrevista. Foi um ótimo laboratório, para eu entender o momento de falar e contar história. Se tem uma coisa que é difícil, é ouvir e não falar muito de você. Quando a pessoa conta uma história, tenho vontade de contar a minha também. Saber medir esse lugar, de que eu sou entrevistador, é uma coisa que eu estou aprendendo com os erros.

Mas depois da estreia como tem sido?

Tem sido tranquilo. Estou conseguindo fazer piada, brincar com as pessoas. Aos poucos eu estou pegando essa função, que é nova pra mim. Cada dia eu acho melhor que o outro. Eu vou percebendo que estou mais solto, mais tranquilo e estou feliz por isso. Como o programa estreou super bem, teve uma aceitação super boa, deu uma tranquilizada.

Você falou sobre a liberdade que encontrou na emissora, mas está liberado, por exemplo, falar palavrões?

Eu acho que não tem problema, mas nós não somos muito de falar. Não existe nenhuma restrição. Mas é claro que é TV aberta, é meio indelicado com o próprio convidado. Temos que saber dosar e brincar na medida. O pessoal fala que na internet eu tenho liberdade. Não é verdade. Se eu, por exemplo, colocar um vídeo com uma mulher pelada, eles tiram o vídeo. No cinema não, se eu faço um filme explicito, ele passa. No teatro também. Cada um tem uma limitação. É o ônus e o bônus. Agora na televisão aberta nós não passamos de um ponto. Mas tem acontecido tanta coisa na televisão aberta... É barra pesada! Eu voltei a assistir, e o nosso programa é bem levinho, tranquilo. No “Tudo Pela Audiência”, é um programa que brinca e fala exatamente sobre isso.

O formato do talk show era o que faltava na sua trajetória?

Eu tinha o desejo de fazer há bastante tempo, e já havia expressado essa vontade. Falta muita coisa na minha carreira, eu só estou começando. Esse é um momento de virada, um divisor de águas, como o “Porta” foi em algum momento. Esse é um programa meu, numa televisão aberta, com a minha cara. Eu estou muito feliz, mas ainda falta muita coisa. Quero ter um programa de rádio, mas vamos por parte.

Algumas pessoas falam muitos sobre os atores da Rede Globo. Como você pretende fazer sem conseguir levá-los ao seu programa?

O Danilo está há cinco anos fazendo talk show, sem nenhuma estrela global. O Jô quando estava no SBT, também. Isso assusta mais na teoria do que na prática. O mundo vive sem a Globo. Tem um monte de cantor, artista, de ator, de gente que está na emissora hoje, mas amanhã não está mais. O Pedro Cardoso foi um deles. Até pouco tempo era impossível entrevistá-lo. Por isso, não me assusto, pelo contrário fico tranquilo vendo o exemplo dos colegas.

Você tem muitos projetos, mas o que precisou deixar de lado para se dedicar ao programa?

Eu precisei parar de escrever para o Estadão. O “Porta dos Fundos”, eu deixei muitos vídeos gravados e escritos. Eu dei uma desacelerada. Estou totalmente focado no programa até o final do ano. Eu moro no Rio de Janeiro, mas fico em São Paulo, de segunda a sexta e volto pro Rio, porque estou fazendo a peça “Meu Passado Me Condena”. E amanhã, por exemplo, eu gravo mais três vídeos pro “Porta”. E “Tudo Pela Audiência”, nós vamos para a quarta temporada.

O Marcelo Adnet comentou sobre a possibilidade de convidar pessoas de outras emissoras. Você acha que existe essa probabilidade com a Record?

Sempre! Não há dúvidas, e não é um problema. A Globo não libera ninguém para as outras emissoras. Nem mesmo para o Multishow, no meu programa (Tudo Pela Audiência) com a Tatá (Werneck). Eu ainda não tentei, mas a princípio não tem problema. As emissoras, Rede TV, Band, SBT e Record, todo mundo se libera, tem troca.

Numa entrevista, você havia comentado que não gosta de se assistir. Continua assim, mesmo depois da estreia?

