Um prato sem lactose, por favor Leia +


Pensar em leite remete aos seus derivados: manteiga, queijo, iogurte e tantas outras delícias. Tem gente que gosta. Mas existe um grupo que gosta, mas que não pode nem chegar perto, graças à lactose – uma espécie de açúcar presente no leite e em outros produtos lácteos. Sabe aquele gostinho adocicado que você sente quando consome a bebida? É a lactose. Quando um de seus derivados é ingerido, esta molécula se transforma em energia e abastece as células. Entretanto, para que seja completamente aproveitada pelo organismo, ela precisa se duplicar e se transformar em partículas menores, as chamadas galactose e glicose.


Esse processo acontece no intestino e por trás dele existe uma enzima chamada lactase. É ela a responsável por “quebrar” esse açúcar, mas, a partir do momento que isso não ocorre, bactérias fermentam a lactose que não foi absorvida causando desconfortos gástricos e produzindo substâncias tóxicas.

Muitos intolerantes à lactose convivem anos com os sintomas – diarréia, vômitos, dores abdominais e inchaço – e não se dão conta. Provavelmente por variar de pessoa para pessoa, sendo mais leves ou mais intensos dependendo do tipo. De qualquer forma, é importante buscar ajuda médica.

Atualmente cerca de 80% da população brasileira possui algum grau de intolerância à lactose. Isso ocorre porque conforme o nosso corpo envelhece a lactase para de ser produzida e consequentemente o açúcar presente no leite não é mais “quebrado”.


A culpa não é só da intolerância

As pessoas costumam confundir, mas existe outro tipo de doença relacionada ao leite e saber diferenciá-la da intolerância à lactose é fundamental; a chamada alergia à proteína do leite de vaca – uma resposta anormal do sistema imunológico às proteínas da bebida.

Ela se caracteriza, principalmente, por acometer mais crianças do que adultos. Além disso, seus sintomas mais comuns são lesões na pele e problemas respiratórios poucos minutos ou até duas horas depois da ingestão do leite.

Segundo alguns estudos o problema é genético, fazendo com que 75% das crianças que tenham pais alérgicos, desenvolvam a alergia. Outra causa provável da APLV é a introdução do leite de vaca muito cedo na dieta do bebê.

É importante ressaltar que a única maneira de tratar o problema é com uma dieta completamente livre de derivados da proteína do leite.

Intolerância à lactose é o nome que se dá à incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados.
Gastronomia para todos

Viver com restrições alimentares não é lá muito animador, mas felizmente há opções exclusivas em mercados e no setor gastronômico para esse público. Uma boa pedida para quem possui algum problema relacionado à lactose é o Félix Bistrot, localizado no coração da Granja Viana.

O restaurante - que é francês e dispõe de pratos que recebem leite, creme de leite e manteiga em suas receitas, como o risoto - oferece a possibilidade da troca de ingredientes de um prato, caso haja algo derivado do leite. Um deles é o Saint Pierre à Belle Mouniér – um delicioso peixe que acompanha farofa de rúcula e azeitonas. Neste caso, substitui-se a manteiga usada no preparo por azeite de oliva. O outro é sobremesa a base de profiteroles com sorvete sem lactose, calda de chocolate e lascas de amêndoa.
O primeiro custa 48 reais e o segundo 28 reais.

Félix Bistrot
Endereço: Rua José Félix de Oliveira, 555 - Granja Viana
Tel.: (11) 4612-2339
felixbistrot.com.br
Aberto: 12h00–15h00, 19h00–22h00



Olha a receitinha
Vai receber os amigos e um dos convidados tem intolerância à lactose?
A Tudo preparou uma receita especial:

Creme de Cogumelos Vegano

Ingredientes

2 colheres (sopa) de óleo de coco refinado

3 dentes de alho, picados finamente

1 cebola média, fatiada

1 talo de alho poró picado

200 gr de cogumelos paris, fatiado

200 gr de shimeji

200 gr de shitake

750 ml de molho branco de inhame

Sal, pimenta e noz moscada a gosto



Modo de Preparo

Prepare o molho branco e reserve.

Adicione em um panela já quente 1 colher (sopa) de óleo de coco, acrescente metade do alho e deixe refogar até liberar o aroma.

Adicione a cebola e o alho poró e deixe refogar até ficarem macios.

Acrescente o shitake, o cogumelo paris, tempere com um pouco de sal e pimenta e refogue até ficarem bem macios.

Adicione o molho branco e deixe cozinhar em fogo médio-baixo por pelo menos 10 minutos.

Enquanto isso, em uma frigideira, adicione 1 colher (sopa) de óleo de coco, coloque a outra metade do alho e refogue até soltar o aroma. Adicione o shimeji e deixe refogar até ficar bem macio. Tempere com sal e pimenta e reserve.

Depois de deixar o molho cozinhar por pelo menos 10 minutos, desligue o fogo e processe a mistura de cogumelos com um mixer ou no liquidificador (cuidado se estiver muito quente!).

Retorne a panela com o creme para o fogo e adicione o shimeji inteiro (separe alguns para decorar o prato).

Deixe cozinhar por mais uns 3 minutos para incorporar bem o sabor. Acerte o sal, pimenta e rale um pouco de noz moscada fresca. Misture bem e sirva.


Não tem intolerância? Use e abuse do leite
o leite traz benefícios à saúde, sim. Ele ajuda na prevenção da síndrome metabólica, na redução da pressão arterial, na prevenção do diabetes tipo 2 e, claro, da osteoporose, pois quando o assunto é ingestão de cálcio, a bebida ainda é uma das fontes mais importantes do nutriente.

Box
Existe um teste para saber se sou intolerante a lactose?
A gastropediatra Rosa Helena Gusmão indica o Teste de H2 Expirado que é um método eficiente, não invasivo, indicado para avaliação digestivo-absortiva. É útil no diagnóstico da má absorção e da intolerância à lactose, situações que frequentemente se associam a sintomas digestivos como diarreia, flatulência excessiva e cólicas abdominais.

Olho da matéria
Atualmente cerca de 80% da população brasileira possui algum grau de intolerância à lactose



Legenda da foto: Félix Bistrot, culinária sem lactose

 

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