Entrevista Capa
Oscar Schmidt


Os melhores (e piores) momentos de uma vida inteira

Oscar não precisa ser ninguém além do quem realmente é.
É um cara grande, por dentro e por fora, que nunca se deslumbrou pela fama e cumpriu o seu papel de atleta na íntegra, como manda o figurino.
Seus 2,05 metros de altura e seu tênis com modestos 50 centímetros de comprimento são apenas representações do gigante que se formou ao longo dos seus 59 anos.
No entanto, outras características aparentes fazem dele muito mais do que o maior jogador de basquete do mundo. Oscar é vencedor, em todos os sentidos. A cicatriz na cabeça, de orelha a orelha, pouco aparente, é a prova da luta que travou contra o câncer, por duas vezes.
Ali, onde rolou a entrevista, na sala de troféus que mais parece o coração da casa em que mora há 20 anos em Alphaville, Oscar deixou de lado os clichês do basquete para falar de valores que não podem ser contabilizados.
Presentes, camisas, objetos pessoais, bolas (que hoje são meramente decorativas) e incontáveis prêmios se misturam à cesta de estimação, construída pelo seu pai, e ao capacete da radioterapia, que unida a sua fé inabalável, literalmente, salvou a sua vida.
Não é para menos. Até pelo Papa Francisco o cara foi abençoado durante a vinda do pontífice ao Brasil.
A carreira de palestrante, iniciada com uma reles apresentação no power point, feita por ele mesmo, quase não vai para a frente. Mas foi. E rendeu ao ex-atleta uma boa grana e alguns prêmios Top Of Mind que ficam em destaque na sala, mas que não são menos importantes do que as medalhas conquistadas na carreira de atleta. Corinthiano roxo, Oscar contabiliza seis livros escritos sobre ele, sendo que um foi uma autobiografia.
Patriarca de uma família na qual se derrete todo só de pensar, comemora 42 anos de casamento com Maria Cristina, com quem está desde molecote. Por ela, Oscar negou convites internacionais e, anos depois, encheu o nosso coração de orgulho com tantas conquistas pela Seleção Brasileira.
Aliás, vale contar aqui que ele contabilizou 49.737 pontos oficiais em quadra. E pode somar mais quatro aí, quando, recentemente, jogou 11 minutos no Jogo das Celebridades da NBA, em fevereiro deste ano.
A conversa rendeu. Até mesmo porque muita água rolou debaixo dessa ponte.
Do início da carreira ao ingresso no Hall da fama, da família perfeita ao sonho de ser presidente da república, o que o fez tentar o ingresso na carreira política. “A política é podre. Ainda bem que eu perdi a eleição”, revela.
Muito mais do que fazer uma entrevista, saímos de lá com uma gana enorme de encarar de frente as dificuldades da vida.
Mão Santa, Oscar Schmidt!
Valeu, cara. Em meio as centenas de medalhas, Oscar mostra orgulhoso os prêmios recebidos como palestrante. Foi indicado cinco vezes ao prêmio Top Of Mind.

Como foi este processo? Você acordou e resolver ser palestrante? 

Não foi assim como você está pensando (risos). Acabou o basquete para mim a carreira e eu não tinha preparado nada para isso. No fim da minha carreira algumas empresas já me convidavam para conversar com os funcionários. Resolvi arriscar. Entrei no power point e montei um esboço de palestra com uns 24 slides. Eu não sabia usar nada disso. No início foi um desastre e quase abandonei o barco porque eu morria de vergonha de falar em público. Mas optei por ir melhorando a cada dia. Teve um dia que acabei a palestra e fui ao banheiro; e ouço ouvi pessoas comentando que a minha história era muito interessante, mas não tinha conteúdo. Eu entendi aquela mensagem. O conteúdo é a forma de fazer as pessoas se identificarem com aquela história. Contratei um gênio deste maiomeio, o João Cordeiro, e montamos três palestras diferentes com a mesma história. Eu só tenho uma história. Não posso inventar. O meu mundo decolou e vivo disso hoje. Se eu soubesse eu não tinha jogado basquete (risos).

