DE SANTA À COSMOPOLITA – ISRAEL, SE APRESENTANDO!

Com cidades pulsantes e belezas naturais que vão de reservas verdes à desertos, Israel vai muito além do turismo religioso

Sur-preen-den-te. Essa é a palavra que melhor definiria Israel, o destino escolhido para ilustrar a edição deste mês da TUdo. Sabe aqueles lugares em que poderíamos passar um mês inteiro visitando as atrações e, mesmo assim, não repetir nenhuma delas? Essa é Israel.

Os judeus consideram a região como sendo o berço do judaísmo ou “Terra Prometida” para onde acreditam que Moisés – grande líder de Israel, que libertou seu povo da escravidão do Egito – os levou a mando de Deus. Já os católicos, a consideram como a “Terra Santa”, onde Jesus viveu, foi crucificado e morto. Em contrapartida, os muçulmanos acreditam que foi em Jerusalém, capital de Israel, que Maomé – profeta e figura mais importante do Islamismo – subiu aos céus. Independentemente quais dos povos ou religiões figurem mais, o mais certo a dizer é que, sem dúvidas, esse é um dos pedaços de terra mais disputados historicamente, até os dias de hoje.

Para se ter uma ideia, ao longo da história essa região foi dominada por bizantinos, gregos, romanos, árabes, turcos e ingleses. A ordem cronológica é mais ou menos dessa forma: Em 636, os árabes a islamizaram. Entre os anos de 1099 a 1291, os cristãos a ocuparam, no ano de 1516 os turcos dominaram e, finalmente, em 1917, foi a vez dos ingleses colocarem os turcos para correr e protelar a Palestina, ou seja, a região se tornaria um “estado independente”, mas continuaria sendo subordinado a outra potência.

Mas engana-se quem acha que a viagem para essas bandas se resume, exclusivamente, ao turismo religioso. Não por acaso, carrega o título de nação mais liberal do Oriente Médio. Um bom exemplo é a cosmopolita e frenética Tel Aviv, centro econômico do país. Assim como a capital paulista, a cidade é a mais populosa do país – com cerca de 3 milhões de habitantes, o que equivale a 60% de toda a população nacional que está na casa dos 7 milhões – e não deixa nada a desejar quando se trata de diversão e efervescência! Além disso, Tel Aviv é gay-friendly, o que significa que a comunidade LGBT é super bem-vinda ali.

Outro ponto fundamental para quem visita o território israelense é a história. Para os historiadores de plantão e apaixonados por essa disciplina, Israel é um prato cheio. O país abriga incríveis sítios históricos, como Massada, Acre e Cesareia, assim como uma comunidade lendária e utópica, mas que vem se mantendo muito bem até hoje, mais de 90 anos após a sua fundação, chamada “Kibutz”.

Sem contar com as belezas naturais, que costumam deixar os visitantes boquiabertos... Todas deslumbrantes! Os principais destaques são o Deserto de Negev, as praias cristalinas do balneário de Eilat e o surreal Mar Morto, a mais profunda depressão terrestre, localizada a 400 metros abaixo do nível do mar. Suas águas são tão salobras que é praticamente impossível afundar nelas – o que acaba rendendo ótimas fotografias. Isso sem contar, é claro, com o roteiro religioso, que é o que mais gera renda à região, recebendo milhares de peregrinos todos os anos. Quais as paradas obrigatórias? As regiões da Galileia, Haifa, Nazaré, Jerusalém, além dos territórios palestinos de Belém e Jericó.

Israel é seguro?

Em relação à segurança, não se preocupe. É comum ter essa dúvida quando se trata deste destino em específico, devido aos recorrentes conflitos com a sua vizinha Palestina (veja a seguir), no entanto, diferentemente do que muitas pessoas pensam, o país é bastante seguro para o turismo. O risco de atentados, realmente, é real, mas as chances de um deles acontecer próximo da onde você estiver são bem menores se comparado com a violência recorrente que sofremos em terras tupiniquins, pode ter certeza. De qualquer maneira, é certo dizer que sim, uns o evitam – seja por questões políticas ou receio – enquanto outros o idealizam como sendo a viagem de uma vida. Vai de cada um.

Se até aqui, sua vontade de conhecer Israel começou a martelar insistentemente na sua cabeça, espere só até terminar de ler a matéria. Prepare-se e venha com a gente!

SURPRESA BOA

Quando a coordenadora de marketing, Regiani Botti, soube que iria para Israel a trabalho, idealizou que o destino seria bem religioso e, consequentemente, toparia comumente com grupos formados por pessoas mais velhas. Chegando lá, se hospedou em Tel Aviv e, imediatamente, mudou aquela imagem que tinha do lugar. “Tel Aviv é uma cidade que mistura o novo e tecnológico com todo o passado riquíssimo de cultura e história do lugar. E isso foi me encantando. Cada esquina uma surpresa; é uma cidade cheia de jovens, afinal, quase todas as potências de tecnologia estão instaladas lá, além do local também abrigar boas universidades”, conta.

