Educação
Férias....tempo de reavivar saberes

Por Adriana Rodrigues Xavier

Praia, sol, piscina, passeios e muita diversão...Geralmente quando pensamos no mês de janeiro, é isso que passa pela nossa cabeça!

Depois de um ano cheio de horários rígidos, dentro de uma rotina repleta de compromissos, tais como escola, natação, inglês, etc. a criança vai aproveitar as suas férias! Os pais geralmente acompanham esse período ou pelo menos boa parte dele, quando conseguem ajustar o tempo de férias de seus trabalhos aos de seus filhos. Assim, sob os olhos atentos de sua família, a criança passa mais de um mês imersa em um dia a dia bem diferente daquele vivido até mais ou menos meados de dezembro. Muitas vezes há alterações na rotina do sono, alimentação, mas o principal de tudo, o ponto em que quero chegar, é em relação à aprendizagem!

Sim, isso mesmo, a escola está em recesso, não há tarefas, mas também é hora de aprender, de crescer!

Ao longo do ano a criança esteve absorvida em um ambiente de emissão de conhecimentos, frequentes convites à participar, responder, repetir, transformar.  Dentro de cada proposta, um verdadeiro mar de ações a serem interpretadas pela criança: cantar, dançar, desenhar, pintar, falar, recortar, colar, correr, pular...Todos os dias, em um ritmo extremamente ativo e geralmente a partir do comando de um adulto, a criança faz tudo isso e muito mais!

Nas férias tudo se acalma e é assim que deve ser, pois é desta forma que a criança pode ter a oportunidade de desenvolver algo essencial à consolidação de todo o processo tão intenso vivido: ACOMODAR!

Sim, é preciso mudar o ritmo e os canais de estímulo para que tudo faça sentido, se acomode!

É preciso haver o ócio para o processo de aprendizagem se concluir por completo. Tudo aquilo que a criança fez, ouviu, falou, pintou e bordou durante o ano, se de fato pertenceu a ela, vai se acomodar com calma, suavemente enquanto ela faz o castelinho diante do mar ou enquanto brinca na casa do vizinho, ou ainda enquanto ela está comendo o pratinho de comida sossegada ou tomando a mamadeira na casa da vovó, ou até quando está assistindo o DVD preferido de pijama no sofá! É isso mesmo, em meio a essa rotina mais branda, milhões de associações estão sendo feitas, nossa criança está crescendo!

Além disso, nas férias temos mais tempo de fazer coisas diferentes e ir a lugares que ampliam muito o repertório cultural das crianças, como museus, teatros, viagens... Nas férias também podemos encontrar, conhecer ou rever amigos diferentes que nos ensinam ou nos dão a chance de acessar quem somos e o que sabemos, pois afinal de contas, como diz uma de minhas inspirações, o psicólogo russo Vygotsky: “Nós nos tornamos nós mesmos através dos outros!” Assim trocamos, reciclamos, ressignificamos nossas vivências e experiências.

Então, daqui há pouco a faixa de volta às aulas aparece novamente em frente às lojas e vamos nos preparar para voltar para a Escola, bem maiores, inteiros, empolgados, sentindo o cheiro do estojo novo de lápis de cor, ávidos por recomeçar, com os pés bem firmados no chão e a cuca bem fresquinha!

Aproveitem e desde já, desejo boa volta a todos! E já que estamos em férias, deixo uma interessante dica de passeio!


Aquário de são Paulo

Rua Huet Bacelar 407 – Ipiranga

www.aquariodesaopaulo.com.br

Fonte:

Adriana Rodrigues Xavier é pedagoga, psicopedagoga e diretora pedagógica da Escola da Carol

coordenaçã Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 
À criança o direito a esperança

Por Adriana Rodrigues Xavier

 Crise, crise...governo corrupto, impeachment, inflação, violência, refugiados, arrastão no Rio de Janeiro etc.

Todos os dias, pela mídia em geral, nas redes sociais e até à mesa da família, na hora do café ou de outras refeições, os adultos estão conversando sobre os problemas que o mundo, ou mais especificamente o Brasil, está enfrentando atualmente. Independente da faixa etária, os pequenos já estão inseridos nessa escuta pela boca de seus responsáveis ou através do Jornal exibido pela televisão todos os dias.

É claro que desde que o mundo é mundo sempre houve problemas, más notícias, e nos tempos de hoje não é diferente, porém o que tenho percebido como educadora é o surgimento de uma atmosfera de desespero, de depressão, de falta de perspectiva e isso pode, e na minha opinião já está, afetando as crianças!

As crianças são seres dotados de senso de justiça e moral desde a mais tenra idade e ao longo do seu desenvolvimento, vão reunindo recursos para lidar com as mais diferentes situações que se apresentam na vida. Sendo assim, os pequenos começam a apresentar suas hipóteses para os acontecimentos, suas ideias...

Essas ideias nascem a partir da elaboração construída na brincadeira, na fantasia, mas suas raízes estão na leitura e na escuta da realidade que está em volta da criança. Certo. É assim que funciona para tudo quando se é criança, portanto se a imersão nesse ambiente inóspito, sem esperança , onde tudo está perdendo seu valor, sua beleza, for densa, frequente, que experiência a infância levará? O que e como a criança irá elaborar? Com quais recursos?

É preciso ao menos garantir o genuíno lugar do bem e do mal, se há problemas e se alguém for mal, o bem e o bom deverão triunfar. Esse é o universo infantil! É um lugar onde sempre há uma solução para tudo. Não estou dizendo que na infância não haja problemas, conflitos, tristezas, dor...sim...há! Entretanto, estamos falando sobre as respostas e as resoluções dessas questões para as crianças...

 

A bruxa fez maldade então vai cair do penhasco...

O ladrão roubou, mas a polícia vai pegar...

Está doendo, mas vai sarar...

O meu cachorrinho morreu, mas vai virar estrelinha...

É preciso sim preservar esse universo cheio de coerências lindas, poéticas, intensas, tão verdadeiras e possíveis para nossos pequenos!

E nós, adultos, precisamos ser os guardiões desse universo e para isso também temos que nos nutrir de esperança, de bons valores...Temos que nos cercar de pessoas, ambientes e até dentro da mídia, é preciso escolher essas influências...Elas devem ser mais positivas, menos alarmistas ou sensacionalistas. É possível ter informação, ler os jornais todos os dias, mas preservar o estado saudável de espírito para ter força para nadar contra essa maré do sentimento de depressão coletiva.

À criança o que é da criança! O direito de crescer com esperança, sabendo que a justiça não irá falhar, sabendo que vale a pena ser bom, tendo a convicção de que se eu pegar esse besouro que está dentro da minha casa e o levar para a natureza, terei  feito um grande bem para o mundo!

Então temos que contar mais histórias, ensinar a cuidar das plantinhas, colocar o curativo, mas não esquecer de beijar o machucado...

Vamos ensinar a ter fé!

 

Deixo essa dica de literatura infantil que inspira a pensar que vale a pena ser bom e lutar por bons valores!

O Pote Vazio – Demi – Ed. Martins Fontes

Adriana Rodrigues Xavier é pedagoga, psicopedagoga e diretora pedagógica da Escola da Carol

coordenaçã Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

 

 
<< Início < Anterior 1 2 3 4 5 6 7 8 Próximo > Fim >>

Página 6 de 8

Indique !