Você só atende empresa fera, certo? Google, Coca Cola. Você que vai até estas empresas ou elas que te procuram?
Não. Atendo qualquer uma empresa que pague o meu preço. As empresas que me procuram. Já fiz palestra com oito mil pessoas, que foi a minha primeira palestra. Foi na Amway, que era patrocinadora do time que eu jogava, o Corinthians. Falei durante uns 15 minutos e quando eu percebi eestava o lugar inteiro gritando: “Vamos ser campeão”.

Você sempre teve este tino para a comunicação?
Fazer palestra é muito diferente de tudo. Você precisa ter algo organizado que atenda as pessoas que estão ali te assistindo. Não é simples fazer. Imagine subir num palco com mais de mil pessoas olhando para você. O conteúdo é sempre a minha carreira, mas contada de formas bastante agradáveis.



Como está o seu ritmo de vida profissional
Intenso. Hoje eu tenho mais compromissos do que quando eu jogava. Viajo muito.

Você já foi candidato a senador.
Hoje deve dar Graças a Deus de não ter entrado para a vida política.
Eu queria ser presidente da república. Fiquei 13 anos na Itália pensando em como ser presidente do Brasil. Mas a política é podre. Ainda bem que eu perdi a eleição. Joguei cinco anos de basquete ainda depois desta eleição. O único cara que me deu chance, na época, foi o (mer...) do Maluf. Fui candidato numa coligação com seis partidos e tive mais votos que o próprio Maluf. Tive a quinta votação da história; quase seis milhões de votos. E pensar que todo este povo saiu de casa para votar em mim. Me arrependo de ter sido candidato, mas tenho um orgulho danado de ter tido todos esses votos. Vocês não sabem a quantidade de propostas que recusei na eleição sucessiva. Muito dinheiro. Este jogo eu não quis jogar.

Você sempre teve este tino para a comunicação?
Fazer palestra é muito diferente de tudo. Você precisa ter algo organizado que atenda as pessoas que estão ali te assistindo. Não é simples fazer. Imagine subir num palco com mais de mil pessoas olhando para você. O conteúdo é sempre a minha carreira, mas contada de formas bastante agradáveis.

Você contabilizou 49.737 pontos no basquete, certo? Foram 32 anos do esporte. Uma vida, né?! Como começou esta paixão?
Opa! Coloque na conta Mmais quatro pontos oficiais que fiz recentemente. Bom, primeiro que eu não gostava de basquete. Na minha família todo mundo jogou vôlei e eu gostava de futebol, como todo bom brasileiro; aí, em Brasília, o meu professor de educação física falou para mim que era técnico de basquete da vizinhança falou para mim. “Você podia ir lá”;, ele , que não era bobo nem nada. , disse. Eu era alto pra caramba e tinha 13 anos. Bom, eu fui! Ele dava uns exercícios estranhos e, na época, difíceis para mim. “Comece certo que um dia você vai fazer muitas cestas”, falou Laurindo Miura, meu treinador na época. Eu me apaixonei pelo basquete, e veio o sonho de jogar na seleção brasileira e isso aconteceu rápido. Com 15 anos eu estava jogando na seleção juvenil e com 16 anos joguei duas partidas na seleção adulta.

Nossa, mas foi muito rápido. Em apenas dois anos você estava na seleção.
Sim! Vocês estão falando com um cara que treinou muito. E que teve incentivo dos pais. Aí eu vim jogar no Palmeiras e foi um sacrifício fazer a minha mãe deixar eu vir sozinho, aos 16 anos, morar numa república.

Fale um pouco dos seus pais em meio a este processo.
Meu pai era militar, filho de alemão. A educação, em casa, foi “braba”. Imagine só se o meu pai soubesse que eu não estava recebendo dinheiro? Fiquei seis meses sem receber e se eu falasse contasse isso a ele a, minha carreira iria acabar. Ele viria me buscar. Apesar de ganhar pouco um meu pai sempre me colocou em boas escolas particulares. Ele fFez muito sacrifício pela gente.

Nessa época não te despertou o desejo de jogar fora do Brasil, o que é muito comum com jovens atletas nesta idade.
Despertou, lógico. O Michigan State, equipe do Magic Johnson, veio jogar no Brasil. O cara ficou doido comigo e me ofereceu dinheiro. Eu não quis sabe por que? Porque eu já tinha o amor da minha vida, que era a minha namorada. Ou eu iria com ela ou eu não iria. Estamos há 42 anos juntos. Somos uma dupla infernal. Maria Cristina merece o dobro do sucesso que a vida me proporcionou, pois fez muitos sacrifícios por mim. Quando eu fui para a Itália, era final de setembro. Ela estava no quinto ano de psicologia. Eu pedi para que ficasse ficar e terminasse a faculdade. Ela não se formou e foi comigo. Não era só uma ajuda moral. Era efetiva. Ela passava bola para mim nos treinos. Participou de tudo.

