Estética
A CIRURGIA PLÁSTICA NOS PACIENTES SUBMETIDOS À CIRURGIA BARIÁTRICA


A partir do ano 2000, houve a popularização da Cirurgia Bariátrica, que tem o objetivo de proporcionar a perda de peso significativa e duradoura a pacientes com obesidade mórbida. Assim, iniciou-se um novo segmento na Cirurgia Plástica: a Cirurgia Pós-Bariátrica.

É claro que sempre existiram pessoas que emagreceram de maneira vultuosa e apresentavam-se com sobra e flacidez de pele anormais, mas eram casos de exceção. Por outro lado, os pacientes pós-bariátricos representam hoje uma parcela significativa dos procedimentos realizados pela maioria dos cirurgiões plásticos. Além disso, as diferenças de funcionamento do organismo nas duas situações é muito grande: aquele que emagreceu “naturalmente” pratica exercícios regularmente e  tem dieta balanceada, mas o pós-bariátrico frequentemente apresenta deficiências nutricionais e tendência a anemia.



A proporção de peso perdido pode ser muito grande – tenho pacientes que perderam até 65% do peso inicial (de 180Kg para 60Kg). As consequências estéticas também serão variáveis. Podem  ocorrer sobras de pele no pescoço, braços, mamas, abdômen, costas, nádegas e coxas (isoladas ou associadas).

Para iniciar a programação de cirurgias plásticas, deve-se seguir algumas regras:

  1. A cirurgia plástica deve ser feita apenas após estabilização do peso, que ocorre em média após 18 meses da cirurgia bariátrica.
  2. Deve-se evitar associações de procedimentos, principalmente nos pacientes com tendência a anemia.
  3. Não existe sequencia ideal: o paciente determina qual procedimento é prioritário. O mais comum é iniciar pelo abdômen.
  4. Não existir expectativa breve de gestação.

O preparo operatório deve ser cuidadoso, pois muitos pacientes apresentavam doenças degenerativas antes de emagrecer, que podem repercutir no procedimento.

Estas cirurgias devem ser sempre realizadas por cirurgiões plásticos, em hospital e sob anestesia.

A técnica de abdominoplastia será determinada pela presença de cicatrizes no abdômen.  Pacientes com cicatrizes acima do umbigo são candidatos a abdominoplastia em âncora. Pacientes portadores apenas de cicatrizes de cirurgia laparoscópica são submetidos a abdominoplastia “tradicional” ou associada à torsoplastia (a cicatriz dá a volta na paciente). A lipoaspiração pode ser associada se existir o acúmulo de gordura.

As complicações são mais comuns nos ex-obesos. O sangramento é maior devido o maior calibre dos vasos sanguíneos. A cicatrização pode ser influenciada pelo diabetes, hipertensão, desnutrição e tabagismo.  A permanência de drenos é prolongada.

O intervalo mínimo para outra cirurgia não existe, depende da recuperação plena do paciente. Sugiro aos meus pacientes aguardar pelo menos 90 dias para submeter-se a um procedimento em outra área corporal.

 
TROCAR MAMA POR PRÓTESE?


Saiba quando isso deve ser feito

 Nos últimos anos, vem se popularizando a cirurgia de substituição mamária parcial devido a resultados diferenciados e ao baixo índice de complicações. O procedimento é estético e caracteriza-se pela retirada de parte do tecido glandular mamário sadio e a colocação de prótese de silicone de igual ou maior peso. Entretanto, muitas pacientes buscam este procedimento sem parar para pensar em coisas elementares:

  1. 1. silicone não produz leite! Acredite, toda semana atendo pelo menos uma mulher jovem sem filhos procurando este procedimento. É imprudente a retirada de glândula mamária sadia em mulheres que não tenham sua prole constituída, exceto nos casos de mamas gigantes submetidas a redução do volume mamário.
  2. 2. as  próteses de silicone deverão ser substituídas! Ao fazer uma mamoplastia sem prótese, a paciente não tem obrigação de retornar ao Centro Cirúrgico, mas nos casos com prótese isso irá ocorrer: até um terço das próteses podem se romper num prazo de 10 anos.
  3. 3. a mama só ficará mais consistente se o tecido glandular remanescente for fino! A principal expectativa das pacientes é ficar com as mamas semelhantes à pessoa que tem mamas pequenas e coloca prótese: uma mama juvenil, firme e mais consistente. Entretanto, se colocarmos uma prótese de 300mL por trás de uma mama de tamanho médio (cerca de 700g), o único ganho significativo será no volume e não na consistência! Assim, é necessária a retirada de volume significativo de mama para que a prótese passe a ser o elemento mais importante na composição do volume mamário.

Não devemos confundir esta técnica com a adenomastectomia profilática, que consiste na retirada de cerca de 95% das glândulas mamárias e colocação de próteses em mulheres com alto risco de câncer de mama (cirurgia realizada pela Angelina Jolie), ou com a mastopexia com prótese, que é o levantamento da mama associado a colocação de prótese com o objetivo de aumento volumétrico.

Sem dúvida, este tema é extremamente controverso e vem sendo debatido de maneira entusiasmada nos últimos congressos de Cirurgia Plástica. Ainda não existe consenso, mas a recomendação tem sido a indicação deste procedimento em mulheres que tenham flacidez da glândula mamária e que não tenham expectativa de amamentar.



Dr Mauro Henrique Milman – CRM 101.917

Cirurgião Plástico – Membro da SBCP

Dúvidas e sugestões: www.drmaurohenrique.com.br


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