Eu tenho que me assistir, porque preciso ver onde estou errando, se estou fazendo demais ou de menos. Eu acho importante também, continuar assistindo o Danilo, o Jô e o Adnet. É importante saber o que está acontecendo ao redor. Não podemos nos fechar nunca.

Quando estava fazendo as pesquisas para o seu programa, que estilo de apresentador mais te inspirou?

Eu gosto do Conan O’Brien, porque ele é engraçado e sério, e ao mesmo tempo sabe fazer umas tiradas muito precisas e inteligentes. Gosto das descontrações do Jimmy Fallon, das piadas da Ellen. Ela é genial em stand up. Nos Estados Unidos ela é tipo uma Oprah. No Brasil, Jô Soares é uma referência para todo mundo, e tudo que ele representa e representou para comédia. Ele é um comediante que tem credibilidade, o que é muito raro de acontecer. O Jô está no inconsciente de todo mundo.

Você faz o “Tudo Pela Audiência”, não tem medo de ser satirizado pelo seu próprio programa?

Eu acho que não, porque eu brincaria antes, mas se isso acontecer eu vou achar divertido.

Como você se sente ao saber que está concorrendo com dois amigos? Existe a possibilidade de cansar o público?

Me deixa mais tranquilo. É melhor porque é fogo amigo. Nós temos a liberdade de um brincar, um com o outro. São duas coisas: o público não tem costume de assistir os lates shows, que tem nos Estados Unidos. Para o público é o Danilo e o Jô. Agora estamos eu e o Adnet. Não cansa porque ainda é novidade. Apesar de sermos comediantes, somos muito diferentes. Cada um tem uma habilidade. O Adnet sabe cantar, improvisar, imitar. Coisa que eu jamais faria, porque eu sei improvisar, mas não sei cantar. O Danilo também não, mas ele já está fazendo programa há cinco anos. Ele já está um passo à frente, porque ele não fica tenso. Eu estou pisando em ovos, porque estou aprendendo e descobrindo como fazer.

Como tem sido a sua parceria com a Tatá, já que vocês farão a quarta temporada do programa juntos?

Nós temos algo natural, de nos darmos muito bem em cena. Nos admiramos muito. Eu sei que eu posso jogar a bola pra ela, e ela irá fazer o gol. A Tatá é uma gênia, muito engraçada, louca, pensa fora da casinha, tem umas sacadas, é muito rápida, faz cinco piadas em um segundo. Isso é muito bom. Porque o atacante, é o Neymar, Soares e o Messi numa pessoa só.

Quem você gostaria de entrevistar no seu programa?

O Silvio Santos!

Que mensagem você gostaria de deixar para os leitores da Revista Tudo?

Para que todos assistam o programa do Porchat. Afinal de contas é um programa novo, que está começando agora. O pessoal que assiste o Jô que já está aí há trinta anos, agora dá um espaço pra mim (Risos).

 
LETÍCIA SPILLER: UMA MULHER DE MIL TALENTOS

O olhar de Letícia é sedutor. Com uma alegria contagiante, e simpatia de sobra, sua personalidade fica em evidência com apenas cinco minutos de conversa. Consagrada, ela que nasceu no Rio de Janeiro e sabia desde a infância que seu destino era brilhar. Começou sua carreira como atriz no teatro amador em 1985, no colégio Sagrado Coração de Maria. Em 1989, conquistou o posto mais desejado da época, e tornou-se Paquita no programa “Xou da Xuxa”. Não demorou muito e ingressou na teledramaturgia, sendo protagonista da novela “Quatro por Quatro” (1994), interpretando a inesquecível Babalu.  “Meu primeiro curso foi com 12 anos, e aos 15 foi o período em que eu tenho as minhas melhores lembranças. Nessa época, a novidade foi gravar um disco, e ainda vender cerca de oitocentas milhões de cópias, fora os shows que nós fazíamos com a Xuxa, para sessenta mil pessoas. Mas eu sempre soube que quando fosse a hora certa, seguiria meu caminho, e não tive medo”, falou de maneira firme e consciente. Hoje, com mais de trinta personagens, e todos muito bem interpretados, Letícia volta às telas, dando lugar a roqueira Lenita em “Sol Nascente”, que coincidentemente, tem tudo a ver com a atriz, que curte boas músicas, e foi indicada especialmente pelo ator Marcello Novaes. “Perguntaram se ele conhecia alguma atriz, que cantasse. Ele comentou sobre mim, e acabou rolando”, confidenciou. Dedicando-se a carreira musical, Letícia disse que pensa sobre o assunto. “Eu tenho um projeto musical com uma amiga, mas é totalmente voltado ao amor incondicional, uma coisa mais para o lado do MPB. Mas é um projeto muito lúdico. Eu cheguei a fazer um teste para interpretar a “Mary Poppins”. Mas essa galera é de canto lírico, e essa é uma técnica que eu não domino”, lamentou a atriz, que já se dedica à música, há cerca de seis anos. Nesta entrevista, Letícia tece elogios aos colegas de profissão, em especial ao ex-marido Marcello, que será seu par romântico na trama. “Mesmo separados, não deixamos de ser uma família, e soubemos muito bem como preservar, o que é ser uma família de verdade”, afirmou com um belo sorriso nos lábios. Prepara-se para ver um pouco mais sobre essa artista fabulosa, que divide seu tempo, entre as duas produtoras, a novela, e a atenção com a pequena Stella de cinco aninhos.