As suas camisas serem número 14 tem a ver com a Maria Cristina?
Sim. Começamos a namorar no dia 14 de janeiro.

Você também recusou a NBA, certo?
Sim. Porque era proibido jogar na NBA e na Seleção Brasileira, nas Olimpíadas. Me drafitaram em 1984, ou seja, eles me queriam muito. Fui lá, treinei uma semana, fiz cinco jogos com o New Jersey Nets e os caras ficaram loucos ao me verem em quadra. Não aceitei porque a minha prioridade era a Seleção Brasileira. Três anos depois nós mudamos as regras do basquete; ganhamos o Panamericano nos Estados Unidos.

E o basquete de hoje? O que você acha dele?
Hoje, graças a minha geração, todos os países têm jogadores na NBA. No Brasil, como jogador, destaco o Anderson Varejão. Acho que muitos atletas não sabem ganhar. Tem coisas que o técnico não precisa dizer para você. É sua obrigação saber. Já o torcedor de hoje está mal-acostumado. Todas as informações chegam até ele. Quando eu jogava na Itália, ninguém sabia que eu estava lá. Aliás, muita gente não sabe até hoje. Foram meus melhores anos na Europa. Fique 13 anos jogando lá.

Já que estamos falando da velocidade da informação, conte pra gente. Você é internauta?
Sou avesso a mídia social. Para ser bem sincero, acho uma porcaria.

E mesmo assim você continua em alta na mídia.
Conte sobre o Hall da Fama.
O Hall da Fama dos Estados Unidos é a premiação mais importante que existe no basquete. Não existe nada maior do que isso. Nenhum prêmio chega aos pés do hall da fama. É sonho de qualquer jogador de basquete. Para você entrar, precisa ter parado de jogar há cinco anos. E já faziam dez anos que eu tinha parado de jogar. Um dia, estou nos Estados Unidos e toca o telefone. Era o comunicado de que eu havia entrado no Hall da Fama. Parei o carro para não bater de tanta emoção. Entrei por unanimidade.

E você estava no meio do tratamento do câncer? Ou já estava curado.
Neste mesmo ano eu tive o segundo tumor. Aliás, tragédia vende. Nunca tinha visto tantos jornalistas numa coletiva de imprensa. Lotou de jornalista do lado de fora da minha casa. Fiz uma coletiva e esclareci. Eu tinha acabado de operar e vasou a informação.

Você está curado?
Meu médico, Doutor Olavo, me chamou e disse que minha ressonância nunca esteve tão boa. Mas não foi somente o meu Deus, que é o meu médico, que me curou. Faço quimioterapia cinco dias por mês. Fiz radioterapia por um mês seguido. Está vendo isso aqui? (Ele mostra o capacete da radioterapia). O primeiro tumor era grau dois e tinha oito centímetros; o segundo era menor, mas era maligno. O tumor, quando volta, volta perverso.
Então, eu já abri e cabeça duas vezes, de orelha a orelha.

O que mais você faz pela sua saúde?
Fiz um tratamento na qual eles tiram meu sangue, trabalham ele e devolvem-no na minha espinha. Sem anestesia. Quando você está doente não sente dor. Fui em centros espíritas, fui no João de Deus. Eu faço tudo o que é necessário para não me arrepender, mas com o meu médico a par de tudo. Sou católico e rezo todos os dias. Gosto de ir em igrejas vazias, fora do horário da missa. É a melhor forma de se conectar com o Homem lá em cima.

E você fala disso na palestra?
Muito rapidamente. Quando eu falo disso as pessoas ficam tristes. Eu tenho que falar porque fez parte da minha história. Aliás, neste momento, estou fazendo mais uma reciclagem com a minha palestra. Mudamos o visual dela e mudamos de lugar algumas histórias. Coloquei no final da palestra uma história linda, que vocês ainda não conhecem.


