MÔNICA MARTELLI Expert no vírus do amor

 

A apresentadora do programa “Saia Justa” abre o jogo sobre como se reinventou no amor, após dura desilusão amorosa.

Por Michele Marreira

Ela se desdobra. Dona de uma agenda disputadíssima graças ao estrondoso sucesso profissional, missão (quase) impossível é encontrar espaço para uma entrevista na correria cotidiana de Mônica Martelli. Mas conseguimos!
Sendo ela gente como a gente, dispensa o rótulo de celebridade e com uma simpatia ímpar, faz questão de atender nossa reportagem por telefone e conversar sem papas na língua sobre diversos temas, dentre eles, relacionamento. E olha que de dor no amor essa fluminense porreta entende, apesar de continuar acreditando piamente nas relações amorosas.

Nascida em Macaé, região dos Lagos, no interior do Estado do Rio, Mônica morou por um período nos Estados Unidos e, ao retornar para o Brasil, decidiu estudar jornalismo. Na faculdade, iniciou um curso de teatro, sendo logo fisgada pelo universo das artes. Resolveu investir na carreira artística ao se profissionalizar na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), renomada instituição responsável por formar inúmeros talentos da dramaturgia.

Aos 21 anos, já encenava o espetáculo “Torturas do Coração” do autor Ariano Suassuna. O tempo passou e a gana pelo ofício só aumentava. No ano de 1995, teve o privilégio de trabalhar com um dos mais reverenciados mestres do humor brasileiro: Chico Anysio, na Rede Globo. Ainda na emissora participou de outras produções e novelas como Por Amor, O clone, Pé na Jaca, Beleza Pura e Tititi.

Se atentou à veia cômica que carregava em seu DNA artístico e sua ascensão profissional aconteceria através de um fato pessoal: seu divórcio.

Após passar por um emaranhado de emoções ao se separar do ex-marido, a mãe de Júlia fez de sua dor uma maneira de se reinventar como mulher e artista. Elaborou o roteiro de uma peça teatral chamada “Os Homens São de Marte E É Pra Lá que Eu Vou” e comemora 12 anos à frente da obra. Despretensiosamente, abriu o livro de sua vida amorosa encarnando Fernanda, personagem que descobria o amor e, consequentemente, seus desdobramentos. No início, o espaço escolhido foi um teatro com capacidade para cem pessoas. O projeto se transformou em verdadeiro fenômeno nacional levando o público esgotar os ingressos por onde a atriz passava. Além de excursionar o país, teve a chance de se apresentar em Portugal. Ao surgir diversos convites para fazer cinema, veio mais uma brilhante ideia à cabeça: e por que não levar a história de sua mais famosa invenção às telonas do Brasil? E assim, em 2014, foi lançado o longa metragem “Os Homens São de Marte...”, superando a marca de mais de dois milhões de expectadores. Pensa que parou por aí? A magnitude de sua criação chegou à telinha, indo para a quarta temporada da série exibida no GNT. No mesmo canal, Martelli comemora quatro anos na função de apresentadora do programa “Saia Justa”, atração que comanda ao lado de Astrid Fontenelle, Pitty e Taís Araújo. “Participar semanalmente ao lado de mulheres diferentes e inteligentes é uma experiência incrível”, ressalta. Neste bate-papo descontraído, Mônica conta detalhes de seu mais novo projeto teatral “Minha Vida em Marte” e aproveita para compartilhar com a gente o diário de sua vida livre, leve e solta.

Revista Tudo: Qual balanço você faz dos quatro anos à frente do programa “Saia Justa”?
Mônica Martelli:
Me colocou em outro patamar. Eu tenho acesso a informações, me interesso por assuntos e livros que, se eu não estivesse no programa, não leria. Por conta dos debates, isso tudo me coloca em contato com muita coisa interessante. Ampliou meu horizonte.

Como tem sido dividir a atração com as demais apresentadoras, Astrid Fontinelle, Pitty e Taís Araújo? De que forma cada uma contribui com seu perfil, profissão e olhar distinto? É ótimo. Participar semanalmente de uma atração ao lado de mulheres diferentes e inteligentes é uma experiência incrível. Ouvir o ponto de vista delas é interessante. O segredo do “Saia Justa” é que nós quatro, tanto da antiga quanto da atual formação, nos admiramos e nos respeitamos, e isso faz com que o sofá seja sempre instigante. O grande desafio é conseguir lidar com o diferente. Hoje em dia, as pessoas estão se fechando cada vez mais em grupos parecidos consigo. Mesmo quando nós quatro discordamos de algo, é positivo, porque ali é a oportunidade pública de fazermos isso.

