Finanças
Quanto Custa O Seu Vício?


Por Florence Corrêa

É difícil sacrificar o consumo de hoje para fazer poupança a ser gasta num futuro distante. Até aí, nenhuma novidade. Sendo eu, você, ou qualquer outro, todos lutam constantemente com este dilema, saindo vitorioso o consumo presente muitas das vezes (e a poupança para o futuro talvez menos do que o desejado). Nosso mecanismo de escolha tem raízes psicológicas que ainda nem compreendemos por completo, pois são muitas as forças que influenciam nosso comportamento (emoções, comparações, pressões sociais etc.).

Pior ainda quando uma força extra está envolvida na decisão: a existência de um vício que temos dificuldade para largar.

Este artigo teve inspiração numa pessoa muito querida: minha ajudante aqui em casa, a Rose. Está conosco há muitos anos. E a cada fim de ano escuto uma afirmação sua: “Próximo ano vou parar de fumar!”

Está fumando até hoje!

Dan Arieli, em seu divertido e intrigante livro “Simplesmente Irracional”, nos apresenta pesquisas que revelam comportamentos inesperados das pessoas - porque contrariam seus valores, sua aparente racionalidade, e porque acontecem à revelia de sólidos compromissos firmados consigo mesmas no sentido contrário. Segundo ele, “somos peões de um jogo cujas forças não conseguimos compreender”. E tomamos muitas vezes decisões equivocadas.

Exemplos típicos:

  • Compramos coisas que não precisamos;
  • Sabotamos a dieta, mesmo sabendo que estamos pondo em risco nossa saúde;
  • Não levamos à frente nossos compromissos de nos exercitar;
  • E falhamos também em coisas sérias, como fazer sexo seguro ou “relaxar” em questões morais.

Como lutar contra isso?

Arieli propõe que sejam elaboradas “gratuidades”: são estratégias e ferramentas, para nos ajudar a tomar decisões e melhorar nosso bem-estar.

Inspirada nisso, fiz uma pequena conta para a Rose (que fuma 2 maços por dia, há 10 anos, com um custo diário de R$ 13,00. Ao mês, gasta em média R$ 395,00). E lhe informei que se tivesse investido este dinheiro mensalmente durante este período, poderia ter hoje aproximadamente R$ 57 mil. Para ela seria uma quantia suficiente para concretizar vários sonhos que têm sido deixados de lado! Por exemplo, deseja ter uma casa própria, e falta o dinheiro para dar de entrada num financiamento. Esperava que esta conta, neste início de ano, lhe desse uma dose extra de ânimo para deixar o cigarro!

O preço do seu vício

Os exemplos abaixo podem funcionar como uma “gratuidade” para você:

  • Uma pessoa que beba uma garrafa de vinho de R$ 30 todos os dias, por 10 anos, poderia ter economizado mais de R$ 90 mil. Imagine quantos sonhos não caberiam nesta quantia! Um carro bacana, algumas viagens inesquecíveis, empreendimentos! Daria para bancar um filho numa boa escola por mais de 5 anos!
  • Uma passadinha no shopping, compras impensadas, irresistíveis promoções... suponha que estes itens completamente supérfluos te levem R$ 800 ao mês. Se você tem alimentado este hábito há 5 anos, poderia ter juntado R$ 52 mil.
  • Não resiste a um café? R$ 5 ao dia, durante 10 anos, valeriam hoje mais de R$ 21 mil.

Você já percebeu que as quantias consumidas com nossos “vícios” podem ser significativas. Mas aposto que neste momento você está questionando: “Trabalho tanto, se não puder me entregar a meus prazeres, de que vale?”

A resposta para isso é: realmente não vale nada! Mas como tudo na vida, deveríamos tentar manter um equilíbrio. Que tal cortar seus “prazeres” pela metade? (sendo que alguns deles realmente mereceriam ser eliminados, substituídos por hábitos mais saudáveis!)

Espero que esta reflexão possa te ajudar como um estímulo! Mãos à obra – pense no que vai fazer com este dinheiro que será economizado a partir de agora!

Atualização: a Rose voltou de suas férias e... advinha? Parou de fumar!

Florence Corrêa é planejadora financeira pessoal na GFAI Investimentos.

Contato:

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tel – (11) 5693-9393



 
O JOGO DO DINHEIRO

Por Florence Corrêa

Todo jogo tem regras. Em todo jogo, suas chances de ganhar aumentam muito quando você conhece e domina estas regras. O conhecimento e experiência te propiciam montar estratégias, otimizar suas jogadas, enfim, chegar ao final com mais tranquilidade, e com grandes possibilidades de ser vitorioso.

Você entraria num jogo sem saber como ele funciona, ou pelo menos sem procurar saber? Certamente não! Pois assim provavelmente estaria fazendo papel de bobo na situação, frente aos outros participantes.

E no JOGO DO DINHEIRO? Qual é o seu papel?

O jogo do dinheiro tem uma diferença fundamental com os outros jogos: você não pode ficar de fora da partida. Não tem como! Você é obrigado a fazer seus movimentos todos os dias, não dá para fugir. Começa cedo, quando pela manhã você abastece o carro tomando a decisão: álcool ou gasolina? Quando faz uma compra e pensa: à vista com desconto, ou a prazo? Você está jogando o tempo todo. Joga quando:

  • toma decisões de gastos;
  • decide onde aplicar seu excedente de caixa;
  • se endivida de alguma maneira;
  • faz planos - de viagem, de um carro novo, ou de um intercâmbio para seu filho;
  • pensa em empreender algo, etc.

Mas quais as suas chances de vencer? Você conhece as regras deste jogo?

Minha experiência como planejadora financeira pessoal diz que a maioria dos participantes não conhece! Logicamente, como em todo jogo, se você não conhece já está numa enorme desvantagem! Porque são os poucos que conhecem que levam o troféu! Muitos jogam, jogam, mas não saem do lugar. Pior, existem aqueles que estão andando para trás – pois fazem transações no escuro, rendidos na mão de bancos, de financiadoras, de lojas, do Governo, até de amigos.

Se você é um dos desavisados participando do jogo, não está na hora de reverter esta situação? Sempre é tempo de recuperar o tempo perdido!

Não é necessário que você se torne um expert da economia e dos investimentos. Mas os conceitos básicos podem ser aprendidos. Pontos importantes nas regras do jogo do dinheiro:

  • Controlar seu fluxo de caixa – registrar o que entra e o que sai, em quais itens de despesa. É a única maneira de você conhecer seus hábitos e identificar oportunidades de melhoria.
  • Fazer uma reserva de liquidez. Ela será como uma proteção contra acontecimentos inesperados, e irá evitar que você faça péssimos negócios numa emergência.
  • Investir regularmente uma parte de sua renda. Faça disso um hábito.
  • Conhecer os índices financeiros básicos, tais como a taxa de juros do país (Selic), a taxa de inflação (IPCA), a rentabilidade da poupança etc.
  • Sempre comparar a rentabilidade de seus investimentos com estes índices.
  • Quando for se endividar, conhecer as taxas cobradas – e comparar com as de outras fontes de financiamento.
  • Se planejar, sempre.

Complicado? Sim, mas como todo novo conhecimento, pode ser aprendido com um pouco de esforço. Para as questões mais complicadas, você sempre pode pedir a ajuda de um planejador financeiro pessoal!


Florence Corrêa

Planejadora Financeira Pessoal

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tel – 99941-2348





 
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