E quando está de folga? O que curte fazer?
Gosto de ficar em casa e assistir documentários, pelo menos aprendo alguma coisa assistindo televisão. Adoro ir ao cinema. Vou, pelo menos, uma vez por semana, quando dá, com minha esposa e meus filhos, quando estão por aqui. Nossa programação é muito simples, de comuns mortais. Acordo, vou à padaria, enfim...

Está há quanto tempo aqui em Alphaville?
Estou nesta casa há 20 anos.

Você tem esperança de ver algum jogador bater o seu recorde?
Lógico. Sem dúvida nenhuma.
Para fazer isso não pense que é fácil. São muitos anos jogando bem. Porque, até agora, ninguém treinou o que eu treinei. Anos e anos a mesma coisa.
Todo dia e a vida toda.

Fale da sua relação com seus filhos.
Tenho dois filhos lindos. Tudo o que você pede à Deus para ter, eu tenho. Sabe, não faltou nada para eu fazer nesta vida. Talvez ganhar uma coisa ou outra. O resumo é muito positivo... mais do que sonhei.

Qual o seu papel para o esporte brasileiro?
O meu papel é simples. Quem fala mal de mim, vai continuar falando. Não vou mudar uma vírgula por causa dos outros. Faço tudo de acordo com a minha cabeça. Falei “não” para a NBA, quer algo melhor do que essa? Ou pior do que essa? Vou aonde eu decidir. O que eu fazia pouco antigamente, hoje eu faço muito. Durante a carreira você fica pensando muito no depois. Você não faz o que deveria realmente fazer. Hoje, eu viajo muito. Estou indo para os Estados Unidos para ficar um mês. Isso é qualidade de vida. Preciso desfrutar disso. Caixão não tem cofre. Não levamos nada dessa vida conosco. Passei a pensar assim depois da doença. Antes eu só pensava em investir, em comprar bens. Até pela questão da responsabilidade também. Eu não sabia como ia ser depois que parasse de jogar.
Hoje eu ganho mais dinheiro com palestra do que jogando basquete.
Olhe que coisa de louco isso.


 
MÔNICA MARTELLI Expert no vírus do amor

 

A apresentadora do programa “Saia Justa” abre o jogo sobre como se reinventou no amor, após dura desilusão amorosa.

Por Michele Marreira

Ela se desdobra. Dona de uma agenda disputadíssima graças ao estrondoso sucesso profissional, missão (quase) impossível é encontrar espaço para uma entrevista na correria cotidiana de Mônica Martelli. Mas conseguimos!
Sendo ela gente como a gente, dispensa o rótulo de celebridade e com uma simpatia ímpar, faz questão de atender nossa reportagem por telefone e conversar sem papas na língua sobre diversos temas, dentre eles, relacionamento. E olha que de dor no amor essa fluminense porreta entende, apesar de continuar acreditando piamente nas relações amorosas.

Nascida em Macaé, região dos Lagos, no interior do Estado do Rio, Mônica morou por um período nos Estados Unidos e, ao retornar para o Brasil, decidiu estudar jornalismo. Na faculdade, iniciou um curso de teatro, sendo logo fisgada pelo universo das artes. Resolveu investir na carreira artística ao se profissionalizar na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), renomada instituição responsável por formar inúmeros talentos da dramaturgia.

Aos 21 anos, já encenava o espetáculo “Torturas do Coração” do autor Ariano Suassuna. O tempo passou e a gana pelo ofício só aumentava. No ano de 1995, teve o privilégio de trabalhar com um dos mais reverenciados mestres do humor brasileiro: Chico Anysio, na Rede Globo. Ainda na emissora participou de outras produções e novelas como Por Amor, O clone, Pé na Jaca, Beleza Pura e Tititi.

Se atentou à veia cômica que carregava em seu DNA artístico e sua ascensão profissional aconteceria através de um fato pessoal: seu divórcio.

