Moda
Pequeno dicionário dos habitantes do mundo fashion: De A a H

Por Celso Finkler

 Na edição anterior relatei alguns casos sobre pessoas estigmatizadas pela cor da roupa que vestiam (acesse tudo.com.br). O mundo mudou e a globalização disseminou a moda além dos mares, criando diversas tribos que se conectam pela forma de pensar, agir, vestir. Escrevo aqui mais um trecho do meu pequeno dicionário dos habitantes desse mundo fashion.

Afropunk: a rebeldia e criatividade do punk com as cores das raízes étnicas. Elementos dos anos 80 e 90 meio rock’n’roll, e peças étnicas. Os cabelos são black powers, coques, tranças, moicanos e até coloridos.

Amish: originado no movimento anabatista suíço no início do século XVI. O look impõe roupas simples, feitas de fibras naturais e em cores neutras. O estilo farmer do amish ressalta peças do jeanswear, em tamanhos grandes. Acessórios como as toucas para as mulheres, e os chapéus de aba larga para os homens. A bolsa feminina é carregada como uma bíblia.

Andrógino: mistura de características femininas e masculinas em um só look. A pioneira foi Coco Chanel, que, na década de 20, causou polêmica ao trazer elementos e acessórios masculinos para o universo feminino. Os looks são compostos por sapatos oxford, chapéu panamá, coletes, suspensórios, gravatas, paletós, peças masculinas com cores, texturas e brilhos bem femininos.

Atleta urbano: que tal desfilar pelas ruas com a mesma marca usada pelos campeões de boxe? A busca pela praticidade nas roupas fez com que a alta tecnologia utilizada nos esportes fosse adaptada ao nosso cotidiano. O que antes era usado somente por atletas se encaixou no nosso dia a dia, mesmo para quem não pratica esporte algum.

Chola: exagero é a característica deste estilo. Sobrancelhas ultrafinas, lábios delineados com tons de batom mais claros, camisas abotoadas até o topo, correntes de ouro com crucifixos, mechas de cabelo, entre outros traços. Nasceu do termo cholo criado para designar a miscigenação latino-americana ocorrida nos EUA.

Clubber: cada roupa tem um significado. Alfinetes: contra o aborto. All Star: humildade, baixa renda. All Star de cano alto: contra o militarismo. All Star branco: só usa quem sabe todas as ideologias. Cabelos em pé: contra o armamento nuclear. Cabelo moicano: contra a matança. Cadarço branco: a favor da paz. Cadarço cinza: contra as drogas e o fumo. Cadarço colorido: a favor do homossexualismo ou sem preconceito. Calça rasgada: anti-social. Calça xadrez: contra o racismo. Piercing nos lábios ou no queixo: contra as drogas. Piercing na língua: contra a fome. Roupas de nylon: a favor do modernismo. Roupas de vinil: a favor da moda e sua evolução.

Cosplayer: são os adeptos de Cosplay (abreviação de costume play) e indica a caracterização fiel de um personagem feita por seus fãs. Os personagens mais comuns são os de mangás, comics e até mesmo grupos musicais. A caracterização costuma ser muito bem feita e quase não é possível perceber a diferença entre o Cosplay e a personagem.

Doninha: vá até a janela de sua casa e dê uma olhada no look da mãe de sua vizinha.

Drag queen: Sutiã com enchimento e uma calcinha apertada para esconder os seus genitais. Sim, você precisa ser homem. Raspe os pelos do seu corpo. Não economize nos paetês e no strass. Vestidos metálicos são peças básicas no closet. Use penas como acessórios, coloque boás nos seus ombros e presilhas no seu cabelo, ops... Na sua peruca. Aplique sombras com brilhos, cílios postiços extralongos e maquiagem à prova d'água.

Emo: roupas escuras, xadrez e com listras, tênis All Star, piercings, cabelos coloridos e  franja caída nos olhos. Nasceu na década de 1980, nos EUA, com raízes no rock e no punk emocore, um gênero que mistura a música hardcore com letras românticas.