REVISTA TUDO - A Lenita de “Sol Nascente”, é uma mulher forte e batalhadora. Que tipo de trabalho você buscou para interpretá-la?

LETÍCIA SPILLER - Todo ator é um bom observador. Para criar a Lenita, eu me inspirei um pouco na Janis Joplin, na Rita Lee, além dos metaleiros. Ela tem um bar, é cheia de tatuagens, canta rock in roll, e lá tem uma atmosfera muito forte. Minha personagem tem uma energia masculina. Ela tem sensualidade taurina (Risos). Sempre penso em um signo para os meus papéis, e já imagino que ela seja de touro. Ela sofreu muito na vida, e se defende emocionalmente, porque perdeu os pais muito jovem e terminou se tornando responsável por cuidar do irmão Ralf (Henri Castelli). E sinceramente, não é uma tarefa muito fácil, porque ele é imaturo, e extremamente ciumento. Ele ficou preso durante um tempo, em uma instituição para menores infratores, depois de agredir um ex-namorado da personagem. Aliás, foi na cadeia que ele aprendeu o seu ofício, (tatuador) e hoje é um dos profissionais mais respeitados na área. Enfim...  Mas eu já sou mais doce, e romântica do que a Lenita. Sou sensível. Dependendo do que acontecer, eu choro na hora. Um dos momentos mais emocionantes na minha vida, foi o nascimento dos meus filhos. Quando nasce um filho, é uma riso e choro, ao mesmo tempo. É uma emoção muito forte.

Nesta novela, você reencontra com o ator Marcello Novaes e as pessoas comentaram muito sobre esse assunto. Como você tem recebido essas notícias?

Estou adorando! Nem eu sabia que existia tanta expectativa, em torno disso. Nós dois temos uma relação muito boa, de amizade, de amor, de família. Convivemos juntos, e estamos sempre nos falando. Mesmo separados, não deixamos de ser uma família, e soubemos muito bem como preservar, o que é ser uma família de verdade. Pensamos nos nossos filhos, e em somar, nunca subtrair ou criar obstáculos. Nós sempre nos respeitamos muito. Às vezes, peço um colinho para ele. Se eu posto uma foto com o Marcello nas redes sociais, a foto bomba. Somos uma família, e nunca deixamos de ser. É bom poder trabalhar com ele. O Marcello é um super parceiro, muito querido por todo mundo. A Aracy (Balabanian) pode falar mais do que eu, porque essa já e a terceira vez que ela fará mãe dele, numa trama (Risos). Aliás, foi ele quem me indicou para fazer a Lenita. Perguntaram se ele conhecia alguma atriz, que cantasse. Ele comentou sobre mim, e acabou rolando.

Em algum momento passou pela sua cabeça, que as pessoas faziam essa torcida para vê-los contracenando novamente, e que lembrariam da novela “Quatro Por Quatro”?