Após passar por um emaranhado de emoções ao se separar do ex-marido, a mãe de Júlia fez de sua dor uma maneira de se reinventar como mulher e artista. Elaborou o roteiro de uma peça teatral chamada “Os Homens São de Marte E É Pra Lá que Eu Vou” e comemora 12 anos à frente da obra. Despretensiosamente, abriu o livro de sua vida amorosa encarnando Fernanda, personagem que descobria o amor e, consequentemente, seus desdobramentos. No início, o espaço escolhido foi um teatro com capacidade para cem pessoas. O projeto se transformou em verdadeiro fenômeno nacional levando o público esgotar os ingressos por onde a atriz passava. Além de excursionar o país, teve a chance de se apresentar em Portugal. Ao surgir diversos convites para fazer cinema, veio mais uma brilhante ideia à cabeça: e por que não levar a história de sua mais famosa invenção às telonas do Brasil? E assim, em 2014, foi lançado o longa metragem “Os Homens São de Marte...”, superando a marca de mais de dois milhões de expectadores. Pensa que parou por aí? A magnitude de sua criação chegou à telinha, indo para a quarta temporada da série exibida no GNT. No mesmo canal, Martelli comemora quatro anos na função de apresentadora do programa “Saia Justa”, atração que comanda ao lado de Astrid Fontenelle, Pitty e Taís Araújo. “Participar semanalmente ao lado de mulheres diferentes e inteligentes é uma experiência incrível”, ressalta. Neste bate-papo descontraído, Mônica conta detalhes de seu mais novo projeto teatral “Minha Vida em Marte” e aproveita para compartilhar com a gente o diário de sua vida livre, leve e solta.

Revista Tudo: Qual balanço você faz dos quatro anos à frente do programa “Saia Justa”?
Mônica Martelli:
Me colocou em outro patamar. Eu tenho acesso a informações, me interesso por assuntos e livros que, se eu não estivesse no programa, não leria. Por conta dos debates, isso tudo me coloca em contato com muita coisa interessante. Ampliou meu horizonte.

Como tem sido dividir a atração com as demais apresentadoras, Astrid Fontinelle, Pitty e Taís Araújo? De que forma cada uma contribui com seu perfil, profissão e olhar distinto? É ótimo. Participar semanalmente de uma atração ao lado de mulheres diferentes e inteligentes é uma experiência incrível. Ouvir o ponto de vista delas é interessante. O segredo do “Saia Justa” é que nós quatro, tanto da antiga quanto da atual formação, nos admiramos e nos respeitamos, e isso faz com que o sofá seja sempre instigante. O grande desafio é conseguir lidar com o diferente. Hoje em dia, as pessoas estão se fechando cada vez mais em grupos parecidos consigo. Mesmo quando nós quatro discordamos de algo, é positivo, porque ali é a oportunidade pública de fazermos isso.

Fale um pouco desse projeto vitorioso que é “Os Homens São de Marte E É Pra Lá Que Eu Vou”. Começou como espetáculo teatral, se transformou em filme e há três anos é uma série exibida no GNT.
Realmente foi a grande virada da minha vida, que é contada antes e depois desse projeto. Eu comecei apresentando a peça “Os Homens São de Marte...” em um teatro pequeno no Rio de Janeiro e virou um fenômeno. Fiquei dois anos em cartaz em São Paulo, viajei o país inteiro, fui encená-la em Portugal! Depois virou filme atingindo a marca de mais de dois milhões de expectadores, e estou na quarta temporada da série no canal GNT.

Quando o assunto é relacionamento amoroso você é uma referência para muitas mulheres. De que maneira recebe esse retorno do público feminino e como se sente podendo ajudá-las por meio da arte?

Quando a gente casa, não desejamos que termine. Eu sou divorciada do pai da minha filha e admito: foi uma dor muito grande. A separação não é só dos corpos, e sim dos sonhos que você idealizou com aquela pessoa; vai tudo embora e acaba. São muitas perdas. O sucesso da peça, tanto a primeira quanto a segunda, é a identificação do público com a verdade. Eu saio de cena e as pessoas me perguntam como eu sei da vida delas (risos).

Conte-nos tudo sobre seu novo espetáculo, “Minha Vida em Marte”. Sua personagem, Fernanda, agora é mãe de uma menina de cinco anos.
Na peça “Os Homens São de Marte...”, Fernanda era uma mulher em busca do amor. Nas três temporadas da série de TV, ela estava casada. Nessa nova peça, “Minha Vida em Marte”, esta mulher está em cena lutando para salvar o casamento. Porém, ela não “empurra” casamento só para dizer que tem uma família feliz. Isso é um diferencial dela. A história do espetáculo se passa em uma terapia de grupo, abordando todas as questões do tema: tentando voltar à libido que não é mais a mesma, se esforçando para ter mais paciência no dia a dia, a tentativa de viajar para melhorar a relação. E ano que vem, 2018, farei o longa metragem “Minha Vida em Marte” com direção da Susana Garcia. As histórias contadas são todas minhas. Experiências de sentimentos, ilusões, desilusões, medos e angústias. Questionamentos em cena de momentos que eu passei: medo de ficar solteira aos 45 anos, receio de separar, a dor da solidão, a alegria de encontrar um novo amor.

