Moda
Que roupa veste a sua liberdade?

Por Celso Finkler

Já dizia um antológico comercial de jeans, que, liberdade é uma calça velha, azul e desbotada que você pode usar do jeito que quiser... Não usa quem não quer. Mas, quem diria que, mesmo depois de muitos anos e a despeito da evolução em infinitas áreas, principalmente as que se referem ao comportamento social e cultural, alguns seres humanos com a cabeça na lua mas o pezinho na idade média ainda fossem segregar aqueles que, independente de qualquer ideologia partidária vestem a cor contrária a do seu partido político. Veja o que aconteceu com tia Abgail.

Estava ela linda e glamurosa adentrando um restaurante vestida com o seu inesquecível tailleur vermelho-luxúria quando alguém do outro lado do salão sorrateiramente balbuciou: comunista! Titia olhou para os lados e já imaginou horrores pensando estar em meio a um ataque de um grupo terrorista do estado islâmico (titia nunca foi muito boa em geografia). Mal sabia que o que estava causando tamanho tititi era o seu look tô-com-a-Dilma-e-não-abro. Acontece que o seu tailleur nasceu muito antes do partido da nossa presidente adotar a cor para representar o sangue vertido de uma luta histórica. Para titia era apenas a roupa certa para marcar presença. Sim, pois caso vestisse aquele look femme fatale e ninguém a olhasse quando estivesse entrando... Mon dieu, titia saia e entrava de novo.

O mesmo aconteceu com a irmã caçula de Edna. Em um domingo à tarde qualquer, a moça vestiu uma legging, pegou o primeiro top (amarelo) da cômoda e saiu para o seu jogging diário. Após dobrar a segunda quadra um engraçadinho saiu com essa: corre que a passeata já começou! E olha que ela só queria perder uns quilinhos, nada além disso.

Mesmo a moda universal caminhando a passos largos para as roupas sem distinção de gênero onde todos podem usar o que quiser, ainda existem certas pessoas que discriminam outras simplesmente pela cor que vestem. Mas temos que dar um basta! A nossa liberdade foi conquistada a duras penas. O direito de ir e vir, se expressar e vestir da forma que melhor nos representa é um direito quase inalienável, que não podemos dispor, transferir ou abandonar. Somos livres para sermos nós mesmos. Quer coisa melhor que isso?

Aqui mesmo onde moro, canso de cruzar com gente vestida no estilo hippie chic, grunge, dândi, punk, new gótico, eletrônico, emo, chola, hip hop, afropunk, tecnobrega, teddy boy & teddy girl, mipsterz, sapeur, amish, sertanejo, skatista, clubber, k-pop, geração fitness, tropicália, kidult, rockabilly, rolezeiro, geek, doninha, hipster, surfista, indie rock,  drag queen, flapper,  yuppie,  rastafári, andrógino,  grafiteiro, scene kid, atleta urbano, gypset, tiozinho, cosplayer, motociclista,  lolita, fruit, new rave mods, e nem por isso saio gritando: olhaaaaa elaaaaaaa!

Respeito e diversidade faz bem e eu gosto. Agora imaginem só se todos gostassem do vermelho? Ops... melhor nem imaginar!

 

Pequeno dicionário dos habitantes do mundo fashion:

Hippie chic: visual paz e amor. Segue a tendência do movimento hippie dos anos 60 e 70. Flores, tie-dye, calças boca-de-sino e flare. Tudo bem colorido.

Grunge: o estilo grunge é baseado na cena musical grunge. É confortável, sujo e altamente baseado em flanelas. Visual bagunçado, desgrenhado, descompromissado.

Dândi: consiste basicamente em "pegar emprestado" peças do guarda-roupa masculino e adaptá-las para o feminino. Basta escolher uma peça de seu gosto e coordená-la a outras bem femininas, e pronto!

Punk: combine alfinetes, patches, lenços à mostra no bolso traseiro da calça jeans rasgada, jaqueta de couro com rebites e mensagens inscritas nas costas, coturnos ou tênis converse, piercings e corte de cabelo moicano, com o seu estilo transgressor de ser.

New gótico: adeus capas, esqueletos, correntes, cabelos neon, cemitérios, noites-sem-fim. É o gótico de cara nova, acessível e fresh. Tem muitas referências dos anos 90, tem minimalismo, um pouco de cyber e um quê de estilo asiático. Além do mais, o novo gótico é muito, muito chique e atual.

Eletrônico: é o estilo das raves. Roupas folgadas em panos leves. Tops brilhantes com cores neon. Camisas com glitter também podem ser usadas para que brilhem sob as luzes da pista de dança.

 

Ah... Não preciso nem perguntar se está curiosa para saber tudo sobre os demais estilos do pequeno dicionário dos habitantes do mundo fashion. A vontade de te contar é imensa. Pena que o espaço de hoje não dá! Então não perca a próxima edição da revista Tudo e saiba, de uma vez por todas, qual o verdadeiro estilo do seu filho diferentão.

 

 

Celso Finkler é publicitário, pós-graduado em psicobiofísica

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Não é de hoje que a expressão menos é mais, faz sucesso. E, em tempos de crise, revisitar os nossos conceitos de vida nunca foi tão apropriado. Com o passar do tempo vamos percebendo que o mais importante não é a quantidade e sim a qualidade de tudo que nos cerca. Seja na vida, no design ou na decoração, quanto menos elementos, mais sofisticado é o resultado. E na moda não haveria de ser diferente. Por isso, chega de desespero. Não é por que você não está podendo desfilar os últimos lançamentos das marcas mais famosas, que você não estará bem vestida. Vamos às dicas.

Valorize o que tem de melhor. Que tal tirar um dia para por abaixo tudo o que você tem escondido em seu closet? Isso mesmo, pegue todas as suas roupas, sapatos, acessórios e exponha sobre a cama ou no chão de seu quarto mesmo, para que tudo fique à mostra bem diante dos seus olhos. Aproveite e comece o exercício do desapego: doe! Ocupar espaço não tá com nada além de custar caro. Roupas que você não usa mais só trarão despesas desnecessárias de manutenção e limpeza. Separe o joio do trigo e fique somente com as peças especiais. As que lhe deixam elegante, que possuem bom caimento, corte, e aquelas confeccionadas em tecidos de qualidade. Se sobrar 20 peças, estará ótimo! Por menor que seja o resultado, você é uma só. Em um armário com apenas 18 peças, combinando 7 partes de cima com 12 partes de baixo, e usando vestidos como blusinhas e como saias, você tem 84 possibilidades... E isso, sem repetir combinações. Mas, com pequenas repetições, suas possibilidades aumentam para algo em torno de 153 looks, ou seja, são looks diferentes durante quase um semestre inteiro!


 
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