Claudia Raia festeja 50 anos em boa forma


Por Michele Marreira

O ano era 1979, a cidade, Campinas, quando aos 13 anos de idade, a menina do interior paulista, Claudia Motta Raia de Mello, decide embarcar para Nova York em busca do sonho de se tornar uma famosa bailarina. Sua história serviu de enredo nos palcos de teatro. Ano passado, pôde dividir com o público sua trajetória de obstinação e sucesso através do espetáculo “Raia, 30”. No início da carreira, pouco a pouco, a atriz foi se enveredando pelo teatro de revista até consagrar-se em musicais brasileiros nos anos 90. Profissional versátil, viu na linguagem televisiva uma maneira de expandir seu talento. Walter Clark é um dos principais diretores importante em sua inserção no gênero. No humorístico “Viva o Gordo”, atuou com Jô Soares na pele da divertida personagem Carola. Em 1987, ganhou reconhecimento nacional, sendo acarinhada pelos fãs no folhetim “Sassaricando”, na pele da feirante Tancinha. “Ela foi minha primeira oportunidade de fazer uma grande personagem”, relembra com carinho. Participou de inúmeros folhetins: “Rainha da Sucata”, “Vamp”, “Deus nos Acuda”, “Engraçadinha”, “Torre de Babel”, “Terra Nostra”, “Belíssima”, “Sete Pecados”. Como esquecer a maquiavélica Lívia Marini, responsável pelo tráfico humano em “Salve Jorge”? Versátil, consegue transitar com intimidade entre o drama e o cômico. Em seu trabalho atual em “A Lei do Amor”, vive as peripécias de uma mulher que não se priva da felicidade, enfrentando criticas de moradores conservadores da cidade onde vive. Confira na íntegra a entrevista que realizamos com a diva das artes.

Revista Tudo: Em “A Lei do Amor” Salete se envolve com política. Na vida real você também é interessada no assunto?

Claudia Raia: Salete vai estragar todo esquema! Como ela é a figura mais popular e carismática da cidade, vai apresentar uma política honesta. A mulher é multifacetada, consegue fazer muita coisa. Tenho em comum com ela essa generosidade. Política é algo à parte, me envolvo como cidadã e não como artista. Nem se minha mãe se candidatasse faria campanha para ela.

Como você descreve sua personagem? De que maneira se deu a preparação para compor seu novo trabalho?

Salete é dona de um posto de gasolina, tem duas filhas, uma delas adotiva, mas é a biológica quem a rejeita. É uma mulher bonita e sensual que namora os frentistas novos que ela contrata. Solteira, ela curte a vida. Não fica presa em uma jaula. Ninguém sobrevive sem um grande amor.

Em 2016, você teve a oportunidade de celebrar trinta anos de carreira, nos palcos, através do musical “Raia, 30”. Qual balanço faz de sua trajetória artística?

Não era um espetáculo autobiográfico, nem contado de forma cronológica. É a história de uma menina, que, desde muito cedo, queria ser isso, lutou para ser isso e tornou-se isso. Poderia ser qualquer pessoa, mas, por um acaso sou eu. Foi um trabalho bem cantado, bem dançado e alegre, com cenários e figurinos lindos. Contamos a trajetória de forma humorada de uma lutadora que venceu os perrengues. Adoro debochar de mim mesma, falar que eu era nariguda e magra feito uma folha de papel (risos). Em uma hora e meia de duração não conseguimos fazer todas as personagens de TV no teatro. Optamos pelas caricaturas, algo mais estereotipado que funcionasse no palco. Relembramos diversos momentos icônicos da minha carreira, porém, outras partes não entraram. O palco é a minha casa.

Nesse período você teve a chance de viver papeis distintos. Deseja interpretar algum perfil específico?

Uma carreira é feita de talento, oportunidades e trabalho. Eu tive mãos que me foram estendidas e me proporcionaram grandes papeis com muita luta e trabalho. Tenho tanta coisa para realizar ainda... Mas por enquanto não estou pensando no próximo, esse personagem está muito bacana. Sou uma atriz física, sou movimento. Quando não derrubo tudo (risos). Televisão me dá um prazer enorme, adoro fazer, é diferente.

Cantar, dançar e interpretar tudo ao mesmo tempo. Revela uma de suas técnicas para não se cansar tanto em cena!