Flapper: se jogue nos brilhos, bordados, canutilhos e pérolas dos anos 20. Os vestidos remetem diretamente à era do All That Jazz. Os modelos com inspiração boudoir, com detalhes luxuosos como franjas e plumas, são apostas certas para as festas mais badaladas. Ouse nos acessórios com penas, broches e cristais mas misture-os com outros mais contemporâneos.

Fruit: nasceu da criatividade radical da moda de rua em Tóquio, que apareceu em toda sua plenitude através de uma exposição de fotos do idealizador da revista FRUITS, Shoichi Aoki, que vem retratando esse cenário desde 1997. Suas fotos mostram adolescentes e jovens que criaram uma excêntrica subcultura baseada na reinvenção de elementos típicos japoneses misturados a elementos ocidentais e peças de segunda mão.

Geração fitness: Gracyanne Barbosa +Juju Salimeni + Instagram. Preciso dizer mais?

Geek: olhe-se no espelho. Se estiver usando óculos grandes de acetato, ostenta um ar meio vintage, retrô, está com cabelos bagunçados, veste t-shirts com piadas nerds ou com personagens de revistas em quadrinhos e adora carregar por aí dispositivos tecnológicos, você tem estilo geek.

Grafiteiro: ligado às linguagens de rua. É a liberdade de expressão da moda onde não há certo ou errado. Como os artistas grafiteiros que sujam muito as suas roupas quando estão grafitando, os tecidos manchados e salpicados de tinta são os preferidos. As peças são em estilo mais casual, como calças xadrez e social mais largas, seguindo o estilo skatista, hip hop.

Gypset: os adeptos valorizam a mistura entre a cultura cigana e movimentos como os hippies, os beatniks, os motociclistas que, por não conseguirem lidar com a nova situação, acabaram criando um estilo de vida alternativo e anti-consumista. A pegada étnica é a principal característica das peças usadas pelos gypsets mas sempre de um modo simples e descomplicado.

Hip hop: o hip hop (gangsta) incorporou o uso das calças de cintura baixa e que sobram na cintura. Combina jeans folgados com camiseta branca limpa e larga. Combine com camisetas vintage de times de basquete ou futebol, americanos. Boné, tênis limpo com cadarços soltos e joias enormes compõem o estilo.

Hipster: pessoas com estilo próprio que gostam de inventar moda e ditar tendência. O que é incomum é o estilo de vida destes alternativos. Os hipsters resgataram acessórios antigos como chapéus Fedora e óculos escuros modelo Wayfarer. A ordem é misturar estilos. Brechós, feirinhas e lojas vintage são os locais preferidos.

Se você gostou, acompanhe a sequência do dicionário na próxima edição.  Vista-se de conhecimento pois, como sempre digo, essa roupa lhe cairá muitíssimo bem!

 

Celso Finkler

É publicitário pós-graduado em psicobiofísica

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Que roupa veste a sua liberdade?

Por Celso Finkler

Já dizia um antológico comercial de jeans, que, liberdade é uma calça velha, azul e desbotada que você pode usar do jeito que quiser... Não usa quem não quer. Mas, quem diria que, mesmo depois de muitos anos e a despeito da evolução em infinitas áreas, principalmente as que se referem ao comportamento social e cultural, alguns seres humanos com a cabeça na lua mas o pezinho na idade média ainda fossem segregar aqueles que, independente de qualquer ideologia partidária vestem a cor contrária a do seu partido político. Veja o que aconteceu com tia Abgail.

Estava ela linda e glamurosa adentrando um restaurante vestida com o seu inesquecível tailleur vermelho-luxúria quando alguém do outro lado do salão sorrateiramente balbuciou: comunista! Titia olhou para os lados e já imaginou horrores pensando estar em meio a um ataque de um grupo terrorista do estado islâmico (titia nunca foi muito boa em geografia). Mal sabia que o que estava causando tamanho tititi era o seu look tô-com-a-Dilma-e-não-abro. Acontece que o seu tailleur nasceu muito antes do partido da nossa presidente adotar a cor para representar o sangue vertido de uma luta histórica. Para titia era apenas a roupa certa para marcar presença. Sim, pois caso vestisse aquele look femme fatale e ninguém a olhasse quando estivesse entrando... Mon dieu, titia saia e entrava de novo.