Sua agenda profissional ocupa boa parte do seu tempo. É um desafio conciliar carreira com a vida familiar, acompanhando o crescimento da sua filha, Júlia, de sete anos?
Eu tento administrar meu tempo da melhor forma possível. Eu sou toda programada: às segundas levo e busco minha filha na escola. Às terças eu a levo no balé, coloco para dormir e realizo reunião com os roteiristas para o meu próximo filme. Às quartas eu viajo à São Paulo para apresentar o programa “Saia Justa”. Quinta-feira é o dia que apresento um programa de rádio e sextas, sábados e domingos estou em cartaz com meu espetáculo. E fora outros trabalhos de entrevistas, fotos e namorado novo (risos)! Minha sorte é que ele mora longe, em São Paulo.

Você segue uma alimentação balanceada? E qual exercício físico pratica para manter a resistência física no palco e o corpo em dia?
Eu faço musculação por meia hora, duas vezes na semana. A genética me ajuda, é claro, mas não abro mão de ter uma alimentação saudável. Eu sempre fui magra. Mas não deixo de comer meus doces ou beber uma taça de vinho.

Quando o assunto é moda quais peças não faltam em seu closet na hora de montar um look?
Não falta em meu closet calça jeans, um bom blazer preto, camisetas de malha, camisas de tecido, casacos de couro, botas e tênis. Sou básica. Essa sou eu no dia a dia. Se eu tiver um evento mais elaborado, evidente que o look muda.

Conhece a região da Granja Viana ou Alphaville, onde a revista é distribuída em São Paulo? Qual sua relação com esses bairros e a capital paulista?
Eu já fiz peça em Alphaville, que é um bairro super charmoso. Eu amo São Paulo e tudo que a cidade oferece: restaurantes, cinemas, teatros... sou apaixonada. É interessante a maneira como as pessoas trabalham. É um lugar com uma diversidade enorme, de todas as tribos. Minha família é do Rio de Janeiro, onde eu resido. Lá temos uma qualidade de vida muito boa. Eu moro na beira da praia, dou um mergulho quase todos os dias. Mas quem me conhece sabe da minha relação de amor com a terra da garoa.

 
Viva la Revolución!


A história do Brasil nos permitindo vermos o Daniel todos os dias nas telinhas

Nem com o papel casca grossa que está interpretando na supersérie Meus Dias Eram Assim, na Rede Globo, a gente consegue ficar com uma raiva infinita de Daniel de Oliveira.
Os fãs já adiantam: “Calma gente, é só dramaturgia”. Até mesmo porque quem conhece esse cara a fundo, sabe que de bandidinho metido a conservador ele não tem nada; é mesmo um mocinho fofo sem qualquer semelhança com o personagem Victor, um direitista a favor da repressão durante a Ditadura Militar. “Temos sempre que olhar para esse período e tomar muito cuidado para não repetir, porque a história é cíclica. Apesar dos pesares, a democracia até agora é o melhor sistema”, diz Daniel que, apesar de ter ficado famoso por meio das novelas, teve sua aterrisagem triunfal para o sucesso com o filme Cazuza – O Tempo Não Para, onde interpretou fielmente o ídolo do rock brasileiro. Após o sucesso da cinebiografia do roqueiro, Daniel conquistou seu primeiro protagonista na novela "Cabocla", onde contracenava com Vanessa Giácomo, sua ex-esposa, de quem é amigo.

