De retalhos a bytes Leia+
 

Para coletar as roupas, a instituição conta com mais de 700 containers espalhados em pontos estratégicos do Reino Unido, que coletam cerca de 2.500 toneladas de tecido por ano.

"Uma calça jeans manchada pode ser cortada em retalhos para serem usados na confecção de saias, vestidos ou jaquetas, criados por nossos estilistas", afirma Chan Chong, assessora de imprensa da organização. Nessas peças a instituição coloca a etiqueta Remade. A vantagem destas roupas é que você pode se vestir muito bem gastando bem pouco. Mas para quem acha que não é tão jovem para usar um modelo Remade, também é oferecida uma coleção de roupas usadas, algumas, com etiquetas famosas e vendidas a preços super convidativos. "Eu comprei uma camiseta de Vivienne Westwood por R$ 119,00 e uma bolsa Chanel legítima, em ótimo estado, por R$ 143,00. Se a bolsa fosse nova não custaria menos R$ 47.000,00”, comenta Anne Gibbons, de 48 anos.

Já a dupla de estilistas holandeses Viktor & Rolf tem levado a moda sustentável a um outro nível com a sua proposta para a alta costura europeia. Boulevard of Broken Dreams é o nome da nova coleção primavera/verão 2017, de alta costura, apresentada na semana de moda de Paris. O curioso sobre sua coleção está na composição das roupas: elas foram feitas com materiais de coleções anteriores. Na temporada passada, a dupla trabalhou com o upcycling utilizando todos os retalhos de tecidos que estavam guardados em seus arquivos e os reutilizou em uma coleção repleta de encantos. Eles também rasgaram os vestidos de suas temporadas anteriores e os reinterpretaram em novas peças, fazendo uma forte declaração sobre sustentabilidade na moda. O bordado dourado que costurou os pedaços de tecidos foi inspirado na prática japonesa de kintsugi, que consiste em reparar os pedaços quebrados de cerâmica com ouro para destacar suas rachaduras e embelezá-las.

Na outra ponta da moda, está a Coded Couture, que cria vestidos personalizados com base nos dados dos nossos smartphones. A marca de moda Ivyrevel fez uma parceria com o Google para empurrar os limites da tecnologia vestível a novos níveis. É o “vestido de dados”: uma peça personalizada e concebida através da coleta de informações das usuárias de celular por meio de um aplicativo de smartphone. O aplicativo usa um programa desenvolvido pelo Google que facilita a coleta de dados, tais como: onde você está, o que você está fazendo e até mesmo o clima local. A interface então usa essas informações pessoais para criar vestidos personalizados exclusivos. Em seguida, combina a informação com técnicas de costura, os materiais mais adequados, modelagem e pequenos detalhes que são utilizados em cada vestido desenhado sob medida para a dona do smartphone que gerou as informações. O tempo está quente? O aplicativo escolhe um material mais fino. A usuário se movimenta muito? O aplicativo propõe um ajuste mais solto para as suas atividades do dia a dia. “Estamos prestes a mudar a indústria da moda, trazendo a personalidade do cliente no processo de design por meio da tecnologia de dados. O vestido de dados permite que mulheres de todo mundo possam encomendar um vestido feito inteiramente para elas, e que reflete a maneira como elas vivem suas vidas”, afirma Aleksandar Subosic, co-fundadora da Ivyrevel.

O aplicativo será lançado ao público ainda este ano. A empresa espera vender cada vestido a um preço acessível, de acordo com a sua filosofia de transformar a roupa high-tech de um sonho de ficção científica em uma realidade acessível a qualquer um de nós.

Seja usando retalhos de tecidos reciclados ou mensagens processadas do nosso dia a dia, a moda segue utilizando aquilo que temos de melhor: o nosso bom gosto. A tecnologia cada vez mais estará a serviço das novas técnicas de confecção. Entretanto, o DNA das roupas que queremos vestir continuará dependendo de nós.

Celso Finkler é publicitário e pós-graduado em psicobiofísica. celsofinkler@hotmail.com

 

 

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