O mesmo aconteceu com a irmã caçula de Edna. Em um domingo à tarde qualquer, a moça vestiu uma legging, pegou o primeiro top (amarelo) da cômoda e saiu para o seu jogging diário. Após dobrar a segunda quadra um engraçadinho saiu com essa: corre que a passeata já começou! E olha que ela só queria perder uns quilinhos, nada além disso.

Mesmo a moda universal caminhando a passos largos para as roupas sem distinção de gênero onde todos podem usar o que quiser, ainda existem certas pessoas que discriminam outras simplesmente pela cor que vestem. Mas temos que dar um basta! A nossa liberdade foi conquistada a duras penas. O direito de ir e vir, se expressar e vestir da forma que melhor nos representa é um direito quase inalienável, que não podemos dispor, transferir ou abandonar. Somos livres para sermos nós mesmos. Quer coisa melhor que isso?

Aqui mesmo onde moro, canso de cruzar com gente vestida no estilo hippie chic, grunge, dândi, punk, new gótico, eletrônico, emo, chola, hip hop, afropunk, tecnobrega, teddy boy & teddy girl, mipsterz, sapeur, amish, sertanejo, skatista, clubber, k-pop, geração fitness, tropicália, kidult, rockabilly, rolezeiro, geek, doninha, hipster, surfista, indie rock,  drag queen, flapper,  yuppie,  rastafári, andrógino,  grafiteiro, scene kid, atleta urbano, gypset, tiozinho, cosplayer, motociclista,  lolita, fruit, new rave mods, e nem por isso saio gritando: olhaaaaa elaaaaaaa!

Respeito e diversidade faz bem e eu gosto. Agora imaginem só se todos gostassem do vermelho? Ops... melhor nem imaginar!

 

Pequeno dicionário dos habitantes do mundo fashion:

Hippie chic: visual paz e amor. Segue a tendência do movimento hippie dos anos 60 e 70. Flores, tie-dye, calças boca-de-sino e flare. Tudo bem colorido.

Grunge: o estilo grunge é baseado na cena musical grunge. É confortável, sujo e altamente baseado em flanelas. Visual bagunçado, desgrenhado, descompromissado.

Dândi: consiste basicamente em "pegar emprestado" peças do guarda-roupa masculino e adaptá-las para o feminino. Basta escolher uma peça de seu gosto e coordená-la a outras bem femininas, e pronto!

Punk: combine alfinetes, patches, lenços à mostra no bolso traseiro da calça jeans rasgada, jaqueta de couro com rebites e mensagens inscritas nas costas, coturnos ou tênis converse, piercings e corte de cabelo moicano, com o seu estilo transgressor de ser.

New gótico: adeus capas, esqueletos, correntes, cabelos neon, cemitérios, noites-sem-fim. É o gótico de cara nova, acessível e fresh. Tem muitas referências dos anos 90, tem minimalismo, um pouco de cyber e um quê de estilo asiático. Além do mais, o novo gótico é muito, muito chique e atual.

Eletrônico: é o estilo das raves. Roupas folgadas em panos leves. Tops brilhantes com cores neon. Camisas com glitter também podem ser usadas para que brilhem sob as luzes da pista de dança.

 

Ah... Não preciso nem perguntar se está curiosa para saber tudo sobre os demais estilos do pequeno dicionário dos habitantes do mundo fashion. A vontade de te contar é imensa. Pena que o espaço de hoje não dá! Então não perca a próxima edição da revista Tudo e saiba, de uma vez por todas, qual o verdadeiro estilo do seu filho diferentão.

 

 

Celso Finkler é publicitário, pós-graduado em psicobiofísica

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