Com o passar dos dias, Regiani revela que foi descobrindo uma Tel Aviv que a fez cair de amores”. As pessoas são muito ativas; se exercitam na praia, passeiam com seus cachorros na orla e levam uma vida super saudável, sem nunca deixar de lado suas raízes e costumes”. De Tel Aviv ela embarcou para Jerusalém e passou pelo muro que separa Israel e Palestina. Segundo ela, as coisas são bem mais calmas do que vemos nos noticiários. “ É claro que existe muita disputa, mas na grande parte do tempo todos vivem em relativa tranquilidade”, afirma,

Ao chegar em Jerusalém, Regiani se deparou com diversos grupos de peregrinos, das mais diversas religiões. “Foi muito bonito ver a fé daquelas pessoas! Como um homem [Jesus], foi capaz de mexer com tanta gente num período tão distante”?; e completa: essa viagem mudou a minha forma de ver aquela região, assim como me fez entender melhor os conflitos, as diferenças raciais e culturais, aprendendo assim, a respeitar todas elas. Moraria em Tel Aviv amanhã se tivesse uma oportunidade, mesmo com a dificuldade da língua”, finalizou.

DESEMBARQUE
Há alguns anos, não era possível chegar a Israel diretamente do Brasil. Era preciso fazer diversas conexões ou sair da Europa e E.U.A, que possuem voos massivos para o destino. No entanto, esse cenário mudou e agora é possível ir para Tel Aviv do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. As passagens de ida e volta pela CVC Viagens está saindo em torno de 4 mil reais. A companhia aérea que faz o trajeto é a American Airlines. Vale ressaltar que brasileiros não precisam de visto, apenas de um passaporte válido. Em relação a isso, caso você queira carimbar o seu passaporte, não será possível. Isso ocorre porque Israel não mantém relações com a maioria dos países do Oriente Médio, então, seria prejudicial aos turistas que visitam o país que tivessem seus passaportes carimbados – poderiam ter problemas para entrar em outros. Indicamos a visita ao país entre os meses de fevereiro a maio e de setembro a novembro, por serem épocas com temperaturas mais amenas. Outra coisa: se o objetivo da viagem não for de cunho religioso, evite-a em alguns feriados ligados a religião, em especial na Semana Santa e Natal.

Duas semanas – se houver tempo - é um ótimo período para a viagem. Você pode começar a expedição por Tel Aviv, por exemplo, e ficar lá por uns três dias. Depois seguir para Jerusalém por mais três dias e lá fazer a Galileia e as cidades de Akko, Haifa e Safed, em outros dois dias. As regiões do Mar Morto e o balneário de Eilat também é possível conhecer em dois dias.

HOSPEDAGEM
Opções de hospedagens é o que não faltam! Vai depender do seu estilo de viagem. Tel Aviv é a região mais indicada para se hospedar, por oferecer mais opções de hospedagem e por ser de onde sai a maioria dos tours. Os hotéis custam, em média, de 500 a 800 reais a diária. Em Jerusalém, as opções são um pouco mais caras e giram em torno de 800 a 1.200 reais. Agora, caso você queira ter uma experiência única e temática, indicamos que você se hospede em um kibbutz. Kibbutz?

Explicamos: Criados em 1910, os kibutz são agrupamentos socialistas em que funcionam comunidades com as seguintes características: atividades agrícolas, propriedades coletivas, igualdade social, meios de produção próprios, distribuição da produção para a comunidade, entre outras particularidades. Em Israel, os kibutz chamam a atenção por apresentarem grande desenvolvimento interno e excelência no sistema educacional.

A ideia de se hospedar num dos 280 kibbutz se dá, principalmente, para conhecer melhor essa cultura e ter um fácil acesso pela região – na Galileia, por exemplo, não há oferta de hotéis. Esse tipo de hospedagem sai a partir de 300 reais.

ENCHENDO A PANÇA

Israel tem um defeito: é um destino caro. E isso inclui a gastronomia local. Um almoço em um bufê estilo “bandejão” não custa menos do que 70 reais. Já em restaurantes à la carte, você deve gastar entre 50 e 100 reais por refeição. Por sorte, as comidas de rua salvam e são deliciosas iguais. Um falafel – bolinhos fritos de grão-de-bico ou fava moídos, normalmente misturados com condimentos como alho, cebolinha, salsa, coentro e cominho sai em torno de 10 reais. Baratinho!

DANDO UM “ROLÊ”

Uma dica? Feche um tour com uma agência de turismo! Os destinos não se limitam a roteiros religiosos e levam a zonas arqueológicas, cidades histórias, balneários e regiões que interessam especialmente pelas paisagens naturais. O custo dos tours varia entre 40 dólares – para tour na mesma cidade – e 70 dólares quando existe a necessidade de deslocamentos para outras regiões. Pacotes fechados podem passar de 1000 dólares para 7 dias e 1550 dólares para pacotes de 10 dias. Entretanto, apesar do alto custo, eles são muito práticos, especialmente para quem não deseja se preocupar com o transporte entre as cidades, o roteiro ou mesmo as hospedagens em cada região a ser visitada. As melhores opções de agências são a Abraham Tours, Artzeinu, Eg’ged Tours, Kfar Hanokdim, Shalom Holy Tours e Tourist Israel.

Um adendo importante é sobre quais as vestimentas devem ser usadas quando se estiver em Israel. Apesar de muitos árabes e judeus usarem trajes tradicionais, não há grandes restrições às roupas para os turistas. Em Tel Aviv, por exemplo, ao andar pela orla da praia você se sentirá em Copacabana, com direito a biquínis e muitos homens fazendo exercícios sem camisa. Agora, na hora de visitar templos religiosos muçulmanos é exigido o uso de lenço para as mulheres e roupas que cubram o corpo. Nos templos judaicos e cristãos vale o bom senso em respeito às religiões. A cidade de Jerusalém é bem mais rígida e religiosa em relação aos costumes do que Tel Aviv. Vale ficar atento para não cometer gafes, ok?



 

Indique !