Educação Alternativa

Diferentes agrupamentos de alunos, flexibilidade de currículo e outra forma avaliativa. Essa maneira alternativa de ensino ainda mete medo em alguns pais. Mas antes de decidir o rumo que seu filho deve tomar, vale a pena conhecer iniciativas que são modelo no mundo. Com o objetivo de transpor para a educação musical abordagens que fugissem ao padrão do sistema tradicional de ensino, a educadora Leila Vertamatti pesquisou três escolas: a Escola da Ponte em Portugal, a abordagem Reggio Emilia na Itália e Escola Jenaplan, na Alemanha e Holanda.

As três escolas pesquisadas possuem formas de agrupar alunos que distinguem das encontradas no sistema tradicional de ensino. Outra diferença é a flexibilidade de currículo. Ao contrário da escola tradicional que tem uma forma organizada e padronizada, nessas abordagens alternativas, o currículo se adapta à necessidade de cada aluno. Cada uma possui uma história de vida. Vamos conhecer um pouco mais.

A Escola da Ponte

 Nesta escola, o ser humano é visto como indivíduo único e deve ser valorizado segundo as suas necessidades e o seu próprio desenvolvimento. O aluno tem autonomia para tomar suas decisões, mediadas pelo professor.

A distribuição dos alunos é feita em três núcleos: Iniciação, Transição e Desenvolvimento. Na iniciação, os alunos entram em contato com leitura, escrita e matemática; na Consolidação ou Transição aprendem a trabalhar em grupo, pesquisar e planejar atividades e conteúdos. Finalmente, no núcleo de Aprofundamento, desenvolvem as competências do segundo ciclo do ensino Básico, aprofundando a autonomia.

 Esta abordagem é experimentada e adaptada na Escola Municipal Desembargador Amorim Lima no Butantã, em São Paulo.

 Reggio Emilia

A Reggio Emilia é uma escola do sistema municipal pré-escolar. Após o final da segunda Guerra, as mulheres de Villa Cella, localizada nas proximidades de Reggio Emilia no nordeste da Itália, decidiram erguer uma escola para os filhos em meio à região devastada.

 O responsável pela criação da Reggio Emilia foi o pedagogo e educador Loris Malaguzzi. O trabalho foi árduo, pois em meio ao fascismo italiano Malaguzzi não teve acesso aos trabalhos pedagógicos desenvolvidos em outros países.

 Nesta abordagem, os professores não se baseiam somente em teorias e conceitos, mas na prática, que oferece significados, reflexões e ações pedagógicas para os envolvidos.

 O espaço também é considerado muito importante e deve favorecer a visibilidade, a interação, a comunicação, a curiosidade e a criatividade. Por isso há paredes transparentes e ambientes com espelhos.

A Pedagogia Jenaplan teve início na Alemanha e, posteriormente, foi desenvolvida também na Holanda.

Peter Peterson montou uma escola experimental na Universidade de Jena movido pela insatisfação dos pais em relação ao sistema escolar.  Durante a guerra a escola foi fechada e reaberta posteriormente por uma holandesa.

 Nesta abordagem há quatro momentos importantes: Diálogo, Jogo/Brincadeira, Trabalho e Celebração.

No diálogo, incentiva a troca de ideias; o jogo é importante por incentivar a criatividade; o trabalho se dá no aprendizado diário orientado e a Celebração, por sua vez, tem funções como relaxamento e a  construção do convívio comunitário.  “Não se faz educação sem vínculo emocional, sem acreditar no potencial do aluno, sem gostar de ser educador e aprender a aprender com os alunos.”, conclui Leila Vertamatti.

O resultado de tese de doutorado da pesquisadora será publicado em breve pelo selo Cultura Acadêmica da UNESP com o título “Entre-sons, entre-mundos, entre idades – a educação Musical e o Adolescente”.

Para quem quiser conhecer um pouco mais das escolas, deixamos alguns endereços:

http://www.escoladaponte.pt/

http://www.scuolenidi.re.it/

http://www.jenaplan.nl/nl/jenaplanschools.html




 

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