Fale um pouco desse projeto vitorioso que é “Os Homens São de Marte E É Pra Lá Que Eu Vou”. Começou como espetáculo teatral, se transformou em filme e há três anos é uma série exibida no GNT.
Realmente foi a grande virada da minha vida, que é contada antes e depois desse projeto. Eu comecei apresentando a peça “Os Homens São de Marte...” em um teatro pequeno no Rio de Janeiro e virou um fenômeno. Fiquei dois anos em cartaz em São Paulo, viajei o país inteiro, fui encená-la em Portugal! Depois virou filme atingindo a marca de mais de dois milhões de expectadores, e estou na quarta temporada da série no canal GNT.

Quando o assunto é relacionamento amoroso você é uma referência para muitas mulheres. De que maneira recebe esse retorno do público feminino e como se sente podendo ajudá-las por meio da arte?

Quando a gente casa, não desejamos que termine. Eu sou divorciada do pai da minha filha e admito: foi uma dor muito grande. A separação não é só dos corpos, e sim dos sonhos que você idealizou com aquela pessoa; vai tudo embora e acaba. São muitas perdas. O sucesso da peça, tanto a primeira quanto a segunda, é a identificação do público com a verdade. Eu saio de cena e as pessoas me perguntam como eu sei da vida delas (risos).

Conte-nos tudo sobre seu novo espetáculo, “Minha Vida em Marte”. Sua personagem, Fernanda, agora é mãe de uma menina de cinco anos.
Na peça “Os Homens São de Marte...”, Fernanda era uma mulher em busca do amor. Nas três temporadas da série de TV, ela estava casada. Nessa nova peça, “Minha Vida em Marte”, esta mulher está em cena lutando para salvar o casamento. Porém, ela não “empurra” casamento só para dizer que tem uma família feliz. Isso é um diferencial dela. A história do espetáculo se passa em uma terapia de grupo, abordando todas as questões do tema: tentando voltar à libido que não é mais a mesma, se esforçando para ter mais paciência no dia a dia, a tentativa de viajar para melhorar a relação. E ano que vem, 2018, farei o longa metragem “Minha Vida em Marte” com direção da Susana Garcia. As histórias contadas são todas minhas. Experiências de sentimentos, ilusões, desilusões, medos e angústias. Questionamentos em cena de momentos que eu passei: medo de ficar solteira aos 45 anos, receio de separar, a dor da solidão, a alegria de encontrar um novo amor.

Sua agenda profissional ocupa boa parte do seu tempo. É um desafio conciliar carreira com a vida familiar, acompanhando o crescimento da sua filha, Júlia, de sete anos?
Eu tento administrar meu tempo da melhor forma possível. Eu sou toda programada: às segundas levo e busco minha filha na escola. Às terças eu a levo no balé, coloco para dormir e realizo reunião com os roteiristas para o meu próximo filme. Às quartas eu viajo à São Paulo para apresentar o programa “Saia Justa”. Quinta-feira é o dia que apresento um programa de rádio e sextas, sábados e domingos estou em cartaz com meu espetáculo. E fora outros trabalhos de entrevistas, fotos e namorado novo (risos)! Minha sorte é que ele mora longe, em São Paulo.

Você segue uma alimentação balanceada? E qual exercício físico pratica para manter a resistência física no palco e o corpo em dia?
Eu faço musculação por meia hora, duas vezes na semana. A genética me ajuda, é claro, mas não abro mão de ter uma alimentação saudável. Eu sempre fui magra. Mas não deixo de comer meus doces ou beber uma taça de vinho.

Quando o assunto é moda quais peças não faltam em seu closet na hora de montar um look?
Não falta em meu closet calça jeans, um bom blazer preto, camisetas de malha, camisas de tecido, casacos de couro, botas e tênis. Sou básica. Essa sou eu no dia a dia. Se eu tiver um evento mais elaborado, evidente que o look muda.

Conhece a região da Granja Viana ou Alphaville, onde a revista é distribuída em São Paulo? Qual sua relação com esses bairros e a capital paulista?
Eu já fiz peça em Alphaville, que é um bairro super charmoso. Eu amo São Paulo e tudo que a cidade oferece: restaurantes, cinemas, teatros... sou apaixonada. É interessante a maneira como as pessoas trabalham. É um lugar com uma diversidade enorme, de todas as tribos. Minha família é do Rio de Janeiro, onde eu resido. Lá temos uma qualidade de vida muito boa. Eu moro na beira da praia, dou um mergulho quase todos os dias. Mas quem me conhece sabe da minha relação de amor com a terra da garoa.

 

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