Completando 40 anos nesse mês de junho, ele relembra que foi na adolescência a tomada de decisão para a vida de ator, apesar do ponta pé de peso ter sido em 1988, na novela Brida, da extinta Rede Manchete.
Maduro, hoje afirma, sem delongas, dar preferência ao cinema e aos seriados. “Foi justamente aí que encontrei liberdade de dialogar”, explica à equipe da Tudo enquanto exibe os olhos azuis, fixados perfeitamente no rostinho de galã.
Parece pintura.
No cinema, três filmes devem estrear em breve: “Dez Segundos”, “Aos Teus Olhos” e “Morto Não Fala”. “São três filmes com pegadas diferentes”, comemora.
Geminiano, mineiro, torcedor fanático do galo, dublador de primeira – é dele a voz do personagem principal da animação da Disney, "O Galinho Chicken Little" – pai de três garotões e maridão de Sophie Charlotte, com quem contracena na supersérie, Daniel é mesmo o namoradinho do Brasil e querido por todos nós. 
Olhem que legal!
Aos sete anos, Daniel Oliveira mudou-se com a família para o Iraque, já que seu pai, empreiteiro, viajava o mundo em função do trabalho. 
Que susto!
O famoso acidente com um avião da TAM, em 2007, que fazia o trajeto entre Porto Alegre e São Paulo, chegou a assustar parentes do ator, já que ele estava viajando neste mesmo dia, com mesmo destino e origem. No entanto, o famoso escapou da tragédia ao optar por uma outra companhia aérea.
Ufa!

Em “Os Dias Eram Assim”, você interpreta um personagem de caráter duvidoso. Como é para você viver personagens com essa característica? Quais são os desafios?
Todos os personagens vêm com desafios. Você tem que fazer o que está escrito e isso já é um desafio, porque a composição do personagem, às vezes é mais lenta ou mais rápida. Você vai descobrindo aos poucos essa personalidade. Cada ator descobre o seu universo, e juntos organizamos tudo isso. Eu estou curtindo muito fazer o Victor. Ele tem um negócio meio pedante, com aquele cabelinho do lado. Sempre emperiquitado. Ele é obcecado pelo dinheiro, e pelo amor da Alice (Sophie Charlotte), que ele nunca vai ter, mas é também ambicioso e tem a questão a posição social. Ele quer galgar uma posição, que ainda não está. Tem uma certa agressividade, que até passa do ponto, mas depois reconhece e sabe que avançou o sinal. Ele tem uma medida, mas isso não justifica.

Para o ator é mais gostoso trabalhar esse tipo de personalidade, seja na televisão ou no cinema?
Eu fiz outros personagens também que estavam do outro lado da moeda, como o Stuart, em “Zuzu Angel” (2006), e o Frei Beto (Batismo de Sangue, 2007). E agora estou do lado corporativo, de terno e gravata, concordando com a ditadura. Temos sempre que olhar para esse período, e tomar muito cuidado para não repetir, porque a história é cíclica. Apesar dos pesares, a democracia, até agora, é o melhor sistema. Vemos exemplos vizinhos, como a Venezuela, que está passando por um momento terrível. O Nicolás Maduro (Presidente) que já está até podre, mas não larga o osso de jeito nenhum. Esse lance de ser o lado obscuro da força me atrai muito, porque você fala algumas coisas que não falaria no seu dia a dia. Graças a Deus eu sou um cara muito positivo, mas o personagem me dá a liberdade de expressar essa outra coisa, esse sentimento ruim, que ainda bem que eu não tenho.

Falar e estudar a história do Brasil é um assunto que sempre te interessou?
Isso sempre! Até mesmo quando eu fiz outros personagens, aprendi sobre o início do Comando Vermelho, (400 Contra 1 – Uma História do Crime Organizado, 2010), a mistura entre presos políticos e comuns, que gerou uma facção criminosa. É sempre bom aprender com os personagens. A produção deixou alguns livros para gente, e eu acabei de ler o “Tropicália” (1997) do Antônio Callado. É fascinante observar como o movimento se iniciou. É um período muito conturbado, mas interessante, e virou história porque na época imagino que deveria ser um “pega pra capar”. Deveria ser horroroso conviver num país, onde a ditadura estava predominando. As ideias estavam sendo cerceadas. Estudantes e manifestantes eram presos. O Victor é de direta, a favor da repressão. Não vê mal nenhum. Dá até para refletir nos dias de hoje. Nós temos que ficar espertos com o que passamos na história, para não repetir. Quem for atrás vai saber muito mais coisa.

