Maju Coutinho . Tempo, racismo e superação


Por Michele Marreira

Em meio ao descompasso do tempo e as destemperadas mudanças climáticas, ninguém mais se dá ao luxo de sair de casa sem estar a par da previsão meteorológica.
Seja para planejar aquele final de semana na praia ou, simplesmente, a ida a uma reunião importante, Maria Júlia Coutinho, responsável por apresentar a meteorologia do Jornal Nacional, sabe da influência que exerce no dia a dia de milhões de brasileiros.
Leonina, 38 anos, Maju nasceu em São Paulo, cortejando o mês de agosto. Filha de professores e integrante de uma família de classe média baixa, prestou vestibular para pedagogia e jornalismo e passou nas duas provas. Trancou a faculdade de Jornalismo - que era particular - e optou pela gratuita, de pedagogia. No ano seguinte, conciliou as duas graduações e se descobriu na comunicação, deixando de lado o futuro como professora, mesmo tendo lecionado por dois anos em uma escola municipal de São Bernardo do Campo.

Casada há 13 anos com o publicitário Agostino Paulo Moura - com planos de se tornar mãe em 2017 - e eleita uma das mulheres mais sexy do mundo pela Revista VIP, costuma dar uma boa resposta quando criticada: “Meu lema é o seguinte: ‘É previsão e não precisão’”, esclarece ela à equipe da REVISTA TUDO, já que é muito cobrada, inclusive pelo marido, quando a previsão do tempo não se concretiza.

Maju, apelido que veio da época do magistério, mas que William Bonner transformou em nacionalmente conhecido, iniciou carreira como estagiária na Fundação Padre Anchieta, galgando seu espaço em diversos cargos até chegar à função de repórter. No ano de 2005 passou a apresentar o Jornal da Cultura ao lado de Heródoto Barbeiro. Em seguida, foi transferida para comandar o Cultura Meio-Dia. Mostrando competência e habilidade no universo da comunicação, em 2007, fez sua estreia na Rede Globo voltando às reportagens. Um portfólio enviado por email com o assunto - “Segue meu currículo” - foi a oportunidade que precisava para construir sua trajetória na maior emissora do país. .

Seis anos depois, ainda na emissora, fez um teste para ocupar a função de “moça do tempo”. E foi além. Carismática, faz o maior sucesso entre os telespectadores diariamente. Não à toa, ano passado foi eleita pela equipe do jornal O Globo, a personalidade do ano. Também recebeu o prêmio Faz Diferença e, por dois anos consecutivos, herdou o Trofeu Observatório da Televisão - Categoria Melhor Garota do Tempo (2015-2016).

Maju teve passagens marcantes em sua trajetória.
Para quem não se lembra, em 2015, foi vítima de ataques racistas - investigados pelo Ministério Público - nas quais atingiram, inclusive, a sua mãe. Na ocasião, jornalistas da Globo, colegas de trabalho da apresentadora, se solidarizaram e criaram a campanha hashtag "Somos Todos Maju", que repercutiu imediatamente nas redes sociais.

O que os criminosos da web não sabiam é que Maria Júlia Coutinho era - e continua sendo - uma ativista que levanta a bandeira pela igualdade racial e luta para que o preconceito e o racismo sejam extintos de qualquer âmbito, seja na televisão ou na periferia. Em uma entrevista a um site de notícias, ela contou que, por anos, se submeteu a um rito para ser aceita: esquentava no fogão um pente de metal e alisava o cabelo. “Fora dos pequenos círculos, era difícil assumir a identidade. Precisa coragem para usar o crespo, símbolo de estar à margem", defendeu.

Maju é uma inspiração.
E o Sol é todinho dela.