Eu imaginei que no dia em que nós voltássemos a trabalhar juntos, e eu não tinha dúvidas de que poderia acontecer, as pessoas iam adorar, porque os personagens tiveram muita química. Nós nos damos muito bem trabalhando juntos, e fora dele também. Por isso, não tem como dar errado, eu acho.

Como o relacionamento entre o seu personagem e do Marcello irão interagir?

Quando o Vittorio se mudar para Arraial do Sol Nascente, já demostrará certo interesse pela Lenita. E apesar dos estilos serem bem diferentes, os dois começam uma amizade, o que deixa o Felipe (Marcelo Faria) bastante enciumado.

Seu filho Pedro (Novaes) participou do início das gravações da novela. Como foi essa interação entre vocês? Você chegou a dar alguma dica para ele?

Achei muito fofo. Ele disse que esse reencontro é histórico, por isso, topou fazer. É um momento muito especial. O Pedro já tinha feito outros trabalhos como ator, quando era mais novo. Ele fez “Joãozinho de Carne e Osso” (2011), primeiro curta-metragem que produzi. É uma fábula que conta a história dos medos e sonhos de um menino, que é o mais velho de uma família, que é muito pobre. Mas ele é mais da música, e tem feito shows com a banda dele. Toca bateria desde os 7 anos de idade. Ele já fez tablado, que é um curso de teatro onde eu e o pai dele começamos. Eu por exemplo, apaixonei-me pelo teatro ainda criança, quando estava na escola. Meu primeiro curso foi com 12 anos, e aos 15 foi o período em que eu tenho as minhas melhores lembranças. Nessa época, a novidade foi gravar um disco, e ainda vender cerca de oitocentas milhões cópias, fora os shows que nós fazíamos com a Xuxa, para sessenta mil pessoas. Mas eu sempre soube que quando fosse a hora certa, seguiria meu caminho, e não tive medo.

Na trama você reencontra também o ator Henri Castelli, com quem contracenou em ‘I Love Paraisópolis’ (2015). Como tem sido esse reencontro também?

Nessa novela, nós fizemos marido e mulher, mas em “Sol Nascente”, que é uma novela muito especial, o Henri interpreta o meu irmão Ralf, que tem um pouco de ciúmes, porque a Lenita tem o dedo podre. Eles já sofreram muito na vida, então esse ranço. Ele acredita que alguém fará mal a ela, até que ele descobre, que ela está saindo com o melhor amigo dele, o Felipe (Marcelo Faria). Então tudo fica bem, mas eu acho que isso vai dissipar logo no início. Eles são esquentados, têm personalidades fortes, brigam, mas de repente estão se amando.

E como é a relação dela com o Felipe?

Ele é romântico e quer realmente formalizar a relação dos dois, mas a Lenita meio que entra em pânico, porque ela prefere algo mais informal. Ela sofreu uma desilusão amorosa no passado, e não quer mais saber de compromisso, de casamento. Seu lema é ser livre e feliz.

A Lenita tem um visual bem diferente das personagens que você está acostumada a interpretar. Como foi essa mudança pra você?

Estou adorando, porque é meio performático. Adoraria ter uma tatuagem no braço, mas é difícil porque sou atriz. Existem métodos pra esconder, mas dá um trabalho. Eu tenho só uma, mas fica bem escondidinha. Sei que vou ficar com vontade de fazer mais, principalmente depois da novela.

Voltando a falar um pouco sobre estilos, a Soraia em ‘I Love Paraisópolis’ era uma mulher fina e elegante. E agora você vem com outra pegada. Qual dos dois estilos mais se parecem com você?

A Lenita tem muito mais a ver comigo. Inclusive eu fiz um musical (Outside, 2011) bem rock in roll. Eu já estava meio que preparada para essa personagem, porque gosto de cantar rock, e me dou super bem. Amo ouvir David Bowie, Beatles, Rolling Stones, Jimmy Hendrix, Janis Joplin, Ultraje a Rigor, Legião Urbana, Barão Vermelho, O Rappa. Algumas dessas bandas eu vou cantar na novela. Do Legião, estamos tentando os direitos autorais. Tem muita gente legal que eu gostaria de cantar, mas depende da liberação. De seis anos pra cá, eu tenho me empenhado mais no canto. Ainda mais agora que vou cantar várias músicas da trilha sonora, durante a novela. Eu tive que rodar bastante a cabeça para fazer as performances nas cenas. Faço loucuras no palco.

