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A preparação para o que vem a seguir

Este é um dilema vivido por todo (ou quase todo) aluno que está finalizando a etapa escolar. É um momento cheio de dúvidas, desde a escolha da profissão até a forma como deve se preparar para o que vem por aí. Muitas vezes ele não sabe nem o que quer construir para o seu futuro. Aflito, este aluno acredita que tem que acertar de primeira e tem um curto período de tempo para descobrir o que quer fazer, se preparar para conseguir ingressar na profissão e ainda conseguir ter sucesso profissional. Há também o aluno que sabe o que quer, mas não sabe como chegar ao seu objetivo. Nesta matéria especial do caderno educação, conversamos com três especialistas em assuntos relacionados aos rumos deste estudante angustiado, desde a escolha, o preparo e a inserção do mercado de trabalho, antes mesmo de cursar uma universidade.

A orientadora do Colégio Rio Branco, Maria Eugênia Rossetti explica que no nono ano do fundamental começa essa fase da angústia com  escolha da profissão: “Eles pensam que a escolha é para a vida toda. Isso gera muita ansiedade.” O Coordenador pedagógico do Mario Schenberg e professor do Colégio Anglo Da Vinci, Marco Antonio Xavier, comenta que o aluno precisa ter formação de base, ter conteúdo e também aprender a pensar, para ter um bom resultado no ENEM. Ele explica que o exame nacional diminui as diferenças entre alunos da rede pública e particular. E falando em alunos da rede pública, conversamos também com a diretora do CEPRO (Centro de Estudos Profissionalizantes), Suzana Penteado. Ela está à frente de um trabalho que dá oportunidade de ensino profissionalizante aos estudantes da rede pública com perspectiva de inserção no mercado de trabalho.

 

 
“Nossa, ele fazia tão bem os números!”

Como se dá a relação da criança com o conhecimento – o que  é imposto não permanece!

Por Adriana Rodrigues Xavier


Certo dia, há alguns anos atrás, uma mãe me procurou na Escola e desabafou comigo sobre o filho de 4 anos:

“Nossa, ele fazia tão bem os números na escola em que estava e agora não o vejo mais fazê-los tão bem!”

Essa observação me trouxe uma enorme reflexão sobre o processo de apropriação dos saberes e sobre o significado desses conhecimentos para o desenvolvimento e para a vida de cada um. Eu me lembrei de quando o nosso querido Rubem Alves falava que a memória é como um escorredor de macarrão. Ela deixa ir embora tudo o que é desnecessário, assim como a água que restou do cozimento da massa. Assim é a nossa mente à mercê dos conhecimentos e das aprendizagens.

Conversando melhor com essa mãe e percebendo o movimento de seu filho na nova escola, duas coisas ficaram claras. A primeira, é que, com apenas uma ou duas semanas de aula, em meio às primeiras tarefas propostas, o menino tinha outros investimentos a fazer, tais como, no aspecto social (fazer amigos) e no afetivo (formar vínculos com a professora, com o espaço, pertencer ao lugar). Logo, “fazer bem os números” não era a sua prioridade, tampouco era a cobrança feita pela nova professora, que, muito adequada, sabia das necessidades emergentes do seu novo aluno.


 
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