Você tem se dedicado bastante ao cinema, e feito muito mais séries do que novelas. Essa é uma liberdade de escolha que você tem dentro da emissora?
Eu tenho feito muitos trabalhos no cinema sim, mas a televisão vem de uma forma bonita também. Eu faço trabalho por obra. Foi justamente aí que encontrei liberdade de dialogar melhor com a casa (Globo). Faço outros trabalhos, e tenho outros caminhos que quero, que desejo. E “Os Dias Eram Assim”, é muito interessante. Achei que seria uma boa história para ser contada. O que me atraiu nesse personagem é o fato de poder trabalhar com o Carlinhos Araújo (Diretor Artístico), com quem eu fiz “Um Só Coração” (2004), com a Suzana Vieira, Valter Carvalho. E agora poder trabalhar com a Sophie é ótimo porque dá para tirarmos férias juntos (risos).

Você comentou sobre trabalhar ao lado da Suzana, e tem também o Antônio Calloni, com quem você contracena bastante. Como é essa interação entre os atores?
Está sendo sensacional. A Suzana é muito divertida, uma gata, uma parceira de cena, e a gente troca muito. Dou muita risada, porque ela tem um senso de humor muito bom. Com o Calloni é a mesma sensação, e não só pessoalmente, mas profissionalmente. Ele é um grande ator.

Você tem feito cada vez mais séries. Como tem sido a sua rotina de trabalho?
Não tem diferença. Eu vou fazendo aquele personagem, independente do tempo que dure. Se são 88 capítulos, eu enxergo como um trabalho de 88 capítulos. Você trabalha o personagem daquela forma que você não sabe o que vai acontecer com ele. O ritmo de gravação é igual. Às vezes, vem muitas cenas de uma vez, ou menos.

Você comentou um pouco sobre a rotina, mas como tem sido com a chegada do pequeno Otto?
Ele nunca deu trabalho. É um menino bom demais, muito calmo. É um menino “bão”. É isso.

Você sabe quantas novelas você tem no currículo?
Eu não faço ideia; vou fazendo as paradas e não vou contando não. Eu tenho alguns anos de carreira; se for olhar, desde os meus 14 anos de idade. Tem um tempo, uma estrada.

Além dessa série, quais são os projetos que você pretende desenvolver ao longo desse ano?
Eu tenho a história de Éder Jofre, um filme chamado “Dez Segundos”. Esse deve ser lançado em 2018. Eu faço o lutador de boxe. Tem também “Aos Teus Olhos”, da Carolina Jabor, que já está pronto, e deve ser lançado esse ano. E “Morto Não Fala”, do Dennison Ramalho, com produção da “Casa Cinema”, do Jorge Furtado. Esse também deve estrear esse ano. São três filmes com pegadas diferentes. Da Carolina, eu faço um professor de natação chamado Rubens e a história se passa em um único dia. Ele dá aulas para crianças pequenas, e uma mãe reclama que ele deu um beijo no filho dela. A partir daí, cria-se uma polêmica, e tem as redes sociais. Você já deve ter ouvido falar no filme “A Caça” (2012), que em um único dia já se tem uma repercussão. E você não sabe se ele é culpado ou não. Fala sobre pedofilia, é um filme bastante rico, conceitualmente interessante. No filme do Dennison, eu faço um assistente de necropsia, em que eu converso com os mortos. É muito interessante também, porque o diretor é muito bom em terror, ele manda muito bem nesse tipo de gênero no Brasil. Foi muito massa! Rodei no ano passado.

Você também tem se dedicado a carreira musical. Como está o andamento desse projeto?
Estou fazendo um disco com um camarada chamado Bid, ele era da Banda Tokyo, e desde os 17 anos, faz música. É um cara extremamente importante na música atual. Ele faz trilha sonora para o cinema também, e numa dessas eu conheci o trabalho dele, e pedi para produzir o meu disco. Os anos foram passando, e eu continuei tocando a minha carreira em outras áreas, e pretendo lançar um disco que se chama “Cine-Música Particular”. Esse nome é justamente porque vou trabalhar com performance, e fiz em processos cinematográficos, durante as filmagens. Às vezes, eu pegava o violão e escrevia uma letra.

E você já sabe quando será lançado?
Ainda não tenho data, mas quero que seja esse ano, e gostaria de fazer o primeiro show em Manaus, porque foi lá que surgiu um personagem que eu interpretei, chamado Homem Lama, que estampa a capa do álbum. É um personagem que eu criei durante uma viagem na cidade, junto com o Matheus Nachtergaele.

 
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