Para cantar e dançar em cena não podemos ofegar. Ou seja, vocês precisam achar que estamos lichando as unhas, quando na verdade estamos morrendo (risos). Nesse momento utilizo de uma técnica de abrir as costelas. É um músculo que precisa se manter aberto precisa treinar. A dança é aeróbica, são picos elevados. Comecei a cantar notas longas enquanto corria na esteira tentando descobrir o meu limite.

Viver uma personagem densa é mais complexo? Como lida na hora de compor o perfil?

Eu não sou dessas atrizes que ficam chorando horrores, dilacerada. Porque ali estamos brincando de ‘ser’, senão a gente fica bem doida! Essa coisa de se envolver com o personagem demasiadamente é uma piração que vai de cada um. Faço o melhor possível. É uma carga dramática forte, mas chego em casa tomo um banho de sal grosso e está tudo certo.

Em 1987, você ficou conhecida do grande público ao interpretar a feirante Tancinha no folhetim “Sassaricando”. Quais lembranças guarda desse trabalho e o que achou da interpretação de Mariana Ximenes, que reviveu o papel em “Haja Coração”?

A Tancinha é meu xodó, foi muito especial. Ela foi minha primeira oportunidade de fazer uma grande personagem. O Silvio de Abreu – eu nem sabia direito quem ele era – passou pelo corredor da TV Globo, me abordou dizendo que tinha escrito um papel para mim na novela dele. Disse que escreveria um dos maiores sucessos de minha carreira. Eu confesso que não coloquei muita fé (risos). A partir dali, nos tornamos amigos íntimos. Mariana foi uma escolha perfeita, ela é ótima!

O que costuma fazer para manter a silhueta em dia?

Minha vida é malhar, fazer aeróbica e aula de balé. É o que faço sempre, não houve nenhuma alteração. Faço musculação e aula de canto. Sigo uma dieta e acabei perdendo três quilos. Não fumo, não bebo, não me drogo e me alimento muito bem. Na dança e no canto se você ficar uma semana sem se exercitar, parece que regredimos cinco anos. Mesmo fazendo novela não abro mão das minhas aulas.

O que mudou ao completar 50 anos de idade em dezembro?

Suor e lágrimas, não é brincadeira, não. Quando não tenho uma noite boa de sono, percebo que não tenho mais vinte anos, mas de resto... Eu tenho uma energia, sou muito animada, praticamente uma adolescente (risos). Todos nós vamos envelhecer, isso é fato! Mas é legal que isso aconteça de uma forma bacana. Me sinto bem com minha idade. A pele, o corpo e o cabelo também estão legais. Com a maturidade a gente aprende o que quer da vida.

É verdade que você é apaixonada por chocolate?

Chocolate é o doce da vida. Não chego a ser chocólatra, como pouco doce, mas garanto meu pedacinho (risos).

Você lançou uma fragrância que leva seu nome em parceria com a Jafra. Como surgiu a idéia de ter seu próprio perfume?

Eles têm o slogan “liberdade para ser o que você é”, me convidaram dizendo que eu preenchia a imagem dessa mulher. Eu adorei, sempre quis ter meu próprio perfume. Tive a liberdade de procurar a fragrância, eu opinava junto à perfumista, até chegarmos ao ponto certo.

Há outros produtos que levam seu nome?

Tenho uma linha de esmaltes da Luxor, uma cinturita para malhação e uma linha de suplementos alimentares só para mulheres, que alivia os sintomas da TPM.

Qual seu envolvimento em causas beneficentes?

Gosto de me envolver, sempre que posso ajudo mesmo! Se cada um de nós doarmos um pedacinho, vira uma coisa enorme. Questões sociais são importantes e nós artistas temos que defender e ajudar.

Podemos afirmar que sua mãe é a maior inspiração quem te impulsionou em sua vida e carreira?

É uma emoção vê-la bem no auge de seus 92 anos de idade. Ela é minha rainha. Com uma filha insana que queria sair da gaiola, ela abriu a porta e me permitiu viver tudo isso, monitorando todos os passos como boa matriarca. Ela é uma mãe energicamente doce. Sempre prezou pelos princípios, educação e boas maneiras.

E se sua filha Sophia quiser seguir carreira artística...

Uma hora ela quer moda, outra deseja o palco. Sophia sapateia lindamente. Isso não significa nada. Ela é muito jovem pode até seguir com isso por anos e, depois, optar por outro caminho. Não crio a menor expectativa sobre ela ou o Enzo. Eu fui o que quis ser com uma carreira bem sucedida. O Edson (Celulari, pai e ator) também. Que eles tenham a sorte de encontrar algo que os faça felizes.

 

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