A experiência de Maju no assunto, fez com que surgisse a vontade de falar mais sobre curiosidades despertadas pelo público. Foi assim que a jornalista lançou a boa humorada publicação intitulada “Entrando no Clima”, pela Editora Planeta. “O livro traz informações que apurei com as fontes que construí ao longo desses anos na meteorologia”, explica ela que contou também com ajuda do especialista Mauro Neutzling Lehn, meteorologista do Aeroporto Internacional de São Paulo (Cumbica) e fera no assunto. A publicação desmistifica, de forma didática, efeitos climáticos que podem parecer de difícil compreensão.

Revista Tudo: Como surgiu a oportunidade de se enveredar pelo viés da meteorologia no Jornalismo?

Maju Coutinho: Minha chefia informou-me que gostaria de fazer um teste comigo na meteorologia. Fiz o teste, passei e um novo mundo se abriu para mim. Foi ótimo!

De que maneira você se informa, se atualiza e se reinventa em um segmento que não é muito exato, ou seja, pode tornar-se imprevisível a qualquer momento?

Tenho contato diário com meteorologistas que prestam serviço à Rede Globo. Nesses três anos e meio trabalhando com meteorologia, também fiz fontes em universidades e institutos meteorológicos nacionais e internacionais. Essa base é essencial para o meu trabalho. Sobre a imprevisibilidade, meu lema é o seguinte: “É previsão e não precisão”.



Conte-nos tudo sobre seu livro “Entrando no Clima”. Qual a mensagem você deseja passar ao leitor e como foi o processo de elaboração do conteúdo?

É um almanaque com informações básicas sobre a atmosfera. O livro traz informações que apurei com as fontes que construí ao longo desses anos na meteorologia. Para a elaboração do livro, contei com a ajuda do meteorologista Mauro Neutzling Lehn. Ele passava as informações, eu as reescrevia do meu modo e acrescentava dados apurados com minhas fontes. O texto passava por seu crivo, das fontes consultadas e de leigos (familiares e amigos que não entendem nada de meteorologia) para ficar o mais correto e claro possível. Com o livro, pretendo despertar a curiosidade do público para a atmosfera, que é essencial para nossa sobrevivência na Terra. A obra também conta com trechos de letras de músicas que citam o tempo. Afinal, pela minha percepção, depois do amor, o tempo é um dos temas mais cantados na nossa MPB. O último capítulo traz ditos populares sobre o tempo. Tanto os trechos de músicas quanto os ditos populares foram coletados nas minhas redes sociais. Pedi ajuda aos meus seguidores que prontamente me enviaram sugestões.



Você já teve diversas demonstrações de carinho do povo brasileiro. Isso a envaidece? De que maneira encara esse feedback?

Agradeço todo o carinho, mas procuro não tirar os pés do chão. Costumo dizer: divirto-me, mas jamais me deslumbro.



Nesse ano você completa 10 anos de Rede Globo. Qual balanço você faz de sua carreira desde a TV Cultura até aqui?

Minha carreira tem sido pautada por muita dedicação. Procuro ouvir as críticas construtivas para lapidar o trabalho. Ainda tenho muito chão pela frente e sei que o aprendizado é eterno. A frase do filósofo Sócrates me guia: "só sei que nada sei”.



O que faz para relaxar, que tipo de música que gosta de ouvir, quais lugares costuma frequentar em São Paulo?

Faço ioga e medito em casa, em pequenos intervalos durante o dia. Gosto de nadar. Ouço quase todo tipo de música. Em São Paulo, curto cinema, livrarias e restaurantes.

Vamos falar de beleza. Seus cachos são bem definidos. Qual a receitinha para deixar a cabeleira assim?
Eu uso cremes apropriados para ativar os cachos e hidrato em casa três vezes por semana. Tenho consciência que um cabelo crespo nunca terá um brilho intenso como um cabelo liso. Assumo e curto a opacidade dos meus fios.



Qual estilo você segue quando o assunto é moda e quais peças não podem faltar em seu closet?
Gosto muito de macacões, pantalonas e vestidos.
São as peças que preenchem meus armários.

 

 






 

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