O CONTO DA MALA

Por Florence Corrêa Duarte

Estão por todas as partes. Certamente você já se deparou com alguns por aí. Funciona assim. Te abordam. Primeiro te oferecem gratuitamente exemplares atuais de algumas revistas (não são tão atuais assim). Depois te oferecem a assinatura das revistas, onde você vai pagar APENAS a postagem – ou seja, a revista sai de graça. Em alguns lugares te oferecem um presente – uma mala (que aliás é bem atraente como brinde!). Mas essa só se você assinar uma determinada revista semanal.

Pronto, você já está interessado. E ainda a mala, tão bonitinha, tá olhando prá você...

Você é informado de que deve escolher duas revistas. A primeira você vai levar sem escolha – porque o que quer mesmo é a mala. Escolho a segunda revista. A jovem informa o preço:

“De R$ 2.200, fica apenas 12 prestações de R$ 85 no cartão!” Você se sente privilegiado por ter encontrado a fulana que te ofereceu um negócio da China!

Será?



Falo: “12 vezes de R$ 85 dá R$ 1.020. Quanto custam as revistas?” E nisso, já pego os exemplares que estão no balcão e olho, automaticamente fazendo a conta. “Mas afinal, é o mesmo preço do que se for comprar na banca!”. A garota me olha com cara de que foi desmascarada. Tenta me oferecer outro brinde.

Sem entrar no mérito da qualidade das revistas, a estratégia é bastante maliciosa, para não dizer mal intencionada. Porque a maioria das pessoas vai achar que está fazendo um grande negócio, por conta da maneira como é dada a informação – afinal, parece que você está fazendo uma enorme economia, e não está!

Não que o pacote não interesse para alguns. Mas no geral, para ganhar a mala, você engole uma revista que pode não ser a sua preferida, acaba assinando duas, incorre num custo fixo mensal do qual não poderá se desfazer (ao contrário, se deixasse para ir à banca, poderia optar por não comprar as revistas vez ou outra). Muito mais correto seria limitar o discurso ao “assine duas revistas e leve a mala de brinde”.

A jovem que me atendeu contou que a editora recruta estudantes de faculdades particulares, e que, se eles batem as cotas de venda, a editora paga a mensalidade da faculdade por alguns meses. Além disso, a experiência vale como estágio obrigatório – ou seja, recrutam um exército de jovens altamente motivados a te fazer comprar as assinaturas.

Moral da história: analise bem as promoções que te são apresentadas, e faça compras conscientes.

Outra moral da história: desconfie de tudo – hoje em dia isso não é um exagero!


Florence Corrêa Duarte – Educadora financeira e Planejadora Financeira Pessoal. Auxilia mais de 20 famílias com o controle de sua vida financeira, dívidas e investimentos. Idealizadora do Café Financeiro na Granja Viana (facebook.com/cafefinanceirogranjaviana).

 

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