Quando você ficou grávida pela primeira vez (do Pedro), tinha uma idade, e há cinco anos nasceu a Stella. Existe muita diferença no jeito de criar, após um período?

A diferença, é que você já sabe muita coisa, mas eu sou muito intuitiva, e quando fui mãe pela primeira vez, soube fazer tudo certinho. Nesta segunda vez, nós temos a chance de errarmos menos, porque já vimos muita coisa. Outra coisa, é que a menina é mais dengosa, sensível. Já o Pedro raramente chorava. Ele foi um menino tranquilo. Caia e já levantava, mas a Stela é mais dengosa. Mas é muito tranquila também.

Você comentou sobre ter se dedicado bastante ao universo da música. Significa que um dia, quem sabe poderá gravar um disco?

Eu tenho um projeto musical com uma amiga, mas é totalmente voltado ao amor incondicional, uma coisa mais para o lado do MPB. É um projeto muito lúdico, e bem diferente do rock in roll. Eu cheguei a fazer um teste para interpretar ‘Mary Poppins’. Mas essa galera é de canto lírico, e essa é uma técnica que eu não domino. Geralmente nesses musicais de época, eles querem mais um virtuosismo, mulheres que cantem mais para o agudo. Daí tem que ter estudo. Mas eu queria muito o personagem, porque tem tudo a ver comigo, e eu faria uma linda Mary Poppins.

Os musicais chegaram com tudo no Brasil e tem conquistado cada vez mais as pessoas. Você tem vontade de fazer outros tipos também?

Prefiro teatro contemporâneo, experimental, do que importado. Como atriz, prefiro uma obra autoral, nossa. Só que a Mary Poppins é para criança, e eu queria muito, porque eu estava cultivando esse desejo, por causa da minha filha, (Stella) que tem cinco anos. É muito difícil, mas eu gostaria de ter feito, porque é uma obra para criança.

Na televisão tem algum personagem que você gostaria de fazer, mas ainda não teve a oportunidade?

Eu gostaria de fazer essas minisséries mais realistas que estão rolando, com tom mais cinematográfico. Eu ainda não tive a oportunidade, mas gostaria muito. Eu assisti ‘Justiça’, esses dias, e achei muito legal. Eu queria ter feito uma daquelas personagens, com certeza!

A Lenita é dona de um bar que toca rock in roll. Como tem sido essa experiência?

O bar Rota 94, é o ponto de encontro dos moradores da cidade. Além dos motociclistas, os turistas também frequentam o lugar, que é um point atraído por jovens e amantes de esportes. E tem também, boa música, como eu disse antes, é também um estúdio de tatuagem. A Lenita é uma mulher batalhadora, e de personalidade forte.

Você continua linda e maravilhosa, qual seria a sua dica de bem-estar?

É se alimentar e dormir bem. Eu sempre como uma salada antes da refeição principal, frutas, cereais, legumes, verduras, proteínas, que é superimportante. E claro, fazer exercícios que é essencial para o metabolismo. E quem quer ter um corpo saudável, deveria fazer caminhas, ou bicicletas, dançar. Qualquer atividade que lhe dê prazer, né?! Eu já fiz os ritos tibetanos, que são cinco posturas da yoga, que você faz 21 vezes cada. Isso faz com que o metabolismo gire com mais facilidade. Eu prefiro fazer de manhã, mas pode ser à noite, antes de dormir. É que você sua um pouquinho, e não pode tomar banho depois, porque esse calor que gera no corpo, é aconselhável permanecer por um tempo, com ele. Já fiz muita musculação também. E aeróbico, spinning, transport que eu gosto bastante.

Você mora no Rio de Janeiro. Você diria que frequentar a praia também tem seus benefícios?

Agora que a novela começou eu tenho ido super pouco. Eu sou muito solar, muito do dia. Eu preciso desse contato com a natureza.

 

 

 
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